¿Qué Hay Detrás?
21 Estranho Jeito de Amar
Notas iniciais
POV Naty
Vimos nossos respectivos namorados sentados em uma mesa mais no canto do pub, rodeados por Camila e suas amiguinhas, Ludmila e Lara! E mais ainda, eles pareciam estar se divertindo com o papo que estava rolando por lá. Aproximamo-nos deles, Maxi foi o primeiro a nos ver, e logo mudou suas feições para assustado.
– Oi – falei tentando parecer normal.
– ... e foi isso que aconteceu – Camila continuou falando ignorando nossa presença. – Bem, estamos indo, tchau meninos! – ela falou sem olhar para nós. – Vamos garotas? – Ludmila e Lara saíram atrás dela.
– Oi meninas – Fede tentou falar parecendo normal.
– O que elas estavam fazendo aqui? – Vilu jogou as palavras sobre os meninos.
– Só estavam conversando... – León respondeu.
– Logo elas, León!?
– Nós não pudemos fazer nada! Estávamos aqui sentados e elas chegaram – Maxi explicou.
– Essa garota sempre chegando do nada para falar com vocês, que saco! – respondi.
– Mas foi só isso – Fede continuou.
– Espero não vê-las com você tão cedo – retrucou Fran sentando-se ao lado de Federico.
– Garotas chatas! – Vilu falou e sentou-se também. Juntei-me a eles, parecia que tudo tinha ficado certo e não haveria nenhum problema a mais por ali.
– Mas então, coincidência tirarmos o dia para ficarmos com nossos amigos, e nos encontrarmos aqui – Maxi comentou.
– É muito amor! – falei rindo e todos riram juntos.
No final de tudo, ficamos os seis sentados, bebendo e conversando. Camila e as amigas estavam sentadas no balcão e vez ou outra quando olhava para elas, notava que Camila olhava sem parar para nossa mesa, mas não comentei com Maxi.
Um pouco depois começou a baladinha no pub, que funcionava só como bar até meia-noite e depois o DJ chegava para animar. Resolvemos ir para a pista, mas Maxi precisou ir ao banheiro antes.
– Volto em dois minutos – ele comentou.
– Ok. Espero você aqui – comentei e voltei a me sentar. Os demais já haviam saído para a pista.
Passaram-se umas seis músicas e Maxi ainda não havia voltado, resolvi procura-lo. Passei próximo ao balcão e avistei apenas Ludmila e Lara sentadas por ali, e meu coração já começou a ficar apertado. Caminhei para o caminho que levava aos banheiros e como era de se esperar, encontrei Maxi e Camila juntos! Ela segurava a mão dele e falava olhando profundamente nos olhos de Maxi.
Não tive nenhuma reação, simplesmente me virei e sai, peguei minha bolsa sob a mesa onde estávamos sentados e fui embora. Os demais casais estavam bastante entretidos na pista e nem notaram quando saí.
POV Maxi
Ela não ia parar de me pedir nunca? Era só o que eu conseguia pensar a respeito de Camila! Ela já havia pedido uma vez para trabalharmos legal no trabalho de Desenho Geométrico e Forma Tridimensional, mas não precisava me lembrar disso cada vez que nos encontrássemos.
Ela havia acabo de fazer isso no caminho para os banheiros, e não bastasse ficar falando do mesmo assunto, ainda fazia questão de me abraçar ou ser solidária toda vez, mostrando um lado diferente, mas que para se desconfiar. Enfim, já havia combinado com ela de iniciarmos os trabalhos na segunda após a aula, e agora estava voltando para encontrar Naty em nossa mesa e finalmente podermos curtir a noite, porém, quando chego lá ela não estava.
– Vocês viram a Naty? – perguntei para Fede e Fran que se aproximavam da mesa.
– Não... Ela estava aqui esperando você a última vez que a vimos – Fede comentou.
– Estranho – comentei.
– A bolsa dela também não tá mais aqui – Fran acrescentou.
– Droga! – eu só conseguia pensar na possibilidade de Naty ter visto Camila comigo pela segunda vez na noite. Tirei o celular do bolso imediatamente e disquei o número dela, mas após várias tentativas, a ligação caiu.
– O que foi? – Fran pareceu preocupada.
– Já sei onde ela está – comentei, tentando parecer normal. – Vou falar com ela – e sai sem dar maiores explicações.
Na verdade eu não sabia onde ela estava, mas dava pra imaginar que estava indo para casa, então o que fiz foi sair do pub e andar na direção da casa de Naty na esperança de ainda encontra-la na rua.
Caminhei aproximadamente 800 metros quando avistei aqueles cachos balançando ao vento. Naty estava uns 100 metros mais a frente. Apertei o passo e a alcancei. Segurei na mão dela e Naty virou para olhar quem era com os olhos cheios de lágrimas.
POV Maxi
E quando eu virei para olhá-lo não pude esconder a tristeza, pois meus olhos entregavam minhas lágrimas. Maxi ficou me olhando por alguns segundos, ele também estava triste, pude ver no seu olhar.
– Me desculpe – foi a única coisa que ele disse.
– Me desculpe você – falei -, preciso aprender a controlar meu ciúme.
– Tudo bem, não vamos falar sobre isso agora... Vem, vamos para casa, está tarde, frio e perigoso – ele falou colocando um saco sobre meus ombros.
Caminhamos em silêncio por um caminho que eu sabia não ser o que levava a minha casa, e como esperado em alguns minutos nós chegamos ao apartamento de Maxi. Entramos. Sentei-me enquanto ele foi até a cozinha, alguns minutos passaram e ele voltou com duas canecas, entregou-me uma e sentou ao meu lado.
– O que é isso? – questionei.
– Chá, para esquentar o coração – ele riu.
– Obrigada – sorri. – E desculpe de novo...
– Tudo bem.
– É só, é só que, é só que ela está sempre atrás de você.
– Mas eu não me importo com ela... Às vezes acho que você não confia em mim – ele, que até então olhava profundamente em meus olhos, virou o rosto e ficou olhando para o horizonte.
– Maxi, não diga isso! Eu confio mais em você do que confio em mim... É só porque às vezes tenho medo de você ainda gostar dela – falei largando a caneca na mesa de centro e segurando em seu rosto.
– Isso não vai acontecer, eu não gosto dela... Eu gosto de você, quer dizer, eu amo você!
– Eu também amo você... Me desculpe. Eu não quero perder você – falei com lágrimas escorrendo em meus olhos.
Ele me abraçou. Ficamos naquele abraço por muito tempo, e se eu pudesse ficaria nele para sempre. No calor dos braços de Maxi que eu encontrava meu sossego e minha paz. Nos braços dele que eu me sentia segura.
– Você não vai me perder... Não vou deixar que nada nem ninguém nos atrapalhe – ele disse quando se soltou do abraço.
Tomamos nosso chá em silêncio e nos preparamos para dormir. Naquela noite dormi no meu lugar favorito, no aconchego do abraço de Maxi.
***
Na manhã seguinte acordei primeiro, levantei e preparei um café para compensar todos os problemas da noite anterior. Deixei tudo pronto, escrevi um bilhetinho para Maxi explicando que precisava ir para casa por conta de um trabalho para apresentar na manhã seguinte, e saí. Maxi havia me emprestado uma chave de seu apartamento, que me foi muito útil na saída do prédio.
O restante do domingo foi em casa estudando. Falei com Maxi uma vez quando ele ligou agradecendo pelo café e ficamos trocando mensagens o resto do dia. Perto das 22h tomei um banho e fui dormir.
***
POV Maxi
Manhã de segunda-feira, eu acordei bem animado depois do final de semana muito bom que havia tido ao lado das pessoas que amo. Levantei-me, tomei um banho e fui para Universidade. Minha primeira aula ainda era “Filosofia e Reflexão da Atualidade”, ótima oportunidade para ver Naty logo cedo.
Cheguei ao compus e fui direto para sala. Violetta estava lá sentada no seu lugar de sempre. León parecia não ter chegado ainda, porque não havia indícios dele por lá, e Naty também não estava na sala. Sentei-me próximo de onde ela estava.
– Bom dia – falou sorrindo.
– Olá!
– Então, o que aconteceu no sábado?
– Naty não falou com você? – perguntei estranhando.
– Não conversamos muito ontem, eu estava em uma festa de família – comentou dando de ombros.
– Então, ela me viu conversando com a Camila de novo e ficou chateada, resolveu ir para casa sozinha. Consegui alcança-la em tempo.
– De novo!? Você precisa evitar conversas paralelas com ela, Maxi.
– Eu tento, mas acontece que temos um trabalho para fazermos juntos... – comentei chateado.
– Entendo... Mas a Naty te ama, ela vai entender!
– Eu também a amo – sorri.
– Que menino apaixonado! – León apareceu de repente para estragar a conversa.
Rimos da situação e ficamos conversando a toa, dois minutos antes de a aula começar Naty apareceu, e ela estava linda! Subiu até o fundo da sala e sentou-se ao meu lado.
– Bom dia... Senti sua falta ontem – falei.
– Eu também, mas precisava estudar...
– Entendo. Mas você terminou?
– Ainda não, vou encontrar meu grupo no final da aula na biblioteca.
– Boa sorte! – ri.
Tivemos nossa aula, muito interessante como sempre, e fomos para o refeitório. Ficamos jogando conversa fora como em todos os dias. Depois eu e Naty nos separamos. Ela foi para sua aula e eu para minha, em blocos diferentes. A aula passou rapidamente, no final, fui para casa. Apesar de ser segunda-feira não teria treino de futebol devido ao fato de não estar escalado para o campeonato.
Estava em casa resolvendo algumas folhas de exercícios na sala quando a campainha tocou, e tive uma surpresa ao atender, afinal, não espera ninguém.
– Camila!? O que você quer? – perguntei, soou até grosseiro.
– Queria te mostrar uma coisa que fiz pro nosso projeto, sei que não combinamos nada para hoje, mas estava passando aqui depois do treino e resolvi te mostrar.
– Tudo bem – falei por fim. – Vou abrir e você pode subir.
Apertei para abrir e voltei a me sentar no chão para terminar meus exercícios, alguns minutos depois a porta abriu, Camila estava com sua roupa de líder de torcida ainda. Ela entrou, colocou sua bolsa em cima do sofá, catou algumas coisas em uma pasta e sentou no chão ao meu lado.
– Então...
– Bom, tenho aqui algumas ideias...
Estávamos tendo uma conversa bem interessante sobre o nosso trabalho, nossos desenhos quando do nada Camila me beijou.
POV Naty
Havia terminado meu trabalho com meu grupo na biblioteca e estava indo para casa quando me lembrei da conversa que tive com Maxi mais cedo sobre não termos nos visto no dia anterior, e como hoje havíamos ficado pouco tempo juntos resolvi passar na casa dele para conversamos um pouco, e esperar a chuva que estava começando passar. Cheguei ao prédio e entrei usando as chaves que tinha levado comigo na manhã anterior. Em frente a porta do apartamento de Maxi coloquei a chave na fechadura e abri. Isso foi a pior coisa que fiz, porque assim que abri vi a cena que jamais desejei ver na vida. Maxi e Camila beijando-se.
POV Maxi
E então eu vi Naty na porta e imediatamente me dei conta do que acabara de acontecer. Ela não fez nada, simplesmente fechou a porta sem entrar. Levantei-me imediatamente e saí atrás dela.
– NAAAAATY! – eu gritava, mas ela descia as escadas sem olhar para trás. – Espera, volta aqui!
Ela saiu do prédio, chovia fortemente, eu a alcancei e segurei em seu braço, em pouco tempo estávamos muito mais que molhados.
– Deixa te eu explicar...
– EXPLICAR O QUÊ? EU VI – ela gritava, e sua voz parecia voz de quem chorava.
– Naty, por favor...
– ME DEIXA, ME ESQUECE! – ela falou isso e entrou em um táxi.
Eu insisti e fiquei batendo no vidro, mas foi sem sucesso, o táxi acelerou e saiu, mas eu precisava conversar com ela.
POV Naty
Entrei no táxi e Maxi ainda tentou conversar, mas eu não precisava conversar, tinha visto tudo. O táxi acelerou e fiquei observando Maxi pelo retrovisor, só que ao contrário do que eu imaginava, ele veio correndo atrás do veículo, foi quando um o mesmo clarão de um ano atrás cegou meus olhos, mas dessa vez pelo retrovisor.
– MAAAAAAXI!
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