Quebra de Acordo
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Rumplestiltskin sabia que não podia mais ficar ali, impor sua presença as pessoas por quem ele tinha algum apreço. Com uma desculpa sussurrada, que ele nem mesmo sabe se Belle foi capaz de ouvir, ele se levantou do chão e seguiu até o quarto dele com dificuldade. Arrastando o pé com o tornozelo lesionado no trajeto. Ele não se importou com nada, apenas deixou-se cair pesadamente na cama e chorou baixo até adormecer. Ele estava vendo o mundo que ele tentou criar desmoronar em apenas um dia. Ele só queria que o filho dele pudesse amar ele novamente.
Belle não sabia o que pensar, ela estava em choque com a revelação dele. Ela sabia que homens matavam suas esposas a todo tempo, mas ela nunca esperava isso de Rumplestiltskin. Ela sabia que ele poderia ser cruel, ela tinha o conhecimento de várias mortes que ele causou, mas, mesmo assim, não conseguia associar isso ao homem que ela passou a conhecer, ao pai dedicado que faria tudo pelo filho dele. Ela ainda não conseguia entender como ele poderia ter matado a mulher que deu a luz a Baelfire. Tinha que haver mais lá que ela não conhecia, mas ela não tinha forças para perguntar agora. Se fosse sincera com ela mesma, temia essa resposta. Ela precisava de algo para se distrair e, ainda não sendo capaz de enfrentar Rumplestiltskin, se dirigiu para a cozinha e começou a preparar um pouco de pão fresco.
Ela não sabe quando exatamente aconteceu, mas depois da quarta fornada de pão, acabou adormecendo na bancada da cozinha. Ela tinha permitido a si mesma um momento de descanso antes de começar a limpar a bagunça que fez, mas ela acabou adormecendo. Ela foi acordada por um som de uma panela caindo. Ao abrir os olhos, percebeu que Baelfire e a princesa Emma estavam lá com uma bolsa enquanto mexiam nas panelas.
— Senhor? — Ela perguntou sonolenta, mas ficando de pé.
— Eu não quis te acordar, Belle e não avise nada ao meu pai que estou aqui, isso é uma ordem. — Baelfire falou em uma voz um pouco rude, sabendo como ela poderia ser fiel ao pai dele.
— Há algo que eu possa fazer?
— Não, já pegamos tudo o que precisávamos.
Ela então olhou com mais atenção e percebeu que eles devem estar saindo.
— O senhor vai sair? — Ela pergunta surpresa.
Baelfire suspirou e passou as mãos pelo cabelo antes que Emma lhe deu um olhar duro e ele acenou em uma conversa não verbal com ela e voltou a olhar para Belle.
— Olha, Belle, eu sei que você está próxima do meu pai, mas não vá correndo contar a ele que eu estou saindo. Nos dê pelo menos algum tempo. — Baelfire pediu com uma voz mais calma, quase derrotada.
— Por que vocês estão indo embora? Os normando ainda podem estar por perto.
Baelfire olhou mais uma vez para Emma que assentiu e, com um suspiro, ele começou a falar com Belle novamente.
— Olha, a nossa única chance de sairmos sem sermos pegos é agora. A maioria dos normandos ainda não deve ter se dado conta de que escapamos e, quando eles perceberem, isso aqui pode virar uma verdadeira batalha. Eu quero sair antes disso.
Ela pensou por um momento e assentiu. Ela não queria quebrar a confiança de Rumplestiltskin, mas, dado como os acontecimentos estavam, impedir Baelfire e a princesa Emma de fugirem só causaria com que mais brigas desnecessárias acontecessem e ela não poderia tirar deles a melhor opção que eles tinham. Ela acenou com a cabeça.
— Não é melhor levarem algum dos soldados? — Belle perguntou.
— Isso iria chamar muita atenção, Belle. Por favor, não conte nada e deixe-nos agir sem que ninguém saiba sobre nada ou para onde vamos. — Baelfire pediu com a voz humilde.
— Eu... — Ela olhou para os dois e viu a determinação nos olhos deles. Nada iria os impedir. — Apenas tomem cuidado. O seu pai ficou todos esses dias preocupado com você e não seria bom que fosse pego novamente.
— Obrigado. Nós iremos enquanto ainda não está ta aparente que eu fui achado e resgatado. — Ele falou começando a sair, mas Belle o chamou e ele voltou a olhar para trás com desconfiança.
— Levem os pães que eu fiz ontem. — Ela apontou para os alimentos — Vocês podem precisar e isso é algo que pode ser comido por dias.
— Mas isso não é para o meu pai e os soldados? — Baelfire perguntou com um pouco de desconfiança.
— Eu fiz porque não conseguia dormir antes e acredito que vocês irão precisar mais disso, de qualquer maneira.
Baelfire acenou e colocou a maioria dos pães na bolsa dele antes de olhar uma última vez para trás e, com um aceno de cabeça e um agradecimento não dito, sair junto com Emma.
Belle se deixou cair sentada no pequeno banquinho e escondeu a cabeça nas mãos. Aquilo não estava indo nada bem. Ela só esperava que não fosse responsabilizada por tudo isso.
***
Quando o início da tarde chegou e Rumplestiltskin não apareceu, ela começou a ficar preocupada. Ela não queria enfrentar ele e todas as perguntas que tinha na cabeça dela, mas ela estava começando a se preocupar. O conde sempre foi um homem pontual e, mesmo quando estava ferido e precisava de repouso, teimava em se manter de pé. Ela estava ficando verdadeiramente preocupada. Mesmo com que o instinto dela avisasse que aquele era o melhor momento para ela fugir dali, ela não conseguia ignorar a vontade de ajudar, nem que fosse apenas para verificar que ele estava bem. Com isso em mente, ela preparou rapidamente um pouco de chá e pegou um dos pães que Baelfire havia deixado antes de se dirigir para o quarto de Rumplestiltskin. Ela parou na porta e, equilibrando a bandeja contra o quadril, bateu na madeira pesada com a mão fechada.
Ela repetiu o processo algumas vezes e, não tendo resposta, ela ficou preocupada e empurrou a porta aberta, agradecendo mentalmente que ele não a trancou por dentro.
— Vá embora, eu não quero nada. — Rumplestiltskin, que estava deitado na cama e virado de costas para ela, falou com uma voz fraca.
— O senhor precisa comer. — Ela falou suavemente colocando a bandeja na cama e se dirigindo para ficar de frente para ele. Não esperava ver que ele tinha os olhos vermelhos e os lençóis molhados com lágrimas.
— O que aconteceu, senhor? — Ela perguntou suavemente enquanto se abaixava ao lado da cama.
— É pouco o meu filho ter ido embora com aquela moça? — Ele falou antes de virar as costas para ela.
— O senhor sabe disso? — Ela perguntou surpresa.
— Eu escutei os cavalos e caminhei até janela a ponto de ver eles se afastando. Ele não suporta mais ficar perto do homem que matou a mãe dele, ele não me ama mais.
— Por que o senhor a matou? — Belle perguntou em um ímpeto e ficou em pânico ao perceber o que havia perguntado.
Com aquilo, Rumplestiltskin virou para ela e deu um bufo dolorido.
— Você realmente é uma mulher estranha. Eu digo que matei minha esposa e você ainda assim continua aqui.
— Me desculpe, senhor. Essas são coisas que eu não deveria ter que me intrometer. Apenas, por favor, coma um pouco do pão. — Ela falou com a cabeça baixa, evitando o olhar dele e começando a se retirar em direção a porta.
Rumplestiltskin bufou mais uma vez. Ele não queria falar, mas precisava tanto expulsar um pouco de sua dor e, se Belle estivesse disposta a ouvir ele, ele iria falar a história que ele nunca contou para ninguém, a história que apenas outra pessoa viva conhecia. Ele queria que o filho dele tivesse dado uma chance a ele para se explicar.
— Ela fugiu com Killian, o mesmo que sequestrou a Baelfire. — ele falou mais alto que um sussurro, mas foi o suficiente para ser ouvido no quarto silencioso e isso fez Belle parar e voltar a olhar para ele com a boca aberta em choque. Ele deixou o cabelo cobrir os olhos dele antes de continuar — Eu achei que ela me amasse. Éramos felizes no início, mas eu não era o que eu sou hoje, eu não era poderoso, ainda não tinha terras. Milah era uma mulher que não queria ter sua vida amarrada a um fiandeiro. Eu ignorei os sinais, fingi não ver que ela não estava feliz comigo, não podia deixar Bae sem uma mãe, a felicidade dele sempre veio primeiro. Eu fingia não saber que ela passava mais tempo na taberna que em nossa casa, que eu que tinha que garantir a educação e o sustento de Bae. Ele era apenas um garoto, mas amava a mãe dele. Quando ela não voltou um dia, eu tive que ir procurar por ela. Durante muito tempo em achei que ela tinha sido sequestrada pelos normandos, foi isso o que me disseram e eu acreditei. Eu não poderia lutar com eles sozinho, sabia que ela estava perdida, que eles teriam transformado ela na diversão deles. Foi isso o que eu acreditei durante muito tempo. Quando Bae era adolescente e eu já havia me tornado conde, ela apareceu. Encontrei ela em uma viagem que eu tinha feito. Ela queria os direitos dela como mãe de Bae e minha esposa. Eu fiquei em choque, não podia acreditar que ela pudesse ter sobrevivido todo aquele tempo. Eu estava disposto a aceitar isso por Bae, mesmo que nosso casamento nunca mais poderia ser o mesmo. Ela não soube me explicar como sobreviveu todo aquele tempo, como estava bem vestida com jóias e roupas de seda. Eu comecei a desconfiar e prometi que a levaria comigo depois de um trato que eu estava fazendo. Eu comecei a seguir ela sem ela saber e descobri algo que eu nunca poderia ter imaginado: ela tinha se juntado com Killian e ambos planejavam minha morte para tornar Baelfire o novo conde e, eventualmente, um fantoche para Milah. Eu a matei naquela noite, mas não esperava ter que lutar contra os capangas de Killian. Eles estavam embriagados e foi fácil mata-los, mas Killian não estava bêbado. A nossa luta foi forte. Eu terminei com vários ferimentos pequenos e ele sem uma das mãos. Ele bateu em retirada, mas Milah estava morta e ele jurou arruinar minha vida desde então. O resto da história acho que você conhece. — ele falou abaixando a cabeça em derrota, não querendo olhar para o rosto de Belle ainda. Algumas poucas lágrimas escorrendo
Belle estava com o rosto coberto em lágrimas. Ela temia o que a história poderia ser, temia que ele realmente poderia ser a fera sem coração que todos diziam, mas ela estava errada e ela nunca gostou tanto assim de estar errada sobre algo. Ela sabia que ele poderia estar mentindo, mas naquele momento ela confiava completamente nele, ele não teria motivos para mentir sobre aquilo. Ela gentilmente segurou o rosto dele e limpou as lágrimas com as os polegares dela.
— Você deve contar isso para o seu filho. Ele vai entender.
— Ele não quer nem olhar para mim e eu não tenho ideia para onde ele pode ter ido.
Belle olhou para ele com desolação. Ela tinha uma ideia para onde Baelfire poderia ter ido, mas tinha prometido a ele não contar nada para Rumplestiltskin. Ela não sabia o que deveria fazer.
— Você sabe para onde ele foi, não é? — Rumplestiltskin perguntou gentilmente.
— Eu posso ter uma ideia, mas ele me pediu para não falar nada, mas você é o meu senhor e eu lhe devo obediência. — ela falou abaixando a cabeça.
— Como se você sempre me obedecesse... — brincou fracamente. — Eu não quero saber para onde ele foi. — ela olhou para ele assustada com aquilo e ele elaborou — Eu quero saber, acho que daria minha alma por isso, para que ele me perdoasse, mas se eu souber isso agora, eu sei que irei atrás dele e só tornarei as coisas piores para nós. Também não tenho muitas forças para seguir em uma busca desesperada agora montado um cavalo.
— Há quanto tempo você não come?
— Eu não tenho a menor ideia, mas não estou com fome.
— O senhor precisa comer algo. Apenas um pouco de pão e um pouco de chá? Ela perguntou enquanto alcançava para a bandeja que estava ao lado deles na cama — Por favor, senhor. O chá já está frio, mas eu posso ir esquentar.
— Não, você já fez muito hoje e eu aposto que ainda nem descansou, não é?
— Eu fiz alguns pães e adormeci na cozinha por uns momentos. Eu estou bem.
— Acho que você está melhor que eu.
Ela então se lembrou de algo e, falando uma desculpa rápida, ela correu até o quarto dela e pegou a pequena bolsa de moedas que ele tinha dado para ela e correu de volta para o quarto dele, chegando lá esbaforida e ganhando um levantar de sobrancelhas de Rumplestiltskin.
— Isso é seu. — ela falou colocando a bolsa de moedas sobre a cama, ao lado dele.
— Você correu por isso? — Ele perguntou pegando a bolsa na mão.
— Eu prometi que devolveria a você se o senhor voltasse vivo.
Ele jogou a bolsa para ela que a pegou por puro reflexo.
— Isso é seu, você mais que mereceu isso, Belle.
— Eu não posso aceitar isso, senhor, não é certo. — Ela tentou devolver para ele, mas ele apenas fechou a mão sobre a dela.
— Você pode e você vai, Belle. Isso é seu, pelos seus serviços. Por favor, aceite.
Ela hesitou por um momento antes de acenar com a cabeça e colocar a bolsa no bolso do vestido dela.
— Há algo mais que você queira, senhor? — Ela perguntou enquanto recolhia a bandeja com metade do pão comido e a xícara vazia.
— Você pode ficar um pouco, por favor? — pediu de maneira insegura — Se eu ficar sozinho, eu começarei a pensar coisas ruins e realmente não quero mais pesadelos hoje. Eu quero apenas poder dormir por algum tempo.
Ela acenou com simpatia e colocou a bandeja sobre uma pequena mesa, hesitando antes de se aproximar da cama e se sentar na borda. Ele, como um bom cavalheiro, chegou todo o caminho para o outro lado deixando o máximo de espaço para ela não se sentir desconfortável.
— O que você precisa? — Ela perguntou com simpatia.
— Apenas converse comigo, sobre qualquer coisa. Eu só preciso ouvir alguma voz.
Ela acenou antes de lembrar-se de algumas histórias que a mãe dela costumava contar para ela e tentar transmitir isso da melhor maneira que lembrava. Depois de alguns minutos, ela olhou para o lado e percebeu que ele tinha adormecido. Ela ajeitou as cobertas sobre ele e, em um impulso que ela não sabia de onde tinha vindo, colocou um beijo sobre a testa dele e saiu rapidamente do quarto. Ela esperava conseguir fazer algum sono também. A noite tinha sido longa e ela achou que ele não se importaria se ela não fizesse muitas coisas daquele dia. A limpeza poderia esperar um pouco.
Continua.
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