Notas iniciais
Fala gente! Tudo bem com vocês? Mais um capítulo e espero que gostem.

Os dias se seguiram e Belle começou a evitar, sempre que podia, as visitas para o seu pai. Ela, definitivamente não gostava de Gaston e sua insistência em se aproximar dela. Ela começou a dedicar mais de seu tempo livre com sua amiga Ruby. Os últimos dias, em especial, foram um pouco piores. Rumpelstiltskin havia viajado e Baelfire era benevolente demais com ela e a deixava o maior do tempo livre. Suas únicas obrigações eram com a comida. Esses dias ela sempre escapou para a cabana da vovó para tentar aprender a fiar melhor ou apenas para conversar com Ruby.

Hoje era o dia do conde voltar e Baelfire partir. O filho e sucessor de Rumpelstiltsin também tinha suas obrigações e, vez ou outra, precisava viajar a negócios. Era menos frequentes que as viagens de seu pai, mas mesmo assim não eram raras.

—Belle, eu preciso partir agora se quiser chegar até o anoitecer em meu destino. Meu pai ainda não chegou, mas confio que poderá cuidar do castelo por algumas horas até que ele chegue. –Baelfire falou, se aproximando de Belle que estava na cozinha.

—Eu, senhor? –Ela perguntou, surpresa.

—Será apenas por algumas horas. Você salvou o meu pai uma vez, confio que poderá cuidar desse lugar por um tempo. Qualquer coisa também os guardas saberão o que fazer até ele chegar.

—Mas...

—Não se preocupe. Será por pouco tempo. –Ele a cortou antes de sair e lhe acenar um tchau.

Belle ficou ainda algum tempo sem saber o que fazer realmente. Outra pessoa, em seu lugar, aproveitaria a oportunidade para, no mínimo, furtar alguma riqueza. O Castelo estava praticamente vazio e ela tinha acesso a qualquer área, mas, mesmo sabendo disso, ela sentia algo dentro de si lhe dizendo para não quebrar a confiança em que lhe foi depositada. Como ela não teria que fazer mesmo nada até a chegada do conde, ela decidiu por ir conversar com a sua amiga Ruby.

Belle já estava durante um par de horas recostada e sentada em um velho tronco, ao lado da cabana da velha tecelã e conversando com Ruby quando viu o Conde passar, a cavalo, apressadamente.

—Seu senhor chegou. –Ruby falou, com um tom de riso.

—Ele também é seu senhor, Ruby. –Belle protestou.

—Mas você é sua serva favorita.

—É melhor eu ir.

Belle se afastou, mas ainda conseguiu ouvir o riso abafado da amiga. Era certo que Rumpelstiltskin tinha algum carinho por ela, mas não poderia ser mais que gratidão por ela ter salvado sua vida ao avisá-lo. Era nisso que Belle acreditava.

Assim que chegou perto do castelo, Belle estranhou ver o cavalo do conde vagando livremente. Ela imaginou que ele deveria ter se soltado e o amarrou a uma árvore para, mais tarde, um cavalariço se ocupar dele. Não esperava, porém, ver que o motivo dele estar solto era mais grave que ela imaginava. Assim que adentrou o castelo, encontrou Rumpelstiltiskin pálido, segurando a lateral de sua cintura e com uma enorme mancha de sangue nas mãos.

—Senhor?! –Belle se assustou ao ver seu estado e correu para lhe segurar antes que ele tombasse no chão.

—Me ajude a chegar em meu quarto. –Ele ordenou.

Ela o segurou da melhor madeira que conseguiu e o ajudou a subir, com dificuldade, pelas extensas escadarias até o seu quarto. Era a primeira vez que entrava naquele local, mas não tinha muita cabeça para reparar na decoração. Sua preocupação era ajudar seu senhor a se deitar na cama.

—Meu filho? –Ele perguntou, enquanto tentava se posicionar da melhor forma na enorme cama de casal.

—Saiu, senhor. Ele viajou mais cedo. Quer que eu chame alguém?

—Não. Ninguém pode saber que estou ferido.

—Mas o senhor não poderá ficar aqui sozinho e sem ajuda.

—Você irá me ajudar. Vá esquentar água e traga panos limpos.

Ela saiu o mais rápido que suas pernas permitiram. Em poucos minutos acendeu o enorme fogo da cozinha e colocou a água para ferver. Isso levaria alguns minutos e ela não sabia se o conde resistiria. Deixou o fogo fazer o seu trabalho e voltou para o quarto, entrando sem bater. Ficou constrangida ao ver que o conde havia se livrado de seu colete e sua camisa.

—Perdoe-me, senhor. –Ela se desculpou e abaixou o olhar.

—A água?

—Está no fogo.

—Pegue, no armário a sua direita, um pequeno frasco com algo que parece banha de porco.

Belle foi até o armário e o abriu. Seu medo e constrangimento se transformaram em curiosidade ao ver o tanto de frascos que o conde possuía e mais alguns ramos de plantas pendurados no teto do armário. Levou alguns segundos até ela localizar o frasco que procurava.

—Esse? –Ela perguntou, balançando o frasco no ar.

—Esse. Traga aqui.

Ela entregou o frasco para o conde que o pegou e verificou mais de perto para ter certeza se era realmente o que ele procurava.

—O que aconteceu? –Belle ousou perguntar.

—Fui atacado. Acho que foi uma emboscada. Mataram meus dois guardas. Minha ferida não é tão profunda, mas ainda pode me matar.

—Não quer que eu chame alguém, senhor? Alguém mais capacitado que eu para lhe ajudar.

—Não. Se souberem que estou ferido serei um alvo fácil e Bae não está aqui para proteger o castelo. Tenho muitos inimigos que dariam a vida por essa chance. Também não quero que ninguém saiba sobre meu estado para não correr o risco de uma traição.

Belle assentiu com a cabeça e, pedindo licença, foi verificar a água no fogo. Depois de recolher um pouco da água em um balde, juntou alguns trapos limpos e voltou para o quarto de Rumplestiltskin. Ele não a viu de imediato porque estava com os olhos fechados e Belle, pela primeira vez naquele dia, viu a expressão de dor em seu rosto. Sentiu pena dele.

—Senhor? –Ela chamou e ele abriu os olhos.

—Preciso limpar minha ferida.

Belle se aproximou da cama e molhou um dos panos e entregou para ele. Ele, com dificuldade, se inclinou e tentou fazer o trabalho, mas a ferida começou a sangrar novamente com o esforço e Belle tirou o pano de suas mãos.

—O senhor ainda não está bem para se esforçar. Permite-me?

Ele assentiu com a cabeça e ela começou a limpar o grande corte que ele tinha em sua cintura, no lado direito. Ele estava de olhos fechados, mas Belle percebeu como ele se contorcia em dor quando o pano lhe tocava. Ela tentou ser o mais delicada que conseguiu.

—Depois que terminar, passe essa pasta e enrole. –Ele murmurou entregando a ela o frasco que ela tinha pegado em seu armário momentos antes.

—O que é isso?

—Algo que vai me ajudar.

Ela preferiu não perguntar mais, mas sabia que havia algo de errado com aquilo, com aquilo tudo que viu em seu armário. Tinha medo da resposta e do que aquilo poderia significar. Se empenhou em terminar o seu trabalho e cobrir o ferimento dele.

—Obrigado. –Ele murmurou após ela terminar.

—Deseja mais alguma coisa?

—Um pouco de comida seria bom.

Ela recolheu suas coisas e foi para a cozinha. Baelfire havia deixado dois frangos para que ela cozinhasse para seu pai e eles vieram a calhar para uma sopa.

***

Belle ainda estava preocupada, mas não se atreveu a voltar para ver como seu senhor estava. O fez somente quando a sopa ficou pronta. Ela, dessa vez, bateu na porta antes de entrar. Assim que escutou a voz dele liberando sua passagem, ela abriu as enormes portas e o encontrou do jeito que ela havia deixado. Ele parecia fraco e ela tinha dúvidas se ele passaria daquela noite. Ela já havia visto muitas pessoas morrerem por lesões menores. Ela se recordava até mesmo de uma senhora que ela conheceu e morreu por um corte em um dos dedos. A vida lá era difícil. *

—Trouxe seu jantar. –Ela falou, colocando o prato sobre ele.

Ele comeu vagarosamente, mas limpou o prato. Depois disso, ela recolheu os utensílios para lavar e o deixou sozinho. Apesar de quase ninguém gostar dele, ela estava rezando para que ele, de alguma forma, pudesse ficar melhor.

Continua.

Notas finais
Vamos para a explicação: *: Na idade média não existiam vacinas e nem remédios muito eficazes. Eram utilizados apenas algumas ervas e chás para tratar ferimentos, mas quem fazia uso disso poderia ser acusado de bruxaria e terminar em uma fogueira. Por essa razão, a taxa de mortalidade era alta e até um corte no dedo poderia matar a pessoa com uma infecção. Se desejarem, deixem um comentário com a vossa opinião. Isso sempre me ajuda a melhorar. Agradeço por lerem. Forte abraço e até mais!