R&I - Wish You Were Here

13 Capítulo 12 - Eu Ainda Te Amo


Notas iniciais
Acho que o título já diz muito sobre o capítulo, mas...
Esse não é tão grande quanto o anterior, mas saiu mais rápido, e enfim, é isso aí.

Divirtam-se!

Maura também estranhou e muito a forma íntima de cumprimento de Alex, mas é claro que não recuou e nem teve nenhuma atitude ofensiva. Maura era uma verdadeira dama. E Alex também, para que não houvesse mal entendido, sussurrou no ouvido da loira, ainda ali na porta, para que ela entendesse, ou pelo menos entendesse um pouco o que estava acontecendo:

– Relaxa, estou fazendo isso para te ajudar.

Definitivamente à loira não entendeu quase nada. Alex cumprimentou Jonathan e Jane. A morena estava tão irritada e tensa que mal conseguia disfarçar. Não soube forçar seus sorrisos amarelos e ficava esfregando as mãos enquanto Alex começava a conversar introsadamente com Jonathan.

Maura nem desconfiava de nada, mas assim que Jonathan sobue da história que ela contou a respeito de Alex, ele fez questão de procurá-la, se apresentar e pedir a ajuda dela para uni-la com Jane, pois do jeito que as coisas estavam indo lentas, era capaz delas só se entenderem aos noventa anos. Alex não pensou duas vezes em aceitar a proposta do rapaz. Ela adorava Maura e na época em que se conheceram até chegou a se apaixonar por ela, mas sabia que Maura não fazia parte e nem nunca faria do seu mundo particular, tampouco se apaixonaria por ela. Se tinha uma coisa que ela sabia a respeito de Maura desde quando a conheceu há anos atrás era que ela era de Jane.

O jantar iniciou e era nítido o clima de tensão. Jonathan e Alex conduziam toda aquela encenação perfeita, sem que Jane e nem Maura se dessem conta do que estava acontecendo. A única coisa que a morena sabia é que estava morrendo de ciúme, porque o tempo todo o assunto na mesa era relacionado à Maura e Alex. As coisas ficaram ainda mais tensas quando Jonathan perguntou onde Maura havia conhecido Alex.

– No hospício — Foi a resposta em tom debochado de Vause.

Maura olhou repreensiva para ela e depois olhou para Jonathan com uma visível interrogação no rosto. Porque ele estava perguntando algo que já sabia?

– Vocês se conheceram num hospício? — Jane perguntou incrédula, olhando para Maura.

– Numa clínica psiquiátrica — Corrigiu ela.

– Ou seja, num hospício — Jane e Alex disseram ao mesmo tempo, revirando os olhos, sempre impacientes com a frescura de Maura.

– O que você fazia num hospício? — A morena perguntou e Jonathan e Alex se entreolharam, vendo que aguçaram a curiosidade da morena em relação ao passado.

O que de fato eles queriam era que, chegando no assunto "passado", Maura acabasse contando logo de uma vez toda aquela história que os dois bem conheciam e assim finalmente dando a explicação que Jane merecia ouvir para que elas pudessem se entender.

– Meus pais me colocaram lá porque acharam que eu estava muito... descontrolada — Respondeu num tom baixo e sem encarar Jane. Ela não gostava de relembrar essa época e nem queria ter tocado no assunto ali na hora do jantar.

– Maura teve uns surtos, né loira? — Alex perguntou para ela com um sorriso e recebeu um olhar não muito agradável — Digamos que ela não se adaptou bem nos primeiros anos na Inglaterra.

– Pois é. Eles foram difíceis... — Jonathan completou.

– Engraçado, pensei que tivessem sido os melhores anos da sua vida, Maura — Jane disse com ironia, encarando a loira que estava sentada em sua frente — Já que estudou medicina por lá, se formou, virou essa grande legista e ainda por cima conheceu a Alex.

Alex arqueou uma sobrancelha e olhou para Jonathan, que também estava surpreso com a reação rápida da morena. Resolveram que era hora de se calarem e apenas observarem.

– Foi graças à Inglaterra sim que eu me formei em medicina, me especializei e hoje estou aqui, sendo a profissional que sou, e foi também na Inglaterra que conheci Alex, mas nada disso indica que tenham sido os melhores anos da minha vida — Maura disse seca, porque já estava cansada das insinuações estúpidas que Jane fazia.

– Para mim indica e muito. Até porque, até onde eu sei, antes de passar aquele ano tão descartável pra você em Boston, antes, você já morava em Londres.

Todos pararam de comer, Jonathan até deixou o garfo cair sem querer e fazer barulho ao encostar no prato ao ouvir aquilo. Ele e Alex se entreolharam. Jane havia pegado pesado agora.

Maura deixou seus talheres de lado, já não estava mesmo conseguindo comer. Não fez questão alguma de esconder a incredulidade em seu rosto e logo em seguida a revolta, suas sobrancelhas franzidas.

– Ano descartável? Quando foi que eu disse que o ano que passei em Boston foi descartável?

– Não disse, mas também é o que tudo indica.

– É o que tudo indica o é o que você acha? Porque você sempre teve essa péssima mania de achar que sabe tudo e de que tudo que você acredita seja realmente a verdade! — O tom de Maura era alto e elevado.

– Uou... — Alex disse baixinho, sendo ouvida apenas por Jonathan, ambos parados observando as duas.

Jane também estava revoltada.

– Tudo que eu acredito? — Soltou um riso de indignação, e olhou furiosa para Maura em seguida- Não é tudo o que eu acredito, mas é tudo o que eu sei! Você foi embora de Boston sem me dizer o motivo, sem me dar o mínimo motivo e está querendo dizer agora que eu invento verdades ou que o que eu acredito que seja verdade, eu quero que todos acreditem também? A única verdade que eu sei é que você foi embora de Boston sem ter o mínimo de consideração por mim, pelo nosso namoro e nem por ninguém.

– De novo esse assunto! — Disse impaciente, levantando da mesa — Me desculpem, mas eu realmente não estou mais com apetite. Podem terminar o jantar, porque eu vou me recolher...

Maura saiu da mesa e nem sequer deu dois passos e ouviu Jane falando alto.

– Isso, faça isso, fuja. É só isso que você sabe fazer! É só isso que sempre fez!

A loira respirou fundo, virou, encarou os olhos de Jane.

– Você não sabe de nada!

– Então me conta! — Gritou, colocando as mãos sobre a mesa com força para dar impulso e se levantar, então sentiu sua pele arder e viu que havia cortado a mão, por batê-la sobre a faca. — Oh merda... — O sangue começo a escorrer rápido, sujando a toalha e então ela ergueu a mão.

Maura olhou-a preocupada, toda aquela expressão de raiva e decepção indo embora. Correu na direção de Jane, parando bem perto dela.

– Você está bem? Deixe-me ver isso...

– Não, tá tudo bem — Disse de forma grosseira, com a mão erguida, não deixando Maura ver. A loira olhou-a de forma insistente, Jane sabia que ela não desistiria. — Não foi nada.

– Jane, deixe-me ver!

Jane então estendeu a mão para Maura, que pegou um guardanapo da mesa e usou para tirar o excesso de sangue e poder ver o tamanho do corte.

– Por pouco você não tem que dar ponto, mas tenho que fazer um curativo.

– Não precisa, eu vou embora, em casa faço isso...

Jonathan olhou para Alex em alerta ao ouvir aquilo e ficou aliviado ao ver ela assentindo, dizendo por sua expressão que havia feito o combinado.

– Você não vai sair daqui enquanto eu não fizer um curativo. Eu te conheço e sei que você não saberá fazer um curativo adequado. Sabia que por meio dos cortes você pode pegar milhões de bactérias? — Jane fez uma careta ao ouvi-la. Maura tocou-a no pulso delicadamente — Venha comigo, meu kit de primeiros socorros está no banheiro do meu quarto. Vou cuidar disso.

Sem protestar Jane foi guiada pela loira para dentro da grande casa. Assim que as duas sumiram da vista de Jonathan e Alex, os dois mais do que depressa foram embora.

– Você acha que vai dar certo largar essas duas loucas sozinhas? — Alex perguntou para ele, ambos já na rua.

– Não sei, mas não custa tentar. Você furou o pneu da Jane como combinamos mesmo?

– Furei dois — Ele olhou espantado para Alex e então ambos começaram a rir — Por via das dúvidas. Vai que ela tinha um pneu extra né...

– Ótimo, de qualquer forma então ela vai ter que ficar aí com a Maura. Agora vamos embora antes que elas deem por nossa falta.


Assim que entraram no quarto de Maura, a loira fez Jane sentar em sua cama e ficar com a mão virada para cima, pressionando o guardanapo de pano ali para controlar o sangue.

– Vou pegar o kit, só um minuto.

Enquanto Maura foi até o banheiro, Jane ficou reparando no quarto dela e se surpreendeu ao ver no canto do mesmo um grande urso branco e cor de rosa que Jane havia ganhado para ela em uma das vezes que foram num parque de diversões. Ela podia lembrar daquele dia como se fosse ontem...


Há doze anos atrás.

Fazia um dia lindo em Boston. Um sol forte e o céu azul, límpido. Os pássaros cantavam e todos estavam felizes com aquele clima próprio para um dia agradável de passeio.

Jane e Maura andavam de mãos dadas dentro de um parque de diversões lotado e assim como a maioria dos casais e famílias ali presentes, elas estavam radiando felicidade. A ideia de ir ao parque foi dada por Jane, assim que soube que a namorada nunca havia ido num parque quando morava na Inglaterra. Achou aquilo um absurdo e então quis levá-la. Maura ficou radiante com a ideia.

No parque, elas foram em praticamente todos os brinquedos. Maura estava êxtasiada e a namorada ficava babando ao ver a felicidade da loirinha. Depois dos brinquedos, elas comerem uma maçã do amor juntas, da forma mais romântica possível, além de cachorro quente e outras besteiras que vendiam por lá. Por fim, foram brincar nas barracas.

– Duvida quanto que eu consigo te dar aquele urso ali? — Jane perguntou com um sorrisinho presunçoso, apontando com o indicador o grande e chamativo urso em uma das barracas, urso esse que estava sendo desejado pela maioria das pessoas. Havia uma fila enorme para tentarem a sorte no tiro ao alvo.

– Jane... para conseguir aquele urso precisa acertar seguidamente dez alvos, você não leu na placa? É tecnicamente impossível você conseguir, já que nunca pegou em uma arma antes e...

– Vou te mostrar!

A morena agarrou a mão da namorada e puxou-a até a fila. Perderam quinze minutos ali e mesmo tendo certeza que a namorada não conseguiria, Maura se mostrava até otimista, pois sabia que Jane ficava sempre cabisbaixa e irritada quando não conseguia o que queria.

– Eu não sei como esse povo não consegue... é tão simples! Os alvos são fáceis e não se mexem tão rápido assim. Eu vi numa revista policial que o segredo na hora de atirar em alguém em movimento é mirar pouco a frente da direção que a pessoa está indo.

– Você anda lendo revistas que falam sobre a polícia? — Maura perguntou curiosa. — Já decidiu se vai mesmo tentar entrar?

– Não tenho certeza ainda, mas é algo que disperta muito meu interesse. Sabe que eu sempre quis fazer algo que ajudasse os outros e que ainda por cima me desse um pouco de adrenalina...

– E como eu sei! Você é elétrica demais.

As duas soltaram um risinho e logo chegou a vez delas.

– Qual das duas vai tentar a sorte? — O dono da barraca perguntou.

– Eu — Jane se aprenseu na frente e ele sorrio, entregando-a um revólver falso preto.

– Pode se posicionar ali e ficar a vontade. São dez tentativas. Se acertar duas vezes, ganha pirulito. Se acertar 5, ganha qualquer outra coisa que tenha na barraca e se acertar dez, leva aquele urso.

– Eu acho que eu vou querer o urso — Jane disse com um sorrisinho e então Maura se posicionou do lado dela, analisando a feição de concentração da namorada.

Jane segurou no revólver com a mão esquerda, porque era canhota, e mesmo nunca tendo pego num revólver antes, ela segurou de forma perfeita e apoiou a mão direita em baixo da esquerda. Analisou todos os alvos e fixou o olhar no primeiro alvo. Eles se mexiam de um lado para o outro, mas não era tão rápido assim. Respirou fundo e adiantou um pouco a a mira e deu o primeiro disparo, acertando em cheio o primeiro alvo, em seguida já disparou mais duas vezes, acertando mais dois e Maura sorrio, impressionada, mas ainda não achava que ela conseguiria acertar todos. Mas Jane acertou e foi aplaudida pelo dono da barraca.

– Nossa, faz meses que ninguém acerta assim, e de primeira nunca ninguém acertou!

Maura olhou radiante para Jane, que havia até suado de tão nervosa na hora de atirar, e sentiu naquele momento, com a arma na mão, que era aquilo que queria fazer pelo resto da vida.

– Você conseguiu! Parabéns meu amor! — Disse no ouvido de Jane, dando um beijo delicado na bochecha dela, deixando o dono da barraca um pouco constrangido, mas ela nem ligava.

– Eu disse que conseguiria o urso...

O homem pegou o urso e entregou para elas, Maura o abraçou fortemente, completamente encantada.

– Ele é tão lindo...

– É seu. Como vai chamá-lo?

– Sra. Rizzoli.

Jane soltou uma gargalhada alta enquanto elas andavam e carregavam o urso.

– Sra. Rizzoli? Really?

– Sim.

– Por quê?

– Porque um dia eu quero ser chamada assim: Sra. Rizzoli. Quero me casar com você...

Jane parou de andar e seus olhos brilharam ao olhar para Maura. Definitivamente Jane só se casaria se fosse com Maura. E não seria nem um pouco difícil isso acontecer. Era só terem idade e condições suficientes para isso.

– Nós vamos nos casar.


Nos dias de hoje.

Jane nem piscava. Fitava o nada com uma expressão boba ao lembrar daquele momento, quando Maura voltou ao quarto, segurando uma caixa branca. Ela sentou na cama ao lado de Jane e abriu a caixa, pegando água oxigenada, gases e um par de luvas.

Maura notou que Jane estava diferente do que há minutos atrás, não parecia mais irritada, pelo contrário. Seu rosto estava tão sereno e seus olhos tinham um certo brilho. Maura não disse nada e nem Jane. Segurou no braço dela delicadamente e apoiou a mão da morena em seu colo. Limpou o corte com a água oxigenada e então Jane fez uma careta.

– Ai...

– Está doendo? — Perguntou o óbvio e logo esperou por uma resposta grosseira.

– Um pouquinho — Respondeu de forma branda e num tom baixo, que impressionou à loira.

Quando terminou o curativo, tirou as luvas e guardou novamente o kit no banheiro. Ela e Jane foram até a sala para verem Jonathan e Alex mas os dois haviam sumido.

– Onde eles estão?

– Não faço ideia... — Então o celular de Maura vibrou em cima do balcão, ela foi vê-lo e havia uma mensagem — Jonathan acabou de me mandar uma mensagem dizendo que teve que ir embora, recebeu um chamado de urgência. Que estranho.

– E Alex? — Jane perguntou indiferente.

– Nada.

– Bom, acho melhor eu ir embora agora também. Já está ficando tarde mesmo.

Elas se olharam. Maura não queria que a morena fosse embora, ainda mais depois da catástrofe que foi o jantar. Mas não poderia fazer nada para impedi-la.

– Tudo bem. Cuide dessa mão. Você já tem cicatrizes suficientes — Disse, mas tentou não demonstrar muito sua preocupação.

– Pode deixar...

Jane foi se encaminhando até a porta e Maura foi atrás, vendo-a sair. A morena se encaminhou até seu carro, que estava parado ali na porta e logo ao olhar de relance para o chão, viu os pneus totalmente murchos.

– Ah, eu não acredito nisso! — Disse irritada, se abaixando rapidamente e olhando de perto os pneus — Mas como isso aconteceu? Que merda!

– O que houve, Jane? — Maura perguntou da porta.

– Dois pneus furaram...

Naquele momento Maura começou a encaixar as peças do quebra cabeça. Jonathan e Alex se conhecendo. Ele dando a ideia de Alex comparecer no jantar. O comportamento estranho da amiga, como se estivesse dando em cima dela, os assuntos polêmicos e logo os dois fugindo ao mesmo tempo de sua casa, e agora os pneus de Jane furados. Era impressão ou eles estavam querendo dar um jeito de uni-las? Melhor não pensar nisso agora.

– Eu te levaria até sua casa, mas hoje é o dia em que deixo meu carro no mecânico para troca de óleo e esse tipo de coisa — Maura explicou, enquanto saía da porta e se aproximava — Dorme aqui em casa essa noite.

Jane a olhou surpresa. Esse era o óbvio a se fazer, mas não pensou que Maura fosse oferecer após elas terem discutido novamente.

– Eu não sei se é uma boa ideia...

– Sua namorada iria se incomodar, não é? — Maura disse já incomodada.

– Eu não sei mais se tenho namorada depois de hoje.

– Como assim? — Maura estava agora esperançosa.

– Eu disse que viria jantar na sua casa e eu e Lauren acabamos discutindo.

– Sinto muito por isso, não queria ser motivo de discórdia — Murmurou baixinho e se virou. — Vamos entrar...

Jane seguiu Maura até dentro da casa novamente e disse de repente:

– Eu e Lauren não damos certo — Maura ficou imóvel ao ouvir aquilo e olhou para Jane, que também não fazia ideia do porquê estava dizendo aquilo, só sabia que agora diria até o fim — Eu gosto dela, de verdade. É uma garota incrível, especial e sei que ela é apaixonada por mim. Pensei que isso fosse ser suficiente, mas...

– Mas?

– Mas não é o suficiente. Não posso ficar com alguém que está apaixonada por mim, que se sente feliz na minha presença, que faz o possível e o impossível, que se dá tanto, quando eu não posso correspondê-la.

– Porque não pode correspondê-la?

– Porque ela não é a mulher que eu amo — Disse, com o restante de sua coragem.

O coração de Maura disparou. Ela conhecia aquele olhar. Será que ela era a mulher que Jane amava? Mas como se a morena tinha tanta raiva e mágoa por ela ter ido embora? Não era possível. Talvez estivesse enganada...

Se surpreendeu ao ver Jane avançando em sua direção, invadindo seu espaço pessoal.

– Jane...

– Maura...

Nenhuma das duas sabia quando foi e nem quem tomou a iniciativa, mas seus lábios se juntaram dando início a um beijo apaixonado. Jane apoiava a mão machucada no ombro da loira e com a outra segurava em sua nuca por baixo dos fios loiros. As mãos de Maura seguravam delicadamente o rosto de Jane. O beijo durou poucos minutos, mas foi cheio de intensidade.

– Jane, não faça isso, por favor... — Maura disse já com a voz embargada — Da última vez que você quis brincar comigo, eu levei semanas para me recuperar.

A loira se afastou e sentou no sofá. Não queria olhar para Jane. Não queria encarar o olhar de fúria que provavelmente receberia como sempre. Estava cansada disso. Cansada de ser odiava por algo que não foi sua culpa. Estava cansada de ser responsabilizada por tudo.

Jane não fazia ideia que a tinha machucado tanto assim. Sentou no sofá também, próxima a ela.

– Maura, eu não queria te machucar. De verdade. Quer dizer... eu estava com raiva mas mesmo assim não queria te machucar desse jeito... eu não estava brincando com você... eu...

– Eu sei. Só queria fazer uma espécie de vingança porque me odeia por eu ter te abandonado. Já sei disso, Jane. Na verdade eu estou cansada de saber disso — Olhou-a e Jane se surpreendeu ao ver os olhos verdes marejados — Não precisa ficar me lembrando sempre o quão estúpida fui por ter ido embora, por ter deixado a minha felicidade e o amor da minha vida. Não preciso de ninguém me culpando porque eu já carrego essa culpa há muito tempo e dói, Jane. Dói muito...

A morena se calou. Se Jane representava sua felicidade e era o amor de sua vida, ainda não fazia sentido Maura ter ido embora. Mas não queria brigar com ela, não queria acusá-la de nada naquele momento. Viu nos olhos marejados da loira que ela estava realmente sendo sincera, que ela também estava sofrendo assim como Jane.

– O que mais me doeu foi quando eu tentei te procurar, quando te telefonei e Tommy foi rude e me disse que você havia me esquecido. Tudo bem que eu mereci a grosseiria dele, mas ouvi-lo dizer que você não se lembrava mais de mim foi tão...

Jane a olhou com os olhos arregalados.

– Você... você me procurou? Você telefonou? — Maura assentiu, também surpresa, achando que Jane soubesse disso — Você me telefonou e o Tommy te disse isso?

– Sim, ele não te contou?

– Não!

Jane continuava com aquela expressão de incredulidade. Maura havia procurado-a! Isso mudava tudo, porque o que mais incomodava Jane era o fato de Maura nunca ter sequer tentado procurá-la, isso era sinal de que não se arrependia por ter ido embora, mas se Maura a procurou...

– Tudo bem, não faz diferença mesmo — Soltou um suspiro em seguida.

– Claro que faz! Faz toda diferença pra mim, Maura! — A loira olhou para Jane tentando compreender — Por que você me procurou?

– Porque... Porque eu queria te explicar o que tinha acontecido... porque eu... Porque eu te amava.

Jane sorrio. Um sorriso largo de felicidade e Maura ficou ainda mais confusão, mas não reclamou daquele sorriso. Era tão bom ver Jane sorrindo daquela maneira.

– Você ainda me ama?

O coração da loira começou a bater daquela forma feroz e sentiu aquele nó em sua garganta. O maldito nó que permaneceria ali enquanto ela não respondesse aquela pergunta. Enquanto simplesmente não vomitasse tudo que estava entalado em sua garganta durante todos aqueles anos. Na primeira vez que tentou falar sobre isso com Jane, a morena não a deixou explicar nada. Agora ela estava tendo aquela chance.

– Jane, por favor — Sua voz estava trêmula e um pouco estrangulada pelas lágrimas que ainda conseguia segurar.

– Maura, eu preciso saber. É importante — A morena a olhava, seu coração também acelerado, todas as suas emoções ali, expostas em seus olhos escuros.

– Sim, eu amo — E então as primeiras lágrimas rolaram pelo rosto da loira, que imediatamente virou, não querendo que Jane a visse chorar. Sentia-se uma tola por isso, mas não conseguia controlar sua emoção.

Jane ficou estática por uns instantes, com uma cara de boba, mas logo seus lábios foram formando um sorriso. Maura estava viva. Estava em Boston novamente. Trabalhava com ela. Estava ali, diante de seus olhos, ao alcance das suas mãos e ainda a amava. E Jane também a amava muito, desesperadamente. E isso era o que importava. Passou tanto tempo querendo entender, querendo saber do passado, do motivo pelo qual Maura foi embora e se esqueceu de que a única coisa que importava é que elas ainda se amavam e de que Jane queria ficar com ela novamente.

– Eu ainda te amo — Disse baixo, mas num tom suficiente para Maura ouvir.

A loira limpou rapidamente suas lágrimas e virou para encarar Jane. Viu o sorriso dela e aquele olhar que tão bem conhecia. Ela estava sendo mais do que sincera. Maura não podia acreditar. Será que havia ouvido direito?

– Você... você disse...

– Eu te amo — Repetiu novamente, ainda imóvel no sofá, apenas encarando Maura — Eu te amo mais do que tudo. Eu te amo mais do que qualquer outra coisa. Eu sempre te amei. Eu nunca deixei de te amar e acho que nunca irei.

Maura não podia se conter de tanta felicidade. Puxou-a pelo rosto e a beijou, logo perdendo as mãos naqueles cabelos. Jane envolveu os braços ao redor do pescoço da loira e correspondeu o beijo com intensidade.

O plano de Alex e Jonathan havia dado certo. Era à primeira vez desde que Maura voltou que o beijo delas não tinha aquele gosto amargo de mágoas e culpas. Naquele momento o beijo só tinha gosto de amor. Porque sim, elas se amavam. E quando um amor realmente existe e é verdadeiro, ele resiste ao tempo, aos erros, às mudanças e a qualquer outra coisa que se imponha diante deles.

Notas finais
Porque o importante é que elas ainda se amam ♥ Santa Sasha aprovou esse capítulo. Tchau.