Quero te ter junto a mim
21 Duas coisas
Notas iniciais
– Olhaaaa! — Angie sorriu, apontando para um outdoor na esquina da rua, que anunciava que uma academia de teatro famosa na Argentina ia apresentar, em Buenos Aires
– Queens apresenta musical Rei Leão, quartas e sextas às 20 horas, no teatro Colón. — German leu alto o outdoor, e olhou para Angie. — Você gosta?
– Claro — ela sorriu — é um musical, German, e eu sou professora de canto! Lógico que gosto. Além do mais, é o Rei Leão. — ela riu.
– Huuum, interessante — German sorriu discretamente.
– E você, não gosta, né? — ela riu.
– Ah, nunca fui interessado em musicais. Só fui uma vez com Maria, mas foi porque ela me obrigou. — ele riu e Angie olhou-o carinhosamente, sorrindo
Continuaram andando um pouco até chegarem à mansão, e antes de entrarem, se soltaram. Ambos ainda estavam bem molhados, e precisavam de um banho quente urgentemente. Entraram pela cozinha, para não molhar a sala, e, antes que Angie saísse em direção ao seu quarto, German a segurou pelo braço e puxou-a de volta para si.
– German — Angie murmurou — é arriscado, não quero que você se meta em problemas, então é melhor pararmos com isso...
– Eu não quero que você pense que eu sou falso, sei lá. Que só vou te tratar bem longe da nossa realidade. Porque não é assim. Quero te mostrar que eu te amo aqui e em qualquer lugar, dane-se os riscos, dane-se o resto. — ele a beijou levemente. Angie não evitou sorrir.
– Tudo bem que o trato era beijos só depois que você estivesse solteiro, mas fazer o quê... — ela também o deu alguns beijinhos carinhosos.
– Fazer o que se você não resiste a mim — German falou baixinho, rindo, e Angie deu-lhe um leve tapa no braço.
– Idiota — ela segurava a risada.
– Não acha que já chamou de idiota demais hoje, princesa? — ele a envolveu pela cintura e a puxou mais ainda para si.
– Sim, e não me canso disso. Você é um idiota, o meu idiota. O idiota mais lindo e fofo do mundo — a loira corou levemente e sorriu tímida.
– Linda. — ele beijou o rosto dela carinhosamente. Angie riu manhosa. — Ei, antes de você ir tomar banho, posso te pedir uma coisa?
– Diga — ela acariciou o rosto dele. Ainda estavam próximos, German ainda mantinha os braços em volta do quadril dela.
– Me encontra na praia hoje à noite? 19h. Tenho duas coisas importantes para te dizer.
– Huuum que homem misterioso — Angie sorriu. — Estou curiosa! Pode ser. Às 19h.
– Você vai gostar. Tenho certeza. — ele beijou o rosto dela e saiu da cozinha. Angie ficou o olhando sair e mordeu os lábios, sorrindo, e depois balançou a cabeça. Esse homem mexia com os sentimentos mais profundos dela, e nem ela sabia como ele conseguia.
xx
– Você acredita nisso, Angie? Ai, que raiva! Eu sou muito tonta! — Violetta estava esparramada na cama de Angeles, brincando com uma blusa dela que estava jogada entre muitas outras. Era fim de tarde. Angie espalhou roupas pelo quarto todo, tentando decidir o que usar naquela noite. — Angie? Angie! Você tá prestando atenção no que eu to falando? — Violetta percebeu que a cabeça da sua tia estava em outro planeta.
– Sim! Sim sim, eu estou, claro. Sabe, eu acho que você tem que ir conversar com ela, não pode deixar as coisas assim... — Angie tinha um vestido florido em mãos, analisando-o. Violetta bufou.
– Se você está falando da Francesca, eu já mudei de assunto faz tempo! — a menina exclamou indignada.
– Ai, meu amor, desculpa desculpa desculpa... é que eu to nervosa, não sei que roupa usar e..
– Vai sair com o papai? — Violetta se sentou na cama de sua tia e sorriu divertida, levantando uma sobrancelha.
– Vou... — Angie olhou-a e Violetta soltou uma risada alta.
– Você está toda nervosinha, que bonitinha! Sabe, eu queria ter um amor que nem o de vocês. — a menina sorriu sem mostrar os dentes. Angie estava corada.
– Ué, e o Leon?
– Ah, Angie, eu amo muito o Leon, mas, tipo, o amor de você e do papai tem um monte de barreiras e vocês lutam juntos para superar todas elas. O amor de vocês insiste. E eu e o Leon.. qualquer probleminha a gente já briga. — Violetta suspirou. Angie sorriu com o canto dos lábios e se sentou em sua cama, num espaço que não tinha roupas jogadas.
– Você acha que eu e o seu pai nunca brigamos? — a loira acariciou o rosto de sua sobrinha, rindo levemente. — As brigas são fundamentais numa relação, Vilu, porque elas ensinam a amadurecer. Se erraram uma vez, vocês vão aprender a não cometer mais o mesmo erro. E sempre que vocês brigam vocês voltam a se falar. Se o meu amor com seu pai insiste, posso dizer que o amor de vocês não desiste. Isso sim é bonito. — Angie falou carinhosa. Violetta apenas sorriu com os olhos brilhando.
– Ai, mulher, você é incrível, sabia? — a menina abraçou sua tia com força. Angie riu. — Eu vou te ajudar a ficar muito gata para o papai. Vai para o banho, vou escolher sua roupa, porque se você for escolher não vamos sair daqui nunca — Violetta olhou ao redor e riu junto com Angie, vendo a bagunça que estava aquele quarto. Havia roupa por todo canto, parecia que uma bomba havia explodido o guarda-roupa de Angeles.
– Ahhhh, Deus — a loira ria. — Tá bom, tá bom — ela se levantou e caminhou até o banheiro da suíte. — Escolhe direitinho, viu?
– Pode deixar — Violetta riu e Angie fechou a porta do banheiro. Logo pode-se escutar o barulho do chuveiro.
Bateram na porta do quarto. Violetta levantou-se rapidamente para abri-la. Quando viu quem era, a menina rapidamente fechou-a o suficiente para que apenas ela fosse vista, tampando a visão do quarto bagunçado.
– Que isso, Violetta? — German perguntou.
– Nada, é que... o quarto tá um pouquinho bagunçado — a menina riu nervosa. — Angie está tomando banho. Sou sua mensageira, o que você quer?
– Bem, eu... fala pra ela me encontrar no quiosque em frente à praia, perto da sorveteria. Tudo bem? — German respondeu meio tímido. Violetta sorriu grande.
– Ahhh — ela abraçou seu pai. — Sejam muito felizes — riu. — Ta ta, eu falo sim. Agora saiii — Vilu despachou German e fechou a porta, sorrindo. Olhou para o quarto e lembrou-se da bagunça que ele se encontrava, bufando e começando a recolher as roupas para arrumar.
Violetta recolheu tudo e empilhou na cama. Acabou decidindo um vestido rodado, rosa claro e com alças finas. Deixou o vestido pendurado no cabide e então foi guardando as roupas novamente no armário. Quando Angie saiu do banho, o quarto estava novamente arrumado.
– Uh, que mágica você fez aqui? — Angie disse rindo quando saiu do banheiro, segurando a tolha em volta de seu corpo.
– Sua sobrinha arrasa, né — Violetta riu, caminhou até o vestido, pegou-o e entregou-o pra Angie. — Vai, veste isso.
– Certeza? — a loira pegou o vestido, insegura.
– Sim, tia, qual o problema? O vestido é lindo!
– Eu sei, mas.. Ah, eu estou nervosa, deixa pra lá. Você tem razão, vou com ele — Angie voltou a entrar no banheiro, segurando o vestido, e se fechou lá dentro. Dois minutos depois, saiu de lá vestida. — E aí? — ela deu uma voltinha no lugar e Violetta bateu palmas.
– Eu pegava — a menina disse rindo e sua tia soltou uma risada, balançando a cabeça. — Vem cá, sente-se nessa cadeira porque hoje eu que vou te arrumar — Violetta sorriu divertida.
– Você? Ai meu Deus — Angie se aproximou e se sentou na cadeira, que ficava de frente para o espelho de parede do quarto.
– Sim, eu mesma. Prometo que você vai ficar mais linda do que já é naturalmente. — ela sorriu e pegou o secador de cabelos de Angie, ligando-o e começando a secar os cabelos de sua tia.
Depois de secar, pegou o babyliss, para fazer os cachos. E logo foi pra maquiagem.
– Vilu, a gente vai pra praia, não precisa de tudo isso — Angie riu.
– Relaxa, vai ficar linda e adequada ao local — a menina riu e começou a passar rímel nos cílios da loira.
Em poucos minutos, lá estava Angie. Bonita como um anjo. Encantaria qualquer um que a visse. German, definitivamente, era um homem de sorte.
(...)
Angie chegou antes ao local que German orientara. Ou pelo menos era o que parecia. Na verdade, German já estava ali há um bom tempo, um pouco mais afastado e incrivelmente nervoso. Ele tinha flores em mãos e queria que tudo saísse perfeito. Quando viu que Angeles chegara, um sorriso gigante brotou em seu rosto e, sem aguentar esperar mais, correu até ela. Chegou por trás e colocou as mãos sobre os olhos da mulher, fazendo-a se assustar brevemente.
– Adivinha! — German disse rindo. Angie abriu um sorriso.
– Ahm... vamos ver... é o vizinho gato do outro lado da rua? — a mulher segurou a risada. German tirou suas mãos dos olhos dela e ela se virou, rindo.
– Não gostei — German fez bico, escondendo as flores por trás das costas.
– Oh, nossa! Espera! Não é o vizinho gato, é o homem mais lindo que eu já vi na face da Terra! — Angie mordeu os lábios. O homem riu.
– Você não me engana, loira — ele riu e então estendeu as flores para ela. Angie pareceu surpresa.
– Eita! É pra mim? — ela olhou para as flores e para German seguidamente.
– Não, é pra vizinha gata da casa ao lado — foi a vez dele de brincar. Angie fechou a cara.
– A vizinha da casa ao lado tem 70 anos, mas se ela é tão gata assim... Vai lá dar as flores pra ela! — a loira cruzou os braços.
– Que linda, nem estamos juntos ainda e você já está com ciúmes. — German riu e beijou carinhosamente o rosto de Angeles. — Pega as flores, bebê, são as suas favoritas.
Angie sorriu levemente pelo carinho nas palavras de German. Ela pegou as flores e imediatamente o abraçou. German sorriu largo, correspondendo fortemente.
– Obrigada — Angie beijou o rosto do homem e se afastou novamente. — Você está maravilhoso. E cheiroso. — ela riu.
– E você está.. uau. — ele só conseguiu olhá-la direito agora. — Perfeita. Vamos, eu vou deixar as nossas coisas no carro para darmos um passeio. — German puxou-a pela mão até seu carro e guardou lá as flores. Depois, voltou com ela para o calçadão da praia.
– Então — Angie olhou-o depois de um tempo em silêncio — hoje mais cedo você disse que tinha duas coisas importantes para me falar...
– É — German riu — E eu tenho. Mas antes vem pra cá — ele novamente pegou-a pela mão e andou com ela pela areia até chegarem perto da água do mar, que ia e vinha tranquilamente sob a luz da lua. — Senta!
– Na areia? — ela olhou-o.
– Sim! Se não quiser sujar seu vestido pode sentar no meu colo — o homem riu e sentou-se na areia, a centímetros de distância de onde a água do mar chegava.
– Engraçadinho — Angie riu e se sentou ao lado dele, bem próxima. Batia uma brisa suave, porém fria. E Angie, com os braços descobertos, sentiu um pouco de frio. German olhou-a e percebeu, logo abraçando-a pelas costas e acariciando rapidamente o braço dela para esquentá-la.
– Hum, valeu — a mulher sussurrou e apoiou levemente a cabeça no ombro de German. Ambos olhavam reto, para o horizonte, até não conseguirem mais enxergar a imensidão de água salgada. E ficaram assim por um tempo. Silenciosos. Escutavam apenas o som das ondas se desfazendo, da maré chegando ao seu fim e de alguns animais que haviam por ali, como gaivotas e grilos.
Angie estava com os joelhos dobrados, abraçando-os com o seu braço esquerdo enquanto o direito estava sendo afagado pelas mãos quentes de German. E sua cabeça ainda estava apoiada no ombro direito dele. Aquela posição era confortável para ambos. Se pudessem ficariam uma vida inteira daquela maneira.
– A lua está bonita, né? — Angie falou baixinho, olhando para a grande bola branca e brilhante que se destacava na escuridão noturna. Era dia de lua cheia, e as estrelas quase não davam para ver.
– Uhum — German riu baixinho. Ele ainda estava um pouco nervoso.
– Você não vai contar o que você queria contar não? — Angie riu e desencostou a cabeça dele, para olhá-lo. — Estou morrendo de curiosidade.
– Bem — German riu, olhando-a. — Vou contar sim. Ou melhor, vou te mostrar. — ele sorriu carinhoso e apoiou os dedos no queixo dela levemente, fazendo o rosto da mulher ficar na direção perfeita para ele se aproximar lentamente e beijá-la. Angie quis sorrir, mas se conteve e correspondeu o beijo da mesma forma, apaixonada.
Foi lento e longo, os lábios demoraram para se desapegarem por completo. Nenhum dos dois queria se afastar. German abriu os olhos e olhou bem para Angie, que já estava de olhos abertos e o encarava meio assustada.
– Não gosto disso, German, me sinto culpada com a Esmeralda no meio. Sério. Me dá uma angústia. Não é certo — a loira murmurou triste e abaixou a cabeça. German riu brevemente e levantou o rosto dela.
– É exatamente isso uma das coisas que eu quero te dizer. Terminei tudo com a Esmeralda hoje, Angie. Estamos livres! — o homem lançou um sorriso maravilhoso para ela. Angeles arregalou os olhos e sorriu grande logo em seguida.
– É sério? — ela disse esperançosa.
– É sim — German riu. A loira abraçou-o com força, de tanta animação.
– E como ela reagiu? — Angie afastou-se para olhá-lo.
– Bem..
*flashback*
Pov German
Eu estava intrigado. Não via a hora de terminar com Esmeralda mas também tinha certo medo da relação dela. Ela sempre teve ciúmes de Angie. E agora vou terminar com ela por causa da própria. Ela vai ter um treco. E eu não queria nem ver.
– German? — Esmeralda finalmente apareceu no escritório. Chamei-a para conversar e ela notou meu tom sério. Deve ter ficado com medo e enrolou para vir.
– Entra. E feche a porta. — falei batucando a caneta na mesa. Assim a mulher o fez. Se sentou na cadeira em minha frente e me encarou, esperando que eu começasse.
– Eu quero terminar. — fui direto ao ponto. Olhei-a.
– Eu sabia — a mulher bufou. — É pela Angeles, não é? Não é, German? Eu sempre te disse!
– NÃO TE INTERESSA — comecei alto — pelo que é. Esmeralda, eu nunca te amei. Eu não posso continuar com isso. — no fundo eu estava morrendo de medo. O semblante dela não era um dos melhores.
– Eu não acredito. É por ela! Você não fez nem questão de negar! Isso é ridículo, German! Foi só ir pra uma viagem perto dela e já ficou assim? Seu frouxo! — Esmeralda se exaltou, levantando-se da cadeira.
– No meu relacionamento com a Angie você não vai mais se meter, não é mais minha namorada. Era só isso, você já pode se retirar. — me levantei autoritário.
– Eu pensava que você fosse diferente. Isso não vai ficar assim. — Esmeralda saiu batendo o salto e a porta.
Respirei fundo e balancei a cabeça. Foram apenas palavras, ela não faria nada. Quem é ela para fazer alguma coisa contra mim ou Angie? Eu estava me preocupando à toa. Devia estar feliz. Agora meu caminho estava completamente aberto para ficar com a única pessoa que meu coração ama. E hoje à noite ela saberia disso.
Pov German Off
*flashback off*
Angie segurou a risada quando German terminou a história. Ela estava achando hilária a reação da Esmeralda. Estava tranquila em relação a isso, achava ridículas as ameaças sem sentido.
– Pode rir, palhaça — ele segurou o nariz dela sorridente.
– Huuum — a mulher fechou os olhos sorrindo sem mostrar os dentes. — Prefiro fazer outra coisa... será que posso?
– Ahhh... — German roçou seu nariz levemente no dela, e lhe deu um selinho. — Acho que pode sim. — ele riu e ela o beijou novamente.
– E qual a outra coisa que você ia falar? — Angie murmurou com o rosto pertinho do dele. German sorriu e se afastou para tirar alguma coisa do bolso. Dois ingressos para o musical do Rei Leão. Estendeu para ela e de repente um sorriso maior ainda iluminou o rosto da loira.
– Você comprou? Ah, meu Deus, você é incrível! — ela o abraçou.
– Vamos juntos. Eu e você. Vamos jantar num restaurante lindo e depois assistiremos ao musical. — German sussurrou carinhoso, entrelaçando sua mão com a dela, e encheu o rosto de Angie com beijos. — Um encontro.
– Melhor ainda — ela riu e se encolheu nos braços de German.
– Você merece.
– Não acho. Você é demais para mim! — ela olhou-o.
– Não sou — ele riu baixo. — Você que é demais para mim. Estou tentando chegar a sua altura.
– Ih, já chegou então — Angie riu e ele se aproximou para beijá-la, beijá-la, e beijá-la.
Finalmente beijá-la em paz. Sem sentir culpa. Beijá-la sem ter o medo de alguém interrompê-los. Beijá-la sem se preocupar com o que aconteceria depois daquilo.
Agora estavam livres. Tinham a noite toda. A lua não sairia dali tão cedo. E nem eles. Eram apenas duas pessoas aproveitando. Naquele momento eram apenas Angie, German e o mar.
Fale com o autor