Querido Hater

17 Capítulo 17


Notas iniciais
Olá, pessoas! Espero que estejam gostando ♥

Como nos seriados americanos, vamos agora a um breve resumo do que aconteceu antes de todos os funcionários do meu cérebro pararem o que estavam fazendo e encararem o grande telão dos meus olhos ao ouvir tal insulto. Sim, ouvir da boca do próprio Bernardo que o mesmo está apaixonado – completamente – por mim, é no mínimo um insulto à minha sanidade, até porque ele me odeia.

Não vou negar que parte de mim ficou mexida com aquilo, ainda podia sentir o toque de suas mãos em minha perna agora a pouco e o calor em seus olhos enquanto sorríamos.

Não! Ele é um garoto metido e enjoado, o mesmo que raspou seu cabelo e tentou te matar no primeiro dia de aula.

— Está mentindo! – acusei voltando-me para a direção da cozinha novamente tentando disfarçar minha respiração descontrolada.

Ouvi sua risada pelo nariz num típico sinal de que eu iria me irritar. Esses risinhos dele soavam como as trombetas do apocalipse aos meus ouvidos, uma verdadeira provocação da sua parte que eu não deixaria por menos.

Voltei-me novamente para olhá-lo. O garoto coçou o nariz enquanto dava mais um passo em minha direção, era como se estivesse tirando minha atenção de sua proximidade perigosa. Recuei arrastando o pé machucado.

— É eu realmente deveria estar mentindo – concordou parando diante de mim quando senti a parede em minhas costas – mas sinto muito te decepcionar.

Ele esticou a mão capturando uma mecha do meu cabelo e deslizando-a pelos dedos, como fazia sempre. Engoli a agonia inexplicável que eu sentia na garganta e evitei olhar para seu rosto, meus olhos desceram para seu colarinho e pela primeira vez notei que havia um colar de náilon por baixo da camisa, lembrei de que havia visto aquele colar algumas vezes só, quase sempre metade estava para dentro da camisa.

Seu toque em meu rosto fez meu corpo acordar e voltar para o que estava acontecendo, olhei para cima vendo seu rosto sério me encarando de volta. Seus dedos deslizavam levemente sobre minha bochecha, e me crucifiquem, pois era muito bom tão bom que fechei os olhos respirando fundo enquanto meu coração acelerava.

— Não seja palhaço, Bernardo, não vou cair nesse seu papinho – estreitei os olhos batendo em sua mão para que tirasse dali.

Ele deu um passo para trás olhando para o chão pensativo, cruzou os braços dando um longo suspiro e riu daquele jeito todo Bernardo cheio de si.

Revirei os olhos esperando as gracinhas começarem.

— Olha pra você.

— Ah não, não acredito que você me fez de idiota mais uma vez – choraminguei, ou quase rosnei, foi uma mistura dos dois – é muito babaca mesmo hein?!

Bernardo riu ainda mais segurando meu braço antes que eu saísse dali.

— Decepcionada? – indagou esticando o pescoço em minha direção.

— Claro que não – defendi – estou aliviada. Deus me livre ter você como um Romeu no meu pé?

Dei as costas indo para a cozinha, lugar perigoso para ele nesse momento.

— Não, seu tipo é outro — ele começou, e eu já sabia o que viria a seguir — alto, olhos claros, ex-lutador, professor, ex e com uma tara por garotas mais novas.

Peguei o copo que estava em cima da mesa e o ergui para ele.

— É melhor você calar essa boca antes que eu te faça engolir os cacos dessa porcaria! – gritei apertando o objeto fazendo-o gargalhar.

Fitei Bernardo saindo com as mãos erguidas querendo arremessar o copo em sua cabeça só pelo prazer de vê-lo gemer de dor, esse imbecil filho de chocadeira me paga.

— Mas olhando pelo lado bom, agora que eu também te enganei, devo ganhar um lugarzinho no seu coração, já que costuma ter uma queda por aproveitadores – falou colocando a cabeça para dentro da cozinha.

Aquilo foi demais pra mim. Tomada por uma ira até então desconhecida por muitos eu pulei até a porta ainda tendo tempo de vê-lo caminhar para as escadas. Joguei o copo que segurava com toda força que encontrei em sua direção, só que o maldito passou direto por cima da sua cabeça espatifando-se na porta de entrada, que foi aberta no segundo seguinte por Cláudio.

Merda! Merda!Merda!

Mordi o lábio vendo os dois olharem para mim completamente atônitos. Meu padrasto acabou de entrar olhando o estrago feito na porta que minha mãe tanto amava, eu podia ver os farelos do finado no tapete de entrada.

— Mas que porcaria é essa, Maria Capitolina? – Cláudio perguntou em choque — perdeu a cabeça de vez?

— Isso podia ter me matado, sua maluca! – Bernardo berrou passando a mão na cabeça, como se estivesse checando se estava tudo normal.

— Foi você quem começou!

— Chega! – o lutador se aproximou de nós dois visivelmente irritado – Maria, você passou de todos os limites. Morder e pegar no pé ainda são aceitáveis, mas atirar um copo na cabeça do Bernardo por pura picuinha?

Abaixei a cabeça preparada para ouvir a bronca. Na verdade não, nunca havia levado uma bronca em que tivesse certeza de que o Cláudio estava irritado de verdade.

— Não tem que ser só culpa minha – falei miúda.

— Você tem certeza disso? – indagou ainda alterado – e se tivesse acertado nele?

— Nem passou perto, olha lá, ele ta de pé-

— Para de ser infantil – gritou fazendo todos os meus pelos se arrepiarem — tem idade o suficiente pra saber o que é certo ou errado. Onde já se viu arremessar um copo de vidro na cabeça do garoto, eu devia te colocar de castigo até aprender a se comportar feito gente. A sua mãe vai ficar sabendo disso, e pode ter certeza que não vou mais passar a mão pela sua cabeça, sua mimada.

Encolhi-me exatamente onde estava sentindo meus olhos arderem, ele nunca brigava comigo, mas dessa vez eu sabia que merecia, pois o desapontei. Era bem pior estar errada por desapontá-lo do que por ter destratado seu hóspede.

Limpei o rosto deixando um soluço escapar.

— Vai pro seu quarto – Cláudio falou soltando o ar em seus pulmões.

Comecei a caminhar em direção a escada sem coragem de olhar para Bernardo, eu estava triste, mas também não queria que justo ele me visse chorando.

Eu ainda tenho meu orgulho.

— Por que você está mancando? – meu padrasto perguntou tocando meu braço.

Desvencilhei-me do seu toque ignorando sua pergunta.

Dramático? Talvez.

Fui o mais rápido para meu quarto, não suportava a tristeza por ter desapontado Cláudio e a vergonha de ter chorado na frente dos dois, mesmo sabendo que eu era a errada naquela história, pois podia sim ter acontecido algo grave com Bernardo e eu não queria isso, estando com raiva no momento ou não.

Caí na cama apertando o travesseiro para não chorar, o que foi impossível.

[...]

Eu estava deitada gostosamente entre todos os meus travesseiros e cobertores que fiz questão de catar no guarda-roupa. Meu corpo estava totalmente relaxado, eu estava quase cochilando depois de passar o resto da tarde chorando e triste por causa do meu padrasto e tudo mais, merecia descansar um pouco antes de levantar amanhã para a escola, minhas pálpebras quase colando de tanto sono já doíam pelo simples fato de ter algum desesperado querendo arrombar a porta do meu quarto.

Abri os olhos resmungando xingamentos direcionados ao hater idiota, se ele queria retaliação a essa hora da noite iria se decepcionar, pois eu provavelmente cairia no sono deixando-o falando sozinho. Não passava das oito da noite, arrastei-me para a porta do quarto gritando para o imbecil parar de berrar.

— O que você quer? – perguntei quando abri a porta dando de cara com Bernardo.

Estreitei os olhos quando percebi algo errado em seu rosto, parecia assustado, talvez preocupado.

Sem pedir licença ele invadiu meu quarto indo direto para meu guarda-roupa.

— Se veste – falou jogando uma blusa de manga cumprida – a Malu entrou em trabalho de parto.

Arregalei os olhos sentindo meu interior estremecer, não era a hora ainda.

— Como assim?!

Ele não respondeu, apenas segurou-me pelo braço e saiu me arrastando como se eu fosse uma criança. Sem protestar eu o segui ainda grogue de sono, não vi ninguém quando passamos pela sala, também pouco me importava, estava mais preocupada e ansiosa pela minha amiga parindo naquela maternidade.

Bernardo correu para o lado do motorista, entramos no automóvel e ele rapidamente deu partida acelerando quando saímos do condomínio.

— Será que dá pra parar de dirigir feito um louco? A Constança não vai acelerar o parto para ver sua cara feia.

— Fica quieta, tá bom? – falou simplesmente sem nem me olhar.

Ta, eu realmente não estou entendendo o motivo dele estar tão nervoso, nem eu que sou melhor amiga estou assim, uma hora a criança teria que nascer. Tudo bem que ainda é cedo, mas nessas situações temos que estar preparados.

Ajeitei-me no banco dando uma última olhada para o garoto, talvez estivesse irritado comigo por causa da tentativa de homicídio acidental.

— Tá bravo comigo? – ele negou sem abrir a boca.

— Preocupado com a Malu – respondeu tirando meu celular do bolso e me entregando – ela te ligou três vezes, você esqueceu o celular na sala.

Apanhei o aparelho rapidamente para ver as ligações perdidas.

— Porque você não me chamou? – alterei a voz, agora sim preocupada.

— E aquilo que eu fiz no seu quarto foi o que?! – disse com rispidez – não tenho culpa se você se trancou no quarto pra chorar como uma criancinha que não sabe levar bronca do papai.

Abri a boca estarrecida com aquilo. Como esse garoto tem a audácia de falar comigo assim?

— Pelo menos meus pais ligam pra mim, não sou filha de chocadeira que nem você.

Ele rosnou. Eu juro por tudo que há de mais sagrado que ele deu um senhor rosnado apertando o volante com raiva.

— Se não quiser que eu te jogue desse carro é melhor calar a boca.

Encolhi-me no banco ficando quieta e prezando minha existência, se ele está irritado, quem sou eu pra discordar.

Permanecemos quietos durante todo o caminho, hora ou outra eu perguntava uma coisa sobre a distância, mas ele respondia sem abrir a boca, o que me irritava e frustrava, pois não era nem louca de cutucar a onça enquanto dirigia. Fiquei olhando o trânsito enquanto passávamos pelos semáforos, às vezes mandando mensagens para Marina perguntando se estava tudo bem e estranhamente ela visualizava e não respondia, comecei a me perguntar que merda estava acontecendo para os dois estarem tão estranhos em relação a esse parto.

Bernardo parou no estacionamento da maternidade e não saiu do carro, respirou fundo e me olhou pensativo.

— Vamos? – perguntei apontando para fora.

Saímos do automóvel e caminhamos rapidamente para dentro, um sorriso involuntário brotou em meus lábios. Qual é eu não gosto de crianças, mas a chegada de um bebê é sempre motivo de alegria, foram meses me perguntando se ela teria cara de joelho como os outros.

— Capitu, espera – o hater segurou-me pelo braço antes que eu chegasse à primeira recepção.

Puxei cuidadosamente meu braço de sua posse e o olhei preocupada, desfazendo meu sorriso. Ele umedeceu os lábios e passou as mãos no rosto.

— Você tá me assustando, Bernardo – falei dando um passo para trás.

— Me desculpa não ter falado antes, você não ficaria calma-

— Não – meus olhos voltaram a arder. Sempre que alguém começava a falar dessa forma era sinal de que algo estava muito errado – Não! O que aconteceu com ela?

Ele caminhou até mim com as palmas das mãos viradas para mim.

— Capitu, se acalma.

— Não me pede calma! Me fala o que aconteceu com ela, Bernardo – o nervosismo tomou conta de mim – anda, me fala!

Passei por ele empurrando suas mãos na minha frente, indo até a mulher que estava de costas na recepção.

— Cadê a Malu – berrei para a atendente que logo se virou para mim – Malu Campos. Cadê ela?

Ela franziu o cenho como se procurasse resposta para minha pergunta. Claro que ela não devia saber de quem se tratava.

— Calma, Maria, tá tudo bem – ele passou os braços ao redor do meu corpo puxando-me para longe dali – vem comigo.

— Ela não tá bem – nesse momento eu não conseguia mais segurar as lágrimas – eu vejo na sua cara que não tá.

Bernardo não disse mais nada, continuou caminhando comigo até a outra recepção onde os parentes esperavam pela cirurgia. Mas eu não entendo, era pra ser normal, estava tudo bem com as duas, a Malu havia me dito isso há algumas semanas. Algo dentro de mim se agitava como quando temos um mau pressentimento.

Andamos pelo corredor ainda abraçados, Bernardo me segurava pelos ombros causando uma proximidade que eu pouco me importava naquele momento, era até acolhedor saber que alguém estava comigo naquele instante. Já havia vindo ali antes com Malu conhecer as instalações, ela fez questão de saber como funcionava o lugar onde iria parir a criança, eu faria o mesmo em seu lugar.

Quando o corredor terminou demos de cara com outra sala, essa um pouco mais vazia havia apenas um casal mais velho, a atendente, Marina e a mãe da minha amiga, as duas estavam sentadas logo na frente e logo perceberam nossa aproximação.

— Marina – chamei saindo dos braços do garoto e indo para os seus.

Ela me abraçou ainda chorando, consegui sentir seu coração acelerado, era como se eu conseguisse sentir o mesmo, saber o mesmo, mas eu não estava pronta para pensar no pior, eu não suportaria se acontecesse algo com uma das duas.

— Ela não estava dilatando – começou fungando – ficou nervosa, a pressão subiu e levaram às pressas para a cirurgia porque a Constança podia morrer.

Apertei os olhos puxando minha amiga ainda mais para mim.

Bernardo apertou levemente a minha nuca, apenas para mostrar que ainda estava por perto. Marina afundou o rosto em meu pescoço tentando acalmar a respiração, não sei de onde eu estava tirando forças para manter a calma, éramos nós três juntos até eu conseguir ver Carmem, a mãe de Malu.

Andei até a mulher de cabeça baixa, ela parecia um pouco mais calma do que nós, talvez por ser mais experiente.

— Carmem – chamei baixinho enquanto me sentava ao seu lado numa das cadeiras.

Olhei para Bernardo pedindo ajuda, não sabia como conversar com alguém nessas horas, tinha medo de acabar falando besteira e não saber contornar. Ela virou a cabeça em minha direção dando um meio sorriso, inclinou-se até mim e deu um beijo em meu rosto.

— Obrigada por vir – falou segurando minha mão dando um longo suspiro – eu estou com medo de perder a minha filha naquela sala. Ela queria tanto ver a filha crescer.

Engoli o nó em minha garganta ao ouvir aquilo.

— A Malu não vai morrer, só está fazendo o show dela – tentei soar calma, mas por dentro estava querendo chorar em posição fetal.

Carmem sorriu afagando meu rosto mais uma vez e se levantou triste com um copo vazio nas mãos. Permaneci quieta observando seus movimentos e finalmente deixei uma lágrima rolar pelo meu rosto afundando o mesmo nas mãos.

Queria que tudo que estava acontecendo sumisse e meu único problema fosse encarar meu padrasto amanhã de manhã, que Bernardo continuasse me irritando, mas a minha amiga e a filha ficassem bem.

— Ela vai ficar bem – falando no hater – ouvi dizer que foi apenas um susto.

Olhei para o lado vendo o garoto tentando parecer despreocupado com aquele sorriso irritante.

— Não era você quem estava quase tendo um ataque? – funguei limpando o nariz na manga da roupa.

Eu estou triste, não perdi meus péssimos modos.

— Eu estava com medo que não conseguisse chegar a tempo – respondeu tocando meu rosto – Quando minha mãe entrou em trabalho de parto eu não cheguei.

Estreitei os olhos para ele sem dizer nada, seus olhos estavam apagados como se dizer aquilo doesse no fundo da sua alma. Pela primeira vez hoje eu acreditei cem por cento em suas palavras e consegui me conectar a ele. Bernardo podia ser tudo, mas não mentiria em relação à sua própria mãe.

Seus lábios formaram uma linha rígida, todo seu rosto estava rígido enquanto ele olhava cada parte do meu rosto.

— Sinto muito – falei meio sem saber o que dizer.

— Se chamaria Isadora – ele disse com um meio sorriso – eu escolhi o nome, pintei o quarto.

Naquele instante consegui sentir a dor que ele sentia, o hater abriu a boca deixando o ar escapar e logo os olhos se encheram de lágrimas. Arrastei a bunda no banco para ficar mais perto e o abracei sentindo todo o calor do seu corpo.

Deslizei as mãos por suas costas parando em seu cabelo, ele fazia o mesmo comigo e aquilo era tão bom, tão bom que eu esqueci completamente das pessoas ao redor. Seus dedos correram por toda minha coluna em carícias completamente novas, afastei-me um pouco dele apoiando a cabeça em sua nuca para sentir seu perfume, Bernardo tinha um cheiro bom, era sutil o suficiente para que eu ficasse ali por horas.

— Família da Malu.

Saltei dos braços de Bernardo pondo-me de pé na frente da mulher de jaleco.

A mãe de Malu se aproximou com o copo cheio de um líquido esquisito, e Marina apareceu de algum lugar com água.

— Tivemos dificuldade para controlar a pressão da sua filha – a mulher começou – e tirando isso, o parto foi muito tranquilo, correu tudo bem, a Constança e a mãe estão ótimas.

Eu não sei explicar o sentimento naquele momento, parecia que uma tondela havia sido tirada dos meus ombros, eu só conseguia abraçar a mãe da minha amiga e chorar, colocar tudo aquilo para fora. Não fazia ideia de que aquele parto seria tão preocupante para mim, afinal eu nunca havia acompanhado uma gravidez tão de perto, eu até seria a madrinha.

Não sabia como cuidar de uma criança, o que comia ou com que tamanho faz o que, mas não lhe faltaria amor. Eu amaria essa criança com toda a minha força.

Ah meu Deus, eu não acredito que estou caindo no clichê do bebe recém nascido, onde todas as pessoas ao redor mudam instantaneamente para melhor apenas por que sim.

— A acompanhante já pode pegar as malas e ir para o quarto — outra enfermeira falou próximo a nós.

— Certo — Carmem secou o rosto virando-se para nós — vou conhecer minha netinha.

Eu e Marina rimos dando pulinhos de excitação, esperamos tanto para conhecer o rosto da Constança que nos acostumar com a Malu sem a barriga seria uma luta.

Por cima do ombro de Marina, vi Bernardo de pé logo adiante, ele sorria, mas aquela sombra ainda pairava sobre seus ombros como se suas lembranças o atormentassem. Hesitante me afastei da minha amiga, e caminhei até onde ele estava.

— Obrigada.

Então pela segunda vez eu abracei de bom grado, um abraço que eu gostaria de ser capaz de transmitir a alegria que eu estava sentindo, e a gratidão por ele ter me levado até a maternidade. Ale eu percebi, enquanto tinha seus braços envolvendo minha cintura e seu rosto afundado em meu pescoço, que Bernardo podia ser muitas coisas, mas acima de tudo, ele era bom. E talvez, só talvez, eu tivesse que admitir que era bom estar com ele, e eu sabia que não queria perdê-lo.

Notas finais
Esse capítulo foi reeditado e reescrito. QUE FOFURA!!!!