Quebra de Acordo
25 Capítulo 25
Notas iniciais
Belle não conseguia acreditar na sorte que tinha tido. Antes que fosse capaz de responder qualquer coisa, Baelfire a conduziu para fora do burburinho da multidão.
— Eu nunca acreditei que fosse ver você novamente, Belle. Acredito ainda menos que o meu pai deixou você ir. O que aconteceu? — perguntou maravilhado e desconfiado.
— Eu fugi.
— Você fugiu? O que o meu pai fez?!
— Ele não fez nada. Pelo contrário. Eu me casei com Gaston. Eu consegui fugir logo depois disso.
— Então o meu pai não te fez nada de mal?
— Não, ele seria incapaz.
— Você diz isso porque não sabe o que ele fez... — falou com amargura.
— Ele me contou sobre o que aconteceu com sua mãe.
— Ele te falou mentiras! — afirmou com raiva enquanto virava as costas para ela.
— Não, ele não me mentiu sobre isso, não tinha motivos para isso. Eu sei que essa não é a minha história, mas você pode me dar ao menos uma chance de tentar falar sobre isso?
— Se fosse mentira, ele nunca teria me deixado ir sem tentar conversar.
— Apenas escute, por favor. Se depois disso não acreditar e quiser ir embora, eu prometo que não tentarei impedir você.
Ele suspirou e assentiu com a cabeça. Ele se virou e focou a atenção dele em um ponto qualquer. Fingindo não se importar para não mostrar a dor que ainda sentia por saber que a pessoa que ele mais amou tinha matado a outra que era tão importante quanto para ele.
— Eu não prometo que irei perdoar ele. — falou quase em um sussurro, uma permissão não dita para ela continuar.
Belle olhou para cima enquanto buscava pelas palavras certas, tentando lembrar e reproduzir de maneira mais fiel as palavras que Rumplestiltskin usou para contar a história para ela. Percebeu que os ombros de Baelfire tremiam ligeiramente conforme falava e que, apesar dele não produzir nenhum som, estava chorando. Ela respeitou o silêncio e a dor dele. Apenas quando terminou de falar, ela tomou a coragem para dar alguns passos mais perto, colocando uma mão gentil sobre o ombro dele.
— O seu pai te ama. Talvez ele tenha errado muito, mas tudo o que fez foi apenas para te proteger.
— Eu nunca lembrei muito da mamãe, mas ainda não sei se acredito que ela fosse capaz de fazer isso.
— Isso eu não posso afirmar. Acho que ninguém pode.
— Eu não sei o que pensar.
— Leve o seu tempo. Apenas não desista do seu pai. Ele precisa de todo apoio.
— Talvez sim. — suspirou antes de se virar para olhar para Belle. — Você tem um local para ficar?
— Não exatamente. Tentarei procurar algum emprego.
— Talvez você possa trabalhar nas cozinhas do castelo. Uma das cozinheiras foi embora e estão precisando de toda ajuda possível.
— Você diz o castelo do rei e da rainha? — perguntou confusa e tentando entender como ele tinha aquele tipo de informação.
— Sim, David e Mary Margareth são benevolentes com os necessitados e acho que você também tem algo a seu favor já que ajudou a filha deles.
— Você está trabalhando lá? — perguntou genuinamente confusa.
Baelfire deu um sorriso envergonhado enquanto passava a mão por seus cabelos. Por um momento, Belle não conseguiu conter um pequeno sorriso ao perceber a semelhança entre pai e filho nos gestos de Baelfire.
— Não é exatamente um trabalho.
— Então o que é? — perguntou com uma curiosidade mal disfarçada.
— Eu irei me casar. — deu um sorriso envergonhado. — Vou me casar com Emma.
Levou alguns segundos para que Belle fosse capaz de fazer a conexão, mas quando finalmente fez, ficou com a boca aberta da surpresa.
— Emma, a princesa? Aquela que esteve com você no castelo do seu pai?
— É do costume oferecer a mão da princesa aquele que a salvou, não é? — brincou.
— Devo te dar meus parabéns? — perguntou com incerteza.
— Sim, claro que sim. Desculpe se não pareço muito alegre, mas é que estou aterrorizado. — admitiu. — Não é todo dia que pedimos a mão de uma princesa em casamento.
— Então vocês estão feliz?
— Mais do que eu poderia dizer. Eu tive tempo para conhecer ela enquanto estávamos presos e na viagem para cá. Bom, era não é exatamente o tipo de princesa que eu pensava, mas eu acho que é perfeita para mim.
— Eu fico muito feliz por você, por vocês!
— Uma princesa... — balançou a cabeça em negação. — E eu que achei que nunca fosse me casar... Eu nem mesmo tinha planos para continuar com o condado do meu pai.
— Você será um bom rei.
— Eu queria ter essa certeza. — suspirou. — Mas deixemos o futuro para o futuro. Vamos que eu acho que temos que arrumar um trabalho para você. — sorriu docemente.
***
A cozinha era uma correria absoluta, Belle podia observar enquanto um funcionário mostrava a ela todas as coisas e quais seriam seus afazeres. Ela estava grata pelo pequeno quarto que recebeu e por ter tido tempo de poder deixar lá suas coisas e lavar o rosto rapidamente antes de ser arrastada para aquela loucura. Mal teve tempo para tentar memorizar onde ficava tudo quando lhe fora dado uma panela para que começasse a cozinhar a pilha de legumes que já estavam descascados, limpos e cortados em pequenos pedaços.
Quando finalmente a correria do dia terminou, Belle foi diretamente para o seu quarto e se deixou cair sobre a cama com um suspiro cansado. Todo o seu corpo doía da viagem e do trabalho. Naquele momento ela sentiu uma saudade do tempo em que trabalhava para Rumplestiltskin. O serviço também era pesado, mas nunca tinha ficado tão cansada como estava. Um sorriso bobo apareceu em seus lábios pelo simples pensamento do conde. Ela se perguntava interiormente como ele estava. O desejo de voltar para ele era grande, mas sabia que não poderia fazer aquilo. Ela era uma mulher casada que havia atacado o próprio marido e fugido. Voltar seria sua sentença de morte. Estava quase adormecendo quando uma fraca batida na porta a despertou. Rapidamente levantou-se e esfregou suas roupas simples para dar uma falsa impressão de estar mais apresentável enquanto caminhava e abria a porta.
— Princesa Emma. — reconheceu fazendo uma mesura.
— Apenas Emma, por favor. Eu não gosto desses títulos. — suspirou e entrou no quarto sem esperar por um convite.
— Eu não tenho como agradecer o que fez por mim.
— Você me ajudou quando precisei. O mais justo era que eu fizesse o mesmo por você. — olhou ao redor. — Eu sei que esse não é o melhor dos lugares, mas depois que essa loucura de casamento passar eu prometo que irei conseguir algo melhor para você. Talvez até mesmo uma pequena casa.
— Apenas isso está bom, prin... — perante o olhar reprovador de Emma, Belle se corrigiu. — Emma.
— Baelfire me contou sobre o pai dele. Eu não gosto do meu sogro. Tive pouco tempo para conhecer ele e não gostei, mas se não fosse por ele eu e Baelfire poderíamos estar mortos. Isso deve contar para algo.
— Ele não é uma má pessoa. Rump... O conde Rumplestiltskin. — corrigiu-se — é justo. Eu convivi um tempo perto dele para poder entender que o que ele faz não é por pura maldade. Sempre há um motivo por trás de suas ações.
— Você o conhece bem, não é?
— Eu acho que sim.
— Há quanto tempo?
— Há quanto tempo? — perguntou confusa.
— Há quanto tempo você o ama?
Belle ruborizou enquanto tentava desviar o olhar.
— Isso seria inapropriado de minha parte...
— E quem disse que o amor é apropriado? Meu pai não gostou nada de saber que eu me interessei por Baelfire, mas não há nada que ele possa realmente fazer para impedir isso. Eu apenas espero que o bebê que nascer venha um garoto dessa vez, um irmão. Eu não quero ser rainha *
— A rainha está grávida?
— Está, mas não fale nada. É para ser um segredo até que ela consiga manter a barriga escondida. Papai está um pouco paranóico depois do meu seqüestro.
— Eu não direi nada.
— Eu aprecio isso. — ela olhou para Belle e ainda percebeu uma tristeza no olhar da outra mulher.
— Eu costumava não ter esperança, não acreditar em nada. Eu sabia que iria morrer quando fui sequestrada, mas após Baelfire me libertar estou começando a acreditar que nem sempre tudo está perdido. Eu não sei como você pode gostar de alguém como o conde Rumplestiltskin. A reputação dele o precede há anos. Todos sabem o quão implacável ele pode ser, mas talvez você tenha visto algo nele que ninguém mais foi capaz de ver.
— Ele não é tão mau como falam.
— Talvez não, mas isso não é algo que eu faça questão de tentar descobrir. Apenas não perca as esperanças. Aqui você estará segura sobre a proteção do rei e da rainha e ninguém será capaz de lhe fazer mal.
Elas despediram-se rapidamente. Belle fechou a porta e voltou a deitar-se em sua cama. As palavras de Emma reverberavam pela sua cabeça e finalmente foi capaz de perceber que talvez ali, naquelas terras, fosse como um novo começo para si. Talvez não o mais feliz de todos, pois acreditava que sua felicidade tinha permanecido a quilômetros dali junto ao conde, mas talvez fosse um novo começo onde poderia viver em paz e sem medo. Talvez, um dia quando algumas coisas mudassem e estivesse mais forte, tentaria entrar em contato novamente com o amor que deixou para trás. Com aquela certeza renovada, os sonhos dela foram permeados por gentis olhos castanhos e toques suaves que apenas um homem que conhecia era capaz de provocar: Rumplestiltskin.
Continua.
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