Queda

2 II -- "Orgulho", ou "Fariseu", III - Aspereza


como ousa falar assim de mim?

como podes insultar minha inteligência?

eu não preciso ser gentil com vocês!

desapareçam, porcos incultos!

sumam da minha vista, ignorantes!

pois sozinha construirei um império

um maravilhoso paraíso de concordantes

quantos erros cometeram?

aposto minha vida

que foram tantos quanto as estrelas,

tantos quanto os grãos de areia do mar.

e eu? que fiz eu?

sou inocente, sempre vítima de suas perversidades

sou ótima demais para suas maldades

estou perfeita sozinha, perfeita!

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minha língua é como lixa

lixando meus dentes em agonia

louca ela está para pronunciar

louca está para criar palavras

criar maldições

criar desavenças

e tudo de ruim que puder fazer

arranha meus lábios com prazer

ao meu comando se solta como touro bravo

corre pelo pátio do ar

e atinge os outros com palavras desavisadas

nem penso — só falo