Quebra de Acordo
22 Capítulo 22
Notas iniciais
Jefferson estava quase acertando Rumplestiltskin na cabeça para ver se ele conseguia acalmar o conde. Ele estava cansado apenas de ver o outro homem andar de um lado para o outro resmungando, lançando ameaças aleatórias no ar enquanto ameaçava rasgar meio mundo apenas por que ele tinha descoberto sobre Gaston e Belle.
— Se você matar ele, você pode se dar mal. Sabe bem como aquele homem é querido entre as mulheres daqui.
— Você sabe o que ele fez com a Belle! Eu não posso deixar ele impune!
— Mas também não pode matar alguém que ainda está desacordado. Veja a razão, homem!
— A única razão que eu verei é a minha espada cortando a garganta dele!
Jefferson suspirou e puxou uma cadeira antes de se sentar. Esperando que o conde ficasse mais calmo.
— O que você está fazendo! — Rumplestiltskin perguntou ao ver Jefferson sentado e calmo.
— Esperando você se acalmar.
O conde deu um forte soco na mesa, bem ao lado de Jefferson, mas o outro homem não esboçou nenhuma reação.
— Eu não posso me acalmar!
— Você quer acabar de ouvir tudo o que eu tenho para dizer? Belle fugiu. Eu consegui um burro para ela e algumas provisões. Ela deve estar bem longe daqui agora.
— Fugiu?! — surpreendeu-se, mas logo fechou o rosto. — Ele machucou ela? —perguntou com raiva, mas temendo a resposta.
Jefferson hesitou. Ele lembrou do que Belle tinha pedido, mas a expressão no rosto de Rumplestiltskin dizia a ele que o homem já imaginava a resposta.
— Eu dei a ela alguns unguentos para ela curar mais rápido. Ela ficará bem. — Jefferson falou.
— Quão ruim foi?
— Eu acho que foi um tapa na cara, mas não tenho muita certeza. Ela não teria falado isso comigo.
— Eu juro que ele vai morrer da maneira mais dolorosa de todas. Cortarei membro por membro, rasgarei cada pedaço dele e jogarei para os corvos comerem. — ele continuou a falar ameaças para ninguém em particular até que começou a andar para a porta, mas Jefferson foi rápido em detê-lo.
— Se você fizer isso agora, ele vai usar isso contra você.
— Você viu tudo, pode negar!
— E como irei dar uma explicação sobre a Belle? Se eu admitir que ajudei ela a fugir, o morto aqui serei eu. Vamos encarar que não há nada que possamos fazer a não ser esperar. Belle era do Gaston e você sabe melhor que eu que ela devia cumprir o que tinha sido prometido, que ele tinha o direito de bater nela e a obrigar a isso.
— Isso nunca deveria acontecer!
— Eu sei, mas é assim que funciona. A única coisa que podemos fazer é esperar que ele não acorde mais.
— Se ele acordar, ele irá querer ir atrás dela.
— Como? Ele é apenas um moleiro. Não tem condições para isso.
— Mas ele não irá deixar isso barato se ela voltar. Ele irá cobrar o preço de tudo isso.
— E você acha que a Belle irá voltar?
— Eu espero que não, mas não gosto de pensar que ela terá que viver sempre com medo. Eu quero eliminar as ameaças que eu sei que existem para ela.
— Isso é fofo, sabia? Meio fatal, mas ainda é fofo. Mesmo o amor pode trazer o melhor das pessoas. — provocou.
— Isso não é amor!
— Ela me pediu para cuidar de você e não te deixar fazer nada de errado. Ah, e também mandou dizer que ela te amava.
— Ela disse isso para você? Que me amava? — perguntou esperançosamente.
— Ela te ama e, se ela decidiu ir embora, tenho certeza de que grande parte foi por você. Ela é esperta, vai saber se virar bem.
— E as moedas que eu mandei você entregar a ela?
— Eu entreguei. Ela conseguirá se manter por um tempo. Tenha um pouco de fé nela, ela é esperta.
— Mas eu ainda irei matar o Gaston. —falou decidida e com raiva.
— E eu poderei ajudar quando esse momento chegar, mas apenas espere mais um pouco. Belle me pediu para não te deixar cometer nada errado e matar ele agora é errado.
Rumplestiltskin soltou um som que se assemelhava a um rosnado e se inclinou contra a mesa. Uma expressão cansada no rosto.
— Algumas vezes eu queria apenas poder destruir tudo isso com um estalo dos meus dedos como se fosse mágica. — sussurrou para ninguém em particular.
— Pode parecer não haver uma saída agora, mas eu garanto que as coisas irão melhorar. Algo grande está para acontecer.
— E como sabe disso? Mexeu tanto com ervas que começou a acreditar que pode ver o futuro?
— Eu apenas observo o meu redor e tem muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo.
— Como o quê?
— Eu ainda não sei, mas sei que isso irá mudar muitas coisas.
— Você está louco!
— Talvez eu esteja.
Jefferson fez menção de sair, mas Rumplestiltskin o chamou novamente.
— Mantenha um olho em Gaston e me diga quando o homem acordar.
Jefferson acenou e saiu. Rumplestiltskin soltou um suspiro cansado. Por mais que quisesse matar o homem, ele teria que esperar. Era mais prudente assim.
***
Rumplestiltskin ainda teve que lidar, mais tarde naquele dia, com Maurice e outros aldeões que buscavam por respostas, por segurança. Eles acreditavam que Belle tinha sido levada pelos normandos e que Gaston tinha sido atacado por eles. O conde apenas mandou alguns guardas para patrulhar o local para acalmar os servos nervosos e evitar alguma rebelião. Ele tinha muito o que lidar e não poderia dizer que já sabia parte da história para os aldeões e para Maurice. Ele não sabia mais o que fazer. Novamente, o mundo dele estava desabando.
— Não fique triste, senhor conde. — Grace falou colocando a bandeja com o chá dele sobre a mesa. Ele sorriu inconscientemente sabendo que Belle havia ensinado a garota aquilo.
— Não há como eu ficar de outra maneira, Grace.
— A Belle nunca gostava quando o senhor ficava triste. Ela também ficava triste.
— Ela não saberá que eu estou triste.
Grace começou a preparar o chão para o conde e segurou a xícara na direção dele que pegou com um leve aceno de agradecimento.
— Ela não vai voltar mais, vai?
— Eu acho que não, Grace. Belle se casou com outro e não poderá mais voltar.
— O senhor deveria ter casado com ela primeiro.
— Deveria, mas eu fui um tolo. Agora é tarde demais.
— Papai diz que nunca é tarde demais.
— Para algumas coisas talvez sejam.
Ela caminhou até ele e o abraçou rapidamente. Ele olhou surpreso para a garota que apenas sorriu.
— Abraços sempre fazem as coisas melhores.
— Eu acho que você é meio louca como o seu pai. — falou dando um sorriso fraco e percebendo que ela não tinha medo dele como todas as outras crianças pareciam ter.
Grace apenas deu de ombros e voltou para a cozinha para terminar as tarefas dela. Rumplestiltskin voltou a tomar o chá dele sem se importar muito que o gosto não ficasse igual ao que Belle preparava para ele. Ele precisava tomar novamente as rédeas do condado dele.
***
Jefferson estava rondando para saber sobre Gaston. Ele via vários aldeões entrarem e saírem da cabana na esperança de saberem o que aconteceu ali, mas o marido de Belle continuava desacordado.
— Você sabe mais que aparenta. — Vovó, que passava por ali, parou perto da árvore que Jefferson estava encostado.
— E você também.
— Eu já sou uma velha, vi muitas coisas. Aposto que isso tem haver com aquele maldito conde.
— Não. O conde é inocente, dessa vez. Apenas a mesma velha história, mas, dessa vez, a mulher não era tão submissa e disposta a cumprir com o dever dela.
A velha senhora começou a rir alto e ele sorriu em resposta.
— Isso me lembra o meu próprio casamento. Eu nunca deixei que o meu marido mandasse em mim, acho que por isso que a minha neta não me obedece. Eu apenas espero que aquela louca encontre alguém que a trate bem.
— Ela foi embora, não é?
— Foi. Alguns deram a entender que ela foi raptada pelos normandos, mas os normandos não se importariam de levar as coisas dela e deixar as minhas. Ela é como a mãe dela era. Um espírito selvagem.
— Eu espero que sim. Espero também que a Belle esteja bem.
— Ela é outra desvairada como a minha neta, mas eu me afeiçoei a ela. Como não poderia me afeiçoar a mulher que domou nossa fera?
— Ela também faz um ótimo chá.
— Chá?
— Eu gosto de chá. Tomaria um agora, mas preciso manter um olho no nosso homem desacordado.
— Tomara que ele não acorde.
— Seria um problema a menos e menos uma morte na conta do conde.
— Se ele não matar esse idiota, eu mesmo irei matar. Odeio homens assim...
***
Era de madrugada quando Gaston finalmente acordou. Ele estava fraco e confuso, mas foi capaz de contar a parte dele da história. Tentando jogar todos contra o conde e dizendo que ele tinha enfeitiçado Belle de alguma forma para matar ele. Claro, a maioria que odiava o conde tinha ficado do lado do aldeão enquanto que os que se omitiram foram apenas por medo de alguma represália por parte de Rumplestiltskin.
Jefferson observava a tudo de perto enquanto as pessoas ficavam mais agitadas e gritavam por justiça em favor de um de seus semelhantes. Muitos queriam declarar guerra contra o conde naquele momento, mas algumas pessoas mais sensatas diziam que era uma luta perdida. Eles estavam muitos divididos entre si.
Jefferson balançava a cabeça. Soltando algumas frases e tentando fazer as pessoas entenderem que a atitude de Belle não era culpa do conde. Ele podia dizer que as pessoas estavam divididas, que não sabiam mais no que acreditar. Ele não sabia se poderia conter uma rebelião, mas tinha a esperança de que seria capaz de adiar isso até que ele fosse capaz de contar tudo para Rumplestiltskin. As coisas estavam piores que ele poderia ter imaginado.
Continua.
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