¿Qué Hay Detrás?
14 Porque Quem Ama Cuida
Notas iniciais
POV Maxi
Sai do banheiro devidamente vestido e vi Naty falando ao celular, ela me viu, sorriu e terminou a frase que estava falando.
– ...é isso, Vilu. O médico já veio aqui, receitou alguns remédios, e agora Maxi vai ficar de repouso... Não precisa... É sério, tá tudo bem... Claro, pode deixar que qualquer coisa eu ligo para vocês... Beijo... Tchau – e Naty desligou o celular, colocando em cima da mesa.
– Pronto mãe, já tomei banho – eu ri.
– Engraçadinho! É melhor você se deitar pra continuar quentinho – Naty sugeriu e eu me aproximei da cama, que estava delicadamente arrumada e pronta para que alguém deitasse. Olhei em volta, e outras coisas no apartamento de duas peças estavam arrumadas... Não havia roupas jogadas no chão ou em cima do sofá, todos os copos e pratos, antes espalhados, estavam dentro da pia, e havia algo sendo preparado no fogão.
– Acho que o banho não me fez bem, estou vendo uma casa muito arrumada, nem parece que estou na mesma que estava há meia hora... Devo ter saído na casa do vizinho – comentei ainda olhando ao redor.
– Dei um jeitinho por aqui enquanto você estava no banho... – Naty falou calmamente.
– Você não precisava ter arrumado tudo, ter se incomodado com isso! – quando terminei a frase já estava novamente embaixo das cobertas, e minha cama parecia melhor do que nunca.
– Não foi nada, Maxi. Nem fiz muito, só joguei as roupas na máquina, louça na pia e preparei algo para você comer. Vai te fazer melhor ter a casa limpa, e mais, eu não aguentaria dividir a casa com tudo aquilo espalhado – ela sorriu.
– Como assim, dividir a casa? – fiquei curioso.
– Você acha que vou te deixar aqui sozinho?
– Naty, você não precisa ficar aqui...
– Não preciso, mas eu quero ficar... Quero cuidar de você, Maxi – disse sincera. – Só não vou ficar, se você não quiser.
– É claro que quero... Mas não quero te atrapalhar, sei que você tem coisas pra fazer né.
– Nada que eu não possa fazer por aqui... São só alguns trabalhos e relatórios, vou trazer meu computador para cá amanhã e dou um jeito nisso – ela sorriu.
– Se é o que você quer, não vou mais discutir – eu ri.
– É sim, assunto encerrado! – ela se levantou, foi até a cozinha e pude ouvir um barulho de panela, pratos e talheres, e logo voltou com um prato cheio de sopa, pelo que deduzi. – Agora você vai comer para melhorar logo! – puxou um banco e sentou-se próxima a cama, ao meu lado. – Vamos lá, abra a boca! – ela falou enquanto colocava um pouco de sopa na colher e dava na minha boca.
– Você não vai fazer isso, sério... – eu não podia acreditar naquilo.
– Vou sim, agora, abra a boca – ela riu.
– Você parece minha mãe – comentei.
– Se fosse ela, você não estaria reclamando tanto...
Não querendo mais contrariar Naty, abri a boca e recebi a primeira colherada de sopa, que estava deliciosa, diga-se de passagem. Em pouco tempo eu havia comido tudo e Naty sorria satisfeita com isso.
– Muito bem, agora você está devidamente alimentado! – ela exclamou.
– Estava deliciosa!
– Receita de família – sorriu. – Agora que já cuidei de você, vou até minha casa buscar alguns pertences, não demoro.
– Tudo bem, estarei aqui, no mesmo lugar.
– Ok. Tome seus remédios e tente dormir, vai te fazer bem – sugeriu.
– Pode deixar, volta logo!
– Voltarei – ela me deu um beijo na bochecha, e levantou-se, passou na cozinha para deixar o prato, pegou sua bolsa e rumou à porta. – Tchau.
– Tchau – respondi, e ela fechou a porta atrás de si.
Naty
Depois de me certificar que Maxi já estava devidamente alimentado, quentinho e que ficaria bem, resolvi ir a casa buscar meus pertences e conversar com vovó sobre ficar alguns dias fora. Entrei, e como sempre meus avós estavam assistindo à televisão sentados lado a lado no sofá. Sentei-me na poltrona ao lado, e logo vovó me olhou um pouco apreensiva.
– Como está o seu amigo? – perguntou.
– Vai ficar bem – comentei. – É um resfriado daqueles, faringite e tudo o mais, mas se repousar melhorará rapidamente. O médico receitou alguns remédios, eu fiz sopa, e agora ele ficou lá descansando... Vim em casa pegar algumas coisas, vou ficar lá até ele melhorar, tudo bem?
– Tudo bem, se precisar de algo, peça pra gente – vovô comentou.
– Obrigada!
Após o consentimento dos meus avós sobre minha estadia na casa de Maxi, subi até meu quarto para guardar alguns pertences e materiais em uma bolsa, tomei um banho e voltei para o apartamento. A porta, que eu havia deixado destrancada, estava do mesmo jeito, abri-a, adentrei e logo vi Maxi. Ele dormia feito um anjo. Fechei a porta tentando não fazer barulho, e quando estava colocando minhas bolsas no sofá, alguém falou comigo.
– Dá próxima vez leva a chave reserva, está atrás da porta com as outras chaves – Maxi disse, dei um pulo e olhei para ele.
– Quer me matar do coração? Você não estava dormindo, caramba? – falei quase gritando.
– Hey, calma! – ele falou rindo. – Eu meio que estava dormindo, mas seu perfume tomou conta do ambiente, precisei acordar.
– Tolo! Volte a dormir, vai te fazer bem... Só vou preparar uma cama para mim e também vou dormir — comentei.
– Onde você vai dormir?
– No sofá, oras.
– Não posso deixar que você durma no sofá, Naty – ele falou sério.
– E você quer que eu durma onde, com você? – eu ri.
– Ah, não é uma má ideia...
– Claro o que mais precisamos agora é de duas pessoas doentes.
– Mas...
– Sem mas! – tentei parecer brava. – Volte a dormir, e não esqueça que você precisa tomar remédio no meio da madrugada.
– Tá bom, mãe... Já coloquei meu celular para despertar, não vou esquecer.
– Estarei aqui perto para você não esquecer mesmo – falei enquanto me virava novamente para o sofá e mexia na minha bolsa. Procurei meu pijama, fui até o banheiro, me troquei, escovei os dentes e voltei para o a sala/quarto. Maxi estava deitado olhando para cima, coloquei minhas coisas no chão e procurei algumas roupas de cama no roupeiro, no qual já havia mexido antes e constatado a presença das mesmas. Maxi continuava seguindo meus passos com o olhar, não vou reclamar.
Terminei de preparar tudo e me aproximei da cama de Maxi, coloquei a mão em sua testa para garantir que não tinha mais febre. Depois deu um beijo em sua testa.
– Boa noite!
– Que droga, né! – ele reclamou.
– O quê? – questionei meio sem entender.
– Demorei um tempão pra conseguir beijar você, e quando consigo, fico doente, ou seja, não posso beijá-la.
– Como você reclama, mocinho... Mas logo você melhora, vai ver!
– E aí você não me escapa, mocinha – depois que falou isso, Maxi teve um ataque de tosse.
– Chega de conversa... Vamos dormir, você precisa poupar a voz e descansar.
– Espera, tem uma coisa no seu cabelo, me deixa tirar...
– O que é? – falei passando a mão no cabelo.
– Vem aqui perto – aproximei-me de Maxi o suficiente para ele tirar algo do meu cabelo, porém, ele me roubou um selinho, e rapidamente me afastei.
– Malandro! – exclamei rindo.
– Agora vou dormir feliz, boa noite! – ele falou e virou-se de costas para mim.
– Boa noite...
Apaguei a luz e deitei-me, não demorou muito para que eu ouvisse o ressonar de Maxi, ele dormira. Estava sem sono, e então fiquei remoendo coisas na cabeça, e me peguei pensando no que estava fazendo, conhecia-o há pouco tempo, eu contara minha vida e todos os meus segredos a ele, há um dia havíamos dado nosso primeiro beijo, e agora eu estava aqui, deitada no sofá da casa de Maxi há 20 metros de distância da cama onde ele dormia. O que os outros pensariam de mim? O que Joaquim está pensando disso? Melhor esquecer os pensamentos alheios e acreditar no que eu acho certo fazer, e nesse momento, isso é o certo!
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