Quebra de Acordo

26 Capítulo 26


Notas iniciais
Olá, galera! Se preparem que esse capítulo irá revelar um importante fato que pode mudar o destino de nosso querido conde para pior. Espero que gostem

A calma nunca tinha sido um bom presságio para Rumplestiltskin. Tudo estava muito calmo durante dias, mesmo Jefferson não conseguia mais nenhuma informação nova. Ele caminhou até a janela de sua torre e olhou para baixo. Todos os aldeões pareciam trabalhar normalmente, seguir a rotina com a qual estavam acostumados, mas o conde podia sentir uma tensão no ar. Algo estava para acontecer, quase podia sentir isso. Sem ter mais o que fazer, desceu para o seu salão onde foi recebido por um pão fresco que Grace tinha acabado de retirar do forno. Ele deu um sorriso agradecido enquanto ela preparava o seu chá antes de voltar para a cozinha. Sabia que permanecer dentro do castelo era negligenciar suas obrigações para com seus servos, mas uma vez que planejavam matar ele, não havia motivos para dar mais chances ao azar. Permanecer dentro do castelo era o mais sensato, mesmo que assim estivesse quebrando vários acordos ao não cumprir com suas obrigações.

***

Jefferson não gostava de Gaston. Desde que começou a vigiar o outro homem, sabia que havia algo de errado. Infelizmente, o ferimento dele estava curando bem e, mesmo que mancasse ligeiramente, o ferimento não havia interferido em sua capacidade de andar. Assim que estava melhor, Gaston saía para andar como se fosse o dono do local, como se fosse indestrutível. Mesmo os outros aldeões o protegiam e nunca o deixavam só.

Jefferson suspirou quando viu Gaston entrar novamente dentro de sua casa que era guardada por dois homens. Seria impossível matar o outro homem sem desencadear uma revolta. Por mais que odiasse isso, o melhor a fazer seria esperar.

— Ainda vigiando ele? — Vovó perguntou enquanto se aproximava.

— Parece que não sou o único.

— Não você não é. Eles estão enterrando as lanças em algum lugar da floresta, mas não sei a localização.

— Eu ouvi algo assim, mas eles não irão me falar nada já que minha filha trabalha do castelo. Não sou confiável.

— Também vi um mensageiro da baronesa entrar na casa de Gaston outro dia.

— Da baronesa Regina?

— Ele não estava em trajes oficiais, mas sei quem ele era. Já o vi várias vezes com ela nas vezes que veio aqui.

— Isso não é bom...

— Eu acho que isso é maior do que imaginamos. Não sei se nossa fera aguentará suprimir tudo isso.

— Se a baronesa oferecer ajuda, não creio que o conde terá forças para lutar.

— O que vamos fazer, jovem?

— Acho que nos resta apenas rezar por um milagre.

***

Longe dali, no baronato de Regina, ela recebia a visita de um visitante que esperava não ter que ver nunca mais, mas precisava de ajuda e iria recorrer a todos os meios que estivessem disponíveis.

— Eu não esperar ver você tão cedo, “rainha”. — Killian ironizou enquanto olhava ao redor do salão majestoso de Regina.

— Sem piadas ou mando cortar sua cabeça. Tenho informações que podem interessar a você.

— Eu imagino ser do crocodilo.

— Sim, é sobre o conde. Você descobriu o que pedi?

— Eu posso ter descoberto uma ou outra entrada para o castelo. Também correm boatos de que a princesa Emma tem um pretendente. Fofoca de servos, mas essas costumam serem as mais verdadeiras.

— Então a jovem garota quer casar? Apenas sobre o meu cadáver. Eu irei destruir e matar cada membro vivo daquela família. Eles não irão mais produzir herdeiros!

— Isso não é problema meu. Eu fiz o que me pediu e trouxe para você o mapa com todas as entradas e pontos fracos que descobri. — falou enquanto puxava um pergaminho do bolso e o lançava sobre a mesa na frente dela. — Agora quero minha parte.

— O conde está enfraquecido. Parece que ele pôs os olhos na mulher de um de seus aldeões a ajudou a fugir. O marido não está feliz e está conseguindo a lealdade dos outros. Será apenas uma questão de tempo até que resolvam atacar o castelo.

— Quem é essa pessoa? Se for alguém quem eu já ataquei não poderei me aproximar e oferecer ajuda.

— É o mesmo idiota que estava vigiando a rotina do conde para mim.

— Gaston?

— Sim, ele mesmo.

— Então será fácil. Ele é ambicioso e fácil de manipular. Apenas avise a ele que quero saber quando a rebelião irá ocorrer e que ninguém encoste no crocodilo, ele é meu e somente meu. Se alguém irá cortar o pescoço dele serei eu.

— Então você terá que se apressar. Até onde sei, metade dos servos de lá querem a cabeça dele.

— Eu matarei todos aqueles que chegarem antes de mim.

— Eu mesmo queria o matar, mas acho que posso deixar isso para você. Com a nossa união, o conde não terá nenhuma chance de vitória, mesmo que consiga os melhores cavaleiros.

— Meus homens são leais a mim. Eles podem morrer, mas farão o que eu disser.

— Meus cavaleiros me matariam se tivessem a chance, mas possuem medo demais para fazer isso. Eles irão obedecer.

— O momento da nossa vitória se aproxima. Eu terei minha vingança e você o seu reino.

— Nem mesmo a rainha e o rei irão me impedir de usar a coroa.

***

Rumplestintskin sentia sua mão doer onde ele tinha socado a mesa. Saber que a baronesa estava tramando contra ele era mais do que podia suportar. Por um momento um pensamento sombrio de se enforcar passou por sua cabeça. Se matar apenas para não dar o gosto a outros de fazer isso e poupar seu sofrimento, mas rapidamente balançou a cabeça. Apesar de tudo, era covarde demais para isso.

— Isso não é tudo. Algum tempo atrás, vi homens estranhos rondando o moinho e conversando com Gaston sempre que o moleiro não estava. — Jefferson comentou.

— E porque nunca me disse isso antes?

— Não tinha certeza se era importante.

— Claro que era importante! Ele devia estar tramando contra mim e junto a Regina desde o começo...

— Não acho que eram homens da baronesa.

— Como pode ter certeza?

— Não posso, mas não creio que fossem. Acho que há mais aí que sabemos. Vi um desses homens perto do porto. Talvez seja um normando.

— Killian?

— Não sei, mas não acho que eram da baronesa.

— Talvez fossem... Regina fará qualquer coisa para conseguir o que quer, qualquer aliança, mesmo se aliar com aqueles malditos piratas. — falou com raiva socando a mesa mais uma vez.

— Talvez você devesse fugir. — Jefferson comentou.

— Eu não tenho para onde fugir. Ninguém irá me oferecer abrigo.

— Acho que é a sua melhor chance.

— Talvez seja, mas já estou cansado para correr pelo mundo. Em algum momento alguém me acharia e talvez eu não seja capaz de lutar contra todos.

— Então você irá lutar?

— É o que restou para mim. As coisas que me importavam já não estão mais ao meu alcance. — falou enquanto pensava em Bae e Belle.

— Precisaremos ter um bom plano.

— Eu preciso de um bom plano, você quer dizer.

— Não, nós precisamos. Eu também estou nessa.

— Não seja idiota, Jefferson.

— Você é o meu amigo. Não se abandona um amigo.

Rumplestintskin congelou. Ele nunca tinha tido um amigo antes. Durante sua existência conheceu várias pessoas, fez alianças, mas sempre com algum interesse não dito. A noção de um amigo era estranha para ele. Apenas olhou para Jefferson, sem saber como responder aquilo. O outro homem deu um fraco sorriso de entendimento.

— Se eu morrer, pegue todo ouro que puder e fuja com a sua filha.

— Se você morrer, eu farei questão de recolher seus pedaços para enterrar. Não te deixarei para os abutres.

— Então tenha certeza de que não morra. Precisarei de alguém para recolher e enterrar os meus pedaços.

Jefferson esticou a mão e Rumplestiltskin selou aquele macabro acordo com um aperto de mãos. Era estranho ter alguém em quem pudesse confiar apenas por confiar. Ele ainda não estava totalmente certo e confiante sobre Jefferson, mas, no momento, era a melhor opção que tinha e iria se agarrar a isso com as duas mãos enquanto pudesse.

Continua.

Notas finais
Pobre conde... Ficando sem alternativas e sem rotas de fuga. O que acham? Agradeço a quem leu! Forte abraço e até mais!