¿Qué Hay Detrás?

22 Fica Do Meu Lado


Notas iniciais
Demorei mil anos, eu sei, foi bem mais do que eu esperava. E não tem muito explicação, eu meio que fiquei sem vontade de escrever, mas compensei escrevendo um capítulo com quase 4.000 palavras para vocês!!! Desculpem por tudo, e espero que gostem! Enjoy :)

E agora eu estou aqui, sentada na sala de espera de um hospital. Pela segunda vez paredes e cortinas brancas cegam minha vista para cada canto que olho. Tudo em minha cabeça ainda tenta se encaixar. Tudo aconteceu tão rápido e eu continuo tentando acreditar que novamente alguém a quem jurei meu amor sofreu. Que eu novamente machuquei alguém que amo. Uma mistura de sentimentos toma meu coração e as lágrimas caem incansavelmente dos meus olhos e escorrem por meu rosto.

– NATY! – tomo um choque de realidade quando alguém chama meu nome. Olho para o lado aonde o grito vem, não consigo ter nenhuma reação, apenas viro meu rosto vermelho de chorar. Em poucos minutos estamos abraçados e continuo a chorar – Vai ficar tudo bem! – a única coisa que ela diz.

E alguns minutos passam quando novas pessoas e conhecidas começam a chegar. Me solto do abraço em Vilu e olho ao redor. Lá estão eles: Violetta, Francesca, Federico, e claro, Camila, que já estava aqui desde antes enchendo minha cabeça de picuinhas.

– Nada de informações ainda? – León pergunta.

– Não – respondo.

– Vai ficar tudo, Maxi vai ficar bem! – Federico comenta.

– É só o que desejo...

– Pronto, já avisei os pais dele – León aparece pela primeira vez.

– Obrigada – agradeço.

– Não por isso.

– E eles?

– A mãe dele vai embarcar amanhã pela manhã, já o pai não poderá vir – León comentou sentando-se ao lado de Violetta.

– Que ótima situação para conhecê-la – comentei.

– Ela vai ficar uma fera depois que descobrir como tudo isso aconteceu! – Camila com sua voz chata e jeito repugnante se pronunciou pela primeira vez.

– Vai mesmo, com você – aumentei um pouco a voz.

– Comigo? Foi atrás de você que Maxi correu, você que tem culpa!

– Nada disso teria acontecido se você não estivesse lá!

– Gente, do que vocês estão falando? – Fran entrou na conversa.

– Maxi está nesse hospital, nessa situação, porque foi atropelado quando corria atrás da sua namoradinha ciumenta!

– Não queria atrapalhar seu momento, querida – falei debochada.

– Mas atrapalhou, infelizmente...

– Olha aqui... – fiquei realmente exaltada e aumentei a voz.

– Olha aqui o quê!?

Eu ia começar a falar quando ouvi alguém pigarrear atrás de nós e todos viraram institivamente para o homem de jaleco branco e cabelo grisalho atrás de nós. Ele olhava para nós com um ar cansado, condizente com sua aparência.

– Parentes de Maximiliano? – ele perguntou com uma voz rouca para que todas as pessoas na sala de espera ouvissem.

– Nós – León respondeu.

– Qual é a relação de vocês com ele? – ele perguntou confuso.

– Naty – ele falou apontando para mim – é a namorada dele.

– E os pais? Preciso dos responsáveis aqui.

– Os pais não moram aqui, mas a mãe dele chega amanhã.

– Como ele está, doutor? – perguntei.

– Não posso passar informações ainda, só com algum responsável aqui.

– Então pode falar – uma mulher de cabelos loiros, maquiagem e bolsa de grife surgiu atrás do doutor.

– Quem é a senhora? – o doutor perguntou educadamente.

– Marcela Ponta, avó de Maxi.

– Eu liguei para ela também – León cochichou em meu ouvido.

– Então me acompanhe, por favor – o médico disse a chamando para longe de onde estávamos. Voltamos a nos sentar.

– Obrigada! – agradeci León.

Alguns minutos se passaram quando Marcela reapareceu na sala de espera. Suas feições não eram nada agradáveis. Ela observou todos nós sentados por ali, e sentou-se ao lado de Camila.

– Como ele está? – León perguntou aflito.

– Olá León – Marcela falou tentando fazer graça.

– Me desculpe Marcela – León se prontificou.

– Tudo bem, estava só tentando descontrair um pouco, vejo que vocês não estão muito bem, depois de ficar o dia todo aqui sem informações, mas enfim, o médico disse que a situação é grave – o sorriso em sua face murchou -, ele quebrou alguns ossos quando o carro bateu nele, mas pior que isso, bateu a cabeça quando caiu no chão, ainda estão esperando os resultados dos exames, mas o médico não garantiu bons resultados – as expressões dela logo mudaram.

– Mas, hm, como eu posso perguntar isso... Não existem mais riscos, não é? – Fran perguntou tentando encontrar as palavras certas. Marcela não respondeu nada, simplesmente abaixou a cabeça e começou a chorar, Camila que estava sentada ao seu lado a abraçou. Todos na sala ficaram em silêncio, e só lembro-me de Violetta me abraçando novamente enquanto eu chorava como um bebê chora a primeira vez que sai da barriga de sua mãe.

Alguns minutos depois, ela voltou a se pronunciar, eu continuei abraçado com a Violetta, mas prestando atenção no que Marcela falava.

– O que nos resta são fortes orações...

– Maxi vai sair dessa – León falou com confiança. – E quando a gente vai poder vê-lo?

– Tenho certeza que sim! O médico disse que assim que saírem os resultados dos exames, eles vão tentar fazer isso, mas talvez só amanhã pela manhã – ela comentou. Segundos depois se virou para Camila que estava ao seu lado. – Vamos até a cafeteria, Camilinha? Você tem que me contar como tudo isso aconteceu exatamente.

– Claro – Camila concordou mais do que sorridente.

– Acho que temos algumas coisas para conversar, você não foi mais me visitar.

– Pois é, temos que conversar mesmo.

– E vocês – falou olhando para nós que continuávamos sentados -, podem ir para casa e descansar, amanhã vocês poderão vê-lo, eu garanto. Eu e Camilinha ficamos aqui, não é minha querida?

– Claro – ela respondeu sorridente e fez questão de olhar pra mim.

– Acho que a Naty deveria ficar – Francesca falou rapidamente.

– Quem é Naty? – Marcela perguntou curiosa.

– S-sou eu – falei gaguejando e me levantando.

– E por que você deveria ficar? – perguntou-me um pouco ríspida.

– Porque Naty é a namorada de Maxi! – Fran continuou.

– A namorada do Maxi não é você, amada? – Marcela voltou-se para Camila.

– Infelizmente não mais, Maxi andou fazendo trocas erradas por aí...

– Estou vendo – Marcela concordou me olhando de cima a baixo com uma cara de nojo. – Bom, vamos. Temos muito que conversar – falou para Camila novamente e virou-se para nós. – E quando eu voltar não quero mais vê-los aqui, vocês precisam descansar ou nem voltar mais – falou essa última parte referindo-se a mim. Pegou Camila pela mão e as duas saíram em direção à cafeteria do hospital.

– Ela continua a mesma – Violetta comentou espontaneamente. – Aliás, Naty, não ligue para Marcela, ela e Camila têm uma conexão universal. Camila sempre foi o xodozinho de Marcela... Até acho que o namora de Maxi e Camila começou mais por causa da avó do que pelo próprio Maxi.

– Ela realmente não gostou de mim – comentei triste.

– Não que não gostou, não teve chance de te conhecer e ver a menina que você é, e como a Vilu disse, Camila é o xodó, ela deve ter ficado um pouco chocada com toda história do namoro deles não existir mais. Maxi com certeza nem comentou que tinha terminado...

– Só estou com medo do que Camila vai falar agora para ela, sobre o acidente e como tudo aconteceu – fiquei paralisada pensando em como Camila poderia remexer na história e me fazer vilã.

– Aliás, o que aconteceu realmente? – Federico perguntou curioso.

– Então... – comecei a contar a história enquanto saíamos do hospital. Resolvemos passar em nossas respectivas casas, tomar um banho. Fiquei de voltar no mesmo dia, León, como melhor amigo de Maxi ofereceu-se para voltar comigo e esperar até que tivéssemos maiores informações do estado dele. Fomos caminhando em direção ao estacionamento enquanto eu contava como tudo aconteceu, quando chegamos ao carro de León eu já havia terminado tudo.

– Inacreditável! – Francesca exclamou. – E ela se fazendo de vítima lá dentro, que garota escrota!

– E é por isso que eu tenho medo do que ela pode falar para Marcela, porque ela estava lá e pode inventar milhões de coisas – falei chateada.

– Logo o Maxi acorda e conta como tudo aconteceu, vai ficar tudo bem! – Vilu me conforta. – Bem, vamos? – ela perguntou referindo-se a pegar uma carona com ela e León. Pensei, mas não hesitei apesar de tudo, eu precisa chegar a casa logo e voltar logo para cá, queria estar presente quando Maxi pudesse receber visitas.

– Vamos! – concordei.

– Mandem notícias! – Federico falou enquanto ele e Fran despediam-se de nós.

Entramos no carro e logo já estava na porta de casa. León ficou de passar aqui umas 23h para voltarmos ao hospital. Desci e entrei em casa, vovó estava na cozinha e parecia bastante preocupada. Ficou me olhando nervosa assim que entrei.

Corri e simplesmente a abracei chorando em seus braços por longos minutos, ele ficou somente me confortando esperando a hora que contasse o motivo do meu choro. Depois sentamo-nos no sofá da sala e contei tudo, sobre o acidente e meus medos, e tudo que voltava a acontecer depois de Joaquim. Ela ouviu tudo em silêncio.

– Você não tem culpa de nada meu anjo, essas coisas acontecem, mas tenho certeza que seu namorado vai sair dessa e no final de tudo esse acontecimento será só uma lembrança obscura no passado. Não pense mais em tudo que aconteceu ou relacione isso com lembranças ruins que você tem. Lembre-se que Deus só teste aqueles que são fortes o suficiente para suportar, e você se mostra cada dia mais forte! – falou enquanto as lágrimas continuavam a cair em meu rosto. – Agora vá lá em cima, tome um banho e volte para cuidar dele, esse é o momento em que Maxi mais precisa de você, e você deve estar ao lado dele!

Abracei-a forte uma última vez e subi. Tomei um banho demorado, fiquei pensando em tudo e chorando um pouco mais, mas pensei em tudo que vovó falou e criei forças para sair do chuveiro e reviver, porque precisava voltar e esperar Maxi acordar oferecendo todo meu amor. Troquei de roupa e arrumei uma bolsa com algumas coisas para levar comigo para o hospital, e quando desci para esperar León vi a mesa posta com muita coisa boa, e pela primeira vez desde o acidente notei que estava com muita fome. Sentei-me e comi recuperando todas as minhas forças nas guloseimas de vovó. Quando terminava de lavar a louça ouvi León buzinando em frente minha casa.

– Estou indo, vovó e vovô – falei despedindo-me deles que estavam sentados assistindo televisão.

– Vai com Deus! E nos ligue se precisar de qualquer coisa – vovô me disse.

– Obrigada!

Entrei no carro e León arrancou, fomos conversando trivialidades pelo caminho para descontrair. Chegamos ao hospital, ele estacionou e entramos, seguindo direto para a sala de espera que estávamos anteriormente. Logo avistei Marcela sentada sozinha em um dos sofás, ela mexia no celular, sentamos um pouco perto de onde ele estava, e ela levantou o olhar para nós.

– O que vocês estão fazendo aqui? – falou um pouco grossa.

– Viemos esperar maiores notícias – León respondeu no mesmo tom.

– Falei que elas só saem amanhã.

– A gente espera o tempo que precisar – ele continuou.

– Vocês que sabem... Aliás, você e Maxi namoram desde quando? – perguntou olhando para mim.

– Um mês – falei enquanto pensava no tempo que já fazia.

– Então ele nem deu tempo de terminar com a Camilinha para já ficar com você, esse menino não tem jeito!

– Qual o problema comigo? – resolvi enfrenta-la.

– Nenhum, mas Camila é minha preferida, ela e Maxi têm muito a ver do que você.

– Eu não concordo, e acho que nem ele! – falei brava.

– Olha aqui, menina...

– Hmm – ouvimos um pigarro atrás de nós e nos viramos.

– Olá León – uma mulher morena de cabelos lisos até os ombros e olhos verdes falou com León.

– Helena – ele foi abraça-la. – O que faz aqui? Você não chegaria só amanhã?

– Às vezes ser esposa de policial federal tem suas vantagens – ela sorriu e deduzi que essa fosse a mãe de Maxi. – E você deve ser Naty... – ela falou parando em minha frente e sorrindo.

– C-como a senhora sabe?

– Maxi não para de falar de vocês e me mandar fotos suas, acho que te reconheceria em qualquer lugar do mundo – sorrio. – Você é ainda mais bonita pessoalmente! Prazer em finalmente te conhecer – então ela me abraçou.

– Prazer – correspondi o abraço sorrindo.

– Gostaria de ter te conhecido em outra ocasião e não em um ambiente como esse – falou por fim, quando soltamo-nos do abraço. – Ah, olá Marcela – ela falou olhando para a avó de Maxi e deu de ombros seguidamente. Claramente as duas não se davam bem.

– Então, alguma novidade? O que aconteceu com o meu menino? – ela sentou-se entre mim e León e começou a nos fazer perguntas.

– A gente não tem muitas informações médicas, porque ele só passa para os responsáveis, talvez você pudesse falar com o médico, nós gostaríamos de saber também – León comentou. – E quanto ao acontecimento, Naty é quem melhor pode explicar.

– Que convenhamos, tem muita culpa nisso! – Marcelo falou se metendo no assunto.

– Okey Marcela. Depois que ela me contar eu te digo o que acho – Helena respondeu brava. – Eu vou me apresentar ali na recepção, pegar algumas informações e fazer alguns registros que devem não estar completos, e logo volto para falar com vocês. Mais tarde gostaria que você contasse tudo isso Naty – ela levantou-se e pegou sua bolsa.

– Claro! – respondi sorrindo.

– Okey, volto em alguns minutos – quando Helena virou-se para ir até a recepção deu de cara com Camila, o clima entre elas ficou bem tenso. – O que faz aqui? – ela rapidamente perguntou para Camila.

– Hmm, ehhh... – Camila não achou resposta.

– Está me fazendo companhia, por quê? – Marcela se levantou para encarar Helena. – Vem aqui Camilinha – Camila foi para o lado dela.

– Por nada – a mãe de Maxi simplesmente respondeu e saiu. Eu e León ficamos sorrindo vitoriosos.

Aproximadamente vinte minutos depois Helena reapareceu no nosso campo de visão e sentou-se ao nosso lado.

– Então, os médicos já me falaram os resultados dos exames, e não está nada bem com o meu menino – ela começou a chorar -, Maxi teve sérias fraturas na cabeça e a pressão cerebral está um pouco alta, eles precisam controlar tudo isso, enquanto isso ele precisa continuar dormindo.

– Vai tudo bem – León segurava a mão dela. – E quando poderemos vê-lo?

– O médico disse que alguns minutos vai liberar visitas, mas só poderá entrar um por vez, por alguns minutos.

– Já é suficiente, preciso olhá-lo e ver que está tudo bem com ele – comentei pela primeira vez.

– Aliás, podemos conversar enquanto isso, Naty? – Helena sugeriu.

– Claro.

– Me acompanhe até a cafeteria então...

Fomos para a cafeteria, e enquanto ela tomava um café eu contei a história do acidente, não sei o que Camila havia falado para Marcela mais cedo, mas esperava que Helena acreditasse em tudo que estava dizendo.

– Eu sabia que essa menina não prestava desde sempre, esse jeito dela sempre me irritou, mas no começo do namoro Maxi e ela eram felizes, eu não queria ficar falando coisas para ele e sair como culpada depois, mas fico muito feliz que ele tenha encontrado você agora – ela segurava minhas mãos. – Sei que não nos conhecemos bem, mas já conheço muito da sua história e sei que você é uma menina muito boa para meu filho... Todo mundo me disse que ele mudou bastante depois de você – sorriu.

– Já me disseram também – concordei sorrindo.

– Vamos voltar? Acho que já estamos liberados para visitarmos nosso garoto.

– Vamos!

Voltamos para a sala de espera e ela parecia mais cheia, lá estavam Violetta, Francesca e Federico novamente.

– Oi meninos – Helena sorriu aos vê-los. – O que fazem aqui? Vocês deviam estar em casa estudando.

– León falou que você estava aqui e que talvez pudéssemos ver Maxi, sei que é só por alguns minutos e vocês têm prioridade, mas queríamos vê-la e confortá-la – Vilu falou e elas se abraçaram. Depois Fran e Fede também cumprimentaram Helena com abraços.

– Com licença – falou o senhor de jaleco branco de hoje mais cedo.

– Olá! – Helena respondeu. – Você deve ser o doutor Sawdicott, sou Helena Fuentes Ponta, mãe de Maximiliano.

– Prazer em conhecê-la. Esses meninos disseram que a senhora só chegaria amanhã, mas ficamos mais aliviados que já esteja aqui.

– Aconteceu alguma coisa? – ela ficou preocupada.

– Na verdade, aconteceu... Maxi perdeu muito sangue no acidente, achamos que estava tudo bem, mas agora seu corpo está pedindo mais, e precisamos fazer uma transfusão. A senhora é o relativo compatível?

– Infelizmente não, o pai de Maxi é o doador compatível.

– É um sangue bastante raro, não temos em nosso banco de sangue...

– Eu posso imaginar. Maxi nunca precisou disso antes, mas sempre fomos informados sobre a raridade do sangue dele.

– Algum de vocês pode doar. Meninos? Marcela? – Helena dirigiu a pergunta a nós.

– Claro que sim, qual é o tipo? Se nenhum de nós puder, vamos achar alguém... O que mais temos na universidade são pessoas esperando pela recuperação de Maxi – León falou animando Helena.

– Maxi tem sangue tipo B-.

– Eu não posso – Marcela foi curta e grossa.

– Não é compatível com o meu – Vilu se pronunciou.

– Nenhum de nós – Fran respondeu por ela e Fede.

– Também não comigo – foi a vez de León.

– Não posso doar, fiz uma tatuagem recentemente – Camila se pronunciou.

– Hm, é o meu tipo sanguíneo – eu falei e todos olharam para mim esperançosos.

– E você pode doar? – Helena perguntou feliz.

– Eu não tenho certeza, mas acho que posso.

– Nós saberemos se você pode, faremos alguns testes antes... Você está disposta a fazer isso? – o médico perguntou.

– Claro! – eu não pensei duas vezes antes de responder.

– Então venha comigo... – ele me chamou para segui-lo.

– Obrigada minha linda! – Helena me abraçou toda sorridente.

– De nada.

Segui o médico pelos corredores do hospital e pela primeira vez parei para pensar no que eu havia acabado de fazer quando aceitei doar. Estava voltando alguns meses atrás, quando estava na vida de hospital e tudo isso começou a me assustar, porém depois pensei em Maxi, em tudo que vivemos e passamos juntos, e o quanto eu me sentia culpada pelo acidente. Eu estava fazendo a coisa certa, se eu tinha chance de ajudar ele, eu o ajudaria. Maxi era a razão de mudanças na minha vida, e ele precisava ficar conosco para continuar mudando tudo em mim.

Entrei uma sala de transfusão sanguínea, sentei-me e logo uma enfermeira apareceu com uma seringa ao meu lado. Ela encontrou minha veia e retirou um pouco de sangue, depois em minha frente começou a fazer testes, não demorou muito para que olhasse para mim.

– E então? – perguntei.

– Está tudo bem, você pode fazer o processo. Vamos começar? – perguntou sorridente.

– Claro!

E então tudo começou, fui para um quarto com duas camas e deitei-me em uma delas, a mesma enfermeira começou o processo para a transfusão, logo a porta se abriu e uma maca adentrou no quarto, era Maxi. Ele estava deitado sem camisa, com a coberta até a cintura. Seus olhos estavam fechados e ele estava ligado em milhões de aparelhos, quando olhei aquela cena meu coração congelou e comecei a ficar mal.

– Está tudo bem? – a enfermeira perguntou.

– S-sim.

– Você precisava ficar calma para continuarmos o processo...

– Me desculpe.

– Sei que deve ser difícil para você esse momento, mas com sua ajuda vai ficar tudo bem!

– Eu sei, obrigada!

Posicionaram a maca dele no lugar onde a outra cama estava antes, e também começaram os processos para ele receber o sangue naquele momento. Eu olhei para o lado e observei sua face e seus braços cheios de hematomas. Não podia ser verdade tudo aquilo. Quando o processo começou somente a enfermeira que estava comigo desde o começo ficou na sala. Eu olhava Maxi e toda aquela situação enquanto chorava silenciosamente.

Tudo demorou pouco mais de uma hora para se encerrar. Ao final, Maxi foi levado de volta para o quarto onde estava antes e eu deveria permanecer deitada por mais algum tempo. Trouxeram-me comida, e enquanto eu comia Helena entrou no quarto.

– Tudo bem?

– Tudo sim, obrigada – sorri.

– Não sei como te agradecer por isso...

– Você não precisa agradecer, sei que ele faria a mesma coisa por mim.

– Eu tenho certeza – ela sorriu. – O médico disse que poderemos vê-lo em alguns minutos, penso que você deve ser a primeira.

– Mas eu já o vi. E você deve ser a primeira, você é a mãe dele...

– Mas agora poderá se aproximar, e eu faço questão que você o veja primeiro.

Voltamos para a sala de espera e não muito tempo depois o médico apareceu, ele parecia mais tranquilo.

– Boas notícias – ele disse e todos se viraram para ouvi-lo. – Após a transfusão conseguimos controlar a pressão cerebral também e agora ele já está estável. Não precisamos mais dos remédios para fazê-lo dormir.

– Podemos vê-lo? – León perguntou.

– Claro, mas bem, temos que organizar isso. Não precisa ser um por vez como imaginávamos, mas não podemos deixar todos entrarem juntos.

– Quantos?

– Uns quatro por vez...

– Vão lá vocês – Fran disse para mim, Vilu, Fede e León -, eu fico para ir com a Helena depois.

– Isso – Helena concordou. – Eu e Francesca vamos depois.

– Tudo bem mesmo? – Vilu perguntou pela última vez.

– Claro, vão logo – Helena disse sorridente.

Seguimos o médico e chegamos a porta do quarto dele, o médico abriu e disse que poderíamos entrar. León entrou primeiro seguido de mim, Vilu e Fede.

Maxi estava do mesmo jeito de antes, só que com menos aparelhos dessa vez. Apenas um para auxiliar na respiração. Aproximamo-nos da cama e ficamos observando-o.

– Vai lá, campeão! Você vai sair dessa – León se pronunciou.

– Estamos com você! – Federico completou.

– E precisamos de você de volta logo!

Inacreditavelmente, após essas palavras Maxi começou a se remexer e aos poucos foi abrindo os olhos. Foi um processo que demorou alguns minutos, mas logo ele estava de olhos abertos olhando fixamente para nós.

– Olá campeão – León sorriu.

– Hmmm – Maxi tentou falar alguma coisa.

– Vou chamar o doutor – Violetta sugeriu e saiu.

Menos de dez minutos depois o doutor e todos que estavam na sala de espera apareceram com Vilu.

– Olha o que temos aqui, alguém acordou antes do imaginado – o doutor se aproximou e checou alguma coisa no aparelho, no coração, no pulso de Maxi. – E está tudo bem com você. Então garoto, você consegue me dizer seu nome?

– M-ma-maxi!

– Muito bom! E quantos anos você tem?

– 23.

– Correto. Você sabe quem é ela? – falou apontando para Helena.

– Minha mãe.

– E ela?

– Minha avó, Marcela.

– E eles? – apontando para todos nós.

– Meus amigos, minha namorada e mais alguém – quando ele falou isso todos ficaram curiosos. Não havia mais ninguém na sala.

– Tem certeza? – o médico perguntou.

– Sim. Meus amigos León, Federico, Violetta e Francesca. E a minha namorada, Camila – meu coração se despedaçou quando ele disse isso. E todos na sala ficaram perplexos, menos Camila que estava sorrindo.

– E a menina de cabelos crespos? – o médico insistiu.

– Não sei. Quem é você? – Maxi perguntou olhando sério para mim.

Notas finais
E então, o que acharam? Não me matem, coisas boas vem por aí! Deixem suas mensagens para eu saber como está a história. Beeeijos :*