“Sanar, inspirar, cuidar, amar, transformar, guiar, dar... Para isso viemos á Terra, esse é o nosso propósito. Mudar completamente esses seres humanos torná-los dignos de ser ocupantes do mundo no qual vivem...”.

Lyver! – Thalia rastejou-se aos gritos – Lyver fala comigo! Fala comigo, por favor.

O imprudente motorista havia descido do automóvel para prestar socorro. De imediato o levaram ao hospital mais próximo de onde se encontravam. Thalia o indagava, dizendo-o o quão irresponsável era, e ele apenas assentia movimentando a cabeça encontrava-se em estado de choque.

Doutor... Doutor me diz que ele vai ficar bem – Engoliu em seco – Por favor, me diz!

O médico estava prestando atenção a sua prancheta, assinalou um prontuário e o respondeu:

A situação é crítica- Franzira as sobrancelhas – Ele está em estado vegetativo... Coma.

Thalia suou frio, trêmula, não sabia lhe dar com semelhante situação. Não podia ver seu amigo morrendo.

Quem é você? – Disse Arthur fixando na bela criatura á sua frente.

Verena deu um pequeno riso lateral e aproximou-se dele.

Sou sua aliada – O respondeu simplesmente.

Como aliada? – Aumentou o tom de voz – Como você entrou aqui?

É... – Verena buscava alguma desculpa – Bom... Sua mãe me mandou aqui.

Ah – Por fim acreditou – Veio pegar mais toalhas, imagino?

Sim. Sim é isso – Verena disse aliviada.

Arthur levantou-se e a conduziu ao terraço. Enquanto recolhiam as toalhas Verena voltou ao incômodo tema.

Mas... Por que queria tomar aqueles comprimidos? – Dobrava as toalhas descontraidamente

Houve um bruto silêncio, Arthur já não estava dobrando as toalhas, e ia dirigindo-se para a escada, e pouco antes de descer disse:

Não sei quem você é. E não importa o que eu estava fazendo.

Ana! – Gritara uma voz longínqua.

“Vim para transformar... Fazer d’água o vinho; a indiferença em compaixão; o ódio em amor”. Liz

Antes de ter seu corpo submergido por completo Ana fora resgatada por seu pai. Um amontoado de pessoas começava a se aproximar do corpo estirado na areia. De tudo faziam, respiração boca a boca, massagem cardiovascular, orações... E nada, Ana não reacionava.

“Viemos cuidar...” Amber.

Jenny! – Daniel gritou – Meu Deus, Jenny quase que você cai!

Jennifer ajoelhada em um dos degraus, ainda suspirava ofegando cada vez mais forte. Era Amber, ela já estava fusionada à alma da garota.

“Cuidar dessas almas que se perderam, consertar suas essências”.

Caio! – Wandra correra ao encontro do amigo.

“Inspirar... Inspirar o novo; fazer com que se aventurem com novas possibilidades. Novos caminhos” Will.

Caio cabisbaixo não percebeu a aproximação de Wandra. Em sua alma estava por ocorrer uma estranha situação.

Oi Caio – Will falou como se já o conhecesse.

Caio olhava para todos os cantos de uma sala escura repleta de portas.

O que é isso? – Por fim dissera – O que é você?

Will forçou um riso amigável.

Isso é a sua consciência... – Sentou-se em uma cadeira transparente, a única que continha na sala – E eu. Eu sou o Will, seu aliado.

Caio observara aquele estranho ser verde iluminado sentado.

O que quer? – Rispidamente o perguntou.

Will se pôs de pé e o respondeu:

Inspirá-lo... Apenas me deixe integrar-se à sua alma; assumir o controle por um tempo – Caminhava vagarosamente – Te tornar um novo ser; o refundar.

Will conseguia de pouco a pouca a confiança do garoto.

Caio por fim concordou, e no mesmo instante o ser verde havia aberto seus braços espalhando sua cor por toda a sala.

Dezenas de pessoas haviam presenciado a triste cena de Gabriel. Bruna chorava, gritava por ajuda.

E é isso Gabriel. Esse é o meu propósito... – Ann encerrava o que havia sido uma longa conversa.

Sim; te permito – Gabriel estendeu à mão direita a Ann.

Ann estendeu à sua, quer dizer, sua estranha amarela “mão” e assim fez-se um pacto.

“Dar ferramentas para fazer mudanças. Dar as instruções; o manual de regras” Ann.

No Hospital...

Lyver ainda em coma. Seus sinais vitais despencavam, seu tempo terminara.

Não tem mais jeito – O médico dissera a si mesmo – O tempo dele chegou ao fim – Desligou os equipamentos.

Dentro de seu corpo Lyver sentira um grande calafrio, lhe restava segundos para á morte.

Lyver caminhou até se deparar com uma porta e momentos antes de abri-la viu diante de si um ser azul luminoso. E então se virou:

E você? Quem é? – Perguntou encarando-o.

Sou a sua cura – Riu – Vamos conversar?

Lyver distanciou-se da porta e fora de encontro a ele.

“Sanar as feridas mais profundas; Curá-los dos traumas; dos demônios internos e externos” Marcy.

Daniel havia literalmente carregado Jennifer até o sofá, ela ainda continuava calada, com vazias expressões.

Não houve acordo entre Jennifer e Amber, ambas naturezas eram fortes, orgulhosas. Assim que Amber forçadamente resolveu assumir o controle corpóreo de Jennifer.

Liz e Ana tinham uma dependência, somente Liz a podia salvar, Ana aceitou. Ambas sabiam o que ocorria, Ana via-se estirada, beirando à morte. Liz aproximou-se dela e de igual para igual á abraçou. O abraço as fundiu; não existia mais o singular ‘Ana’; agora era Ana e Liz, o plural ‘irmãs’.

“Refundar... é para isso que viemos” Todos.

Lyver abria devagar os olhos no momento em que o levava para o IML.

Caio retornara a si, e abraçava Wandra.

Jennifer levantou-se do sofá e Daniel beijou-a sua bochecha.

Ana depois de vários minutos sem reagir havia tossido e expelido água.

Em meio dos escombros Gabriel mexia as mãos, e todos emocionados ajudavam os guardas a retirarem os pedaços de ferro que estava matando-o.

Verena antes de sair dirigiu-se novamente para o quarto de Arthur, ele começou a insultá-la e ela o beijou.

...

Ajoelhado estava em frente à um vaso sanitário, vomitando. Pálido, com olhos lacrimejantes, tonto... Esgueirando-se até à morte. Era a décima vez do dia. Gustavo sofria de uma enfermidade que lhe custava à vida. Em seu último anseio não percebeu uma esfera negra que pairava no ar. E quando caíra ao chão, em seus últimos batimentos cardíacos, à esfera introduziu-se em seu corpo.

“Sim... Refundar. Vim para refundar o mundo, mas de minha maneira” Lith.