Quimera

6 Capítulo 5


Notas iniciais
Oie honeys
Olha eu aqui *-*
E ainda é sabado ne sahusuhaushash
Boa leitura e mil perdões pelos erros

– “Yume wo mita higenjitsu jiyuu ni mau yume wo mita”* – fechou os olhos, esquecendo por um minuto que estava no estúdio de gravações, sua voz não podia soar só límpida como também passar todo sentimento que a letra transmitia, aquele era o trabalho de um cantor.


Hoje terminariam as gravações, todos estavam ansiosos para ver o resultado final e ainda mais para começar os outros projetos. Seria tão bom se pudesse se dedicar apenas a isso, e não em alimentar um demônio mal encarado, mas infelizmente trilhara aquele caminho e teria que sofrer as conseqüências.


Cantou o ultimo trecho, o ritmo da musica lhe dando uma idéia para um furi, abriu os braços e as pernas simultaneamente, fechando-os da mesma forma, socou o ar com as mãos juntas de um lado e do outro, levantando umas das pernas no processo, repetindo isso até o ultimo rif de guitarra.


Os outros membros que até então observavam concentrados seu desempenho na melodia começaram a rir, Uruha tentou imitar os passos, mas se embaralhou todo, até os staffs riam, aquela dança ia pegar assim como em Akai one piece. Tirou os fones e saiu da sala, podendo ouvir as risadas alheias.

– Otsukaresama- um dos staffs proferiu cumprimentando-o, sendo seguido por outros e pelos próprios integrantes, que reverenciavam em agradecimento.

– Esse furi me lembra polichinelo- Aoi abraçou seus ombros com um sorriso convencido, típico.

– Você já fez polichinelo alguma vez na sua vida?- puxou a manga de sua blusa com a ponta dos dedos, afastando seu braço.

– Claro que fiz Ruu-chan, eu sou um atleta esqueceu? –retrucou brincalhão como sempre, ambos sabiam o quanto o moreno era preguiçoso para exercícios, mas o vocalista também era.

– Aham tá – riu, se aproximando do baterista e do guitarrista loiro que estavam prestes a brindar para comemorar o fim das gravações, por enquanto. Teriam férias de duas semanas antes de começarem a gravar mais dois mini-albums que viriam nos próximos meses.


– Onde está o Reiki?- pegou uma das taças com champanhe, tomando um gole, o baixista saiu quando chegou sua vez de gravar e até então não tinha voltado.

– Foi comprar mais bebida- foi Kouyou que respondeu, virando sua terceira taça.

– Hey hey vai com calma ai Uru-kun- Reiki entrou acompanhado pelo empresário Kouga, cheio de sacolas de sake e champanhe- Não vai ficar bêbado logo de cara.

– Falando no diabo- murmurou, se afastando da figura sorridente que vinha em direção a mesa, depositando as sacolas nela. Ficou ao lado de Kai que tomava sua bebida isolado.

Uruha fez uma careta, não pelo apelido, mas pelo comentário, como se fosse fraco pra bebidas.

– Cala boca Reiki você demorou demais- tirou uma das garrafas de sake da sacola, champanhe era muito suave.

– Se você desmaiar eu não vou te carregar até em casa- o moreno de piercing apoiou o cotovelo na mesa e o queixo na mão, olhando-o de baixo.

– Eu não vou desmaiar, que eu saiba quem fica todo alterado quando bebe é você, até chorou uma vez – espiou-o de esguelha, já esperando a cara de bicha ofendia que ele fazia.

– Foi só uma vez e não foi por causa bebida, pelo menos eu sei parar quando devo- alfinetou, se pondo ereto para enfrentar seu adversário de frente.

– Começou- o baterista comentou fazendo com que Ruki concordasse com a cabeça.

– Calma crianças sem brigas- o empresario separou o casal que praticamente rosnavam um para o outro, era difícil saber como ainda estavam juntos- Tenho uma noticia para vocês- sua fala atraiu a atenção dos cinco, que até então estavam dispersos.

– Terão uma apresentação na radio dia 28 para divulgar Cockayne Soup.

Uma alta exclamação pode ser ouvida de todos os membros, nunca tinham se apresentado em uma radio antes, aquilo havia deixado todos nervosos, mas também animados. Eram amadores e cheios de energia, aquele tipo de oportunidade era tudo que desejavam.


– Então vamos beber- o baixista interrompeu o murmurinho que havia se espalhado na sala, servindo à todos com sake, passaram o resto da tarde assim, conversando e planejando ensaios.


Um dia agradavelmente cansativo de uma banda que ainda tinha muito que crescer.

~//~

As mini férias acabaram voando e os ensaios voltaram com força total, sua garganta doía um pouco e se aquilo permanecesse teria que procurar um fonoaudiólogo. Tinha que melhorar sua técnica vocal se quisesse continuar cantando sem prejudicar suas amígdalas.


Espreguiçou-se sentindo uma brisa que passava, estava escurecendo e o frescor da noite deixava o clima mais agradável, adorava o céu naquelas horas, quando o sol ainda não se pôs totalmente, e seu brilho reflete nas nuvens formando um degrade de laranja para roxo em um cenário psicodélico.


Algo vibrando no seu bolso traseiro lhe trousse a realidade, notando que ainda estava na calçada esperando o sinal — que já havia aberto e fechado varias vezes — ficar verde, pegou o celular atravessando a rua, era uma mensagem.

– “Oi Ruki-san. Acabei de sair do trabalho, posso ir na sua casa?(^ω^)”- sorriu, era de Reita, enviou uma confirmação.


Estavam naquela relação de sexo sem compromisso há quase três semanas, trocavam mensagens ou telefonemas para se encontrarem — normalmente na casa do vocalista — transavam, conversavam, comiam juntos, transavam mais um pouco e se despediam, às vezes o maior dormia no apartamento, às vezes Ruki o expulsava com a desculpa de que tinha que trabalhar e que o outro tinha faculdade.

Dobrou algumas esquinas até avistar o prédio simples, subiu no elevador assobiando uma melodia qualquer do Luna Sea enquanto apertava o numero do andar, algumas pessoas que moravam mais acima também entraram. Ao chegar no seu andar pegou um molho de chaves, procurando distraidamente a certa.


Ergueu a face dando de cara com o universitário sentado no tapete de boas vindas, ao perceber sua presença levantou afobado, dando passagem para que abrisse a porta.

– Chegou rápido, estava esperando minha mensagem na porta do prédio de novo?- tirou os sapatos, esperando que ele fizesse o mesmo para poder fechar a porta.

– Se você sabe não precisa perguntar- falou baixo, porém firme, com aquele tempo de convivência conseguia responder as provocações do menor quase à altura, mas não deixava de corar.

O vocalista sorriu, era isso que mais gostava nele, sua transparência, tornava-o fácil de ler e uma pessoa agradável de conviver, pois não havia mentiras, assim acreditava.


– Esta com fome? – foi para cozinha, procurando alguma coisa instantânea pra fazer.

Reita se livrou do casaco e das meias que usava- gostava de andar descalço- interrompendo a busca do baixinho por comida ao segurar sua cintura, embrenhando o nariz em seu pescoço com marcas quase cicatrizadas, feitas por si, por que agora nenhum outro tocava ali se não ele.

– Quero outra coisa pra comer — lambeu seu colo, sentindo a tez macia por de baixo da blusa, o outro suspirou controladamente, mas a caricia não durou muito, pois teve o corpo afastado pelas mãos pequenas.

– Eu tenho que revisar umas musicas, pode esperar um pouco?- sorriu da sua cara frustrada, vendo-o assentir, e tinha como dizer não?

Acompanhou-o com os olhos até que entrasse no quarto, um bico contrariado em seus lábios.

Para Ruki tudo era um jogo.

~//~

– Droga Reiki, o mínimo a se fazer é trabalhar direito- girou o palito fino de madeira entre os dentes, irritado, Reita havia lhe pedido que quando tivesse vontade de fumar colocasse um palito de dentes na boca, não diminuía sua vontade, mas morde-lo pelo menos o distraia.

É claro que só fazia isso na presença do maior.

– O que foi Ruki-san?- se ajoelhou na cama, espreitando por trás o ombro dele a tela do notebook.

– Aquele idiota me manda algo incompleto e com uma parte sem sincronia, veja- desplugou os fones para que ele pudesse ouvir também, apontando para a barra de mixagem onde havia o erro- É a parte do solo e ele me estraga.


– Não é algo tão grave assim, se mudar para uma nota mais baixa e aumentar o ritmo?- sugeriu, o semblante do menor suavizou, até que não era uma má ideia.**


– Você toca baixo? – nunca imaginou que o maior pudesse ser musico.

– Tóco, é uma das poucas coisas que eu sou bom- sorriu sem graça.

– Bem... você é eficiente, determinado, toca baixo e é bom de cama, são qualidades o suficiente pra mim- voltou-se novamente para o notebook, não medindo o que falava.

– Ah..- seu rosto esquentou, abaixou a cabeça mirando as próprias mãos, para Ruki aquelas palavras não tinham importância, mas para si aquele tipo de elogio sem malicia era muito significativo.

Não voltou a colocar os fones no aparelho, a musica não terminada sendo o único som a preencher o silencio, mesmo assim a falta de falas não incomodava nenhum dos dois.

Varias horas se passaram daquele jeito, volte e meia olhava-o de canto, ele continuava na mesma posição, com as pernas cruzadas à frente do corpo e as mãos apoiadas no colchão entre elas, um olhar decidido na face.

– “ Só falta balançar o rabo e latir”- riu mentalmente.

– Tem certeza que quer esperar? Nós podemos fazer amanha você sabe- falou sem tirar o olhar do visor.

– Eu espero- uma resposta direta e rápida.


– " Como um cachorrinho obstinado" — sorriu, se concentrando no trabalho, mais algumas horas se passaram, estava começando a ficar com sono quando finalmente terminou.


Fechou o notebook, o maior continuava sem mexer um músculo, perdido em pensamentos, sorriu perverso.


– Hummm – alongou os braços se jogando ao seu lado na cama — Eu estou tão casado, quero dormir — fechou os olhos, se aninhando nos lençõis.

– Heee? Mas...- foi cortado pelo riso do vocalista, havia caído.

– Reita-kun você é tão ingênuo- empurrou-o até que seu dorso encostasse na cama, ficando por cima deste, mordiscou seu lábio inferior não obtendo reação.


– Desistiu? – sorriu de soslaio e rapidamente as posições foram invertidas, tendo o corpo imprensado pelo quadril do outro que tirava a camisa- Foi o que imaginei.

~//~

Despertou com barulho do telefone, o som alto machucando seus ouvidos que momentos antes só escutavam baixos gemidos e sussurros prazerosos. Levantou se desvencilhando dos braços de Suzuki, a pessoa não parecia estar disposta a desistir, então resolveu acabar com seu tormento de vez.


Massageou a temporã em uma tentativa de fazer sua cabeça parar de latejar, tirou o aparelho do gancho, aliviado pelo barulho ter cessado, antes de levá-lo à orelha verificou as horas no relógio da sala — 07h00min — era melhor a pessoa do outro lado ter um bom motivo para ligar aquela hora, ou teria uma experiência nada agradável com piranhas e a baia de Tokyo.


– Alô?- sua voz estava tão sombria que nem ele se reconheceria.

– Ta-takanori?- todo o sono que sentia se foi, o ar a sua volta ficara escasso e por pouco não deixara o aparelho escorregar de sua mão.


Se escorou na parede do lado do telefone, segurando-o de encontro ao ombro para acender um cigarro, deu uma longa tragada na droga, a nicotina tomando seus pulmões, se sentindo mais estabilizado para responder.

– Diga mãe.


~//~


Notas finais
*trecho da musica Haru ni Chirikeri, Mi Wa Kareru De Gozaimasu que particularmente eu amo *-*
*Não sei nada de baixo, isso foi pura enrolação-q
Não ficou tão grande quanto eu prometi, mas pelo menos veio no dia ehhhhhh *----------*
Mereço reviews por isso? *pisca os olhinhos implorando*
Onegai :3333 *fazendovozfofa*-q