Quente e Frio
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Gray e Natsu se entreolharam. Eles estavam em frente à um motel rosa, purpurinado e cheio de enfeites de corações rosa, o lugar onde Mirajane e Laxus passavam uma boa parte de seu tempo livre. Eles suspiraram. Eles tinham duas opções, seguir como o planejado, entrar e pedir um quarto como conversaram, apenas para ficarem sozinhos e conversarem, ou procurar por outro lugar.
—Bom, então? — Natsu perguntou suspirando novamente, encarando para Gray há alguns passos da porta do motel.
Gray olhou para Natsu e então para o letreiro do motel, em seu olhar uma expressão de descrença, desespero e desgosto, tudo junto.
—Eu também não quero entrar aí, mas foi o lugar que Mira sugeriu. Ela disse que é aqui que ela e Laxus ficam quando estão juntos.
—Ela e Laxus. — Gray disse com ênfase. — Nós não vamos entrar aí.
—Bom, então podemos escolher outro lugar. — Natsu disse, dando um tempo para Gray dizer alguma coisa, fazer uma escolha. Ele continuava olhando para o letreiro e coração rosa ao lado do nome Love Love. — Nós chegamos até aqui e agora já está começando a ficar escuro. Podemos procurar outro se quiser, mas devemos fazer isso logo.
Gray suspirou com os olhos fechados, em dúvida.
E se... os funcionários os conhecesse por Mirajane? E se eles encontrassem algum conhecido por lá? Eram vários medos na mente de Gray. Se ele desse atenção e uma resposta à todos, perderia muito tempo ali. Então, suspirou mais uma vez e, sem pensar, com decisão por impulso abriu a porta e entrou.
A guilda inteira assustou-se quando ouviu a revelação de Mirajane. Parecia que o tempo tinha parado na guilda de tantas pessoas que congelaram.
Parecia que Lisanna tinha travado. Seus olhos arregalaram-se, seu queixo caiu. Ela ficou assim por um belo tempo, lembrando-se de todos os momentos em que ela e Natsu estavam juntos, perguntando-se como nunca conseguiu perceber.
Juvia, que antes chorava sem dó, inundando a guilda inteira, parou. Simplesmente. Nenhum pensamento vinha em sua mente, nem lágrimas desciam a seus olhos. Não aguentou ficar de pé mais, seu corpo desceu ao chão feito pedra.
Erza começou a pensar nas coisas que Gray e Natsu estavam fazendo e imediatamente ficou nervosa, seu rosto mais vermelho que morangos. Fumaça começou a sair de suas orelhas.
E Wendy começou a se perguntar porque todos estavam agindo daquela forma.
Após os dois segundos de choque, a conversa voltou à guilda, talvez um pouco mais alta que o normal. Alguns membros chegaram até a Mirajane para perguntar como ela sabia disso. Mas a maioria das perguntas que se passava era: como poderia Natsu estar namorando Gray se ele já não estava namorando Lucy? Seguindo essa lógica, formaram um círculo ao redor de Lucy, deixando-a desconfortável para responder todas as perguntas.
—Mas você não estava namorando Natsu? — Essa foi a última pergunta que Lucy conseguiu ouvir antes de se dar por satisfeita, decidindo, enfim!, fugir daquela bagunça. Ela sorriu, sem vontade alguma de responder à qualquer uma daquelas perguntas, e se pôs a correr para os portões da guilda. E, como se não fosse o suficiente que metade da guilda a estava seguindo esperando por respostas, uma mão surge do nada e a puxa.
—Onde é que ela foi? — Perguntaram ao ver nenhum vestígio de que Lucy passou por ali. Ficaram ali por mais um minuto ponderando onde ela tinha ido. Ela não poderia correr tão rápido assim.
—Shhh. — Gajeel disse baixinho para Lucy enquanto lhe tapava a boca, os dois extremamente perto um do outro. Lucy não conseguiu se mexer. Gajeel esperava pelo momento em que todos voltassem para dentro para que ele pudesse soltar Lucy. — Acho que eles já foram.
Então, Gajeel larga Lucy e retira sua mão da boca dela. Antes mesmo que ele pudesse perguntar o que queria, Lucy se vingou do susto que tomara.
—Dois quartos? — A recepcionista pergunta, seus olhos fixos em seus papéis.
—Não, somente um. — Gray responde. Por um segundo, ela para e observa os dois. A postura dos dois. A maneira como o moreno se inclina para o rosado, a maneira como o rosado tenta esconder ao máximo seu nervosismo.
—Ah, sim. — A caneta que antes girava em sua mão, voou. Ela abaixou-se para pegar a caneta e colocou seu cabelo liso atrás da orelha antes de colocar a caneta em sua posição inicial. — Perdoem-me minha insolência. Não recebemos casais como vocês por aqui. Ao menos, não desde que abriram um hotel por perto somente para casais homossexuais.
Sim, o hotel que os dois destruíram. Em breve, os antigos clientes do outro hotel voltariam a usar este. Natsu desviou o olhar segurando para não assobiar e Gray ficou um pouco nervoso.
—Esta é chave do seu quarto. — Ela disse, com um sorriso nervoso. — Quarto número 112. Boa estadia.
A recepcionista teve de se segurar para não abandonar seu profissionalismo e puxar Natsu de lado para tentar acalmá-lo. Estava claro para ela, nos olhos dele, que aquela era a primeira vez dele.
—Você tem uma mão forte. — Gajeel disse os braços cruzados, pensando consigo mesmo que ele realmente merecia aquilo. Em sua bochecha esquerda a marca de cinco dedos da mão de Lucy.
—Você mereceu. — Lucy disse, um tanto emburrada, seu rosto ainda um pouco vermelho. Há pouco tempo estava praticamente grudada em Gajeel. Eis o porquê do tapa.
Eles estavam lado a lado observando o sol se por pouco a pouco. A tonalidade vermelha do céu inundando a cidade em laranja.
—É verdade? — Gajeel disse mais sério, esquecendo-se do tapa que recebera. Lucy virara seu olhar para ele. — Sobre o namoro dos dois?
Lucy voltou a olhar para o horizonte e deu de ombros.
—Existe uma possibilidade. — Ela disse, ainda não desmentindo a Mirajane.
—Porque você não a corrigiu?
—Porque eu não sei se é verdade. — O olhar de Lucy estava concentrado no sol se pondo no horizonte. O céu lentamente se transformando em azul. Sua mente concentrava em pensar no que Natsu estava fazendo naquele momento. Se era verdade. Se ela estava se enganando. — Acho que nem mesmo eles sabem o que está acontecendo entre os dois.
Um minuto se passou. O sol se pôs. Gajeel não conseguiu tirar seus olhos da expressão triste de Lucy.
—Você gosta do Natsu? — Gajeel perguntou, já sabendo a resposta, entendendo o motivo dela estar tão quieta ultimamente. Ela tinha sido a primeira a perceber.
—Gosto. — Ela disse, um sorriso escapa de seus lábios, exibindo o conflito entre os dois sentimentos. Mas o sorriso não dura tanto. — Se o Natsu realmente gostar do Gray, eu não vou fazer nada. Vou apoiá-lo, vou estar ao lado dele. Eu apenas quero que ele seja feliz. Mesmo que não seja comigo.
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