Quebra de Acordo
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Levou um tempo para Belle conseguir dormir daquela noite. Ela estava preocupada com o Conde, mas não se atreveu a incomodá-lo mais depois que ele havia lhe dito para descansar e que o deixasse descansar. Ele parecia fraco e ela ainda tinha dúvidas se ele resistiria durante a noite.
Assim que acordou de sua noite mal dormida e com pesadelos, Belle sentiu que precisava ver o conde o mais rápido que conseguiria. Ela tinha medo, porém, do que encontraria. Tamanha foi a sua surpresa ao encontra-lo em seu habitual lugar na cabeceira do grande salão.
—Senhor?! –Ela perguntou, descrente.
—Um pouco de movimento não me fará mal.
—Era para o senhor estar descansando. Seu ferimento!
—Ele vai melhorar. Agora, será que poderia trazer algo para eu comer. Preciso estar bem alimentado.
—Claro.
Belle ainda estava descrente pela rápida recuperação do conde. Ela já havia visto pessoas morrerem por bem menos e não compreendia como ele poderia estar de pé no segundo dia depois de seu atentado, mas ela se sentia feliz por vê-lo melhor. Mais que contente preparou para ele um pouco de chá e um pedaço de pão que ela havia preparado no dia anterior.
—Fico feliz que o senhor esteja melhor. –Ela comentou ao colocar os alimentos sobre a mesa.
—Sou grato pela preocupação.
Ela já ia se retirar, mas Rumpelstiltskin a chamou.
—Senhor?
—Quem guardou meu cavalo ontem?
—Eu o encontrei solto e o havia prendido em uma árvore, mas não sei quem tratou dele, senhor.
—Você viu se minha bolsa estava nele?
—Não sei dizer, mas posso ir averiguar se encontraram algo.
Rumpelstiltskin assentiu com a cabeça e Belle se retirou para procurar por sua bolsa. Ele aproveitou esse momento para verificar sua ferida. Claro que doía, ainda demoraria alguns dias para que curasse, mas ele não podia mostrar fraqueza. Precisava fazer com que os servos achassem que ele estava completamente bem. Quase todos o odiavam e seria arriscado para sua vida se soubessem que ele estava ferido. Ele seria uma presa fácil.
Ele estava perdido em seus pensamentos até que um guarda anunciou que um dos seus servos gostaria de vê-lo. Rumpelstiltskin relutou um pouco, mas terminou por aceitar. Seria estranho e suspeitoso se ele não recebesse alguém. Para sua surpresa era Jefferson.
—O que faz aqui? Sabe que apenas mais alguns dias para mim te expulsar de minhas terras, não é? –Rumpeltiltskin disse, num tom sarcástico.
—Senhor, acho que tenho algo que possa lhe interessar. –Jefferson disse, jogando sobre a mesa a bolsa que o conde acreditou estar perdida.
—Onde achou isso?
—Caiu quando o senhor passou ontem. Eu simplesmente apanhei e tentei devolver, mas o senhor não parou.
—E espera que eu perdoe seus impostos por me devolver algo que já era meu.
—Não, eu espero que perdoe meus impostos por não contar para ninguém que carrega aí suas bruxarias.
—Ousou olhar minhas coisas?! –Rumpelstiltskin tentou se levantar, mas seu ferimento gritou e ele caiu novamente em sua cadeira.
—Acho que podemos conversar, feiticeiro. –Jefferson disse.
—Não me chame disso! Sabe tão bem quanto eu que sua mulher foi queimada na fogueira por praticar bruxarias.
—Por isso conheço essas ervas que carrega aí, feiticeiro.
—E o que pretende?
—Um novo acordo.
—Que tipo de acordo?
—É arriscado para alguém como o grande e poderoso conde Rumpelstiltskin ficar por aí conseguindo esses artigos. Permita-me fazer isso e em troca eu poderei viver em paz com minha filha.
—Seu silêncio e seus serviços pelos impostos?
—Perdoe os impostos e forneça a proteção que tem oferecido por esses anos para minha filha e para mim e, em troca, buscarei todas as ervas e plantas que precisar e manterei seu segredo comigo.
Rumpeltiltskin não estava muito certo se deveria confiar no seu servo, mas ele não tinha mais nenhuma alternativa a não ser aceitar. Por isso, falou entre os dentes:
—Temos um acordo. Não ouse quebra-lo ou farei com que pague. – Ele falou e fecharam o acordo.
Belle havia voltado e não tinha notado a presença do outro servo na sala e acabou falando antes que notasse:
—Senhor, não achei sua bolsa nos estábulos e o ca...Oh, perdoe-me. Não sabia que estava acompanhado. –Ela desculpou-se ao notar a presença de Jefferson.
—Não se preocupe, Belle, ele já está de saída. –Rumpeltiltskin falou.
—Estou? Não vai me oferecer nem um copo de vinho? –Jefferson zombou.
—Quer que pegue algo para beberem, senhor? –Belle perguntou.
—Não. Ele vai sair. Minha conversa já acabou.
Jefferson saiu com um sorriso no rosto, mas não sem antes passar por Belle e a cumprimentar de uma maneira cortês. A moça ficou um pouco tímida, mas gostou do jeito irreverente do servo.
—Oh, essa é sua bolsa? –Ela perguntou ao reparar na bolsa sobre a mesa.
—Sim. Jefferson a encontrou. –Ele resmungou. –Leve-a para os meus aposentos e a deixe sobre a cômoda.
Belle foi para pegar a bolsa sobre a mesa, mas se deteve ao ver a mancha de sangue na camisa de algodão de seu senhor.
—Senhor, está sangrando! Não devia sair da cama em seu estado. –Ela disse, se aproximando e abaixando a seu lado.
—Acho que me irritei um pouco demais.
—Não devia se esforçar com algo tão recente. Deve fazer repouso se quiser melhorar.
Rumpeltiltskin a olhou com curiosidade. Ele se perguntava, internamente, porque ela se preocupava por ele quando todos os outros aproveitariam essa situação para tirar algum proveito próprio.
—Vá se deitar, senhor, que eu lhe prepararei o almoço e levarei em seu quarto. Deve repousar. –Ela falou.
— Por que se importa?
—Me importar?
—Comigo. Por que se importa comigo? A maioria teria me matado agora ao ver minha fraqueza.
—Eu não sou a maioria. –Ela falou, esboçando um leve sorriso.
—Vejo que não.
Ele, finalmente, se rendeu e deixou ser ajudado a chegar a seu quarto. Belle colocou a bolsa em um de seus ombros e ofereceu o ouro de apoio para o conde. Assim que chegaram ao quarto, Rumpeltiltskin deitou-se em sua cama e Belle lhe entregou sua bolsa.
—Vou esquentar água e trazer panos limpos para que possa limpar sua ferida. –Ela falou antes de sair.
Não demorou muito para que ela retornasse com as coisas em suas mãos e ficou um pouco irritada ao encontrar o conde fora de sua cama, em pé, e mexendo em seu armário.
—Senhor, deve repousar! –Ela o repreendeu, gentilmente.
—Só precisava guardar algumas coisas e pegar isso para o meu ferimento. –Ele falou, levantando o mesmo frasco que usara no dia anterior.
Ele se deitou em sua cama, novamente, e permitiu que Belle limpasse e cuidasse de seu ferimento como fez anteriormente. Ela o ajudou a trocar sua camisa de algodão e recolheu a suja para lavar.
—Precisa de algo mais, senhor? –Ela perguntou, antes de sair.
—Há mais uma coisa. Pegue a minha bolsa. –Ele pediu, apontando para a bolsa que havia deixado em uma cadeira.
Belle a pegou e entregou para ele. Ele retirou um livro de dentro e entregou para ela.
—Mais um. Guarde junto com os outros depois que ler. –Falou, ao ver como maravilhada ela ficou.
—Me permitira ler mais esse? –Ela perguntou, incrédula.
—Acredito ser uma justa recompensa pelo seu trabalho.
—Obrigada, senhor.
—Só não deixem que a vejam.
—Não deixarei.
Ela saiu feliz por ter algo novo para ler e Rumpelstiltskin ficou se perguntando que estranha criatura aquela mulher seria. Ela era diferente de todos que ele conhecia.
Continua.
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