Quebra de Acordo

23 Capítulo 23


Notas iniciais
Fala gente! Como sei que muitos estavam curiosos, um pouco sobre o que aconteceu com Belle. Espero que gostem. :)

Quando Belle finalmente se permitiu parar para descansar, ela sentiu todo o peso dos acontecimentos cair sobre ela. Ela tinha fugido, mas antes disso tinha se levantado contra Gaston, esfaqueado o homem enquanto Jefferson havia acertado ele com um banco. Agora ela nem mesmo sabia se o marido ainda estava vivo e, que Deus a perdoasse, ela esperava que não. Ela também pensou no conde e em tudo que tinha acontecido entre eles. Ela daria tudo para voltar no tempo em que era ela feliz sendo a empregada do castelo. Tinha sido difícil no começo, mas ela tinha aprendido rapidamente e estava feliz em realizar as tarefas de lá. Ela nunca imaginou que fosse encontrar o amor lá.

A noite estava fria, mas ela não ousou tentar acender uma fogueira. Ela estava cansada demais para isso e temia que pudesse ser vista por alguém, mesmo tendo procurado abrigo no meio das árvores. Ela amarrou as rédeas do burro em uma árvore e beijou a cabeça dele dizendo um agradecimento murmurado para o animal. Depois pegou um pouco do unguento que Jefferson tinha dado a ela e passou sobre as feridas que tinha. Ela estava toda dolorida e com vários hematomas pelo corpo por conta do confronto que tinha tido com Gaston, mas queria preservar o máximo do unguento que tinha e optou por usar apenas nos cortes que tinha. Depois de feito isso, se enrolou o melhor que pôde em seus cobertores e deitou no chão frio. Ela estava tão cansada que não demorou para adormecer, independente do desconforto que sentia.

Belle foi acordada no dia seguinte pelo burro que mordiscava o cobertor dela. Ela abriu os olhos e percebeu que já era de manhã. Rapidamente, arrumou as coisas dela e subiu na sua montaria. Ela não tinha tempo a perder. Qualquer minuto que ficasse parada poderia significar ser pega. Ela incitou o animal a começar andar. Estava com fome, mas não sentia vontade de comer. Mesmo assim, pegou um pedaço de pão e foi dando pequenas mordidas enquanto andava.

***

Belle viajou assim durante alguns dias. Ela já estava sem pão e se alimentando do que conseguia encontrar pelo caminho. O olho dela tinha desinchado, mas os hematomas ainda mostravam. Seria impossível conseguir esconder aquilo. Ela suspirou. Precisava de comida e vislumbrou uma taberna. Ela deixou o amigo dela descansar do estábulo, dando uma moeda ao cavalariço para cobrir os custos do burro e pedindo a ele que cuidasse muito bem do equino. Depois daquilo, entrou na taberna. Era um local um pouco deserto, mas a maior parte dos clientes que estavam lá parecia um tanto bêbados e não prestou muito atenção a ela. Caminhou diretamente para o atendente do bar. Ele parecia mais baixo que a média.

— Em que posso ajudar você, irmã? — ele olhou para ela e percebeu os hematomas. — Acho que uma refeição quente pode estar em ordem, não?

— Sim, por favor, senhor.

— Não senhor, Leroy. Senhor é quem é dono de terras. Você vai ficar para a noite? Somos muito discretos aqui, mas não queremos confusão. — ele apontou para o hematoma no rosto dela.

— Eu não acho que quem causou isso irá causar qualquer confusão, mas se ele aparecer, eu prometo me afastar sem lutar. — prometeu e suspirou para afastar o medo disso acontecer. —Eu gostaria de passar a noite, caso tenha um quarto sobrando.

— Temos todos os quartos sobrando. Aqui não costumamos receber muitos viajantes.

Belle suspirou e assentiu. Leroy sorriu e foi chamar a esposa dele, Nova, e pediu que ela a seguisse e mostrou a ela um pequeno quarto.

— Você quer que traga o seu jantar aqui? — Nova perguntou.

— Apenas se não for incomodar. Não quero causar nenhum trabalho desnecessário.

— Não é como se eu tivesse muitos clientes para atender. Isso pelo menos me dá algo para fazer.

— Obrigada.

Belle olhou ao redor do pequeno quarto por algo para fazer, mas ali era apenas um lugar onde poderia dormir, não havia nada para ela fazer. A verdade era que ela temia deitar, pois sabia que iria adormecer de tão cansada que estava por isso ficou brincando com um pedaço de graveto que tinha achado no chão. Aquilo a manteve ocupada até que Nova havia retornado com um prato de ensopado de legumes e um copo de cerveja.

— Eu espero que você goste. — comentou enquanto colocava o prato sobre a cama de Belle.

— Eu tenho certeza que irei adorar. Obrigada.

Nova caminhou até a porta, mas parou antes de dar o último passo.

— Não é o meu assunto, mas se procura por abrigo, talvez seja bom se caminhar até as terras do Rei David e da Rainha Margareth. Eles costumam ser benevolentes com estrangeiros. Eu não aconselharia a caminhar para as terras do Baronato de Regina. Ela não costuma ter piedade.

— Você teria um mapa que me pudesse emprestar? Eu não conheço nada.

— Eu não tenho, mas posso te indicar o caminho certo. Eu vim daquelas terras.

— Você faria isso?

— Eu nunca nego ajuda a ninguém. Acho que todos merecemos uma segunda chance ou uma primeira chance de sermos felizes. Mas prometo que terei tempo para te indicar o caminho mais tarde. Coma a sua comida antes que esfrie.

Belle acenou e Nova saiu do quarto. Após comer, ela deitou e rapidamente caiu em sono que foi perturbado por pesadelos. Quando desistiu de tentar dormir, levantou e caminhou até a taberna. Havia apenas duas pessoas em um canto que achou que fossem viajantes e não deu muita importância a isso, mas manteve um olho ao redor da porta caso alguma ameaça aparecesse.

— Você quer um pouco de cerveja, irmã? — Leroy perguntou.

— Não, obrigada. Ainda estou satisfeita com a refeição de mais cedo.

— Você vai ficar por quanto tempo?

— Eu pretendo partir ao amanhecer.

— Você veio das terras do Condado de Rumplestiltskin, não é?

Ela abaixou o olhar, mas não negou. Após alguns segundos, ela assentiu timidamente.

— Por favor, não diga isso para ninguém.

— Oh, eu não irei. Dizem que o conde é uma fera, cruel. Eu não a culpo por fugir, irmã.

— Oh, não. O conde não é tudo isso que dizem dele. Ele pode ser alguém que passa essa ideia, mas ele não é realmente assim.

— Você parece conhecer ele bem.

— Eu trabalhei no castelo dele. Ele não é tudo o que dizem.

— Isso eu não tenho como dizer, nunca vi o homem por mim mesmo, mas uma moça que passou por aqui há algum tempo falou mal dele. Que ele até mesmo mantinha uma das empregadas cativas no castelo.

Belle suspirou. Ela desconfiava quem era, mas não tinha muita certeza.

— Você lembra o nome dela?

— Roby... Eu acho.

— Ruby?

— Sim, acho que era isso.

— Eu mato ela se eu a encontrar. — murmurou para si. — Como ela estava?

— Ela trocou alguns coelhos por pães e farinha, mas não conversei exatamente com ela. Ela tomou apenas uma cerveja e foi embora. Parecia bem.

— Ela é minha amiga. Você sabe para onde ela foi?

— Eu não sei exatamente, minha esposa que conversou com ela, mas acredito que ela tenha seguido para o as terras do rei e da rainha. É para lá que todos vão.

— Obrigado.

— Disponha. É sempre bom conversar.

***

No dia seguinte, antes de ir embora, Belle conversou com Nova. Ela prestou atenção em quais caminhos deveria seguir e agradeceu a outra mulher que também tinha preparado alguns pães para a viagem dela. Odiava ter que se despedir de um lugar quente onde tinha sido tão bem acolhida, mas sabia que quanto mais tempo ficasse por ali mais perigoso seria para a segurança dela.

Ela não teve certeza por quantos dias viajou. Depois de um tempo sozinha na estrada, contar os dias não parecia assim tão importante. Os outros lugares que ela parou, as outras tabernas que visitou, não tinham pessoas tão acolhedoras como Leroy e Nova, então ela se limitou em apenas a comprar alimentos antes de partir novamente. Depois disso, tentou se manter oculta entre as árvores, mas sempre seguindo na direção da estrada. Ela sabia que tinha chegado ao local certo quando avistou o enorme castelo que apenas a realeza dos mais altos títulos poderia possuir. A partir daquele ponto, não havia como seguir entre as árvores e teve que optar pelas estradas reais então ela desmontou do burro, ao qual era carinhosamente nomeou Phillipe, e começou a caminhar lentamente. Os hematomas dela ainda estavam um pouco marcados, mas só seriam perceptíveis se vistos de perto e, como ela não queria perguntas assim, cobriu a cabeça com uma parte do cobertor, criando uma espécie de capuz.

A todo o momento, ela esperava ser parada, abordada por alguém, mas ninguém não olhou para ela a não ser para um leve aceno de cabeça como cumprimento quando passava. Mesmo os guardas não a abordaram quando entrou de fato dentro da fortaleza. A praça central era animada. Haviam várias pessoas vendendo diversos produtos. Era uma confusão, mas uma confusão animada. Ela parou perto da barraca de pães, estava com fome. Ela sabia que deveria economizar para uma emergência, mas se deu ao luxo de comprar um dos pães doces, coisa que ela não comia desde que era apenas uma garota. Ela pegou o alimento e se afastou um pouco da multidão, estava distraída inalando o cheiro doce que aquilo tinha que enquanto andava que, sem querer, esbarrou em um homem, que andava apressadamente com alguns caixotes que lhe impedia ter uma visão completa do caminho, e o fez cair no chão.

— Que ínfero! — ele reclamou enquanto sacudia a cabeça e via os ingredientes que ele carregava serem espalhados pelo chão.

— Perdão, senhor, deixe-me ajudá-lo.

Belle começou a recolher as coisas e a jogar dentro de um caixote, mas congelou assim que se virou e viu o rosto do homem. Um choque parecido passando pela expressão dele.

— Senhor Baelfire!

— Belle? —ele falou surpreso enquanto sorria, mas o sorriso logo se transformou em uma carranca ao ver um dos hematomas no rosto dela. Ele levantou uma mão até lá, mas parou antes de realmente tocar. — O que foi isso? Quem fez isso?

— Isso? Err... — ela gaguejou e hesitou.

— Foi o conde? Eu juro que se foi ele, dessa vez eu o mato. Eu já aturei...

— Não, seu pai nunca faria isso comigo. — ela o cortou. — Foi outra pessoa, eu juro.

Baelfire abaixou um pouco a cabeça e pegou uma pedrinha no chão. Fingindo interesse naquilo antes de perguntar timidamente, pouco mais alto que um sussurro:

— Como está o meu pai?

Belle sorriu com a pergunta e começou a pensar. Ela não sabia como começar a responder aquilo, mas se ele estava perguntando significava que ele ainda tinha algum sentimento. Talvez ela não fosse nunca mais capaz de voltar para o ducado, de ver Rumplestiltskin, mas se conseguisse fazer com que Baelfire reconsiderasse dar uma segunda chance ao pai dele e voltar, ela tentaria. Ela queria que o conde fosse feliz e sabia que uma das peças para isso era o homem que estava na frente dela.

Continua.

Notas finais
É, eu sei. Eu esclareci uma parte, mas deixei outra no escuro. Não me matem ainda, prometo que o próximo capítulo será focado em Rumplestiltskin. Enfim, caso queiram, deixem um comentário para saberem o que estão achando. Um obrigada para quem leu! Forte abraço e até o próximo capítulo!