Quebra de Acordo

21 Capítulo 21


Notas iniciais
Fala pessoal! Espero que estejam bem. Apenas um pequeno aviso antes de lerem. Esse capítulo apresenta conteúdo violento.Sem mais, espero que gostem do capítulo.

Assim que Belle chegou à pequena casinha que serviria para ela passar a noite com Gaston, ela percebeu que o homem em questão estava com raiva. Bastou apenas uma outra olhada para ele para ela ver como os nódulos da mão dele estavam um pouco avermelhados e arranhados como se ele tivesse socado a algo.

— Não se preocupe, Belle. Agora tudo ficará bem. — Maurice disse suavemente antes de empurra-la na direção de Gaston.

Gaston a abraçou de um modo carinhoso e lhe deu um beijo na bochecha antes de empurrar ela para dentro da casa com um sorriso suave sobre o olhar de Maurice, mas ela não se deixava enganar por aquilo. Ela sabia como o homem era e temia mais esse tipo de atitude dele que qualquer coisa.

— Está feito, Gaston. Agora não há mais nada para se preocupar. O conde não irá mais arruinar nossa família. — Maurice falou calmamente antes de apertar o ombro do genro.

— Obrigado, Maurice.

— Apenas cuide bem dela e tente ser compreensível. Não sabemos o que ela pode ter passado. O que o conde pode ter feito com ela.

— Eu prometo que a tratarei como ela merece.

— Eu sei que vai, eu confio em você, filho.

Eles se despediram rapidamente e Gaston continuou na porta até ver que Maurice tinha se afastado o suficiente antes de entrar na casa. O sorriso dele se transformando em algo perverso quando ele olhou para Belle, que estava assustada em um canto da casa.

— Você, puta! — Sem pensar, ele a agarrou pelos cabelos e a jogou contra o chão. Ela, instintivamente, se encolheu para evitar outro impacto.

— Por favor, não...

— Você sempre foi a puta dele, não é?

Ele se ajoelhou no chão e agarrou novamente os cabelos dela e puxou de modo que ele a obrigou a olhar diretamente nos olhos dele.

— Ele sempre me respeitou. — falou rudemente enquanto o olhava nos olhos. — Ele nunca me tratou como você está me tratando agora.

Sem pensar, Gaston deu um forte tapa no rosto dela antes de soltar para que ela caísse novamente no chão. Ele ficou de pé e cuspiu perto dela.

— Eu irei dar uma volta, talvez foder algumas putas que valham mais que você. Quando eu estiver de volta, eu quero que você tenha se lavado. Não vou foder o mesmo buraco que outro homem cansou de foder.

Ele saiu e bateu a porta com um forte estrondo antes de trancar aquilo pelo lado de fora. Colocando um pedaço de tronco para escorar e ela não ser capaz de sair. A pequena residência possuía apenas algumas aberturas que não iriam permitir que ela escapasse. Ele olhou para a casa com desgosto antes de se afastar. Ele pretendia ensinar a ela como um homem foderia uma mulher mais tarde.

Belle ficou no chão com o olho inchado e um corte sobre o lábio. As lágrimas apenas tornando a dor mais incômoda. O gosto metálico de sangue na boca dela sendo extremamente desconfortável. Ela levantou com dificuldade e olhou em volta. Ela precisava sair dali o mais rápido que ela pudesse.

***

— Você sabia que eu estava em algo importante? — Jefferson reclamou quando se viu de frente para Rumplestiltskin dentro do castelo.

— Isso que eu irei te ordenar é mais importante que qualquer coisa que você tenha para fazer. — Falou rudemente antes de jogar para ele uma pequena bolsa de couro que Jefferson pegou no ar.

— O que é isso? — Perguntou enquanto sacudia e escutava o tilintar de metais dentro.

— Não interessa. Entregue isso a Belle e não permita que o marido dela veja.

Assim que Belle tinha ido embora, Rumplestiltskin havia descido até o local que uma vez serviu como quarto dela e tinha sorrido ao ver ainda um livro lá que ela lia. Ele andou um pouco pelo pequeno cômodo e terminou por descobrir a pequena bolsinha de moedas. Apesar de tudo, dele ter dado aquilo para ela, ela ainda tinha preferido manter aquilo dentro do castelo. Ele sorriu carinhosamente quando pegou aquilo na mão. Aquilo pertencia a Belle e ele faria chegar a ela. Claro, ela não precisava saber que ele havia acrescentado mais algumas moedas ao montante. Seria o presente dele para ela. Mesmo que ele não pudesse estar perto dela, ele iria se certificar que ela vivesse o tão bem quanto era possível.

— Só isso? — Jefferson perguntou divertido e tirou Rumplestiltskin dos devaneios dele.

— Apenas mantenha um olho nela e não permita que nenhum mal venha até ela.

— Eu já venho mantendo um olho em tudo. Farei tudo o que estiver ao meu alcance.

Jefferson caminhou até a cozinha para falar com sua filha, mas Rumplestiltskin o chamou e ele se virou.

— Diga a ela que eu mandei um oi. — falou com certa timidez.

— Eu direi a ela que você manda o seu amor. — provocou e caminhou para a cozinha apenas para dar um abraço em Grace antes de sair.

***

Belle tentou arrumar uma forma de sair. Ela viu o quão tola tinha sido em acreditar que pudesse conviver com Gaston. Ela sabia que o homem iria arranjar uma forma de tornar a vida dela um inferno e ela não iria mentir que estava aterrorizada com a chegada dele. Se ela fosse capaz de sobreviver aquilo, ela sabia que nunca mais seria a mesma. Ela deixou a mente dela se desviar para a noite que tinha tido com Rumplestiltskin. Ela esperava que as memórias daquela noite fossem capazes de alimentar ela nos sombrios tempos que estavam por vir, mas ela temia que uma noite fosse muito pouco para toda uma vida de incertezas e tristezas. Desde que derramou as primeiras lágrimas, ela tentou não chorar mais. Ela não queria mais derramar lágrimas por aquele que não merecia. Ela apenas esperava que o conde ficasse bem e que Baelfire pudesse perdoar o pai de alguma maneira.

Ela soltou um grito frustrado e sentou em um banco que tinha lá. Alisando o cabo da adaga por cima do vestido dela. A lamina contra a pele dela era estranhamente calmante. Ela deixou a mão dela deslizar até lá e fez um rápido movimento para puxar a arma sorrindo quando viu que conseguiria fazer aquilo facilmente. Ela olhou para a lamina kris e sorriu. Achava que não conseguiria nunca utilizar aquilo, mas começou a desconfiar que talvez ela estivesse enganada. Ela nunca pensou em machucar ninguém, mas estava considerando isso com Gaston.

Ela escutou um barulho na porta e rapidamente deslizou a adaga para o seu local anterior. Puxando o vestido para baixo para ocultar a lamina da vista de Gaston. Ela não se provou errada quando o homem entrou pela porta. Ele a olhava com ódio e cambaleava um pouco. Levou apenas alguns segundos para perceber o cheiro de vinho nele.

— Espero que você tenha se lavado, puta! — ele falou rudemente antes de a segurar pelos braços e a jogar contra a cama.

Belle congelou. Tudo foi como em câmera lenta para ela. Em um momento ela estava sentada e no outro se viu sendo apertada contra a cama. Ela não teve tempo de reagir, mesmo ele estando bêbado, ele ainda era rápido e rapidamente a prendeu contra a cama. Ela congelou enquanto ele mordia o pescoço dela com violência e apertava seus seios. O medo quase congelou ela, mas se lembrou do que o conde havia ensinado e, em um esforço desesperado, chutou para cima sendo capaz de atingir os testículos do homem sobre ela com seu joelho. Gaston se curvou de dor e caiu para o lado deitado na cama. Ela aproveitou esse momento para ficar de pé.

— Eu vou te matar, sua puta! — Ele gritava com a voz embargada de dor.

Ela puxou a adaga e segurou aquilo de um jeito que achava ameaçador na direção dele.

— Não tente se aproximar. — disse com raiva e apenas então Gaston notou a adaga na mão dela.

— De onde Você tirou isso?! — perguntou com raiva e, apesar da dor que ainda sentia, ficou de pé.

— Mas um passo e eu juro que irei usar isso... — ameaçou em uma voz baixa.

Ele soltou um som que se assemelhava a um rosnado antes de avançar na direção dela, mas Belle conseguiu ser mais rápida e desviou antes que ele pudesse alcançar ela.

— Eu vou te dar mais uma chance, puta. Coloque essa maldita adaga sobre a cama e se curve. Faça isso e eu prometo que não serei tão ruim. — ele falou ameaçadoramente.

Belle olhou para ele e fingiu pensar a respeito. Ela sabia que ele era mais forte que ela e que não teria muitas chances, então virou-se ligeiramente e fingiu ponderar colocar a adaga sobre a cama, mas assim que viu de relance ele avançando para ela, ela se virou e apontou a adaga para baixo. A lâmina enterrou na coxa esquerda dele e ela rapidamente puxou de volta antes de largar a arma no chão com um som metálico. Gaston caiu no chão enquanto tentava estancar o sangramento com as mãos. O ódio brilhando nos olhos dele.

— Eu vou te matar!

Ela viu quando ele largou a ferida e se pôs de pé. Ela tentou fugir, mas havia sido encurralado contra uma parede. Ele foi rápido e rapidamente fechou as mãos ao redor do pescoço dela. Ela estava sufocando, chutando para tentar se livrar disso, mas era ineficaz. Quando o ar começou a falhar, a visão dela ficou turva e rapidamente começou a escurecer. Ela foi capaz apenas de ver uma figura escura se aproximando por trás dele antes que ela desmaiasse.

***

Jefferson estava vigiando a cabana desde que tinha saído do castelo do conde. Ele percebeu quando Gaston chegou e se aproximou mais. Alguma coisa ali estava muito errada, mas ele não tinha certeza do que. O tempo que ele levou, porém, para conseguir chegar até o local tinha sido o bastante para que Gaston estivesse estrangulando Belle. Ele não pensou duas vezes antes de pegar o banco e quebrar aquilo na cabeça dele. Gaston desmaiou na hora, assim como Belle desmaiou quando as mãos inertes dele a soltaram.

— Pobre coisa... O que ele fez com você?

Jefferson se ajoelha ao lado dela e percebe que ela está apenas desmaiada. Ele também percebe a adaga e resolve que aquilo poderá ser útil. Ele limpou o sangue da adaga sobre a roupa de Gaston e guardou o objeto na parte de trás da calça dele e depois levantou Belle delicadamente. Ele olhou mais uma vez para o homem caído no chão, não tem certeza que ele vá sobreviver, mas não pode se importar menos.Jefferson saiu da casa sem olhar para trás e entrou na floresta fechada. Ele sabia da existência de uma caverna lá e não demorou muito para alcançar o lugar. Ele colocou Belle no chão gentilmente antes de molhar o rosto dela com um pouco da água do cantil dele.

Belle acordou tossindo enquanto socava o ar para acertar a Gaston, mas ela percebeu que não havia mais nada estrangulando-a e não era Gaston quem a olhava.

— Ei, calma. Você está segura agora. — Jefferson falou suavemente enquanto mantinha as mãos para o alto em um gesto apaziguador.

— Gaston? — ela perguntou com a garganta seca e a voz rouca.

— Ficou na cabana. Não posso dizer se ele está vivo ou não. Eu acertei ele com um banco. Estava desacordado quando sai e espero que fique por muito tempo.

— Como você sabia que eu precisava de ajuda?

— Eu não sabia. Estava apenas esperando um momento para te entregar isso a pedido do conde quando vi a confusão. — pegou a bolsinha de moedas e entregou gentilmente para ela. — Ah, ele manda o amor dele.

Belle sorriu com aquilo. Um pequeno sorriso ao lembrar de Rumplestiltskin.

— E como ele está? — ela perguntou.

— Mas insuportável que nunca, mas acredito que vá sobreviver.

— Ele não sabe o que aconteceu comigo, sabe?

— Eu tive tempo apenas para te tirar de lá. Acho que a notícia ainda não se espalhou.

— Você pode não contar isso para ele, por favor?

— Eu acho que ele descobrirá de uma maneira ou de outra, mas posso evitar o conde por uns dias, se isso te deixar mais tranquila.

Belle acenou com a cabeça e se sentou no chão. Abraçando as pernas dele quando um soluço de choro escapou sem que ela percebesse. Jefferson, muito lentamente e gentilmente, se sentou ao lado dela e a puxou para um abraço sem dizer nada.

— Eu tive a chance de fugir, mas desperdicei isso. — ela lamentou ao pensar em Ruby.

— Você ainda tem a chance de fugir.

— Agora eu sou casada. Não há mais nada o que ser feito.

— Você quer voltar e encarar ele?

— Não! — falou rapidamente e com certo desespero.

— Então fuja. Acho que Rumplestiltskin poderia ser muito feliz se soubesse disso. Ele gosta de você, você sabe, não é?

— Sei, eu também gosto dele, mas não posso transformar mais a vida dele em um inferno. Ele já tem muitos problemas.

— Mas prefere transformar a sua? Acho que se eu permitir que você volte para o seu marido, ele mandará me enforcar por isso. Pegue essa oportunidade e fuja, se esconda como um coelho.

— E para onde eu iria? Eu não saberia como me manter ou o que fazer.

— Você tem esse saco de moedas e eu tenho um velho burro, que não serve mais para arar a terra, mas ainda dá para montar. Ah, e eu tenho isso. — pegou a adaga e segurou para ela. — Acho que era do idiota do seu marido. Achei caído no chão e não gostei muito da ideia dele ter algo assim.

Ela riu antes de segurar no punho da arma que ela tinha usado mais cedo naquele dia.

— Não era dele, era minha. Rumple me deu isso como uma forma para me proteger.

— Eu deveria ter imaginado isso. Bom, isso é seu por direito. Guarde bem, pode ser útil algum dia.

Eles ficaram em silêncio antes que Jefferson se levantasse. Belle olhou alarmada, mas ele deu um sorriso tranqüilizador.

— Eu preciso pegar algumas coisas na minha casa, mas prometo que estarei de volta antes que alguém perceba o que aconteceu a você.

Ele saiu e Belle ficou sentada olhando para o nada com uma expressão perdida. Pensando em como as coisas poderiam ter dado errado e visualizando terríveis possibilidades onde ela terminaria estuprada ou mesmo morta. Ela chorou, chorou até que não houvesse mais lágrimas para sair de seus olhos, mas ali, naquela caverna escura, ela tinha prometido que não derramaria mais nenhuma lágrima pelo infortúnio dela. Ela tentaria dar a volta por cima e não desperdiçaria a chance que a ela tinha sido apresentada.

***

Levou mais tempo que Jefferson desejava para reunir tudo o que ele precisava. Ele pegou alguns pães velhos, alguns unguentos que ele tinha escondido em casa e também alguns cobertores. Não era muito, mas era mais que ele conseguiria reunir em tão pouco tempo. Ele já podia ouvir os murmúrios entre os aldeões sobre terem achado Gaston desacordado e não terem achado Belle. Eles culpavam os normandos, mas ele sabia que isso duraria até que o homem acordasse, se acordasse, ele esperava que não. Ele segurou as rédeas do velho burro que ele tinha, um animal de carga que não aguentava mais o trabalho e rapidamente pegou um atalho que levaria até a caverna. A noite estava caindo e havia lua cheia no céu que iluminava o caminho. Eles precisariam ser rápidos.

— Jefferson? — Belle falou alarmado quando o viu entrar correndo na caverna.

— Eu ouvi que eles acharam Gaston. Você não tem muito tempo. Deixei um burro amarrado do lado de fora com alguns pães, uns cobertores e um pouco de unguento para feridas. — ela arregalou os olhos alarmada com a menção do último item e Jefferson sorriu. — Eu sei que o conde te ensinou sobre isso. Algumas ervas são difíceis de achar dependendo para onde você irá.

— Você conhece sobre isso?

— Conheço. Sou eu quem tem recolhido algumas ervas e preparados alguns unguentos para o conde.

Belle sorriu tristemente e pegou a bolsinha de couro, segurando aquilo na direção de Jefferson, mas ele apenas empurrou de volta para ela gentilmente.

— Por favor, aceite pelo menos isso. Nunca poderei agradecer o que está fazendo por mim.

— Você vai precisar disso mais que eu e não creio que o conde me expulse ou me cobre impostos depois de saber que eu te ajudei.

— Obrigada.

— Apenas tome cuidado. Evite estradas movimentadas e encontre um bom lugar para viver longe de todo esse inferno.

— Cuide do conde, por favor. Rumple não é tão mal quanto parece.

— Eu sei disso.

— Por favor, não fale o que Gaston fez a mim. Ele poderia querer fazer algo errado.

— Eu não irei.

— E diga a ele que eu o amo.

Jefferson assentiu e ela o abraçou rapidamente e se levantou. Tinha o corpo doendo e conseguia enxergar com apenas um olho já que tinha o outro tão inchado que quase não podia abrir. Ela acariciou o focinho do burro antes de montar nele. Gentilmente, ela apertou os francos dele com as pernas para fazê-lo andar. O ritmo do animal era lento, mas era supôs que seria ainda mais lento se fosse a pé.

Quando ela conseguiu andar por uma boa distância, quando se afastou das terras que pertenciam ao conde, ela olhou para trás e viu a figura do castelo dele no alto da colina mais alta. Ela disse interiormente um adeus silencioso e incitou o burro a continuar. Ela teria que andar a noite inteira e se esconder fora das estradas para não ser achada.

Continua.

Notas finais
Pois é, acho que agora a vida de Belle pode começar a melhorar, não é? Bom, façam suas apostas. Gostaria de saber o que pensam, caso queiram deixar um comentário. Enfim, agradeço a quem leu e espero que tenham gostado. :) Um imenso abraço e até mais! ^^