Quer casar comigo?
10 Sim
SIM
QUARTO ANO DE NAMORO
—Não é nada para se envergonhar — comentou Julie, comendo seu bolo de chocolate calmamente, porque se Asher não soubesse disso, que seu bolo preferido era de chocolate... Ela podia reconsiderar o champanhe, mas não o bolo, não sua sogrinha não sabendo qual era o seu bolo preferido. — É uma reação normal porque sou muito sexy. Se eu tivesse mais alguns minutos acho que estaria na mesma situação.
—Alguns... minutos? — repetiu Asher, balbuciando. – Hã, sim, claro.
—Nada contra você, Iffigen. Você é muito sexy e tudo. – Julie balançou o garfo para indicar tudo que não queria dizer antes de apontar, apontá-lo. — Mas eu sou difícil.
—Certo, difícil. — Asher sentou-se na cadeira da bancada, de frente para ela, longe dela. — Diga.
—Eu preciso...
—Sem papel — disse, firme. — Seja lá o que você precise me dizer, você pode me dizer. Eu sei que você sabe e você sabe que eu sei que você sabe tudo que está escrito lá. Diga o que importa, o que te preocupa.
Julie suspirou e baixou o talher, ciente de que havia comido menos do que o normal, que aquela não era ela, que um bolo de chocolate não sobrevivia na sua frente, só que... ela sentia-se estranha, não ela, porque ela era Julie Agnes Harrison e havia sobrevivido a tantas coisas e não para travar agora.
—Eu não sei por onde começar — murmurou para si, porque talvez, talvez, admitir tornasse tudo mais fácil. — Ok, certo. — Ela fechou os olhos, tentando encontrar forças em algum lugar dentro de si. Onde estava sua força? No mesmo lugar que suas asas, enterradas, perdidas.
Eu posso fazer isso, pensou Julie.
Eu posso fazer isso, pensou mais forte.
Eu já fiz pior, relembrou-se.
Julie abriu os olhos.
—Eu não sou virgem.
—Você já disse isso uma vez — lembrou Asher, com a mão no queixo, as palavras saindo abafadas. — E eu não acredito em você. Quer dizer... — Ele balançou a cabeça, movimentou a mão livre. — Julie, você acha que eu vou acreditar nisso? Como você pode não ser virgem se eu sou a primeira pessoa com quem...
—Sim, Asher, eu sei como funciona — disse Julie, sua voz seca até para si.
Com um baque, Asher percebeu que Julie falava a verdade. Ela sabia como funcionava. Como ela sabia como funcionava? Com quem... Como isso... Isso era tão...
Asher engoliu as perguntas e raiva que sentia e o sentimento de traição que crescia dentro de si.
Julie não era virgem, repetiu mais uma vez para si.
Asher ainda não acreditava, não queria acreditar.
—Eu também não – disse ele, sentindo-se tão, tão ruim. – Você se incomoda?
Julie considerou.
—Sim. Não. Talvez.
Asher entendeu o que ela queria dizer.
—Eu só quero estar com você – concordou.
Julie sorriu.
—Eu menti.
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