Quimerae
2 Prólogo - O Sáurio Parte 1
Notas iniciais
Das profundezas de cavernas sob as montanhas sai um pequeno exército. Composto por aproximadamente cinquenta pessoas, com destino e objetivo desconhecidos. Não é um agrupamento qualquer, são sáurios, uma raça de reptilianos humanoides que costuma viver próxima a rios e lagos. Conhecidos por serem fortes e violentos são considerados por alguns uma verdadeira e perigosa praga, embora muitos sequer acreditem em sua existência, pois normalmente são encontrados apenas nas fronteiras do Reino.
Sáurios são onívoros, podem se alimentar de qualquer coisa, assim como os humanos, mas têm preferência por carnes. Possuem variados rebanhos para esse propósito, mas nada de boi ou cavalo, estes, assim como outros animais, têm pavor de sáurios. Ao invés disso, seus rebanhos geralmente são compostos por répteis de pequeno e médio porte, sendo o mais conhecido o boi escamado: têm o mesmo porte físico de um boi comum, mas com chifres espiralados apontando para frente e uma longa calda.
Em tempos de crise eles sobrevivem de pequenos saques, motivo pelo qual são considerados praga. Seus ataques são geralmente rápidos e fulminantes, dando pouco ou nenhum tempo para defesa. E um saque pode bem ser o objetivo do exército em questão… Dos cinquenta sáurios, cinco estão montados em estranhas criaturas escamosas que se assemelham bastante fisicamente a cavalos, o restante marcha a pé.
O grupo para numa clareira a pouca distancia de onde partiram. Um dos que cavalgavam se separa do grupo para pronunciar algumas palavras. É o mais jovem ali presente e o líder do grupo:
— Hoje nós temos uma missão importante! Os nossos estão passando fome em várias vilas e nosso gado está escasso devido à seca e ao frio incomum deste ano. — pausa o jovem sáurio para ver se estavam prestando a atenção… Não estavam… — Teremos que saquear uma vila humana próxima. E repito! Iremos apenas saquear! Precisamos somente de comida. Não queremos gente nos caçando por ódio ou vingança. E nada de mortes. Se for para ferir, o façam apenas se for realmente necessário!
Sussurros ecoam pelo exército. Mesmo assim o jovem sáurio consegue distinguir o que estão dizendo: “Fraco” “Covarde” “Você não é nosso líder” “Não sigo covardes”. E suspira em resignação. Seria uma noite bem longa…
Ele se sentia mal com aquilo tudo, não se sentia talhado para a liderança. Mas eram ordens de seu pai. Teria que liderar aquele saque, mesmo ninguém o ouvindo. Era fraco fisicamente e por isso a grande maioria dos sáurios sequer o considerava como igual, quanto mais como líder.
— Partiremos ao anoitecer! – grita o jovem para o grupo — E tentaremos negociar com a vila antes de atacarmos! Temos o suficiente para intimidarmos todos e resolver isso tudo sem usar violência! ISSO É UMA ORDEM!
Palavras que são seguidas por olhares de desprezo. De todos ali, apenas três já haviam servido ao jovem sáurio anteriormente. Eram os únicos que o respeitavam.
Após o discurso frustrado, o líder desce de sua montaria e se encaminha a uma pedra próxima para se sentar. Um dos sáurios montados faz o mesmo e se aproxima do jovem. Seu nome é Henkel Trammfarr, responsável pela segurança pessoal do líder:
— Não se importe com o que dizem, Lamark. O senhor é mais do que capaz de liderar um grupo como este. – Lamark Grischarr é o nome do jovem líder sáurio.
— Sim, eu sei… — murmura o jovem — Posso lutar muito bem. E ganho de qualquer um deles a minha maneira…
— Mas para a maioria apenas a força física é o que conta — complementa um segundo sáurio montado. O mais velho e experiente do grupo, seu nome é Rak Grischarr.
— Que eles se explodam! — exclama um terceiro sáurio, Zach Yagnarr. É um pouco mais velho que Lamark e está ali por ser especialista em caçadas. — O senhor já salvou minha vida tantas vezes… Ver esse aí falando desse jeito como senhor me dá nojo!
Lamark fica um pouco mais feliz por saber que pelo menos alguns ali confiavam nele. Eram colegas de longa data. Já tinham enfrentado poucas e boas e sobrevivido graças as especialidades de todos.
— Muito obrigado, meus companheiros. — agradece o jovem sáurio — Mas esse problema só vai se resolver com ações. Sáurios só querem saber de ações. E de força… Mas se formos bem sucedidos, talvez eles comecem a me respeitar… — E suspira novamente.
O último sáurio montado, chamado Tork Grischarr, se aproxima do grupo a conversar:
— Acho muito difícil! — desdenha — Você só é o líder aqui por causa do seu pai! Eu não colocaria você nem para cuidar do gado! Saiba: só estou aqui por ser leal ao seu pai!
Zach esboça a reação de ir para cima, mas Lamark o impede, balançando negativamente a cabeça. Não valeria a pena criar uma confusão naquele momento.
O exército então continua de prontidão na clareira, aguardando o por do sol. Ao anoitecer partem, silenciosamente, em direção à vila Hochberg…
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