Querido Hater

18 Capítulo 18


Notas iniciais
Amigo estou aqui, amigo estou aqui. A história tem anos? Tem! Mas eu estou sempre por aqui, agora que estou saindo do meu bloqueio criativo devido a ... estou realizando um dos meus maiores desejos , que era reescrever Querido Hater e continuar até o desfecho. Sintam-se livres para comentar. Aproveitem ♥

Depois de finalmente saber que estava tudo sob controle com Malu e Constança, eu e os outros continuamos naquela recepção pra saber de tudo que estava acontecendo com elas, sua mãe foi para o quarto para ajudá-la a se recuperar da anestesia, e como não podíamos vê-la hoje, as únicas opções eram ficar ali na recepção ou ir logo para casa. Eu não queria sair dali sem antes ver como era a criança, mas Bernardo estava quase botando um ovo para que eu voltasse para casa, pois eu precisava ficar em repouso por causa do meu bendito pé podre. Eu tentava ao máximo ignorá-lo, não estava muito a fim de brigar com alguém naquele momento, muito menos numa maternidade.

Marina estava sentada na fileira de cadeiras à minha frente enrolando o cabelo na ponta do dedo enquanto esperávamos qualquer coisa, ainda não sabia se nos deixariam ver a Malu por pelo menos uns minutinhos, precisava matá-la com minhas próprias mãos só pelo susto que me deu, onde já se viu?! Agora eu realmente me arrependo por não ter ido a sua casa quando não me atendeu, era óbvio que ela estava sentindo algo, só não entendo porque não me disse.

— Onde está seu lindo hater? – Marina perguntou apoiando o braço no encosto para me encarar.

— Longe, eu espero – respondi limpando a unha com um pedaço do copo descartável que eu tediosamente destruí a alguns minutos – quem se importa com aquela peste?

Marina riu diabolicamente mordendo a ponta do indicador.

— Você se importa, e se importa muito – acusou – eu vi como estavam abraçados mais cedo, nem pareciam se odiar.

Lembrei da cena vergonhosa que protagonizei abraçando o garoto, ta, não foi tão vergonhoso, foi bom e ele estava cheiroso.

— Foi um momento de fragilidade, ele me contou sobre não ter chegado a tempo quando sua mãe entrou em trabalho de parto – soltei o ar pelo nariz imaginando se era certo compartilhar aquilo com Marina – a irmã dele não sobreviveu.

Puxei as mangas da blusa sentindo-me desconfortável, eu não devia estar assim, afinal não me importava com ele a esse ponto, eu acho. Ah, vamos Capitu, é só o Bernardo.

— Caramba – a garota estava com o cenho franzido como se processasse as informações – e o que aconteceu com a mãe dele?

— Eu sei lá – respondi me levantando – não é o tipo de coisa que se pergunta numa hora dessas.

Caminhei até o bebedouro querendo fugir daquele assunto, eu não era boa em guardar minha curiosidade e a última coisa que eu queria era ficar por aí perguntando coisas ao Bernardo, seria ridículo.

— Claro que não, estava muito ocupada fungando no pescoço dele – disse em tom acusador encostando-se na parede com os braços cruzados.

— Eu não estava fungando no pescoço dele – rosnei fuzilando-a com os olhos.

Marina tinha esse estilo de detetive policial que me irritava, quando colocava uma coisa na cabeça não parava de investigar até que conseguisse as informações, por isso estava no jornal e não aquela patricinha sebosa, a diretora gostava de suas intromissões desagradáveis, uma maneira de saber sobre a vida dos alunos.

— Vamos lá, não ficou nenhum pouco curiosa para saber sobre o passado do Bernardo? Eu acho estranho que nunca tenha tocado no nome da mãe ou de algum parente próximo que não seja Cláudio.

Esse nome fez aquecer uma tristeza quase esquecida.

Encarei a água em meu copo lembrando-me dos gritos do meu padrasto.

— Não vou me meter nisso – me afastei dali antes que Marina perguntasse mais alguma coisa.

Bernardo estava chegando pelo corredor com dois copos de café e um saquinho em mãos, meu estômago automaticamente roncou ruidosamente, tenho certeza que todos ouviram naquela sala. Que vergonha.

Fui até o garoto arrancando um copo de suas mãos junto com o saquinho de papel, havia vários pães de queijo. Não vou negar, parte de mim achou fofo essa atitude dele em nos trazer lanche, levando em conta que não comi nada desde o almoço e já passava da meia noite. A outra parte dizia que ele não fez mais do que a obrigação.

— Obrigada – disse virando-me para o banco.

— É seu?

Girei nos calcanhares olhando para ele com a minha melhor cara de bunda.

— Não é?!

Ele sorriu batendo o dedo na ponta do meu nariz enquanto passava por mim.

Bastardo idiota.

Voltei a sentar nos bancos de trás para apoiar meus pés nos outros. Marina se aproximou de nós olhando para ambos daquele jeito esquisito, revirei os olhos entregando seu lanche e esperando que com a boca cheia ela não me enchesse mais o saco com aquele papo.

— Cláudio me ligou perguntando onde estávamos, ele e sua mãe acabaram de chegar da casa dos amigos – o hater falou olhando para mim.

Continuei comendo como se não houvesse escutado nada.

— Ué, e porque o Cláudio não ligou pra Maria? – ela quis saber.

— Porque isso não é da sua conta – rebati.

— Uau!

Marina riu batendo no braço de Bernardo, ela parecia bem íntima dele. Não gostei. Quer dizer, tanto faz.

— Problemas no paraíso, não ligue – o garoto explicou sorrindo para a outra.

— Tudo bem – deu de ombros tomando seu café – Mas me diga Bernardo, você a Capitu aí fizeram as pazes?

Foi a minha vez de rir de sua audácia e inocência.

— Não fizemos as pazes – respondi tirando os pedaços de pão do dente com a língua – quase matei ele hoje cedo. Arremessei um copo de vidro em sua cabeça, azar da porta, sorte dele.

— E por isso Cláudio lhe deu uma bronca – piscou para mim – ela chorou igual um bebê.

— Cala essa boca – gritei para ele recebendo uma advertência da recepcionista.

Balancei a cabeça afundando na cadeira esperando que o maldito não continuasse com suas provocações. Ele gargalhou esticando o braço para pegar meu cabelo como sempre, bati em sua mão chegando para mais longe no banco.

Nos calamos por um momento enquanto terminamos de comer, o garoto se levantou para falar com a atendente e eu realmente não sei qual a necessidade disso, a mulher estava praticamente nos amaldiçoando mentalmente por estarmos há mais de duas horas naquele lugar. Mas o desgraçado tinha um tempero.

Olha só como ela está sorrindo para ele, talvez se soubesse como esse garoto consegue ser insuportável nem estaria toda derretida, ele tem idade pra ser filho dela, talvez um filho mais novo. Qual é Maria, a desgraçada nem é tão velha, é bem bonita até, peitos grandes como aquela tal Olívia que ele provavelmente lancha de vez em quando.

— Qual o problema dele com peitos pequenos? – murmurei sozinha gesticulando com o copo em mãos.

— Não sei, talvez devesse perguntá-lo.

— Inferno, Marina. Não to falando com você.

A garota riu seguindo meu olhar e empurrou de leve meu ombro.

Revirei os olhos voltando a prestar atenção no flerte daquele exibido de meia tigela. Ele já parecia bem intimo dela, tocava sua mão fazendo círculos enquanto murmurava alguma coisa entre risos, francamente, que papelão esse hater maldito achar que conseguiria beijar alguém com esse jeito de estranho de sorrir com os lábios fechados.

É Capitu, e é exatamente esse jeito estranho de sorrir que te faz perder os sentidos e enfiar sua língua na boca dele.

— Isso é diferente, pelo amor de Deus.

— Você quer parar de falar sozinha? – Marina vociferou ao meu lado – não me deixa mais curiosa do que já estou. Cala essa boca e presta atenção no Be.

Fiz careta para ela repetindo sem som o apelido ridículo que ela havia posto nele. Cruzei as pernas esperando para ver no que aquilo ia resultar, não era uma tarefa que eu apreciava ficar olhando para o bastardo, mas não havia distrações naquela recepção, se pelo menos entrasse uma mulher gritando em trabalho de parto eu teria uma emoçãozinha.

Olhei para minhas pernas só então notando que estava com um short do pijama e uma blusa de alças velha, maldito seja Bernardo e sua pressa. Tentei esconder minha falta de pano com a blusa que o garoto havia pego para mim me sentindo inútil, não adiantaria muito esconder tudo agora. Mas quem liga?

— Meninas – ele voltou para nós sorrindo vitorioso – a minha amiga ali disse que podemos ver a Constança por uns minutos.

Ah, então era isso que ele queria flertando com aquela mulher mal humorada. Inteligente, mas baixo.

— Parabéns, está se mostrando bem útil – comentei sorrindo falsamente em sua direção.

Nos levantamos juntas respirando profundamente, meu coração voltou a acelerar de repente. Eu finalmente iria conhecer a minha afilhada que com certeza é a criança mais linda do mundo, imagino como deve ser suas mãozinhas frágeis, o nariz pequeno.

Respira Maria, é só um bebê recém nascido da sua melhor amiga, aquele que você está esperando há meses para conhecer, mesmo não sendo a maior fã de crianças. Talvez nem seja tão ruim assim, posso me acostumar com um bebê chorando e fazendo coisas que eles fazem, tipo cocô.

A atendente nos indicou onde ficava o berçário, eu preferia ver logo a Malu também, mas pelo jeito o meu querido hater não é charmoso o suficiente para nos conseguir isso. Seguimos por outro corredor com algumas portas de um lado e do outro apenas uma parede pintada de duas cores na horizontal, viramos para esquerda e logo vimos um enorme vidro, apertei a mão de Bernardo encolhendo-me contra seu braço, minha garganta estava seca de ansiedade, acho que todo o meu corpo denunciava, pois ele passou o braço pelos meus ombros colando ainda mais nossos corpos.

— Me solta – o empurrei acelerando os passos – não preciso de ajuda par... Ai meu Deus, Bernardo, olha como ela é linda!

Apoiei as mãos no vidro olhando para o bebê mais fofo que eu já tinha visto. Constança era pequena, rosada, tinha cabelo demais para o meu gosto e mais parecia um filhote de anjo.

— Você nem tá vendo nada com esse monte de pano cobrindo ela – comentou aproximando-se também.

— É claro que tô, olha lá o nariz, a boquinha. Não é a minha cara?

Bernardo apenas riu balançando a cabeça, minhas mãos apoiavam meu corpo no vidro para conseguir vê-la melhor, eu podia notar os detalhes nas partes descobertas, e aposto um palmo de cabelo que Marina também podia, esse hater que não enxergava direito.

— Bom, já vimos – o garoto cutucou minha costela fazendo-me bufar – Cecília disse que não podia demorar, a enfermeira chefe fica andando pelos corredores.

— E ele já sabe até o nome dela – comentei saindo de perto do vidro.

Passei pelos dois indo na direção que viemos não antes de ouvir Marina sussurrar “ciúmes” para Be... Bernardo. Sinceramente, se eu começar a me importar com todas as provocações e comentários de todo mundo vou acabar uma velha mal humorada que não deixa as crianças pisarem em sua calçada, a partir de hoje eu vou mudar, e vou mudar para melhor graças à Constança.

Serei Maria quase Capitolina, um doce de pessoa.

[...]

— Se você oferecer carona para aquela recepcionista eu arranco a sua cabeça – rosnei para Bernardo – e a dela também.

Estávamos no estacionamento da maternidade, depois de finalmente ver a criança e me certificar de que Malu estava bem, nós resolvemos ir para casa, quer dizer, Bernardo havia cismado em perguntar se aquela mulher queria carona para casa, já que foi tão gentil conosco.

— Tudo bem, mas não esqueça de que ela nos ajudou, egoísta – disse passando por mim dramaticamente.

Como se eu tivesse culpa.

Entramos no carro de uma vez, eu fui no carona da frente ao lado do hater e Marina deitada atrás com a desculpa de que estava cansada demais para se sentar. Quem se sente cansado para sentar? Ninguém normal. Olhei no relógio do painel e por incrível que pareça já eram nove e meia da noite, esperava sair um pouco mais tarde dali, já ia pedir para minha mãe trazer minha barraca para acampar naquela recepção.

Ri sozinha me ajeitando no banco, meu pé não doía, mas queimava e latejava, ainda bem que havia saído de chinelo.

Puxei meu celular do bolso de Bernardo enquanto não chegávamos à casa de Marina e comecei a ver as mensagens. Algumas da minha mãe, de alguns colegas perguntando do meu pé, minha tia Alice mandando imagens de boa noite, primos brigando no grupo da família e Tadeu. Espera. Aproximei meu rosto da tela do celular não acreditando na ousadia daquele ser, mesmo depois daquela nossa conversa na escola ele insistia em querer saber de mim, talvez eu devesse bloquear seu numero.

oi

Mandei antes de meu cérebro raciocinar, o que posso fazer, sou trouxa.

Oi Capitu, liguei para sua mãe e ela disse que você não estava. Aconteceu alguma coisa? Você está bem?”

Tá legal, isso foi doentio. Doentio de um jeito fofo.

Estou bem, foi a Malu que entrou em trabalho de parto. Está tudo bem com ela e a criança, você tem que vê-la

Arregalei os olhos para a última parte. Mas que tipo de merda eu tenho na cabeça?

Nossa, que legal. Amanhã antes da aula eu dou uma passada para vê-las.”

Certo.”

Larguei o aparelho no colo querendo arranhar toda a minha cara. É sério mesmo que eu disse que a Malu deu a luz e o chamei para vê-las? Maria, você é um perigo a si mesma.

— Algum problema? – Marina enfiou a cabeça entre os bancos da frente com seu típico sexto sentido trabalhando – nossa, você tá pálida.

Não respondi, escondi-me no banco esperando que aquele percurso acabasse logo e eu finalmente chegasse novamente na minha cama desarrumada e deliciosa.

Notas finais
Esse capítulo foi reeditado.