Quero te ter junto a mim
20 Idiota.
Notas iniciais
Pov Off
Angie entrou na cozinha, na manhã seguinte, e viu German de costas, preparando um café. Aproximou-se dele e abraçou-o por trás, apoiando a cabeça em suas costas e rodeando os braços em seu quadril.
– Bom diiiiiia. — Angie falou manhosa.
German sorriu involuntariamente e virou-se, fazendo-a soltá-lo.
– Ótimo dia. — ele a pegou pela cintura e puxou-a para mais perto.
German depositou vários beijinhos pelo rosto da loira, menos nos lábios. Angie estava doida para que ele beijasse-a nos lábios, mesmo quando dizia que não, e que ele deveria terminar com Esmeralda primeiro. Ela fechou os olhos enquanto ele beijava todo seu rosto, e sorriu. Aquela sensação era o paraíso para Angeles. Eles até haviam esquecido que Esmeralda podia aparecer a qualquer momento e pegá-los no flagra.
– Você é fofo. — Angie sussurrou, abrindo os olhos, depois que German parou com os beijos. Ele sorriu, mas não disse nada. Palavras não eram necessárias, ambos sabiam o que sentiam e o que queriam. Palavras estragariam o momento.
Entraram em uma espécie de transe com o olhar. Angie ouvira dizer muitas vezes que os olhos são o espelho da alma. E agora ela entendia o que isso queria dizer. Nos olhos incrivelmente castanhos de German, fixados nos dela, ela encontrava ternura, carinho, e mais alguma coisa que ela não sabia decifrar exatamente o que, mas sabia que era bom. Era um olhar que dizia que German ia protegê-la para sempre, custe o que custar. Que ele ia amá-la, na condição que for. Ele lutaria por ela, e só pelo olhar Angeles percebeu isso. O estômago da loira formigava. Já German, estava perdido no mar verde de belezas que era os olhos de Angie. Ele via o amor borbulhar naquele olhar, ele podia ouvi-la gritar "eu te amo" para ele só com aquele jeitinho que seus olhos o encaravam. German estava fascinado. Ele sorrira involuntariamente, e isso despertou Angeles do transe, fazendo-a olhar diretamente para os lábios dele. Ela queria resistir, mas era mais forte que ela. Acabou aproximando-se vagarosamente, e roçou seus lábios nos dele de forma carinhosa. German arrepiou-se e abraçou-a pela cintura, continuando com o roçar de lábios. Angie deu-lhe um selinho meio demorado. German riu baixinho, e antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, assustaram-se com uma tosse forçada vinda da porta da cozinha.
– Eeeeita que o casalzinho começou cedo hoje, hein! — Violetta adentrara a cozinha, rindo, e abriu a geladeira. Retirou o leite de lá e colocou-o sobre o balcão.
Angie e German olharam-se envergonhados, e se afastaram um pouco.
– Violetta... — German começou, meio sem saber o que dizer. Balançou a cabeça e apoiou-se de costas na pia.
– Quê? Me agradeçam! E se fosse a Esmeralda entrando e vendo essa cena que eu vi?! Perderam a noção do perigo? — Violetta disse, calmamente, enquanto ia até o armário e retirava um copo de vidro de lá. Voltou até o balcão e colocou o leite no copo.
– Na verdade eu perdi a noção da razão mesmo — Angie balançou a cabeça. — Desculpe.
– Ah, tia — Vilu foi até ela — eu estava brincando. Só não quero que tenham problemas com a Esmeralda, só isso. — Vilu sorriu e abraçou sua tia, que estava apoiada na pia ao lado de German. Angie correspondeu o abraço delicadamente e depositou um beijo na cabeça de sua sobrinha.
– Ei, mocinha! — German cutucou sua filha. — Por que você não me abraça mais? — ele cruzou os braços e fez careta. Violetta sorriu.
– Ahhhh, que família ciumenta! — a menina foi e abraçou seu pai com ternura. German correspondeu sorridente enquanto Angeles os observava carinhosamente.
– Bom dia. — Esmeralda adentra a cozinha. Imediatamente Angeles tira o sorriso do rosto, Violetta murcha o abraço, e German respira fundo.
– Bom dia — Violetta força um sorriso para Esmeralda, pega seu copo de leite, e se retira da cozinha. Angie não sabe se vai junto, se fica, se responde ou permanece quieta... Tudo o que a loira menos queria era se sentir culpada de novo. Ela e German se amavam, mas, de qualquer forma, ele estava com Esmeralda, tornando tudo aquilo muito errado.
– Bom dia... — German sorriu meio sem graça.
– Bom dia, er.. Eu vou me arrumar, tenho que dar duas aulas hoje. — Angie fez careta, tentando se demonstrar calma e brincalhona. Olhou para German discretamente, e estava para retirar-se da cozinha, quando Esmeralda balbuciou:
– Espere! Angie!
A loira virou-se para Esmeralda, que já estava ao lado de German, e esperou que a morena continuasse.
– Como foi a viagem? Se divertiram? — Esmeralda queria passar-se por boazinha na frente de German. Os nervos de Angie esquentaram com tal ato. A loira assentiu com a cabeça, forçando um sorriso. — Sinto muito pelo acidente, Angie. Eu vi tudo pela TV, eu e Ambar ficamos muito preocupadas! Mas agora está tudo bem, não é? Sorte que o German estava lá para impedir que algo mais ruim acontecesse, não é, meu amor? — Esmeralda virou-se para German, sorridente. Antes que a morena pudesse notar que ele olhava fixamente para Angie, German rapidamente olhou para Esmeralda e assentiu sorrindo. O "meu amor" que ela dissera atingiu em cheio no frágil coração de Angeles. Quando ela finalmente teria o direito de chamá-lo assim e não deixar que ninguém mais o chame?
– Sim, muita sorte. — Angie respondeu baixinho, engolindo em seco a tristeza que a invadira. Seu olhar contente havia acabado de perder o brilho. Naquele momento Angie
Esmeralda abraçou German carinhosamente e Angie cerrou os punhos, lutando ao máximo contra sua vontade de arrancar Esmeralda daquele abraço que só pertencia a Angeles, somente a Angeles. German notou o olhar de tristeza de sua amada, e aquilo também corroeu seu coração. Ele queria evitar abraçar Esmeralda, mas não podia simplesmente não corresponder, seria um ato muito grosseiro e injusto. Injusto aos olhos dele, na verdade. Ele não conhecia o lado ruim de Esmeralda. Teve que abraçar, então, receoso, a mulher morena que resolveu não soltá-lo por nada. Angeles sabia que ela estava provocando-a de propósito, e sua raiva só aumentava. German deu um sorriso triste para Angie, tentando confortá-la de algum modo. Como Esmeralda estava de olhos fechados no abraço, Angie correspondeu o sorriso do mesmo jeito, triste. Logo, Esmeralda soltou German e olhou para Angeles um tanto curiosa, óbvio que ela percebera que a loira a sua frente ficara tristonha de repente.
– O que foi, Angie? Tem algo te incomodando? — Esmeralda se fez de indiferente, e agora até German ficou com raiva. Angie passou a mão pelos próprios braços descobertos e suspirou.
– Não, é que... Você falou do acidente e... As imagens — Angie fechou os olhos com força. — As imagens me veem à cabeça... É algo horrível de se lembrar. — abriu os olhos. Angie se sentia impressionada pela facilidade de inventar desculpas que ela tinha. Bom, no fundo, isso não era mentira. Sempre que falavam do acidente, a cabeça de Angeles começava a dar flashes daquela terrível noite que passara. No meio do fogo. Sendo sufocada. Lembrar disso era como reviver isso. Ela odiava. Mas, no momento, o que ela sentia era mais forte do que o trauma do incêndio, que na realidade sua tristeza era mais pelo fato do ciúmes.
– Ah, desculpe... Tem razão, desculpe. É um trauma, não é? Mas passou, Angie, você está bem agora. — a morena fingiu um sorriso simpático. Angeles via nos olhos dela a falsidade. German permanecia calado.
– Tudo bem — a loira balançou a cabeça. — Estou bem. Eu.. vou me atrasar. Até mais tarde.
Angeles caminhou para fora da cozinha rapidamente e parou na sala, quando sua curiosidade obrigou-a escutar o diálogo de Esmeralda e German da cozinha.
– Ah, eu senti tantas saudades, meu amorrrr! — Angie escutou Esmeralda dizer. Logo depois escutou um barulho de um beijo estalado. Pelo barulho, sabia que havia sido no rosto, e não nos lábios. Pelo menos isso! Mas do mesmo jeito, as lágrimas vieram. Do mesmo jeito, sua raiva, sua culpa, seu ciúmes estavam crescendo cada vez mais. Ela não podia ficar mais nem um segundo ali, e saiu correndo para seu quarto para se arrumar e ir para o Studio o mais rápido que pudesse.
••••
20 minutos depois, Angeles já havia lavado o rosto e escondido a cara de choro com a maquiagem. Não era possível, porém, disfarçar seus olhos que estavam levemente vermelhos. Ela havia se trocado, sem se importar muito com a roupa que colocava. Tanto é que ela colocara um vestido, sendo que ventava forte e o céu estava escuro lá fora. Choveria, com certeza. Escovou os dentes desanimada, e ficou com preguiça de pentear os cabelos. Calçou as sandálias e caminhou até a porta do quarto de Violetta, dando dois toques e entrando vagarosamente.
– Vilu? Vamos? Faltam 10 minutos pra aula começar. — Angie sorriu vendo sua sobrinha toda atrapalhada com o pente de cabelo. Ele estava preso entre os nós dos fios da menina.
– Calma — Violetta fazia força com o pente para tirar o grande nó, sem sucesso. Angie se aproximou, rindo.
– Ei, não é assim. Vai estragar o cabelo desse jeito! — Angie tomou o pente das mãos de Violetta e começou a pentear cuidadosamente os cachos castanhos da menina, desfazendo os nós de pouco em pouco. Quando concluiu, Angie sorriu para Vilu, e entregou-lhe o pente de volta. — Prontinho.
– Ah! — Violetta se olhou no espelho e sorriu. — Obrigada, tia — a menina ficou envergonhada — credo, pareço um bebê, num sei nem pentear o cabelo. — ela resmungou e Angie soltou uma risada.
– Você é um bebê! — Angie abraçou-a e beijou-lhe a testa.
– Num souuuu! — Violetta contestou, rindo. Soltou o abraço e olhou bem para sua tia. — Parece que não sou a única bebê por aqui, né. — a menina mexeu no cabelo de Angeles, que estava completamente despenteado.
– Ah, aí é diferente, eu não penteei o cabelo porque eu não quis, e não porque não sabia! — Angie riu.
– Então você é uma criança, uma criança teimosa! — Violetta riu e com o pente, que ainda estava em suas mãos, penteou os cachos loiros de sua tia, e ficou sorridente. — Pronto. A criança cuidou do bebê e o bebê da criança. — As duas riram.
– Vamos logo, bebê — Angie pegou a bolsa de Violetta na cama, entregou-lhe à Violetta, e arrastou-a para fora do quarto. Angie agradeceu no pensamento o fato de Vilu não ter percebido seus olhos vermelhos pelo choro.
Elas desciam rapidamente as escadas, o tempo era pouco e o atraso era muito. Até que chegassem no último degrau, não tinham percebido que German as observava, da porta da cozinha, com um tablet em mãos. Ele estava se preparando para uma reunião, quando viu que as mulheres de sua vida desciam juntas as escadas. Ele estava angustiado e preocupado com Angeles, e acabou por fitá-la até que ela se desse conta de que ele estava ali. Quando a loira viu-o, encarou-o da mesma maneira, caminhando lentamente até a porta, ao lado de Violetta, que os observava confusa.
– Há, eu sabia que a Angie tinha alguma coisa — Violetta se manifestou e virou-se para sua tia — Fala com ele, te espero no jardim. — E a menina saiu da casa rapidamente.
– Não... — Angie ia contestar, mas Violetta já havia saído. Olhou, então, para German, e suspirou. German deixou o tablet na mesa e puxou Angie pela cintura para perto dele. Ela tentou se esquivar.
– German, a Esmeralda pode aparecer — Angeles tentava se soltar, sem sucesso.
– Ela não está aqui, foi fazer compras com a Olga. — German disse com a voz rouca. Ele estava nervoso.
– Certo, mas eu não vou fugir, pode me soltar — Angie disse baixo e escutou um suspiro de German. Ele soltou-a e ela ajeitou sua bolsa em seu ombro, olhando-o. — O que temos pra falar?
– Você está bem? — ele questionou dolorosamente por perceber que os olhos de Angeles estavam vermelhos e que sua voz era trêmula, de quem chorou há pouco. Angie fitou o chão e respirou fundo.
– Por que você pergunta se sabe a resposta? — a loira levantou o olhar vagarosamente. German respirou fundo e segurou as mãos de Angeles carinhosamente. Ele não sabia o que dizer.
– Me desculpa... Eu... eu não queria... eu... desculpa — ele olhou-a com o olhar piedoso, suplicando por compreensão. Angeles rapidamente largou sua mão direita da de German e levou-a até o rosto dele, acariciando-o levemente.
– Shhh, você não tem culpa, German — Angie fechou os olhos, ela estava falando realmente baixo. German também fechou os seus, enquanto sentia o carinho confortante que Angie fazia em seu rosto. — Nós optamos por isso. Escolhemos assim.
German abraçou-a.
– Isso vai acabar logo, eu prometo. — ele sussurrou no abraço, acariciando a cabeça dela. Angie enfiou o rosto no peito de German e deixou-se confortar pelo único que podia fazer isso.
Logo Angie afastou-se e deu-lhe um sorriso torto. Segurou-se nos ombros dele, aproximou-se e depositou um beijo amoroso em sua bochecha. Assim, ela se retirou da casa.
Assim que ela saiu, German imediatamente pegou o celular e ligou para Ramalho.
– Ramalho? Onde está? Na empresa? Certo, avise aos japoneses que a reunião está cancelada, e que adiamos para sexta-feira. Depois explico por que. Eu preciso fazer uma coisa, Ramalho. Nos falamos depois. Certo. Obrigado. Até mais tarde.
Ele desligou o celular, caminhou até o sofá e encostou-se na parte de trás dele. Pensou um pouco. Era hora de acabar com tudo aquilo logo.
Angie encontrou sua sobrinha impaciente no jardim da frente.
– Vamos? — a loira disse, tentando parecer normal, sendo que ela estava tremendo e muito.
– Angie! Dois minutos para a aula começar. DOIS! — Violetta puxou sua tia pelo braço para fora da mansão e as duas começaram a correr rapidamente.
O céu estava mais escuro que antes, e o vento ia contra as meninas, dificultando a corrida. Angie estava com frio, com tanta coisa na cabeça acabou se esquecendo de pegar sua jaqueta. Violetta parou de correr assim que chegaram na rua do Studio. O vento era tanto que fazia ruídos, levava folhas secas por todo lado, e fazia as árvores balançarem. O cabelo de Angie e de Violetta já estavam completamente bagunçados de novo.
– Você não está com frio? — a morena questionou com a voz elevada para sua tia conseguir escutar.
– Estou, mas dentro do Studio está quente, não se preocupe — Angie respondeu da mesma forma, com os braços cruzados na tentativa de se esquentar. Caminharam rapidamente até o Studio e entraram. — Ufa. — a loira respirou fundo, estava ofegante. Correram seis quadras em quatro minutos. Não havia vento dentro do Studio, pelo menos seus cabelos não tinham como ficar pior.
– Conseguimos — Violetta dizia com dificuldade, tentando recuperar o fôlego. Angie assentiu e olhou para sua sobrinha. — eu vou para a aula, tá? — a menina virou-se para sua tia.
– Vai lá, meu amor — Angie ajeitou o cabelo de Violetta delicadamente e beijou a testa da menina. Violetta sorriu meio receosa.
– Angie, você tá bem? — Violetta deixou sua curiosidade escapar. Angie desviou o olhar e respirou fundo.
– Eu vou ficar — a loira forçou um sorriso para não preocupar sua sobrinha. Violetta sorriu torto. Abraçou Angeles rapidamente e saiu correndo para a sala de Beto, a qual já estavam todos os alunos.
Angie suspirou e caminhou até a sala dos professores. Deixou sua bolsa em seu armário e ajeitou o cabelo na câmera frontal de seu celular. Pegou todas as partituras da aula que havia planejado para hoje e se dirigiu até sua sala, onde seus alunos já a esperavam.
O tempo voou, logo Angie já havia dado as duas aulas que ela tinha para dar hoje. O relógio marcava 10h da manhã. Ela podia muito bem voltar para mansão e ficar por lá, ou podia permanecer em sua sala, descontando todos os pensamentos que a atormentavam no seu piano. Obviamente, ela escolhera a segunda opção. Angeles não seria tão masoquista a ponto de voltar para casa para ficar de telespectadora de Esmeralda em cima de German. Angeles queria um pouco de paz. Queria esquecer da realidade por uns momentos. E, para ela, a melhor forma de o fazer era pela música.
Angie colocou seus head-fones, para impedi-la de escutar o que houver em volta, e colocou Verte de Lejos para tocar. Assim, junto com a música em seus fones, foi tocando-a no piano, e cantando ao mesmo tempo.
Enquanto isso, German estava na mansão, bolando tudo. Já havia feito a primeira parte: ligar para Esmeralda e dizer a ela que ele precisava conversar seriamente com ela, depois do almoço. O próximo passo era chamar Angie para um encontro, que seria à noite. Ele iria até o Studio, com um buquê de flores, para convidá-la.
Assim o fez. Era por volta de 9:40 quando German saíra da mansão e caminhara até a floricultura mais próxima. Comprou um buquê de lírios, que Angie tanto gostava. Caminhou rapidamente, então, até o Studio. O céu ficava cada vez mais escuro, a chuva cairia a qualquer momento. German se apressou. Ele estava ansioso e nervoso, não conseguia parar de pensar no que diria para ela e o que ela responderia. German agia como adolescente quando se tratava de Angeles. Ele não queria nenhuma falha, tinha que ser tudo perfeito, do jeito que ambos mereciam.
German entrou no Studio cautelosamente para não ser visto nem por Violetta, nem por Angie. Ele chegaria de surpresa para a segunda, para poder ver o grande sorriso que ela abriria quando o visse, sorriso esse que ele já imaginava como seria e sorria abobalhadamente com a imagem que se formara na sua mente. Era por volta de 10:05. Ele andou até a sala de Angie e a viu, pela parede de vidro, tocando piano, com os head-fones e com os olhos fechados. Ela parecia extremamente concentrada. German sorriu involuntariamente com isso. Ele entraria ou esperaria que a música acabasse? Bom, acabara optando por ficar olhando-a cantar e tocar, até que a música acabasse. Pra que interrompê-la, né?
– Puedo vivir como en un cuento si estoy contigo... — Angie sorria, cantando, de olhos fechados. German sorriu junto. — Que revive a cada página el amoooor... Aunque lo intente ya no puedo más verte de lejos... Mis ojos ya no pueden ocultar este misterio... Me abraza el cielo y vuelo sin parar hasta tu encuentro, llego a tiempo, ya no estas... Alguién ha ocupado mi lugar... — Angie suspirou. German sentiu um incômodo no peito, sabia perfeitamente que ela cantava pensando nele. Ele encostou a testa no vidro e suspirou. A música havia acabado, era a hora dele finalmente entrar. Respirou fundo e ia finalmente entrar, mas...
Pablo entra na sala, antes dele, aplaudindo a sua amiga pela bela voz. Angie olhou para Pablo e soltou um sorrisinho tímido, sem mostrar os dentes. German bufou do lado de fora da sala. Ele não havia visto que Pablo também a observava, só que da porta. German ficou os observando discretamente, não podia deixar que os dois o vissem.
– Angie, Angie... — Pablo sorria enquanto caminhava até perto da loira. Angie tirou os head-fones e sorriu.
– Pablo. — Angie ajeitou o cabelo e cruzou os braços, sorrindo.
– Sua voz é linda. — ele sorriu. — Você sabe disso, não é? — Pablo parou em frente ao teclado e repousou as mãos sobre o mesmo. German mantinha uma cara de intrigado lá fora. Ele não conseguia escutar a conversa. Angie nada respondera, apenas abaixara o olhar. — O que foi? Este semblante tristonho, e os olhinhos de quem chorou...
– Ah — Angie suspirou e abriu um sorriso triste. — Não é nada, Pablo. Eu estou bem...
– Sei... — ele repousou a mão direita no rosto de Angie e acariciou-a. German juntou as sobrancelhas e cerrou os punhos. Ficara com ciúmes.
– É sério! — Angie riu baixinho e ficou olhando para Pablo.
– Vamos ver... Foi o German? — Pablo indagou. Angie balançou a cabeça e olhou para baixo. — Eu sei que é. O que ele fez, Angie?
– Ele não fez nada. Eu só... — Angie suspirou e voltou a olhá-lo. — Eu o amo, Pablo. E é difícil conviver com isso.
Pablo respirou fundo e abriu os braços. Angie sorriu torto e deu a volta no teclado para abraçá-lo com toda a sua força. Ela precisava disso. Precisava de um ombro amigo. E agora que Pablo finalmente decidira ser um bom amigo, ela não ia contestar. O abraço durou muito tempo, o que fez o sangue de German ferver. Era um abraço tão terno e, aparentemente, aconchegante, que ele quase socou o vidro de raiva. Ele vira perfeitamente quando Angie se afastou de Pablo e beijou-lhe o rosto assim como fizera com ele na mesma manhã. Aquilo fora a gota d'água. German deixou-se descontrolar pelo ciúmes e saiu correndo do Studio.
Passara pelos alunos que estavam nos bancos lá fora sem nem se preocupar em ser discreto. Jogou o buquê de lírios no chão e saiu andando rapidamente, a algum destino que nem ele tinha ideia do qual. E daí que iria chover? E daí que ele poderia se perder? Não importava. Talvez fosse até bom. Talvez a chuva lavasse todos os pensamentos e sentimentos ruins que haviam se apoderado dele. Talvez ficar perdido servisse para que ele parasse de achar que sempre seria encontrado. Ele estava sentindo certa decepção em relação a Angeles, mas no fundo sabia que era consequência do ciúmes possessivo dele. Ele sabia que devia aprender a não exagerar. Sim, sabia. Mas não naquele momento. Naquele momento o aborrecimento em seu peito era maior que tudo e German só queria caminhar um pouco por aí, sozinho.
– Se sente melhor? — Pablo sorriu para Angie, segurando seu rosto com as duas mãos. Angie assentiu. — Ótimo. Imagino que acontecera algo entre você e o German para você estar assim. É por isso que ele estava aqui?
– Quê? Aqui? — Angie se afastou e indagou confusa.
– Sim, aqui. Há alguns minutos o vi passando pelo corredor. — Pablo gesticulou os braços apontando para fora da sala. A cara de confusão de Angeles só ficou maior.
– Eu não sabia que ele estava aqui! Eu... — Angie balançou a cabeça. — Eu já volto.
Angeles saiu correndo da sala e olhou em volta. Nada de German. Saiu do Studio e bufou quando percebeu que a ventania era a mesma de mais cedo. Segurou a barra do vestido para não voar para cima e acabar mostrando partes que pessoas não precisam ver, e então caminhou até um dos alunos que estava ali fora, sentado.
– Tyler — Angie chamou o aluno. Ele elevou os olhos e sorriu para ela. — Você saberia me dizer se um homem alto, com os cabelos curtos e castanhos, bem musculoso... passou por aqui?
– Hum... Sim, passou correndo. Se não me engano foi por ali. — apontou para a direção oposta à mansão. Angie estranhou e chegou a pensar que não estavam falando da mesma pessoa. — Ele é o pai da Violetta, não?
Bom. Estavam sim falando da mesma pessoa.
– É... ele mesmo. Bem, obrigada, Tyler, mas eu já vou indo. — Angeles sorriu meio tensa e saiu andando na direção que o menino havia apontado.
Ela nunca andara por esse bairro de Buenos Aires, e estava com medo de se perder. Mas por alguma razão específica a loira sentia que havia algo errado e precisava ir atrás dele. E não eram as grossas, porém poucas, gotas de chuva que começaram a cair do céu que a impediriam.
Angie caminhou bastante pelo bairro e nada de German. Era manhã, mas o dia estava pouco iluminado e o cinza das nuvens ficava cada vez mais escuro. A chuva apertara um pouco, mas isso não era preocupação para ela. Pode-se dizer que Angie estava com medo, não era conveniente andar sozinha por ruas desertas em Buenos Aires. Foi então que ela chegou à conclusão que era melhor voltar para casa, vai ver German já estivesse lá e ela estava dando voltas à toa.
Mas que raios German fazia no Studio mais cedo? Essa era a pergunta que girava em torno da cabecinha de Angie. Ela já pensara no pior, que talvez German tenha ido lá para "vigiar" a Violetta, ou algo do tipo. Pensar nisso fazia o sangue da loira ferver, assim como acontecera com German quando viu a troca de carinho entre Angie e Pablo. Com isso, agora, Angie e German estavam com certa raiva um do outro, e o mais engraçado era que os motivos eram todos apenas um mal entendido. Angeles virou a esquina para pegar o caminho de volta à mansão e foi aí que ela o viu, andando rapidamente pela praça, com o semblante aflito e os braços cruzados. Ele parecia não ligar para a leve chuva que caía sobre seus ombros. A loira bufou, já cansada de andar, e correu até ele.
– German. — ela puxou-o, fazendo-o parar de andar e olhar para trás, onde ela parara e cruzara os braços.
– O que você quer? — o tom de German saiu um pouco mais frio do que deveria. O ciúmes ainda estava o cutucando no fundo do peito e aquilo o deixava alterado. Ele nem parecera surpreso por vê-la ali.
– Como assim o que eu quero? Isso é jeito de falar comigo? Qual o seu problema, cara? — a loira, que já estava com resquícios de raiva dele, começou a ficar com mais raiva ainda. E, se pararem bem para pensar, os dois nem saberiam direito por que.
– Meu problema? Meu? Acho que a única pessoa que tem algum problema por aqui é você, não acha? — ele contorcia os lábios, nervoso.
– Claro, até porque sou eu que estou sendo completamente insensível e grossa com a mesma pessoa que eu fui uma fofa hoje mais cedo, sem nenhum motivo aparente! Olha que beleza — Angeles riu irônica. A chuva começou a ficar mais forte.
– Faz o seguinte, por que não dá meia volta e pede para o Pablo ser fofo com você. Que tal? Acho que você iria adorar!
– Ah, eu não acredito. Isso tudo é ciúmes, German? Fala sério, né? — Angie elevou o tom de voz, realmente chocada. — A última pessoa que deveria sentir ciúmes por aqui é você, seu idiota. Não é você que tem que aguentar ver a pessoa que você ama com outra e não poder fazer absolutamente nada para mudar isso! — Angeles gritava.
– Não tem nada a ver, droga! Você sabe que eu não amo a Esmeralda, mas parece que alguém andou mentindo para mim, vejo que você ama outra pessoa, não é, Angeles? Não é? — German pressionou os dentes e gritou no mesmo tom que ela.
– O Pablo é meu amigo, seu burro! Qual o problema se eu abraçá-lo? Eu não sinto nada por ele. Idiota. Idiota, idiota, idiota. Isso que você é. Não sei o que me deu para me apaixonar por alguém como você! — a loira falou com desgosto, e isso acertou em cheio o coração de German. Mas ele não mudou sua expressão. — Aliás, o que você fazia no Studio? Espionando a Violetta, para variar, né? Você não muda! Não sei por que sempre espero ou acho que você mudou, você é o mesmo babaca de sempre! — gritou.
– Continua! Vamos, continua! Agora diz que eu sou um imbecil e que você quer que eu suma da sua vida! Anda, xinga mais, pelo jeito falar assim comigo te faz bem! — German mexia os braços.
– Quer saber? Eu devia fazer isso mesmo! Você é inacreditável, German. Grande pessoa essa que começa a me tratar mal por causa de CIÚMES. Eu te tratei mal hoje por algum acaso? Você acha que eu senti o que vendo a Esmeralda com você? Você é muito idiota! Algumas pessoas fazem sacrifícios para não perder as outras, mas você não se esforçou nem um pouco para tentar manter de pé o que estamos tentando construir!
– Desculpa! Desculpa se eu te amo e se me dói te ver daquele jeito com outro cara! Desculpa se o que eu sinto por você é tão forte que eu acabo por agir completamente por impulso! — German berrava mais alto que antes.
– QUE TIPO DE AMOR É ESSE, GERMAN? QUE TIPO DE AMOR É ESSE QUE É DECLARADO AOS BERROS? — lágrimas brotaram nos olhos de Angie. Ela berrou tão alto que sua voz saiu rouca. German ficou olhando-a por uns segundos, respirou fundo e pareceu ter caído na real. Inesperadamente, ele puxou-a pela cintura, colando os corpos.
– O nosso amor. Um amor inconstante. Mas infinito. — Ele sussurrou bem perto dos lábios dela. A chuva ficou extremamente forte de repente e em questão de segundos German e Angie estavam encharcados. Ambos ficaram se encarando por uns segundos até que Angeles começou a dar soquinhos no peito de German, tentando se soltar.
– Você é um idiota! Me solta! — sua voz era mais fraca agora, e as lágrimas escorreram. Sorte que a chuva as escondia um pouco.
– Não. Desculpe, Angie. — German a segurava firme, e agora sussurrava. — Eu posso ser um idiota. Mas... Eu amo você. — e então, ele a beijou.
Beijo esse que já começara extremamente intenso. No começo, a loira tentou se esquivar, mas não conseguiu resistir por muito tempo. German a segurava pela cintura e ela, ficando na ponta dos pés, colocou os braços ao redor do pescoço dele e assim ficaram. Pode-se dizer que foi um daqueles beijos de cinema, que constrangeria qualquer um que passasse por ali. Foi algo forte. E as gotas de chuva se misturavam com o doce toque das bocas deles. Ficaram nesse beijo durante longos minutos, até que começaram a perder o fôlego. German terminou o beijo com uma leve mordida nos lábios dela, que a fez sorrir levemente. Apenas desencostaram os lábios, mas não se afastaram. Respiravam ofegantes, a procura de ar para seus pulmões. Suas respirações se misturavam de tão próximos que os rostos estavam. Ambos de olhos fechados. Encostaram as testas e Angie colocou as duas mãos no rosto de German. Ficaram assim até recuperarem o fôlego, e foi então que ele sussurrou:
– Queria te ver. — ainda estavam de olhos fechados. Ela acariciou o rosto dele com as duas mãos e murmurou:
– Hum?
– Eu.. fui ao Studio porque queria te ver. — German desabafou. Angie sorriu, ainda de olhos fechados. German pode sentir que ela sorrira e continuou: — Ia te convidar para um encontro, mas acho que posso fazer isso depois. — ambos riram baixinho.
– Com toda certeza — ela respondeu e eles voltaram a se beijar. Ficaram mais um bom tempo no beijo e, dessa vez, Angie foi parando aos poucos, com selinhos demorados.
– Pareço menos idiota agora? — German falou divertido e Angie riu.
– Hum... só um pouco. — ela sorriu e ambos abriram os olhos. Se encararam por um tempo. E, de repente, ela o abraçou fortemente, como se estivesse com medo de que ele fosse embora. Repousou a cabeça no peito dele e chorou baixinho. A chuva havia cessado.
– Shhh, calma, meu anjo. Eu tô aqui. Não vou te deixar, tá? — German acariciou os cabelos molhados de Angie por conta da chuva. Ela levantou a cabeça e olhou-o, não sabia o que dizer. — Vamos para casa, você precisa se secar, ou vai ficar doente.
– Não quero ir para casa. Tem a Esmeralda... — Angie falou baixinho. German sorriu.
– Não por muito tempo. — ele beijou-lhe o rosto e segurou a mão dela. — Vem.
Começaram a andar juntos, abraçados de lado, como um casal apaixonado. Era uma longa caminhada até a mansão, já que o destino fora bom e os levara para o outro lado da cidade, permitindo-lhes ter pelo menos um pouco de privacidade.
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