Quebra de Acordo
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Belle nunca tinha sido beijada antes. Nunca até que Rumplestiltskin a beijou. Ela imaginava o que um beijo poderia ser. Já tinha ouvido as pessoas falarem disso e mesmo lido algo sobre, mas nunca imaginou que pudesse ser algo em que ela pensaria quase que todo o dia, algo que ela desejaria repetir.
Ela colocou um sorriso no rosto ao lembrar do momento. O casamento seria em poucas horas e, desde aquele dia, Rumplestiltskin a estava evitando e ela não fez questão de procurar por ele. Imaginou que isso só o faria desconfortável. De todos os modos, ela o agradeceu silenciosamente pelo beijo. Isso era algo em que ela iria se lembrar nos piores momentos. Talvez isso desse a ela forças para suportar casar com um homem que ela não confiava e muito menos amava.
***
Rumplestiltskin iria enlouquecer e ele sabia disso. Tinha sido um erro beijar Belle, mesmo que fosse um erro que ele quisesse repetir outras vezes. Ele tinha se aproveitado de um momento de fraqueza dela e isso era algo que nunca poderia se perdoar.
Agora ele fugia dela como um covarde que ele sabia que era. Tomando vislumbres da beleza que ele sabia que estava escapando rapidamente das mãos dele. Ele se arrependia de ter aceitado aquele casamento. Ele nunca deveria ter concordado com isso. Belle era uma mulher que merecia melhor que o Gaston e que ele mesmo, se ele fosse sincero consigo mesmo. Ele não se achava digno dela. Sabia que ela merecia ter o homem que desejasse.
Ele não tinha dormido naquela noite. Ele se sentia cansado e com o pensamento confuso. Ele só poderia estar ficando louco em considerar o que ele estava pensando, mas ele precisava de mais tempo. Precisava arranjar um jeito de livrar a outra única pessoa que ele se importava de um destino cruel. Ele não sabia como iria ajudar a Belle, mas ele iria tentar.
Obrigando-se a ser corajoso, ele pegou uma vela e desceu as escadas que levariam até o quarto de Belle. Respirando fundo, ele bateu na porta e aguardou que ela abrisse.
— Senhor? — ela perguntou confusa gesticulando para ele entrar.
Rumplestiltskin entrou e colocou a vela em um canto. Deixando o quarto mal iluminado.
— Eu preciso falar com você. — falou seriamente.
Belle abaixou a cabeça e assentiu.
— Eu sinto muito pela outra noite, senhor.
— Outra noite? Do que você está falando, Belle? Se há alguém aqui que deve se desculpar sou eu. Eu te beijei e sinto muito por isso. Eu não quis me aproveitar de você.
Ela olhou para ele surpresa.
— Se aproveitar de mim?
— Eu me aproveitei de um momento de fraqueza seu. Sinto muito por isso.
Ela colocou a mão dela sobre a dele que estava na bengala e apertou gentilmente.
— Eu te agradeço por isso. Eu gostei disso. — falou corando.
— Você gostou? — perguntou confuso.
Ela abaixou a cabeça mais uma vez e virou de costas para que ele não visse as lágrimas que começavam a rolar dos olhos dela.
— Eu sei que não serei feliz em meu casamento. Não acho que Gaston se dê ao trabalho nem de me beijar. Pelo menos, graças a você, eu vou saber o que é isso.
— Oh, Belle...
Sem outra palavra, Rumplestiltskin se aproximou dela e colocou as mãos suavemente na cintura dela. Belle suspirou e deixou-se recostar contra o peito dele. Ela precisava se sentir protegida e com ele ela se sentia.
— Eu não quero me casar, Rumple... — Ela falou com um soluço e Rumplestiltskin a puxou contra si enquanto passava a mão sobre a cabeça dela de uma forma protetora.
— Eu vou falar com o seu pai e terminar isso de uma vez por todas. Você não vai precisar se casar.
— Não, você não pode fazer isso.
— Por que não?
— Porque eu não quero que você quebre o seu acordo por mim.
— Dane-se o acordo firmado, Belle! Eu me preocupo com você e não quero te ver infeliz.
— Não, por favor. Não dê mais motivos a eles para te odiarem.
— Eu já sou odiado e isso não vai mudar. Apenas me deixe te ajudar.
Ela se afastou um pouco dele e o olhou carinhosamente, mesmo que ainda estivesse chorando. Levou uma mão até o rosto dele e esfregou o local gentilmente.
— Não, Rumplestiltskin. Esse é o meu destino e eu não vou deixar você pagar por isso. Você já sofre demais. Eu me importo demais com você para deixar que corra um risco tão grande por mim.
— Belle... — ele iria começar a protestar mais, mas ela colocou o dedo indicador sobre a boca dele, silenciando o que ele tinha a dizer.
— Daqui a pouco eles virão me buscar. Por favor, apenas me abrace. Eu me sinto segura com você.
Ele a abraçou ainda mais forte antes de colocar um beijo ao lado da cabeça dela. Ele não falou mais, mas a mente dele estava trabalhando uma maneira de livrar ela disso sem que ele pudesse quebrar o acordo que ele fez. Ele ainda só não sabia como.
***
Quando o dia chegou, os familiares e amigos de Belle apareceram na entrada do castelo por ela. Rumplestiltskin não queria soltar ela, mas ela deu um rápido beijo nos lábios dele antes de sorrir tristemente.
— Eu nunca vou esquecer você. — ela sussurrou descansando a testa contra a dele.
— Não vá. — pediu novamente.
— Você não pode quebrar o seu acordo. O conde nunca quebra um acordo. — ela falou tristemente lembrando a ele. — Por favor, não faça nada. Eu fui feliz enquanto vivi aqui com você e isso é algo que eu sempre irei agradecer. — ela deu um último beijo nos lábios dele e saiu.
Rumplestiltskin correu até o quarto dele e assistiu enquanto as pessoas enfeitavam Belle com flores e cantavam canções alegres. Eles se afastaram carregando ela sobre um velho cavalo de carga para o casamento. Ela olhou para cima e ele podia dizer que ela sabia que ele estava lá olhando ela. Ele quase podia sentir a tristeza dela. Ele precisaria fazer alguma coisa.
***
Belle não conseguiu conter as lágrimas quando a cerimônia foi oficializada e ela era, oficialmente, a esposa de Gaston. O beijo que o homem que ela odiava colocou nos lábios dela foi algo amargo, repulsivo. Depois de ter beijado Rumplestiltskin, ela sabia que um beijo não deveria ser assim. Pela primeira vez, ela temia a noite. Temia o que ele faria com ela na noite de núpcias.
Enquanto todos cantavam e celebravam o que era para ser um acontecimento feliz, Belle estava afastada em um canto tentando impedir que lágrimas silenciosas caíssem dos olhos dela. Agora não havia mais escapatória. Ela era esposa de Gaston. Tudo que ela um dia sonhou em fazer estava acabado. O único futuro que ela enxergava agora ela se tornar algum tipo de fêmea reprodutora para os muitos filhos que Gaston insistia que eles teriam.
Ela só queria que tudo isso fosse um pesadelo. Ela fechou os olhos e segurou a cabeça com as mãos. Sentia-se nauseada de repente. Ela escutou uma agitação, mas imaginou ser apenas Gaston se gabando de algo, mas logo ficou em alerta quando escutou os cascos de um cavalo se aproximando. Imaginou ser um ataque normando, mas logo uma voz conhecida por ela provou não ser um ataque.
— Conde, a que devemos a honra de vossa presença? — Maurice perguntou calmamente.
Rumplestiltskin lançou um rápido olhar para Belle antes de voltar o olhar para Maurice. Evitando ainda olhar para Gaston. Sabia que se o fizesse, iria partir o homem ali mesmo em dois.
— Eu vim exigir os meus direitos. — Falou em uma voz rude e sem emoção.
— Mas já pagamos o que lhe é devido esse mês, meu senhor. Não lhe devemos nada. — Maurice explicou humildemente.
— Eu não falo desses deveres. Eu vim exigir o direito da primeira noite com a noiva.*
Belle olhou para ele de boca aberta enquanto alguns dos convidados continham Gaston que tentava correr em direção ao conde para atacar a ele e tentavam tapar a boca dele para que ele não dissesse nenhum insulto.
— Por favor, senhor, tudo menos isso. Poupe minha filha e o noivo dela disso. — Maurice pediu humildemente enquanto um forte burburinho se espalhava pelo local. Era bem sabido que, em todos os anos em que Rumplestiltskin governava aquele condado, ele nunca tinha exigido esse tipo de direito. Se não fosse pelo filho dele, muitas pessoas acreditariam que ele era um pecador que não estava interessado em mulheres.
— Não me importa. Esse é um direito que me é garantido e eu o exijo. Estarei esperando que levem a noiva ao meu castelo como manda a tradição.
Ele lançou um último olhar para Belle desejando que ela não o odiasse por isso e, sem outra palavra, esporeou o cavalo e se afastou. Ele desejava que eles não cumprissem o acordo. Se chegasse a noite e eles não levassem Belle até ele, isso seria descumprir uma obrigação para com o senhor e daria a ele o pretexto que ele necessitava para expulsa-los dali e assim salvar ela. Ele nunca permitiria que ela fosse com eles. Caso eles cumprissem com a palavra deles e a levassem até ele, esperava que pudessem usar as poucas horas que teriam para planejar algo juntos.
Continua.
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