RE - FUNDAÇÃO
4 03 - Tormenta
“São tempos difíceis e à chuva não cessa, continua intacta”.
“Há mais de duas semanas, nada resulta em melhorias, as autoridades locais estão fazendo todo o possível para manter controle sobre a catastrófica situação.”
“Rio Bananal sofre com todas as perdas, famílias desalojadas, casas destruídas”. “O governo estatal decretou estado de emergência...”.
Os ‘seres de luz’ estavam reunidos em uma construção abandonada, que logo a frente viria ser um pronto médico; e assistiam o noticiário local. Haviam decorado as salas baseando-se em temas vintage, quer dizer, Amber tinha tomado frente nesse assunto, e como todos já sabiam de sua natureza ‘explosiva’ não quiseram confrontá-la.
Temos de fazer algo – Will disse enquanto desligava a TV.
Marcy levantou-se de um pufe e o respondeu que não, lhe disse que eles não poderiam mudar o rumo das coisas, não tinham esse direito. Ella em uma de suas breves conversas os havia dito: “Os humanos são suas prioridades, cuidem exclusivamente deles”.
“Esse mundo está passando por uma grande tormenta, uma enorme crise, mas vocês não poderão utilizar seus dons para mudar o sentido das coisas”.
Liz que era a mais calada de todos por fim deu seu veredito:
É triste ver um planeta tão cheio de vida afogar em ego humano – Assumira uma terna expressão – Meu planeta é constituído 100% por água, nós somos água, mas os humanos não, este é o grande dilema do planeta Terra, ele é feito por possibilidades, infinitas possibilidades, e mesmo assim eles insistem em destruí-las.
Ficaram bastante reflexivos com a declaração de Liz, sua companheira era bastante sábia, e além do mais possuía a experiência de ter encarnado em diversas formas de vida, um ‘luxo’ que a vida lhe havia dado.
Onde está Verena? – Ann perguntou.
No salão trabalhando – Amber o respondeu.
Verena aflita não sabia ao certo o que fazer com todas aquelas pessoas sentadas que a esperava. Em realidade esse emprego era essencial para a conclusão de sua missão, a dona do salão resultava ser a mãe de Arthur. Verena observava tudo ao seu redor, mas o que mais lhe chamava atenção era a vaidade exacerbada daquelas pessoas, inclusive de uma cliente em particular, que insistia em ir diariamente ao recinto, com a desculpa de dar ‘retoques diários’. Não demorou muito para Verena obter o conhecimento necessário para poder exercer seu trabalho, aliás, ela fora considerado a funcionária do mês.
...
Uma semana passou-se, Lith já havia posto em marcha seu plano. Primeiro tomar o controle de um corpo humano, e o havia feito. Segundo tinha de localizar os seres de luz, e para isso era necessário ganhar à confiança dos humanos escolhidos.
Lith só não contava com um único detalhe: Por ser habitante do lado oculto da Lua, o lado que sempre permanece escuro, não tinha a capacidade de expor-se ao Sol, essa era sua debilidade, e por essa razão Lith só podia tomar o controle corpóreo de Gustavo durante a noite. Assim era essa dicotomia... Dia e Noite; ser e não ser.
Lith logo soube que todas as missões estavam entrelaçadas, os humanos mantinham vínculos uns com os outros, e percebeu que seu hospedeiro fazia parte do mesmo. Assim, começou a arquitetar formas de capturá-los, queria de todas as formas apossar-se dos seres iluminados.
Arthur, Ana, Bruna, Daniel, Thalia e Wandra... Mal sabiam o que os aguardavam.
...
105 dias... – Ann dissera enquanto observava à chuva cair.
Verena havia chegado ao local, ela não tivera tido antes nenhum contato prolongado com seus demais colegas. Seus ‘irmãos de luz’ reuniram-se em torno à uma mesa rústica para explicá-la o que até então já havia procedido.
Logo que me deparei no quarto do IML, tive como um flashback de tudo o que o Lyver tinha vivenciado – Marcy apertava uma xícara de chá – Quando me levantei e sai da sala, Thalia, minha missão, e os médicos que estavam a consolando dilataram de uma forma estranha suas pupilas. E a Thalia... – Enrolou-se em um manto – Veio me abraçar, e repetia várias e várias vezes o quanto me amava.
Verena dera um risinho de lado, daqueles capazes de alegrar qualquer pessoa.
O meu caso foi distinto... – Ann começou — Quando vi que estava submerso aos escombros comecei a pedir por ajuda, e então diversos guardas ajudados por pessoas estavam ali, trabalhando mutuamente – Seu olhar tinha certo brilho – Por um momento pessoal vi que a humanidade é solidária.
Sim, concordo com você Ann – Liz o apoiou – Eu e a Ana fizemos um pacto. Nossas almas são uma.
Todos a observaram, o que Liz acabara de dizer e anteriormente fazer, era uma das ‘cláusulas’ do que não poderiam fazer durante sua vida terrestre.
Era à única forma, acreditem! – Disse tentando convencê-los – Ela estava morrendo, e eu não tinha outra opção. Era uma vida, é uma vida!
Nós acreditamos em você Liz – Will a apoiara – Na verdade, todos nós.
Liz olhou em volta de si, e todos os seus irmãos estavam concordando com a sentença de Will.
...
Ei Gu – Pronunciou uma voz feminina.
Oi Nanda. Aconteceu algo? – Gustavo a contestou.
Não... – Pensou se deveria dizer, e por fim falou – Sim, aconteceu sim. Semana passado o Caio foi feito de refém.
Como assim? Por que vocês não disseram nada? – A respondeu nervoso.
Daniel e Bruna aproximaram-se dos dois, e tinha chegado a tempo de poder ouvir a conversa.
Caio de refém? – Daniel e Bruna disseram juntos.
Wandra ficou desconfortável.
É. Mas não dissemos nada porque ele não queria que ninguém soubesse – Assumira um tom sincero – Mas não se preocupem, foi uma coisa passageira. Tudo se resolveu rápido.
Os meninos calaram-se, mas ainda tinham bastantes interrogações pairando sobre suas cabeças. E logo antes de poderem perguntar, Wandra os questionou:
Mas e o Gabriel? – Olhou para Bruna – Como ele está?
Melhor... O choque foi muito grande, mas ele quase não tem feridas externas – Respondeu-a como se fosse uma médica.
Ainda bem – Falou Gustavo.
Agora é torcer para que todos fiquem sãos e salvos novamente – Daniel encerrara a conversa.
Thalia corria em direção à entrada da escola. O sinal havia batido.
Bom dia! – Thalia gritou alegremente.
Faltam 98 dias – Amber dissera enquanto pintava diversos móveis – Temos de ter um plano.
Você gosta de customizar hein – Falou Verena.
Amo! — Amber concordou – No meu planeta todos são ligados à tecnologia. E agora tenho oportunidades de poder desfrutar algo feito com minhas próprias mãos – Pincelava um antigo banquinho.
Will as interrompera:
Sim, temos de ter um plano.
Você tem alguma ideia – Marcy o perguntou.
Tenho...
Todos se sentaram para ouvi-lo, Will era o encarregado do progresso das missões. Ella o tinha escolhido como o líder.
No dia 105 iremos por em prova os resultados de nossas intervenções – Riscou o número 105,e logo abaixo suas sequências, subtraindo 7 dos dias semanais – Ao chegar ao 0 dia, todos nós estaremos reunidos neste mesmo local, assim que apressem-se, façam o que tenham que fazer, tentem o que tenham que tentar... A humanidade não está em nossas mãos, também somos dependentes da natureza particular de cada humano constituinte nessa missão.
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