Notas iniciais
Olá, pessoas! Essa história está sendo reeditada e em algumas partes reescritas, então se você está lendo agora ou relendo, acalme-se, não está sem pé nem cabeça. Quando a reedição for finalizada, informarei. Quando um capitulo estiver reescrito, informarei. Não esqueçam dos comentários, o feedback é muito importante. Kisses!

"O que toda adolescente sonha é encontrar seu príncipe encantado, viver uma linda história de amor, casar e ter filhos numa casa confortável no interior de São Paulo, certo? Errado!

Eu não quero isso pra mim, acho que uma vida que se resume à outra pessoa não é bem um futuro feliz, sem contar que depois do casamento tudo muda. O príncipe vira sapo, as crianças choram sem parar, você tem que cuidar da casa sozinha enquanto o marido está tendo um ataque no trabalho e depois ainda aturá-lo dentro de casa. Definitivamente essa vida não é feliz, eu posso até ver um caso ou dois de felicidade matrimonial, mas é raro – okay, talvez porque eu não goste de me socializar – não, eu não sou antissocial, se fosse eu não estaria atualizando a minha pagina diariamente que vocês tanto pedem para que eu transforme num livro. Mais uma vez a resposta é não, eu não vou transformar essa joça num livro, parem de me encher suas cabritas.

Como tem muita gente nova chegando, e não sabe o motivo do meu apelido, me sinto na obrigação de me apresentar novamente.

Como vocês já sabem, a minha mãe é escritora, ela é famosa por uma série de livros adolescentes que faz as pessoas suspirarem imaginando que aquilo um dia irá acontecer em suas vidas inúteis, mas pelo amor de Deus, não achem que estou dizendo que vocês não vão encontrar alguém, é só que uma fada não vai pular da moita e bater com a varinha na sua cabeça – eu por outro lado adoraria fazer isso com alguém. Voltando ao assunto antes que eu faça um discurso de ódio. Ela vive atracada com livros quando não está escrevendo – não vou dizer "ou dormindo", eu não sei se ela dorme – antes de mais alguma coisa, eu gosto de ler, guardem seus paus e pedras tá legal? Enfim, ela adora tanto a literatura brasileira que pôs o meu nome de Maria – ela queria Maria Capitolina, mas não conseguiu – Mesmo assim ela faz questão de me chamar assim, "Capitu". Eu amo o meu apelido, vocês fazem ideia de como é incrível ter esse? Todos os professores se apaixonam à primeira vista por mim, é como se eu fosse uma vela fluorescente na multidão.

Você conhece a Capitu? É claro que eu a conheço, simplesmente a melhor aluna da escola, sem contar que ela é um amor de pessoa – modéstia, quem?

Fim da atualização, volto amanhã."

Às vezes me pergunto como as pessoas ainda param para ler essas minhas loucuras, sabe, elas dizem que sou genial e meus relatos são cômicos. Talvez seja o meu humor peculiar, como minha mãe sempre diz aos meus tios, depois de eu soltar uma piada sobre os calotes que eles aplicam nos irmãos. É, eu não tenho o filtro entre a língua e o cérebro.

Eu comecei a fazer isso – o diário no ProseApp — por insistência da minha mãe, eu dizia que queria ser como ela, admirada pela minha arte, então ela me disse; você é sua própria arte. E mandou que eu fizesse a primeira coisa que viesse à mente, confesso que primeiro gritei um palavrão, depois tive a ideia de criar a conta no aplicativo.

— Capitu, a sua mãe e eu estamos indo à praia. Quer ir? – meu padrasto apareceu na porta com seu típico sorriso do meio dia.

Cláudio é um ex-lutador que agora ganha a vida como professor de muay thai, claro que isso teve a pequena influência da minha mãe, afinal ela não era louca de deixar ele viver viajando pelo mundo solto. Tratou de fazer com que aquele belo conjunto de músculos se aposentasse um pouquinho antes.

— Praia sem comida?

Ele revirou os olhos. Devo deixar explícito que amo quando ele faz isso.

— Vamos almoçar lá, não se preocupe.

— Não está me dizendo nada. Vou comer um sanduíche agora – disse fechando o notebook e me levantando da cama.

Mais um fato sobre mim, eu adoro comer besteira, sabe, é a melhor coisa que se pode fazer nos momentos bons e ruins. Eu adquiri esse delicioso hábito enquanto servia de vela para minha amiga Malu, hoje em dia ela está com a barriga enorme de sete meses, não seguiu meus conselhos sobre aborto ou usar uma coisa mágica chamada camisinha.

— Vai acabar infartando aos vinte e cinco – falou quando chegamos à cozinha.

— Pelo menos meus textos vão ficar famosos. Posso até começar um livro – comentei abrindo a geladeira — "Memórias póstumas de Maria quase Capitolina"

Ele se encostou na pia enquanto mexia no celular.

— Já ouviu falar em plágio?

— Vai dizer que a piada foi ruim? – perguntei abrindo o pão.

Ele balançou a cabeça rindo.

A parte boa de ter um padrasto que pegou sua mãe quando você já tinha oito anos é poder tratá-lo de igual para igual agora aos dezessete sem frescuras do tipo, "você tem que respeitá-lo". Ele não é do tipo que pega no pé, considero ele como um pai já que eu nunca conheci o meu biológico, pois é, sou produção independente compulsória. Famosa mãe solo.

Seu telefone começou a tocar irritantemente, se eu pudesse o jogaria pela janela todas as vezes que ouvisse esse barulho estridente. Cláudio saiu da cozinha para atender, passando por minha mãe, que lançou um olhar reprovador em direção ao meu sanduíche.

— Já disse para não comer essas porcarias gordurosas – ela diz pegando uma maçã, jogando aquele cabelo maravilhoso e que eu sempre quis ter para trás.

— E eu já ouvi, continuo desobedecendo – respondi enfiando o último pedaço goela a baixo.

— Animada para seu último ano no ensino médio?

Movi a cabeça de um lado para o outro enquanto pensava na melhor forma de responder. Argh!

— Vai ser uma maravilha – respondi sem animo.

Meu padrasto entra na cozinha com uma expressão divertida, ele ergue o telefone e sorri para nós duas como se fosse anunciar que havia acertado os números da loteria.

— Meninas da minha vida, acho que nosso passeio não vai mais acontecer – ele diz colocando o aparelho em cima da mesa – Laura, sabe aquele filho do meu amigo de São Paulo?

Ergui a sobrancelha já imaginando qual absurdo viria a seguir, devo deixar claro que já odeio esse cara se for para ele ficar debaixo no mesmo teto que eu, lutadores são nojentos demais, comem demais, arrotam e soltam pum, sem contar que podem usar o banheiro e esquecer-se de dar descarga. Isso mesmo, imaginem a cena e vomitem.

— O Bernardo? – ela perguntou mordendo a maçã. Claudio assentiu – continue.

— Bem, ele acabou de me ligar confirmando que vem para cá.

— Espera – ergui a mão para que me vissem – isso quer dizer que ele vai ficar aqui em casa?

— Sim – responderam ao mesmo tempo.

— E porque caralhos ninguém me avisou antes?

— Olha a boca, mocinha – minha mãe repreendeu.

Eu mantinha minha boca aberta esperando alguma resposta coerente para a minha pergunta.

一 Não havia necessidade de alarde antes que ele confirmasse, é simples.

Às vezes a praticidade da minha mãe me irritava um pouco.

一 Mas é um estranho-

一 Okay — ela ergueu as mãos olhando no fundo dos meus olhos. Exatamente como fazia quando eu tinha cinco anos — Ele vai vir para a nossa casa e a senhorita vai controlar essa língua mal criada.

Foi você quem me criou...

Bufei cruzando os braços e olhando pra cima, exatamente como eu fazia quando tinha cinco anos — o que posso fazer, sou apegada aos velhos hábitos.

— É o que eu espero – Claudio concordou – agora cuidem do almoço que eu vou buscar o moleque.

Ótimo, ainda tenho que cozinhar para esse "moleque".

[...]

Bem, depois de passar alguns minutos aquecendo a lasanha congelada – é claro que dei essa ideia a minha mãe, não ia ficar com as mãos fedendo a cebola – nós fomos para a sala procurar um bom filme para assistir, como se passasse algo bom no domingo, na verdade tinha, mas todos os domingos eram tediosos e arrastados como a foice da morte pronta para decepar a sua cabeça.

É como o meu tio bêbado sempre diz, é melhor passar um dia inteiro dormindo por vontade do que dormindo sem opção. Não teve muito sentido quando ele falou entre uma latinha e outra, mas agora faz.

Minha família é como qualquer outra, meus avós moram numa casa razoavelmente confortável, como toda a casa de avós devem ser, vivem reclamando que ficam sozinhos, mas quando alguém passa mais do que quatro dias lá eles começam a achar ruim. Uma das minhas tias é uma carola que vive dando golpes nos irmãos – isso não foi uma brincadeira – uma prima faz direito mas não pega em um livro sequer, ela diz que não tem paciência para ler e só gosta de livros com muitas ilustrações, é isso, pasmem. A esposa do meu tio mais normal é a reencarnação de um farmacêutico, perguntem o nome de qualquer remédio para qualquer coisa que ela vai dizer, o filho dela é uma gracinha.

Ri sozinha enquanto comia mais um salgadinho, e olhei para o lado vendo minha mãe com um de seus três livros que ela lê, eu costumo fazer o mesmo quando encontro livros que me interessam, isso ajuda a deixar o cérebro tinindo. Se bem que o meu já é sensacional. Desconheço o significado da palavra modéstia.

— O que exatamente esse tal Bernardo vem fazer aqui? – perguntei virando-me para ela.

Dona Laura abaixou o livro grosso e me olhou divertida.

— Ele é afilhado do Cláudio, ganhou uma bolsa de estudos na sua escola e por isso vai morar conosco.

— Ainda por cima vai estudar no mesmo colégio que eu? O que mais falta eu descobrir, que ele é filho do meu pai biológico?

— Maria, você está fazendo drama à toa – disse balançando a cabeça por fim.

Abri a boca para rebater, mas antes que alguma coisa saísse a porta foi aberta por meu padrasto, ele conversava animadamente com alguém, ria alto e puxava uma mala média, afastou o corpo para dar passagem a alguém e o garoto entrou sorridente.

Maldição, eu conheço esse panaca, esse imbecil, esse quadrúpede, esse... esse. Argh!

Ele é ninguém mais, ninguém menos que o meu hater número um e dono de uma conta sobre games no mesmo App, quer dizer, eu não sei se ele é um hater, mas sempre comenta as minhas postagens de uma forma peculiar, aponta soluções para os meus problemas de uma forma que nenhuma garota gostaria e ainda incita seu exército contra mim.

"Já pensou em se internar numa clínica psiquiátrica ou arrumar um namorado?".

Estreitei meus olhos em sua direção esperando que a sessão de abraços e comprimentos nunca terminasse, ou que meu padrasto se colocasse entre ele e eu, com certeza a Capitu aqui vai avançar na jugular desse garoto. Eu vou matar essa peste dos infernos.

Saltei o sofá caminhando irritada até seu encontro, meu sangue fervia como a lava de um vulcão em erupção.

Seus olhos encontraram o meu rosto e após franzir a testa deu um risinho idiota.

— Eu conheço você – disse apontando aquele dedo nojento para mim.

Sem pensar duas vezes joguei-lhe a metade do suco que tinha em mãos – ouvindo minha mãe dizer o meu nome – em seguida virei a tigela de batatas em sua cabeça e gritei:

— Clínica psiquiátrica seu imbecil?

Notas finais
Esse capítulo foi reeditado.