Quebra de Acordo
24 Capítulo 24
Notas iniciais
Aquilo não poderia estar acontecendo. Rumplestiltskin socou a mesa com raiva enquanto ouvia o relato de Jefferson. Ele sabia que se não fosse pelo outro homem era provável que uma rebelião já tivesse irrompido. Ele deveria ter matado Gaston antes disso tudo começar a acontecer e agora se arrependia por não ter tomado uma decisão mais cedo.
— Eu vou matar ele! Eu juro que terei prazer em picotar cada pedaço dele e jogar para os animais comerem. — Rumplestiltskin lançou uma ameaça para o ar.
— Você, tão bem quanto eu, sabe que não pode fazer isso... Pelo menos não agora. — Jefferson o lembrou enquanto pegava uma fruta sobre a mesa e comia tranquilamente como se uma rebelião não estivesse para acontecer.
Rumplestiltskin olhou para ele e bufou. Ele não entendia como alguém poderia comer em um momento como aquele, mas sempre achou o outro homem louco então preferiu não dizer nada. Ele tinha coisas mais importantes para lidar. Ele tinha alguns homens que achava que pelo preço certo permaneceriam ao lado dele, mas nenhum era de confiança. Mesmo que uma rebelião acontecesse, desconfiava que muitos se voltariam contra ele. Estava começando a se ver cercado e sem saída.
— Se a rebelião acontecer, pegue sua filha e fuja. O primeiro lugar que eles irão atacar será o castelo. — Rumplestiltskin informou sem nem entender porque ele se preocupava com a garota.
— Se isso acontecer, eu darei um jeito de tirar ela daqui. Não precisa se preocupar comigo. — provocou.
— Eu não estou me preocupando com você. O que eu não quero é mais um órfão solto por aí.
Jefferson balançou a cabeça e fingiu que acreditava. Ele podia ver como o conde estava amolecendo depois de tudo o que aconteceu, mas sabia que Rumplestiltskin ainda era imprevisível o suficiente para o matar se falasse algo errado ou que provocasse a ira do conde.
— Eu vou tentar descobrir mais alguma coisa. Se vierem te matar, mande que Grace fuja. Ela saberá o que fazer e conseguirá se esconder.
O conde resmungou algo ininteligível e Jefferson aproveitou a distração dele para escapar para a cozinha, ver sua filha e pegar mais alguma coisa para comer antes de sair para tentar descobrir mais coisas.
***
Rumplestiltskin estava sem ter o que fazer, sentado à mesa de seu salão principal enquanto olhava para a porta. Temendo que a qualquer momento os aldeões pudessem irromper por ali para matá-lo. Ele ficou alerta quando a porta principal foi aberta e um de seus soldados anunciou a chegada de Regina. Ele fechou os olhos com raiva, mas permitiu a entrada dela. Sabia que ignorar Regina seria pior.
— Você parece péssimo. Seu filho ainda não apareceu? — ela falou assim que entrou e o viu sentado à mesa.
— Você sabe que sim, Regina. Diga logo o que você quer e pare de rodeios.
Ela deu um sorriso enquanto fingia apreciar os objetos espalhados pelo local. Desviando os olhos para longe dele enquanto falava fingindo não ter interesse.
— Eu sei que você conhece muitas pessoas, Rumplestiltskin. Pessoas que podem me ajudar a conseguir o que eu quero.
— E por que eu deveria ajudar você a conseguir o que quer?
— Porque você tem muito a ganhar com isso. Eu posso tornar você ainda mais poderoso.
— O que eu teria que fazer para isso?
— Eu quero conseguir entrar no castelo do rei e da rainha. Converse com as pessoas e descubra uma brecha para mim. Você sempre foi bom com isso.
— Ainda sonhando em governar esse reino? Por favor, Regina, eu tenho coisas mais importantes que fazer que me preocupar com as suas fantasias.
— Você me deve isso, Rumplestiltskin!
— Eu não devo nada a ninguém! Não pense que só porque uma vez ajudei sua mãe que farei o mesmo por você.
— Você tem mais a perder que eu, Rumplestiltskin. Se nos aliarmos poderemos ter muitas vantagens.
— Não tenho interesse.
— Eu terei sua cabeça quando for rainha. — ela lançou a ameaça antes de sair com raiva.
— Boa sorte. Talvez outros consigam essa façanha antes. — ele resmungou com impaciência antes de voltar a atenção dele para a mesa em sua frente. Ele não conseguia pensar em uma saída e a incerteza de uma revolta estava acabando com a calma e a compostura dele, mas não havia nada que pudesse fazer. Pelo menos não ainda.
***
Jefferson ainda estava tentando entender o que os aldeões pretendiam fazer. Muitos ainda estavam divididos, mas ele podia ver que alguns, incitados por Gaston, queriam a guerra. Estavam dispostos a lutarem com suas vidas para tirar o Conde do poder. Aquilo não acabaria bem e ele não queria se mostrar mais para evitar uma revolta. Ir contra os revoltosos seria admitir que estava ao lado do conde e qualquer aliado seria tratado da mesma forma. Ele não queria terminar enforcado ou decapitado, então fingiu concordar com as questões levantadas dentro da pequena taberna antes de sair sorrateiramente de lá. Eles precisariam de um plano e um exército e sorte, muita sorte.
Ele estava tão distraído pensando sobre isso que quase não percebeu a figura que o observava quando passou. Soltando um pequeno grito que ele negaria até a morte quando ela falou com ele.
— Você está muito assustado, jovem. — Vovó falou com um pequeno sorriso.
— Eu acho que tenho motivos para isso. — reclamou enquanto respirava rapidamente e olhava para a velha senhora na frente dele. — Não acho que isso seja um lugar seguro para a senhora.
— Eu já estive em lugares mais perigosos que esse. — ela deu de ombros. — Aquele velho crocodilo está em apuros.
— Eu imagino que sim, mas não vejo seu interesse nisso.
— O conde é um crocodilo que eu já conheço e sei o que esperar dele. Eu acho que prefiro um mal conhecido a um desconhecido.
— O que a senhora está pretendendo?
— Apenas ajudar, mas não faço isso pelo conde, mas sim pela minha própria segurança. Você deve ficar feliz de saber que eles estão fazendo lanças. São todas de madeiras, mas ainda sim podem causar algum estrago.
— Droga... Quando foi isso?
— Começaram hoje. Eles estão usando a cabana do marido abandonado como local para preparar e armazenar tudo. Ouvi falarem em produzirem flechas também.
— Isso não é bom, não é nada bom. A senhora sabe de algo mais?
— Por enquanto sei apenas isso. O que eu ouvi falar é que eles estão esperando pelo marido abandonado para melhorar antes de iniciarem o ataque.
— Pelo menos isso nos dará algum tempo para pensarmos e prepararmos algo.
— Eu acredito que sim.
— Você pode me manter informado se algo mais acontecer?
— Claro. Apenas não diga para o crocodilo que fui eu. Eu não quero ele pensando que eu sou uma aliada.
— Eu tomarei o crédito disso para mim.
— Apenas não deixe que a batalha ocorra perto da minha casa. Eu não quero ter que reconstruir tudo novamente. — suspirou.
***
Apenas quando a noite caiu e a escuridão ofereceu a proteção que Jefferson precisava, tomou coragem para voltar ao castelo. Optando entrar sorrateiramente no local para que ninguém o visse. Ele sabia que se o vissem lá poderia ser morto, tido como um aliado do conde. Foi fácil encontrar com Rumplestiltskin sozinho e logo o servo havia contado tudo que descobriu para o conde.
— O que você pretende fazer? — Jefferson perguntou sem o ligeiro tom zombeteiro que ele costumava usar.
— Eu não tenho certeza. Acho que precisarei reunir alguns homens dispostos a lutar.
— Eu prefiro que me inclua fora disso. Eu não me importo de ajudar, mas não sou um soldado.
— Você é mais valioso para mim como informante.
— Eu gostaria de poder ajudar mais, mas acho que todos querem sua cabeça agora. Os que não fazem nada é por medo, mas não tenho certeza se eles irão continuar assim se a revolta acontecer de fato.
— Eu também duvido muito que eles permaneçam dóceis por muito tempo.
— Eu não queria ser você agora.
O conde fez apenas um som de concordância enquanto ele pensava que ele não queria ser ele.
— Você tem certeza que as armas estão na cabana de Gaston?
— Certeza absoluta não. Talvez eles já tenham removido aquilo de lá.
— Isso e o que eu temo. Se eu for até lá com essa certeza e não achar nada, será apenas mais uma coisa para que usem contra mim, mas se eu encontrar algo eles podem querer revidar e agora não sou suficientemente forte para conter uma revolta. Não tenho certeza se meus soldados permaneceriam do meu lado e lutariam contra seus amigos e família.
—Eu não acho que eles lutariam contra a própria gente deles. — Jefferson concordou.
— Eu só queria matar o desgraçado que me causou todos esses problemas. — lamentou fracamente sabendo que ainda não podia matar Gaston.
— Você ainda vai. Talvez mais cedo do que esperamos.
— Eu queria ter o seu otimismo.
Jefferson apenas sorriu para aquilo. Ele tinha algumas desconfianças, mas partilhar aquilo com o Conde apenas deixaria o outro homem com mais raiva. Se as suspeitas dele estivessem corretas, eles poderiam virar o jogo.
— Diga para minha filha que assim que der eu venho vê-la.
— Me mantenha informado do que descobrir.
— Eu vou e você tente não matar ninguém ainda.
Sem esperar por uma resposta que sabia que não gostaria, Jefferson saiu e deixou Rumplestiltskin sozinho. Lentamente e sem se preocupar em sequer pegar por um uma vela, caminhou em direção ao seu quarto já que conhecia bem o caminho. Ele se deixou cair pesadamente sobre a cama. Apenas os sons da noite e o temor de um ataque imprevisto lhe faziam companhia. Mesmo assim, um pequeno sorriso apareceu em seus lábios enquanto pensava que, contra todas as probabilidades, Belle havia conseguido escapar e naquele momento deveria estar bem e, com toda certeza, melhor que ele. Ele estava feliz que ela estava longe de toda aquela confusão. Pelo menos as pessoas com que se importava, Baelfire e Belle, não seriam atingidas quando a revolta irrompesse.
Continua.
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