Notas iniciais
Esse capítulo está hot. É um quase lemon. Foi o máximo que eu consegui. Sério.

Natsu não conseguia explicar porquê se sentia nervoso.

Assim que abrira a porta, Gray entrara no quarto sem hesitar, tremer ou titubear. Natsu, no entanto, demorou para dar o primeiro passo. Quase os mesmo tanto que demorara quando decidira se entrava ou não no trem. Só que agora era diferente. Num ângulo diferente, em proporções diferentes. No momento em que Natsu cruzasse aquela porta seria como se tivesse aberto uma porta nova no relacionamento entre ele e Gray e, dessa vez, não tinha como voltar.

Como se a amizade deles já não tivesse sido arruinada por causa daquele beijo que trocaram duas semanas antes. Não tinha mais como fechar a porta que tinha sido aberta.

Natsu entrou.

Gray abriu a porta do minibar e, enquanto se inclinava para ver as opções perguntara para Natsu se ele não queria nada para beber. Àquele ponto, Gray já tinha tirado a camisa num ato inconsciente. Natsu ficara um pouco mais nervoso, desejando não ter entrado no quarto e negara a bebida. Gray deu de ombros e pegou uma água.

Por um segundo, Natsu achou que Gray estava fazendo aquilo de propósito. De pé, sem camisa, a garrafa d'água em seus lábios, a água escorrendo até seu queixo. Quando Natsu se pegou pensando naquilo ficou mais nervoso ainda. Se é que já não tinha começado a ficar vermelho.

—Cara, eu estava com sede. — Gray disse limpando a água que escorrera e colocando a garrafa de lado, finalmente notando que Natsu não se movera um centímetro desde que entrara no quarto. Sua voz caiu dois tons. — Natsu...

Naquele instante, Gray finalmente percebera o quanto Natsu estava nervoso. Parado ali, contra a porta, lutando contra cada um de seus instintos que lhe diziam para fugir. Ele não estava tão preparado quanto achou que estava. A única experiência romântica que já teve em sua vida foi quando ele e Lisanna fingiam ser casados, há anos atrás, quando ambos eram duas crianças.

—Olha, se você não quiser fazer isso... — Gray tentou dizer, Natsu o interrompeu.

—Eu quero. — Natsu disse. — Gray, você...

Gray o olhou intensamente e colocou uma de suas mãos no quadril, esperando. Um leve silêncio rolou entre os dois. Gray esperava a continuação enquanto Natsu juntava a coragem.

—Gray, você me ama? — Natsu finalmente disse. Gray engasgou um pouco. Enquanto ele se recuperava do susto, Natsu continuou a dizer. — Eu ouvi você dizendo isso.

—Quando? — Gray perguntou. — Quando você me ouviu dizendo isso?

—Quando você desmaiou na guilda. Parece que você começou a sonhar com alguma coisa e disse isso.

—Eu disse isso? — Gray ficou vermelho. Deixou-se cair na cama sentada, vermelho de vergonha. A guilda inteira ouviu? — Mas, mesmo que alguém tenha escutado, acho que eles já devem saber à essa hora. Duvido muito que a Mirajane tenha conseguido manter o segredo.

—Gray...

—Agora que você já sabe... — Gray o interrompeu. — O que você tem a dizer? — Natsu ficou quieto, ainda parado contra a porta, imóvel. Gray levantou-se e foi caminhando lentamente até Natsu. — Você já sabe que eu te amo, mas eu não sei o que você sente por mim.

—Eu... — Natsu tentou. Mas toda vez que pensava no assunto, engasgava. Não sabia o que sentia, não sabia se era verdade. Não sabia o que era.

—Você me ama? — Gray perguntou. À esse ponto os dois já estavam à alguns centímetros de distância, Gray chegando cada vez mais perto, sedutor, passos leves e decididos. — Ou você só está atraído por mim? Ou você só quer brincar?

Brincar. Talvez Natsu só quisesse brincar.

Natsu acabou com o espaço entre os dois selando seus lábios nos do mago de gelo. Gray abriu seus lábios e permitiu o beijo acontecer. Eles se beijavam com avidez, com vontade, com gosto.

Gray passava sua mão no cabelo de Natsu, Natsu o empurrando com o corpo passo a passo, levando-o até a cama. Natsu desceu para seu pescoço e lambeu, seu gosto gelado. Gray arrepiou-se por inteiro, suspirara tremendo. Gray caíra para trás, deitado na cama, sem forças para impedir que Natsu continuasse. As mãos ávidas de Natsu passaram pelo seu peito nu, descendo levemente, trazendo todo tipo de arrepio no corpo de Gray. Uma sensação gostosa.

O corpo quente do Natsu encima dele.

O gosto gelado do Gray na boca de Natsu.

O momento se transformara lentamente em cena de um filme romântico, os dois não conseguindo largar um do outro. Não havia na cabeça dos dois, apenas o desejo de ter um ao outro em seus braços.

Ou ao menos até acabar.

E então? Como seria depois?

Continuariam como amigos com benefícios ? Encontrando um ao outro em lugares proibidos apenas para ficarem juntos? Por quanto tempo? Até quando? Até Natsu descobrir que na verdade seu gosto é outro e comece a namorar Lucy, deixando Gray para trás, com um coração quebrado.

Por mais que quisesse estar nos braços de Natsu, Gray não podia se dar ao luxo. Amava Natsu muito para deixar que aquilo continuasse.

—Pare, Natsu. Pare. — Com muito esforço, Gray disse, quase sem fôlego, suas duas mãos empurrando levemente o peito de Natsu. Se demorasse mais para pará-lo, os dois provavelmente já estariam sem as calças.

Natsu parou, sua mão ainda nas calças desabotoadas de Gray, também sem fôlego, enquanto tentava entender o que tinha acontecido. Gray empurrara Natsu um pouco mais forte para poder sair debaixo dele, sentando-se na cama. A braguilha aberta, sua samba canção preta sendo exibida como um prêmio. Quando Natsu não conseguiu parar de olhar, Gray subiu a calça e fechou o zíper, respirando fundo. Natsu suspirou e sentou-se, olhando profundamente nos olhos de Gray, querendo entender o que se passou na cabeça dele.

—Eu não posso fazer isso se você ainda não sabe o que quer. Se nós continuarmos, eu vou ficar tão envolvido que não vou poder deixar de te amar e só vai ficar pior quando você finalmente entender o que quer.

Natsu escutava tudo, ainda sem conseguir entender o que Gray estava querendo dizer. Teriam eles ido até ali por nada?

—O que você quer dizer? — Natsu perguntou, receoso, com um pouco de medo da resposta.

—Eu quero dizer que... — Gray suspirou, tomando coragem para continuar. — Enquanto você não souber exatamente o que você sente por mim, não pode acontecer nada entre nós dois.

Notas finais
E aí, perderam muito sangue?