R&I - Wish You Were Here

14 Capítulo 13 - Descobrindo a Verdade


Notas iniciais
Esse capítulo também o título já diz muito...
Acho que é o capítulo mais esperada por todas vocês depois do capítulo em que Maura levará um tiro. Não sei se ficou muito bom, porque escrevi na madrugada, mas...
Rizzles é tudo de bom! ♥

Aquele momento poderia ter durado para sempre que nenhuma das duas reclamaria. Não havia nada no mundo melhor do que estarem nos braços uma da outra. E elas souberam disso desde à primeira vez que ficaram juntas.

Jane e Maura se levantaram e foram para o quarto da legista. Pararam de frente uma para a outra e então Maura começou a se despir lentamente, tirando peça por peça, sem desviar seu olhar dos olhos de Jane, que mesmo morrendo de vontade de ver aquele corpo, também não desviava o olhar do seu, como se estivesse hipnotizada, completamente.

Quando ficou nua, Maura então começou a se aproximar de Jane, que sentia um nervosismo inexplicável que não sentiu naquela noite de sábado por causa do efeito da bebida. A mulher da sua vida estava cada vez mais perto, completamente nua e com aqueles olhos verdes famintos e lindos em seu corpo. Maura parou bem na frente de Jane, segurou na barra da blusa dela.

- Posso? — Sua voz naquele tom baixo causou um arrepio na espinha de Jane, que apenas assentiu com a cabeça e ergueu os braços, deixando-a tirar sua camiseta.

Ao tirar a camiseta de Jane, os cabelos da morena ficaram mais bagunçados e o cheiro de seu perfume veio com tudo na direção do rosto de Maura, deixando-a inebriada. A loira deslizou as mãos pelas laterais daquele corpo, tocou no abdômen que estava muito mais definido do que anos atrás e então foi para suas costas, abrindo o feche do sutiã e tirando-o lentamente em seguida. Ao sentir aquelas mãos macias tocando seus seios, Jane soltou um suspiro.

De repente Maura se ajoelhou em frente a morena. Abriu a calça jeans dela e foi abaixando-a lentamente. Tirou o tênis e as meias para conseguir terminar de tirar a calça. Tocou-a nos tornozelos e subiu as mãos pelas pernas até as coxas, dando leves apertões, enquanto Jane levava a mão que não havia machucado para acariciar os cabelos da loira levemente. Maura deu um beijo molhado no abdômen, depois na coxa direita, beijo esse que mais pareceu uma chupadinha. Colocou as mãos sobre a cintura de Jane e logo tocou na calcinha branca, começou a puxá-la para baixo lentamente e nesse momento ergueu o rosto, olhando diretamente nos olhos de Jane, que abriu um sorriso doce para ela. Como Maura amava aquele sorriso...

Maura terminou de tirar a calcinha de Jane e inevitavelmente olhou para o sexo dela. Sentiu um arrepio percorrer seu corpo e quase não resistiu, se não fosse pelo pensamento de que teria tempo para aproveitar aquela noite inteira ao lado dela. Subiu, ficando em pé novamente, tocou o rosto de Jane com as duas mãos, seus polegares acariciando as bochechas da detetive.

- Você é tão linda... está mais linda do que quando te conheci — Sussurrou baixinho, roçando seus lábios nos dela antes de dar um beijo rápido.

Jane apenas sorria e se deixava levar pelo momento e pelos toques de Maura. Só Deus sabe o quanto ela havia sofrido e ansiado para um dia estar de novo naquela situação, literalmente nas mãos da loira. Mais do que necessidade física, porque Jane teve vários namoros ao longo da vida, ela tinha uma necessidade inexplicável de sentir de novo Maura tocando-a, como só ela saberia fazer.

A loira assumiu o controle da situação e empurrou lentamente Jane até que ela se deitasse na cama. Cuidadosamente foi encaixando seu corpo entre as pernas que a morena abriu prontamente. Passou seus braços por de baixo dos braços de Jane, assim abraçando-a. A morena abraçou-a com as pernas e com os braços ao redor de seus ombros, tocou os cabelos loiros com a mão boa.

- E você continua parecendo um anjo... — Jane disse em meio ao beijo, fazendo a legista rir baixinho.

- O anjo que vai cuidar de você.

- Mesmo? — A morena sentiu os olhos brilhando, estava emocionada e não conseguia controlar isso. Mas Maura não se importava, porque ela também estava. — Vai cuidar de mim pra sempre?

- Pra sempre — O tom de Maura passou confiança para Jane.

Maura a beijou de forma apaixonada e suas mãos começaram a deslizar pelo corpo da morena lentamente, tocando cada parte, sentindo a textura, o calor, a maciez daquela pele. Como sentiu falta de poder tocar Jane, de poder sentí-la junto de si. Saudade daquele perfume, do gosto daqueles beijos, do olhar apaixonado, do sorriso com covinhas. Sentia falta de tudo.

Lentamente os lábios da loira desceram pelo corpo da morena, dando atenção especial para cada parte de seu corpo. Os beijos, as mordidas, tudo era bastante delicado, romântico. Maura brincou no pescoço da morena, arrancando-lhe suspiros e arrepios, desceu pelo colo e logo estava sugando um dos mamilos da morena, que segurou em seus cabelos com a mão boa e ficou mexendo as pernas, roçando-as no corpo dela.

A mão direita de Maura desceu até o meio das pernas de Jane, alcançando o sexo pulsante e já úmido. Passou a ponta do indicador por toda extensão, de cima para baixo, de baixo para cima, lentamente, antes de começar a estimular o clitóris de Jane com seus dedos e passar a sugar o outro mamilo da morena, olhando-a enquanto podia ouvi-la gemer baixinho. Jane soltou os cabelos e desceu a mesma mão pelas costas de Maura, apertando-a mais contra si e logo desceu um pouco mais e apertou a bunda dela, fazendo-a sorrir de forma maliciosa.

Maura desceu lenta e delicadamente pelo corpo da morena, beijando o vão dos seios e trilhando um caminho reto no abdômen, dando vários beijos, um atrás do outro. Parou de estimular Jane e segurou na cintura dela com as duas mãos, de maneira firme. Abaixou ainda mais, até seu rosto ficar na altura do quadril, então começou a beijar a virilha dela e dar leves chupadinhas em sua vagina, na parte superior, até descer e afastar com os dedos os grandes lábios e passar a ponta da língua lentamente, sentindo novamente aquele gosto que lhe viciou desde à primeira vez que provou. Ela e Jane fecharam os olhos ao mesmo tempo e arfaram. Ambas sentindo falta daquilo. Jane de sentir o toque da língua de Maura, e a loira de sentir o gosto dela.

Lentamente Maura iniciou seus movimentos. Ela deslizava a língua por toda a vagina da morena, brincava em sua abertura, capturava o clitóris delicadamente em seus lábios, dava chupadinhas e chegava até mesmo a mordiscar com todo cuidado do mundo os grandes lábios, coisa que sabia que Jane adorava desde que elas haviam iniciado a vida sexual há anos atrás. A morena não conseguia falar ou pensar em nada. Estava completamente entregue ao momento e só conseguia gemer, o corpo todo trêmulo e arrepiado, cheio de sensações deliciosas. Maura abraçava as coxas da morena e puxava-a mais para junto de si, enterrando ainda mais o rosto no meio de suas pernas, dando toda atenção do mundo aquele momento.

Soltou das coxas de Jane, apertou-a na cintura novamente e subiu as mãos até os seios dela, apalpando-os delicadamente. Jane colocou a mão sobre a mão de Maura, e a machucada deixou encostada na cama. Inclinou a cabeça para trás, apertando os olhos, sentia um prazer muito grande naquela altura do campeonato. Não conseguia conter seus gemidos e nem sua ofegação.

Quando Jane começou a soltar vários gemidos baixos e um atrás do outro, com seu corpo todo se contorcendo e suas pernas querendo se fechar, Maura a segurou firme em uma das coxas e na cintura e a chupou com ainda mais vontade, sentindo o gozo dela em seus lábios. Fez questão de sugar cada gotinha lentamente antes de subir e beijar Jane de forma apaixonada. Elas se abraçaram fortemente enquanto se beijavam.

Perderam longos minutos se beijando. Um beijo que não parava. Como se elas não precisassem respirar. E sinceramente naquele momento elas não precisavam de mais nada que não fosse estarem ali, nos braços uma da outra, se beijando e se amando. Jane puxava os cabelos de Maura e a apertava contra si, sentindo o quão delicioso era o contato de seus corpos quentes unidos, entrelaçados.

Sem parar de beijá-la, Maura foi se erguendo um pouco e trazendo Jane consigo, seus braços nas costas dela. As duas sentaram no centro da cama, de pernas abertas. Maura colocou uma das pernas de Jane sobre a sua, e sua outra perna ela colocou sobre a perna de Jane, formando assim um encaixe perfeito. Puxou Jane contra si o máximo que pôde, até seus corpos, incluindo suas vaginas entrarem em contato. Suas mãos seguravam-na pelas costas. Jane abraçou-a pelo pescoço e começou a mover seu corpo, especialmente o quadril, forçando suas vaginas a se roçarem. Soltaram um gemido ao mesmo tempo. Maura arranhou às costas da morena e começou a se mover também enquanto sentia a boca de Jane descer em seu pescoço, dando vários chupões fortes e a mão dela puxando seu cabelo daquele jeito que adorava.

Os movimentos foram ficando mais intensos e sincronizados. Enquanto se moviam daquela maneira, se beijavam de forma sôfrega agora e se tocavam livremente com emergência. Ficaram assim até que tiveram um orgasmo quase que ao mesmo tempo. Já era o segundo de Jane naquela noite. Tudo porque além de Maura saber como tocá-la como ninguém, o seu amor e desejo por ela eram tão grandes que só seus próprios pensamentos eram suficientes para deixá-la num estado de prazer inenarrável.

Elas se agarraram com força ao atingirem o ápice do prazer e ficaram assim por alguns minutos. Jane a abraçava pelos ombros, agora suas duas pernas por cima das pernas de Maura, estava literalmente sentando no colo dela. Maura a apertou em seus braços fortemente e beijou o ombro dela e foi subindo até a orelha.

- Eu te amo... — Disse num tom que mesmo sem encará-la Jane sabia que ela sorria feito boba — Eu te amo, te amo, te amo... — Beijou-a na orelha e logo alcançou seu rosto, foi beijando-a até seus rostos estarem frente a frente. — Eu te amo.

Elas se olharam e aqueles olhares... aqueles olhares só faltavam falar. Sorriram no mesmo instante uma para a outra. Jane tocou o rosto de Maura com a mão boa, passando a ponta dos dedos lentamente pela lateral do mesmo. Seu coração batia tão forte e de uma maneira tão feliz que ela nem conseguia acreditar. Era como se estivesse sonhando.

De súbito, Maura deu um impulso e caiu na cama em cima de Jane, que soltou um risinho baixo. Maura não conseguia parar de fitar aquele sorriso doce. Aquelas covinhas em evidência eram um paraíso. As duas sorriam de forma tão boba. Qualquer um que visse apenas o rosto delas naquele momento saberiam que eram loucas uma pela outra.

- Eu também te amo, Maura Isles. Mesmo você sendo ainda mais sabichona do que antes...

- Não pode reclamar disso. Se eu posso aguentar você ainda mais estressada, você pode me aguentar ainda mais sabichona.

Soltaram um risinho. Maura selou os lábios de Jane e em seguida se abaixou, deitando a cabeça no peito da morena, deixando seu corpo sobre o dela. Respirou fundo, fechou e abriu novamente os olhos assim que sentiu a mão de Jane em seus cabelos.

- Jane?

- Hum?

- O que nós estamos fazendo? Quero dizer, como as coisas vão ser agora? — Maura estava um pouco preocupada. Tinha medo que Jane "pirasse" mesmo depois de fazerem amor daquele jeito sublime e desistisse de tudo novamente.

Mesmo notando a preocupação na voz de Maura, a morena não conseguiu deixar escapar um risinho.

Maura ergueu a cabeça para encará-la.

- Por que está rindo?

- Você me fez uma pergunta dessas assim que começamos a namorar, antes do pedido, lembra? — Maura abriu um sorriso ao se lembrar — Acho engraçado porque parece que estamos voltando no tempo...

- Não há como voltarmos no tempo, Jane. É impossível.

- Eu sei, Maura — Ela revirou os olhos — Não seja literal, é só maneira de dizer. E não seria nada mal se pudéssemos voltar. Foi o melhor ano da minha vida.

Maura apoiou as mãos no toráx de Jane e encostou seu queixo sobre suas mãos, ficou assim fitando-a. Jane ergueu o rosto para poder enxergá-la.

- Foi o melhor ano da minha vida também. Se eu pudesse voltar no tempo, eu nunca...

- Sh! — Jane colocou o dedo indicador sobre os lábios dela — Não fala nada. Aquele ano foi maravilhoso, antes de... — Soltou um suspiro — Mas o tempo não volta, nem para as coisas boas e nem para as ruins, sabemos disso, certo? — Ela assentiu — O mais importante é que nós duas estamos aqui, agora, juntas, no presente.

- Juntas?

- Bom, estamos nuas na sua cama, você tá em cima de mim, me agarrando... acho que estamos "bem juntas" — Disse com ironia, rindo em seguida e fazendo Maura rir.

- Agora quem está sendo literal é você, Detetive Rizzoli.

- Pensei que você quisesse que eu fosse como você!

- Não, eu gosto de você assim, desse jeito imperfeito...

Jane soltou um riso de indignação.

- Jeito imperfeito? Então quer dizer que você é perfeita? — Ao ver o sorriso presunçoso de Maura, Jane caiu na gargalhada — Está brincando comigo? Uma pessoa que faz yoga, só come coisas verdes e naturebas, que não se descontrola e fala palavrão quase nunca e que tem praticamente um google no lugar do cérebro é o que você chama de pessoa perfeita? — Maura fez uma careta e beliscou o braço da Jane — Au! Isso dói!

- É pra doer mesmo. Fica debochando da minha maneira de ser, mas você adora...

- Adoro e ao mesmo tempo detesto. Você é muito chata e ao mesmo tempo adorável. Dá pra entender isso?

- Segundo a filosofia o yin-yang que são dois conceitos do taoísmo, que expõem a dualidade de tudo o que existe no Universo. Descrevem duas forças fundamentais opostostas e complementares, que se encontram em todas as coisas — Jane a olhou desacreditada, e suspirou. Lá vinha a boca de google de novo... — O "yin" é o princípio feminino, a terra, a passividade, escuridão, e absorção. O "yang" é o princípio masculino, o céu, a luz, atividade, e penetração. Quem tem esse conhecimento, de que o mundo é dialéctico, não fica surpreendido, por exemplo, que uma pessoa ame e odeie em simultâneo outra, pois é essa a natureza de todas às coisas, uma contradição de opostos. Isso justifica o fato de você adorar e detestar ao mesmo tempo o meu modo intelectual de ser.

- Sério, Maura? — Ela revirou os olhos e riu — "Modo intelectual de ser". Isso está mais para "problemas em controlar minha língua" — Maura beliscou o braço da morena novamente — Ai, já disse que isso dói!

- Você precisa ser um pouco mais gentil agora que fizemos as pazes.

- Mas eu sou super gentil, loirinha linda... — Disse abrindo um sorriso levado, que fez Maura sorrir também.

- Mas falando sério agora, como nós ficaremos? Pelo que me disse, não teve um término de namoro oficial com a Lauren, o que torna isso que nós fizemos agora muito errado! — Seu rosto foi tomado por uma expressão de desespero, Maura detestava fazer qualquer coisa que julgasse anti ético.

- Sim, fizemos, mas não fica chateada com isso. Nós não planejamos, certo? — Maura assentiu mas continuava com a mesma expressão. Jane tocou o rosto dela. — Ei... você não tem culpa. Você me chamou aqui para um jantar e ainda trouxe seu amigo e aquela... a Alex que eu não engulo de jeito nenhum.

- Não sei porque você tem tanta implicância com ela. Aliás, implicância não. Ciúme.

- Porque ela dá em cima de você! — Disse irritada.

- Eu também achava isso até hoje... — Jane a olhou com a sobrancelha arqueada — Jonathan que deu a ideia de convidá-la para o jantar. Eu falei sobre ela com ele, mas eu não os apresentei. Fiquei surpresa ao ver que eles se conheciam e mais ainda ao ver as atitudes dos dois no jantar. Assim que Alex chegou, ela disse no meu ouvido que estava fazendo aquilo para me ajudar.

- Perai... Você não está sugerindo que o seu amigo procurou a Alex e pediu pra ela dar em cima de você pra eu ficar com ciúme e tudo isso acontecer, está?

- Eu não sei, Jane. Sabe que eu não faço suposições, mas achei muito estranho Alex começar a dar em cima de mim dessa maneira sempre na sua frente, os dois terem se conhecido e terem sumido ao mesmo tempo no jantar.

Jane arregalou os olhos após fitar o nada, como se uma lâmpada se acendesse em sua mente, ela então deduziu tudo.

- Só podia ser isso! Eles armaram tudo, Maura! Quem teve a ideia do jantar?

- O Jonathan, por quê? — Ela olhou para a cara de Jane e então teve o mesmo pensamento que ela — Você acha que foi tudo armado? O jantar, Alex dando em cima de mim ao longo da semana?

- Tudo, inclusive os pneus furados do meu carro! Que filhos da mãe...

- Não acredito que Jonan fez isso! Alex eu não me surpreendo, ela é bem louca, mas Jonan... — Maura deixou escapar uma risada — Estou impressionada. Ele nunca me escondeu nada antes e me enganou direitinho essa semana. Mas não posso reclamar, porque o resultado foi incrível.

Jane sorrio ao ver o sorriso de Maura, selou os lábios dela rapidamente.

- Sim, não posso reclamar também... aliás, posso reclamar sim! Eles furaram os meus pneus! — Disse indignada — Amanhã é domingo, não acharei mecânico aberto, segunda-feira tenho que ir trabalhar porque não solucionamos esse caso ainda e como faço? Preciso trocar os pneus... — Fez uma careta e apertou os olhos, só de imaginar a trabalheira já ficava mal humorada.

Maura então ergueu seu corpo, apoiando as mãos na cama e subiu o rosto até o de Jane, mordeu-a no queixo e depois na mandíbula.

- Tente relaxar um pouco! Uma coisa de cada vez. Segunda-feira resolvemos isso do seu carro. Ainda não respondeu minha pergunta. Como nós ficaremos?

- Juntas! Ou acha que vou perder mais tempo ficando longe de você? Do meu anjo?

Ela não queria parecer eufórica ao ouvir aquilo, mas não tinha como não estar. Ninguém podia imaginar o quanto Maura desejou ouvir Jane dizer aquelas palavras. Maura pediu tanto aos deuses, aos anjos, aos santos, até as bruxas, durante todos aqueles anos, que ela pudesse ter mais uma chance com Jane, só mais uma chance para fazer tudo diferente, para fazer tudo dar certo, as promessas serem cumpridas e agora estava tendo aquela oportunidade.

- Está falando sério, mesmo?

- Não, não, Maura. Estou só brincando com sua cara — Disse sem paciência e ao ver o sorriso lindo de Maura se desmanchando, percebeu que ela não notou sua ironia — É claro que estou falando sério, mulher! Eu disse que te amo, você não ouviu? Vou ter que repetir quantas vezes?

- Eu ouvi, mas não me importo que repita. Mas é que nunca se sabe. Tem gente que alega amar alguém mas nem por isso quer ter um relacionamento sério com a pessoa, além de que...

Jane calou Maura com um beijo inesperado e a legista sorrio.

- Eu realmente detesto ser interrompida, mas desse jeito até que é aceitável.

- É o único jeito de você parar de falar um pouquinho... — Elas soltaram um risinho — Nós estamos juntas, Maura. Nós vamos ficar juntas. Só precisamos ser discretas de início, porque eu preciso conversar com Lauren antes e tudo mais. Mas nós vamos ficar juntas, sua boba.

- Você me acharia louca se eu gritasse agora?

Jane arqueou as sobrancelhas.

- Porque Dra. Isles gritaria uma hora dessas?

- Porque eu estou muito feliz! — Ela agarrou Jane, que num impulso sentou na cama e a trouxe para seu colo, roubando vários beijos de seus lábios. — Hum... — Maura podia sentir a mão sem curativo da detetive deslizando por suas costas e passando para frente, apertando-a — Hum, que você tá fazendo... Jay... — De repente as duas pararam de se beijar, imobilizadas pelo que Maura havia acabado de dizer. A última vez que chamou Jane assim, elas ainda eram adolescentes.

Maura olhou para a morena com receio. Tinha medo que ela fosse se incomodar por tê-la chamado assim, por tudo que havia acontecido. Mas Jane não se importou.

- Eu sempre amei esse apelido que você me deu. E nunca contei ele para os outros, pra que nunca ninguém tivesse a ideia de me chamar assim. Porque só você pode me chamar assim.

- Minha, minha, minha Jay! — Segurou nos cabelos da morena com as duas mãos e voltou a beijá-la.

Jane empurrou e então Maura deitou na cama, agora com a cabeça nos pés da mesma e então subiu sobre ela e foi mordendo seu pescoço enquanto sua mão boa deslizava pela coxa direita da loira.

- Jay... você está com a mão machucada... — Maura sussurrou de olhos fechados.

- Estou com uma mão machucada, a direita, mas eu sou canhota, esqueceu?

Maura abriu os olhos e sorrio de forma maliciosa para ela.

À noite seria longa...

[...]

Depois de horas e horas se amando madrugada a dentro, elas acabaram adormecendo. Jane estava deitada toda esparramada, as pernas abertas, o braço com a mão machucada esticado e o outro passando por cima dos ombros de Maura, que estava deitada de lado e encolhida com o rosto em seu toráx. Estavam cobertas com um edredom, porque no meio da noite a temperatura caiu.

Eram quase 7:00h quando Jane despertou com vontade de ir ao banheiro. Cuidadosamente ela se desvincilhou de Maura, que apenas soltou um resmungo. Beijou-a na testa antes de sair da cama, vestiu sua calcinha e foi andando pela casa atrás de um banheiro — não usaria o do quarto de Maura para não acordá-la com o barulho — que ainda não conhecia direito e era tão grande comparada ao seu apartamento que acabou se perdendo por um minuto. Jane foi abrir uma porta pensando que era um banheiro, mas se surpreendeu com o que viu.

Maura tinha um quarto quase do tamanho do seu com tudo que fazia parte do passado dela e de Jane. Haviam porta retratos com a foto das duas espalhados por cima de todos os móveis, haviam alguns bichinhos de pelúcia que Jane havia lhe dado, pôsteres de bandas de rock colados na parede que Maura sabia que a morena amava, havia uma bola de basquete que era de Jane e que ela deu à Maura depois que elas começaram a jogar juntas, porque a morena insistia que a namorada deveria aprender a jogar, mas não deu muito certo.

Ela não estava acreditando muito no que via. Aquele cômodo todo era surreal. Era como embarcar de volta ao passado. Lentamente Jane adentrou o lugar e começou a vasculhá-lo. Em cima da mesinha no centro haviam infinidades de cartas que ela tinha escrito para Maura, adesivos, papel de bombom, de sorvete. Encontrou até mesmo a caixinha de um chiclete que Jane mascava praticamente todos os dias na escola e deixava na carteira ao invés de jogar no lixo, e lembrava-se de Maura sempre dar bronca nela por causa disso e a loira terminava recolhendo as caixinhas. Jane achou que ela jogasse todas fora, mas ela guardou aquela.

Havia um pequeno armário no canto do quarto e Jane, curiosa, o abriu. Seus olhos brilharam ao ver aquilo. Maura havia guardado um casaquinho cor de rosa que Jane tinha dado para ela de presente de aniversário. Encontrou também um casaco que era seu e que um dia emprestou para Maura usar e ela nunca mais quis devolver, alegando que ficaria sentindo seu cheiro nele. Seus olhos brilharam, já marejados quando encontrou a camisa que o Red Sox usava na época, que era de Jane, e que Maura sempre usava depois que elas faziam amor.

- Ela guardou tudo isso... — Disse meio boba, sentindo uma lágrima rolar pelo seu rosto, limpou-a e sorrio, fechou o armário e continuou a vasculhar o cômodo.

Jane encontrou guardada na caixinha a correntinha que havia dado para Maura junto do casaco cor de rosa. Era uma correntinha dupla de prata, com o pingente de uma menininha. Maura adorava e até a sexta-feira em que ela foi embora, a loira ainda a usava.

Ela já ia terminar o tour pelo cômodo e sair, fingindo não ter encontrado-o, quando de repente viu uma caderneta cor de rosa bem antiga que ela conhecia. Era o diário de Maura, ou costumava ser naquele ano em que elas namoraram. Jane sabia que não era certo invadir a privacidade alheia, mas não resistiu ao vê-lo ali, acessível pela primeira vez. Ela se lembrava de que enquanto namoravam, por várias vezes pegou Maura na escola e em outros lugares carregando o diário e sempre escrevendo no mesmo, porque à loira não conseguia dizer exatamente tudo que queria para Jane, e então acava deixando seus sentimentos mais expostos ali.

Jane sentou na poltrona que havia no cômodo, abriu o diário e começou a ler.

"Nunca e sempre são duas palavras que eu não acredito. Mas se eu pudesse, eu nunca sairia do lado de Jane e ficaria com ela para sempre, porque o amor que eu sinto dentro de mim, foge de todas as explicações científicas do planeta. Estar do lado dela é sem dúvida alguma a maior felicidade que eu poderia ter. Amá-la me mantém viva, realmente viva... como eu nunca me senti antes..."

"Cada dia que passa eu tenho mais certeza de que Jane foi feita para mim. Eu sei que isso é um pensamento bobo e não muito inteligente, já que é impossível ela ter sido feita para mim, mas... ela é tão absolutamente perfeita para mim que não consigo compreender. E eu detesto não compreender as coisas. Acho que estou começando a enlouquecer. Mas enlouquecer por amor não é tão ruim assim."

A morena sorria a cada linha que ela lia escrita com aquela letra delicada.

"Eu digo a Jay todos os dias que a amo, e mesmo assim sinto como se não fosse suficiente. Mas eu te amo é a única coisa que eu posso dizer que expressa o que eu sinto. Já tentei dizer a ela outras coisas, mas nunca consigo. Fico travada. Acho que preciso trabalhar mais nessa parte de me expressar, mas é realmente difícil. Só queria que ela soubesse que amor é pouco perto do que eu sinto. Eu daria minha vida por ela sem pensar duas vezes."

"Eles não entendem. Não, eles não entendem. Eles não podem entender, porque eles não sentem o que eu sinto. Nunca sentiram. E nunca sentirão. Meus pais falam tanto de amor, alegando me amarem e quererem o melhor para mim, mas eles não sabem o que é amar realmente uma pessoa. Se eles soubessem... Eu não me importo se Jane faz ou não parte do mundo ao qual eles acham que eu pertenço. Eu posso ser uma Isles, posso ter dinheiro, mas não me sinto pertencente a esse mundo. Não me sinto feliz nas festas chiques deles como me sinto feliz quando estou na casa de Jane, junto da sua família simples e divertida. Nenhum garoto rico me faria sorrir como Jane faz. Ninguém me entenderia como ela entende. Ninguém seguraria minhas mãos, olharia dentro dos meus olhos e me faria acreditar que tudo ficaria bem. Ninguém teria aquele sorriso, aquela voz, aquele abraço. Eu realmente não me importo com o que meus pais vão pensar quando souberem que eu e Jay somos namoradas. Porque nós nos amamos e eu sei que nada seria suficiente para nos separar."

Ela continuou folheando o diário, que era organizado e separado por meses. Quando chegou em dezembro, seu coração deu uma apertada. Ficou um pouco receosa de ler, mas leria de qualquer forma e nada iria mudar a realidade do seu presente. Se havia aceitado ficar com Maura mesmo depois de tudo, não seria o que ela haveria escrito no diário que mudaria isso.

"Estou quebrada. Me sinto como um pássaro com às asas quebradas. Roubaram minha liberdade. Mais do que isso: roubaram minha felicidade. Quem roubou? Não sei dizer. Talvez o destino, mesmo eu nunca tendo acreditado nele.

Tudo estava indo tão perfeitamente bem... minha mãe descobriu sobre Jane e ao invés do que eu pensava ela reagiu tão bem... seria tudo mais fácil no próximo ano e agora essa notícia... eu não quero ir, porque eu sei que se eu deixá-la aqui, meu coração vai se partir, mas eu também não posso ficar, pelo bem dela.

Meus pais me contaram que sou filha de um mafioso da pior espécie e que ele está em Boston, me vigiando, vigiando minha vida. Ele sabe sobre ela. E ele não aprova nosso relacionamento. Ameaçou minha meus pais adotivos, e o pior: ameaçou à vida de Jane. No começo fiquei relutante, achei que as ameaças não seriam nada demais, e que eu poderia ficar em Boston, mas depois do que aconteceu... Jane foi atacada por homens encapuzados, do nada, sem motivo aparente, porque eles não a roubaram, e eu tenho certeza que foi ele. Fiquei desesperada ao vê-la machucada, deitada em sua cama. Não foram ferimentos graves, mas poderiam ter sido e podem vir a ser se eu não fizer o que meus pais me proporam: partir."

Jane sentiu que se não apertasse o diário com força em suas mãos, ele cairia, pois ela estava trêmula e não conseguia processar direito todas as coisas que vinham em sua mente naquele instante. Tudo começou a rodar e ela se sentia sendo teletransportada para o dia em que Maura foi embora, sua angústia, seu desespero, sua dor e principalmente a inquietação de não saber o maldito porquê. Ela imaginou durante todos aqueles anos qualquer tipo de explicação para Maura ter ido embora, mas nunca chegou perto da verdade.

"Assim que sentei na poltrona do avião e senti o mesmo levantar voo, eu sabia que estava deixando meu coração e minha felicidade nos Estados Unidos, em Boston. Eu sabia que não importava o que aconteceria em Londres, eu jamais seria feliz daquela forma novamente. Eu não conseguia respirar de tanto que chorava. Como se eu fosse morrer sufocada pelas minhas próprias lágrimas. A dor só aumentava quando eu pensava em Jane e imaginava sua reação ao se dar conta de que eu havia ido embora. Eu havia partido o coração dela, mas era melhor partir seu coração e salvar sua vida, do que deixá-la morrer."

Jane não conseguia se controlar. As lágrimas rolavam pelo seu rosto e pingavam em suas pernas sem que ela pudesse fazer nada. Não conseguia parar de ler o diário e imaginar a dor e a angústia que Maura sentiu. Em todo aquele tempo ela nunca imaginou que Maura tivesse passado por isso. Que ela tivesse sofrido tanto quando Jane.

"Seis meses já se passaram e eu não aguento mais esse lugar. Aqui é tão frio. Sinto minha alma congelando. Meu corpo está frio e não sinto mais a vida fluindo. As pessoas todas são desinteressantes. Cada sorriso que vejo, eu procuro achar o sorriso dela, mas eu não encontro. Eu ando no meio da multidão e procuro aquele rosto, mas ela não está aqui. Ela só está nos meus sonhos e nas minhas lembranças. Guardei e escondi numa grande caixa tudo que tenho de Jane. Às noites mais frias, eu tranco meu quarto e durmo com uma de suas fotos ao meu lado. É a única forma que encontro de me sentir um pouquinho aquecida. Acho que se não fosse pela esperança que ainda tenho de reencontrá-la, eu já estaria morta."

Ela folheou mais algumas folhas, não queria ler mais aquele tipo de coisa. Só de imaginar o sofrimento de Maura, ela tinha vontade de morrer. Jane suportava tudo, menos ver a amada sofrendo. Queria chegar na parte em que Maura iria parar numa clínica de loucos. Ainda não havia entendido isso que ela e Alex disseram no jantar.

"Eu não acredito nisso!!! Como eles... como eles puderam fazer isso comigo? O quão frios, manipuladores e insensíveis eles podem ser? Eu não acredito que durante vinte anos chamei esses seres de pais! Que espécie de pais fazem uma coisa dessa? Meu Deus, eu não consigo acreditar. A perplexidade que me consome nesse momento não pode ser expressada em algumas linhas de papéis. Acabei de descobrir que foram os meus pais que me afastaram de Jane. Eles mentiram. Inventaram a história do meu pai biológico para me assustarem, pagaram para uns homens baterem em Jane e me arrastaram para esse lugar horrível. Eles tiraram tudo o que eu tinha por um simples capricho! Só para me verem formada em Oxford, ao lado de 'pessoas do meu nível', o quão absurdo isso pode ser? Eu não quero acreditar nisso, não quero. Eles foram tão hipócritas durante esses dois anos. Viviam me consolando, dizendo que eu tinha que seguir em frente, que havia feito o melhor pensando em Jane... Como um ser humano é capaz de fazer algo assim? E o pior, com a própria filha? Mas eles vão me pagar. Vou mostrar a eles do que eu sou capaz. Se eles pensam que eu sou uma idiota que eles podem manipular e destruir a vida, eles estão muito enganados..."

Nas páginas seguintes Maura começou a demonstrar toda sua revolta, contando da sua nova rotina, dizendo que nem ao menos olhava na cara dos pais. Superficialmente ela contava algumas coisas que estava fazendo e só por suas palavras Jane não conseguia reconhecer a Maura doce e educada que conhecia. Podia sentir toda a revolta e ao mesmo tempo desespero dela. Maura descreveu detalhadamente o que sentiu quando ligou para Jane em seu aniversário e Tommy atendeu, dizendo que ela não mais se lembrava da loira. Depois, escreveu poucas linhas contando que seus pais estavam com a ideia de interná-la, mas que ela não se importava, porque agora nada mais importava, já que ela havia perdido Jane para sempre.

Maura acordou e estranhou não encontrar Jane na cama. Pegou uma camisola branca em seu closet e vestiu. Procurou-a no banheiro do quarto e depois na sala e na cozinha, mas como não encontrou, foi procurar pelo resto da casa e seu coração disparou ao ver a porta do seu cômodo secreta aberta. Será que Jane havia descoberto seu esconderijo? Maura caminhou lentamente até ela ficar visível ali na porta e avistou Jane sentada na poltrona, com o rosto completamente tomado por lágrimas e em suas mãos estava o diário de Maura.

- Por que você não me contou tudo isso antes? — Jane ergueu o rosto e olhou direto nos olhos de Maura, que já estavam marejados. Ela fechou o diário e colocou sobre a mesa, se levantando em seguida.

- Eu sinto muito, Jane. Me perdoa... — Disse com aquela vozinha embargada, caindo em lágrimas em seguida, achando que a morena fosse brigar com ela por não ter contado tudo aquilo.

Jane correu na direção de Maura e abraçou com todas as suas forças.

- Eu não tenho do que te perdoar, meu amor... você que tem que me perdoar por ter pensado tão mal de você durante todo esse tempo, por ter te magoado ainda mais... — Disse no ouvido de Maura, que soluçava de tanto que chorava e se apertava nos braços de Jane, encostando a cabeça em seu peito. Jane a envolvia pelos ombros e agora acariciava os cabelos loiros. — Sh, não chora... calma... já passou... está tudo bem agora, Maur. Eu estou aqui com você.

- Foi horrível, Jay, foi horrível... eu não queria... eu não... — Ela apertava as mãos nas costas da morena. Mal conseguia falar de tão embargada que estava sua voz.

- Eu sei, eu sei. Mas agora está tudo bem. Estamos juntas novamente. Eu te amo... Eu te amo tanto... — Maura ergueu o rosto e Jane só com a mão esquerda passou seus dedos em baixo dos olhos dela, limpando suas lágrimas. Duas lágrimas correram pelo rosto de Jane que também estava marcado pela emoção. — Você é... você é meu anjo mesmo, você é a coisa mais linda desse mundo. Passou por todo esse sofrimento sozinha só pensando em me salvar, mesmo que eu não estivesse correndo risco de verdade... ah, Maura...

- Eu só queria te salvar... me perdoa...

Jane passou o braço direito ao redor do pescoço da loira e ficou com a mão esquerda em seu rosto antes de beijá-la da forma mais intensa possível. Ela iria compensar Maura por todos aqueles anos de sofrimento. Agora nada poderia separá-las. Nada.

Notas finais
Santa Sasha também aprovou esse capítulo. Achou awesome. E vocês? Que acharam?