¿Qué Hay Detrás?
32 Um Sonho Que Leve A Gente Acreditar
Notas iniciais
POV Maxi
A única coisa que via era um clarão e muitas imagens passando na minha cabeça. Via imagens de quando era criança correndo pelo quintal com meu pai. Sentando na cozinha comendo o bolo de chocolate da minha mãe. O dia que conheci Camila, e como nossa amizade acabou se transformando em amor. Quando conheci meus amigos. Os treinos de futebol... Tudo passava rapidamente na minha cabeça enquanto eu ouvia conversas e risadas misturadas. Uma última imagem com Naty chorando também apareceu, e eu só a ouvia falar em alguém chamado Joaquim. Quando tudo acabou!
Acordei um pouco assustado e demorei alguns segundos para entender que tinha sido um sonho e lembrar que estava em casa. Olhei para os lados e reconheci meu apartamento. Olhei para o sofá e a claridade da rua mostrava Naty deitada lá, dormindo profundamente. Sei que não deveria, mas a única coisa que consegui fazer foi acordá-la, eu precisava saber.
– Quem é Joaquim? — foi a primeira coisa que falei assim que Naty acordou e começou a me fazer mil perguntas. Ela ficou um pouco transtornada e demorou alguns minutos para processar a pergunta e voltar a falar comigo.
– Como você sabe sobre ele? — ela perguntou.
– Acabei de ter um sonho, não muito um sonho, algumas imagens apareceram em minha cabeça, e em uma delas você estava chorando falando sobre essa pessoa. Quem é ele? Seu pai? Irmão? — eu fazia mil perguntas e ela só me olhava confusa.
– Não... Ele é meu ex-namorado – ela falou calma.
– E por que você estava chorando? O que ele fez para você? Ele te machucou?
– Ele não fez nada, Maxi. Joaquim morreu – ela falei com tristeza na voz. Eu fiquei em silêncio, eu não tinha certeza se seria capaz de iniciar alguma conversa após isso, então, Naty quebrei o gelo. — Ele faleceu um ano atrás em um acidente de carro... — e assim ela me contou toda história. Como havia sido o acidente, o tempo que ficou no hospital, como veio parar em Córdoba. E após isso, contou sobre a aula do Sr. Coan, na qual ela não suportou o tópico e saiu da sala, e como acabou me contando tudo quando corri atrás dela. Fiquei surpreso em como ela me confiou esse segredo da primeira vez, e que mesmo depois de todos os acontecimentos, ela teve a paciência e confiança de falar sobre isso novamente.
– Me desculpe por te fazer falar sobre isso de novo – eu falei quando ela terminou.
– Tudo bem, Maxi. Se for para te ajudar, fico feliz em te contar – ela sorriu.
– Com certeza a imagem que tive de você chorando foi no dia que você me contou isso pela primeira vez – comentei.
– Provavelmente, porque foi a única vez que falamos sobre isso.
– Fico feliz que você tenha confiado em mim aquela vez e novamente agora para me contar isso, entendo o quão difícil tudo isso deve ter sido e é ainda para você – falei, sentando-me ao lado dela no sofá.
– Você sempre me passou muita confiança – ela disse por fim. — Mas sabe outra coisa que foi muito difícil para mim? Talvez mais difícil do que aceitar a morte precoce de Joaquim – ela recomeçou, olhando profundamente em meus olhos. Apesar de ser noite, a luz da lua adentrava na sala e fazia os olhos de Naty ficarem ainda mais brilhantes, mesmo quando ela falava sobre assuntos sóbrios.
– O quê? — eu questionei calmo olhando para ela.
– Aceitar que você tinha sofrido um acidente... Que daquela vez eu não era a vítima, que eu era a pessoa na sala de espera aguardando pelas mais diversas informações. Que eu poderia nunca mais te ver – os olhos dela se encheram. E além disso, que você só estava naquela situação por minha causa. Eu não podia aceitar que tudo aquilo estava acontecendo, que alguém tão especial para mim estava sofrendo por minha causa – com as lágrimas já correndo intesamente em seu rosto, Naty abaixou a cabeça.
– Naty – eu falei, levantando seu rosto novamente para que ela pudesse olhar para mim. — Independentemente do que aconteceu naquela noite, meu acidente não foi culpa sua — eu limpei uma lágrima com meu polegar. — Jamais repita isso novamente, o que aconteceu comigo foi falta de atenção e de responsabilidade, enquanto o que aconteceu com Joaquim foi uma fatalidade, e você não poderia ter feito nada para impedir...
– Eu jamais me perdoaria se eu perdesse você, eu não sei o que eu poderia ter feito...
– Naty! – eu falei o nome dela firme, ela estranhou e ficou olhando arregalada para mim. — Nunca mais fale isso. Você é nova, é linda, tem uma vida inteira pela frente... Algumas vezes a vida pode não ser justa ou qualquer coisa que você pense, mas isso jamais será motivo para você parar de viver. Você vai sofrer? Vai. Vai doer? Vai. Porém, isso vai passar, e um dia ficarão só as boas lembranças... — ela chorava muito, e eu estava começando a me preocupar com tudo aquilo, mas ainda assim queria falar. — Eu estou aqui com você, e se um dia acontecer alguma coisa – ela tentou abrir a boca para me impedir de falar isso, mas eu continuei -, você tem que me prometer que vai ficar continuar, ok? — ela assentiu. — E que vai guardar só as boas lembranças, assim como você tem que fazer com as lembranças o Joaquim. Tenho certeza que vocês dois viveram uma linda história, e também que ele ficaria muito chateado se você não tivesse continuado sua vida, mesmo com dor. Então, guarde sempre aqui – coloquei a mão sobre o coração dela – e aqui – e depois na cabeça – os bons momentos que vocês tiveram juntos e nunca mais se culpe por alguma coisa que você não teve culpa... Está bem? — eu perguntei terminando tudo que havia conversado com ela e Naty apenas concordou ainda chorosa.
E então, eu a abracei. Abracei-a como se nunca tivesse feito isso antes, e Naty aproveitou para chorar tudo que estava guardado naquele momento.
POV Naty
E após aquela conversa que começou por uma estranha pergunta e acabou tão intensa, Maxi me abraçou. E como se aquela fosse a primeira vez que estávamos nos abraçando, eu chorei tudo que podia. Chorei por Joaquim, chorei por Maxi, chorei por toda situação que estávamos vivendo. Apenas chorei.
Alguns minutos depois daquele abraço cujo o qual eu queria ficar para sempre, Maxi me soltou e voltou a olhar profundamente para mim, como ele havia feito desde a primeira palavra que trocamos.
– Precisamos dormir – ele falou e sorriu.
– Não acho que vá conseguir fazer isso tão facilmente agora – comentei.
– Vem – ele pegou na minha enquanto se levantava do sofá. — Vou ficar com você... — eu apenas segurei em sua mão e o segui. Nos deitamos na cama de Maxi, ele me abraçava enquanto eu ficava deitada em seu peito. Estávamos em silêncio e eu conseguia ouvir os sons da rua. Carros. Pessoas. Crianças chorando.
Alguns minutos haviam se passado desde então, eu estava de olhos fechados tentando absorver tudo que tinha acontecido, e apenas escutei quando Maxi sussurrou para mim.
– Eu tenho certeza que você já fez parte da minha vida em algum momento, Naty...
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