Quebra de Acordo

27 Capítulo 27


Notas iniciais
Fala pessoal! Aconteceram algumas coisas tristes em minha vida que me deixaram para baixo, sem vontade de escrever. Apenas peço que perdoem minha demora e entendam que a história não foi abandonada e nem será.

A vida nas terras do rei e da rainha não era de todo ruim. Belle rapidamente ficou habituada com a rotina em torno do castelo. Achava um pouco mais fácil que trabalhar para Rumplestiltskin, mas ali havia mais pessoas que a ajudavam com todas as coisas que tinha que ser feito, mas sentia falta da calmaria que tinha no castelo do conde, de poder relaxar e fazer as coisas do jeito dela. Sentia falta de poder preparar o chá da tarde e se sentar com o conde apenas para conversar sobre coisas triviais, sentia falta de ler e, acima de tudo, sentia falta do homem que amava.

— Sonhando acordada, minha jovem? — a senhora Potts, uma gentil mulher mais velha que trabalhava no castelo, perguntou.

— Desculpe. Eu acho que estava longe.

— Eu apenas pedi para você cortar os legumes.

— Perdão, eu não estava prestando atenção.

— Tudo bem, criança. Eu também já sofri por amor. — a velha senhora comentou lembrando de um tempo em que amava a um cavaleiro que havia morrido tragicamente. — Faz muito tempo que ele morreu?

— Ele não morreu.

— Não? Então ele era ruim para você? Ou casado.

— Viúvo, na verdade. Ele foi o melhor homem que eu já conheci, apesar de que os outros pudessem pensar diferente. Apenas nossos caminhos se desencontraram.

— É uma pena. Mas a vida precisa seguir, não é mesmo?

— Sim, precisa.

Belle sorriu tristemente e começou a cortar os legumes. Ela não sabia exatamente quanto tempo ficou assim, mas sua atenção voltou para a figura parada perto da porta que a olhava de forma incerta.

— Como vai, senhor? — Belle perguntou enquanto olhava para Baelfire.

— Vou bem, obrigado, Belle. — Respondeu olhando ao redor para os outros empregados que rapidamente entenderam e se afastaram para dar um pouco de privacidade aos dois.

— Aconteceu algo, senhor? — ela perguntou preocupada.

— Sim e não. — Baelfire admitiu enquanto caminhava para mais perto dela para ser capaz de conversar sem que os outros ouvissem. — O rei quer anunciar o meu casamento com a princesa. — admitiu hesitantemente.

— E essa não é uma boa noticia? — Perguntou confusa franzindo o cenho.

— Sim, é uma ótima notícia.

— Então qual é o problema?

— Eu acho que o meu pai deveria estar presente para a cerimônia. — suspirou. — Eu ainda não o perdoei, talvez nunca seja capaz de fazê-lo, mas ele é o meu pai. Mesmo que ele não venha, acho que tem o direito de saber.

— Você irá vê-lo? — A descrença na voz dela era perceptível.

— Eu quero fechar essa história com ele. Quero tentar entender, ouvir dele o que você me contou. Essa é uma boa desculpa para voltar, não é?

— Eu acredito que sim.

— Eu só queria alguém que me dissesse isso. —admitiu soando derrotado. — Ele não deixou uma primeira impressão boa com Emma e ela não quer que eu corra o risco de voltar até lá.

— Eu sei que eu não tenho o direito de dizer nada, mas eu acredito que você deveria voltar. Seu pai ficaria muito feliz em poder te ver novamente. Sua partida arrasou ele.

— Eu sei que ele tem erros, mas eu sinto a falta dele. Seja para conversar e chegar a um entendimento ou apenas para manda-lo para o inferno, eu sinto que preciso disso para poder ficar em paz e casar com Emma.

— Eu acho que vocês dois merecem essa conversa.

— Eu acho que sim. — sorriu. — eu vou sair essa noite. Quer que eu diga a ele algo?

— Apenas diga que eu estou bem, por favor. Diga que eu fui capaz de encontrar um lugar para ficar.

— Eu avisarei para ele. Apenas não diga sobre nada disso para ninguém, tudo bem?

— Eu manterei minha boca fechada.

Baelfire fez uma rápida mesura e saiu de lá se sentindo um pouco mais leve. Pelo menos alguém entre eles entendia o que estava acontecendo.

***

— Já que vai seguir com essa loucura, leve ao menos alguns guardas. — Emma reclamou olhando o seu noivo colocando algumas provisões nos alforjes de seu cavalo.

— Isso seria chamar muita atenção e não quero isso, Emma.

— E eu não quero ser viúva antes mesmo de me casar! Ponha um pouco de juízo em sua cabeça, Baelfire!

— Eu prometo que vou voltar para você em poucos dias. Você não tem fé em seu noivo?

— Eu conheço o meu noivo e é por isso que tenho medo. Fuja de problemas. Não dê uma de herói, por favor.

— Eu prometo que voltarei sem um arranhão.

— Se você não voltar em duas semanas, eu mandarei um grupo arrastar você de volta.

Ele a beijou rapidamente antes de subir no cavalo. Puxando o capuz para esconder o o seu rosto enquanto saia apressado pela noite. Usando a escuridão como uma aliada para poder se esconder e passar despercebido pelos portões. Ele forçou um pouco o cavalo, obrigando o animal a trotar rapidamente até que estivesse longe das terras vigiadas pelo rei e a rainha. A partir daquele ponto ele desacelerou, optando por tomar o caminho mais seguro pelos bosques.

***

Após alguns dias de viagem Baelfire chegou às terras de seu pai. Ele sabia que algo não estava certo quando avistou um grupo de normandos rondando a área. Foi difícil se esgueirar entre as árvores e manter o cavalo quieto para não ser percebido. Ele sabia que se fosse pego seria morto, mesmo assim, fez uma rápida contagem e percebeu que atingiam cerca de 50 facilmente. Independente do rumo da conversa dele com o pai, ele não queria o conde morto e precisava conseguir um jeito de voltar para o castelo rápido e avisar sobre o ataque. Eles precisavam juntar uma tropa e estarem prontos para a batalha.

***

— E o filho pródigo retorna. — Vovó comentou vendo Baelfire passar correndo a cavalo em direção ao castelo.

— O filho do conde voltou? — Jefferson perguntou incrédulo enquanto olhava para o jovem, que já estava muito longe para ele distinguir, se afastar ainda mais.

— Tenho quase certeza que era ele. Pobre rapaz... Talvez tenha voltado para morrer ao lado do pai.

— A fera inda não está morta! — protestou defendendo o amigo.

— Ainda não, mas não irá demorar muito. Ele tem o que para lutar? Você, ele mesmo e agora o filho? Isso não é um exército impressionante.

— Você não está do nosso lado?

— Eu estou do meu lado. Ficar do lado de vocês é suicídio. Só espero que a desmiolada da minha neta não resolva aparecer.

— Eu vou lá ver o que está acontecendo no castelo. Mantenha um olho nos outros.

— Eu estou vigiando isso mais que você.

***

Baelfire não se preocupou em tratar do cavalo. Apenas o amarrou perto do bebedouro dentro do celeiro e correu para o castelo. Estranhando o fato de que não havia visto nenhum dos soldados do seu pai no caminho. O medo congelando ele lentamente enquanto pensava que o pior já poderia ter acontecido, que talvez o seu pai já estivesse morto e esquartejado.

Ele quase caiu de alivio quando empurrou a pesada porta e olhou para a figura de seu pai sentado a mesa do grande salão cabisbaixo. Aquela não era a imagem de como se lembrava do imponente Rumplestiltskin.

— Papai... — chamou e olhou como o conde lentamente levantou a cabeça . Os olhos dele arregalando quando o viu.

— Baelfire? Você voltou?

A dúvida na voz do pai fez qualquer mágoa que Baelfire sentia se extinguir fazendo com que ele fechasse a distância e caísse de joelhos na frente da cadeira de Rumplestiltskin. Puxando o conde apertado para um abraço.

— Mas que besteira você fez agora? — Baelfire perguntou segurando Rumplestiltskin apertando enquanto ele chorava.

— Você não acreditaria se eu contasse.

— Eu acho que tenho algum tempo ainda. — falou limpando algumas lágrimas que também escorriam de seus olhos. — Acho que temos muito que conversar.

Baelfire puxou uma cadeira e se sentou perto de Rumplestiltskin que contou ao filho sobre a história que tanto o atormentava sobre sua mãe, sobre Milah. As palavras que o pai usou tinha quase sido as mesmas que Belle usara e isso apenas serviu para aumentar a confiança do homem mais jovem.

— Eu ainda estou bravo com você. — Baelfire admitiu quando o pai terminou de contar a história. — Mas eu tive tempo para pensar e reconsiderar esses dias. Acho que você teve suas razões para fazer o que fez.

— Tudo o que eu fiz foi sempre pensando no seu bem estar, filho.

— Eu acho que posso entender isso. — ele sorriu timidamente pensando que agora ele entendia melhor já que fazia tudo pelo bem estar da Emma. — Eu vou me casar.

— Você... O quê?! Com quem?!

— Aquela moça que eu salvei, que estava presa comigo. É com ela que vou me casar.

— Ela? Se você quiser eu acho que ainda posso te conseguir um casamento com a filha do barão. — zombou com um sorriso.

— Ela é a princesa, pai.

— Ela é o quê?

— A princesa Emma, filha do rei e da rainha.

— Isso é uma piada.

— Não. — sorriu timidamente.

— Acho que devo te dar os parabéns então.

— E eu acho que devo dar a você, não é?

— A mim?

— Eu sei que você tentou ajudar Belle a fugir do noivo.

— Como você sabe isso?

— Ela está nas terras do rei e da rainha. A propósito, me pediu para avisar de que está bem.

— Eu... — ele ruborizou com um pequeno sorriso aparecendo no rosto dele. — Eu fico feliz em saber que ela está bem.

— O que realmente aconteceu entre vocês? — perguntou com um sorriso zombeteiro. — Eu nunca vi você se importar com ninguém mais além de mim.

— Eu acho que não tenho uma resposta para isso. — Mentiu.

— Tudo bem, não me conte. Agora o que eu realmente quero mesmo saber é o que você fez. Onde estão todos os guardas? O castelo está vazio.

— Eles estão armando uma rebelião contra mim.

— Pai... — a censura na voz dele era quase palpável. — Que diabos você fez agora?!

— Eu exigi o direito da primeira noite com a Belle e Gaston acha que ela tramou junto a mim para o matar. Digamos apenas que os aldeões simpatizam mais com ele que comigo.

— Você fez o quê?! — Levantou da cadeira irado. Querendo socar algo e tentando se controlar para não causar nenhum dano ao pai dele. — Você nunca exigiu isso a nenhuma mulher antes, eu realmente achei que você...

— Eu não a obriguei a nada. — Falou rapidamente interrompendo seu filho. — Eu usei isso como uma desculpa para dar a ela tempo para fugir.

— Mas isso seria quebrar sua palavra. Você nunca quebra sua palavra, nunca quebra um contrato. — afirmou ainda com suspeita.

— Eu sei. Eu ofereci isso a ela, mas ela não quis. Ela não queria me prejudicar. Então eu dei a ela minha adaga e ensinei a como se defender, caso Gaston tentasse algo.

— E eu imagino que ela colocou isso em prática.

— A única coisa que lamento é que o ferimento que ela causou nele não tenha sido fatal. — falou orgulhosamente.

— Pai...

— Eu não me arrependo de nada. Eu me arrependia que talvez você não tivesse um condado para governar, mas parece que você terá um reino, não é mesmo?

— Precisamos dar um jeito de te livrar disso. —falou ignorando o comentário provocativo do conde. —Quando vim para cá vi alguns normandos espreitando ao redor. Acho que eles estão armando uma emboscada.

— Regina!

— O quê?

— Eu acho que os normandos estão com ela. Isso explicaria o sequestro da princesa. Aquela mulher é louca para tomar a coroa.

— Desgraçada! Precisamos avisar ao rei e a rainha. Eles podem mandar reforços.

— Talvez ajudem com os normandos e a Regina, mas não creio que irão ajudar com os aldeões. Se me pegarem com vida, poderei ser sentenciado a morte. Não há saída para mim. Eu rompi o acordo com o rei e a rainha ao não cumprir meu contrato de proteger os aldeões.

— Você não os conhece, eles são benevolentes. Eu posso intervir por você.

— Eu ainda não acredito nisso.

— E eu não voltei aqui para deixar que o meu pai morresse! — Baelfire explodiu com raiva. — Vamos pensar em algo. Talvez se eu conseguir escapar eu possa pedir por ajuda. Meus futuros sogros nos ajudarão.

— Você acha que eu irei deixar você sair daqui depois de saber que os normandos estão ao redor? Eu conheço um cara, é louco, mas sabe como se esconder. Acho que essa pode ser sua melhor chance.

— Eu não vou deixar você sozinho nessa.

— E eu não vou deixar você morrer comigo! — Rumplestiltskin gritou antes de se acalmar passando a mão na cabeça e empurrando seus cabelos para trás. — Eu não posso perder a pessoa que eu mais amo nesse mundo. Você não deveria ter voltado.

— Eu não vou fugir.

— Por Deus, deixa de ser teimoso!

— Eu fujo apenas se você vier comigo.

— Não há escapatória para mim, filho. Aceite isso.

— Então ficaremos juntos e lutaremos. — prometeu colocando um braço ao redor dos ombros do pai e o puxando contra si. — Eu não irei te abandonar, papai.

— Moleque teimoso. — Rumplestiltskin falou afetuosamente abraçando o filho em retorno. Ele sabia o quanto Baelfire era teimoso. Daria um jeito de tirá-lo daquela confusão antes que o pior acontecesse, mas se permitiu fingir por uns minutos que tudo estava bem e que ele sempre poderia abraçar ao filho quando quisesse.

Continua.

Notas finais
Então? Espero que tenham gostado desse reencontro entre pai e filho. Agradeço a todos que leu! Um imenso abraço e até mais!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.