Quebra de Acordo
17 Capítulo 17
Notas iniciais
— Eu sinto muito, mas o senhor não pode atender a você agora. — Belle explicou a Jefferson pela terceira vez. Desde a partida de Baelfire, Rumplestiltskin estava mais recluso em seu quarto. Quase não saindo de dentro do castelo.
— Por favor, é muito importante que eu fale com ele.
— Você não pode me dizer o que é? Se eu souber, talvez eu consiga ir falar com ele para você.
Ele suspirou e olhou um pouco desconfiado para ela, mas, durante todo o tempo em que ele esteve vivendo lá, ele nunca tinha visto ninguém permanecer tanto tempo assim trabalhando dentro do castelo. Ele também era muito observador e já tinha percebido que o conde se importava com sua serva. Ele não tinha outra escolha, mas não iria entregar tudo o que sabia para ela.
— Eu preciso deixar minha filha em um lugar que sei que ela estará segura. Tem havido muitos ataques e não quero deixar ela sabendo que ela pode ser uma outra vítima. Eu preciso que o seu senhor me dê permissão para deixar ela aqui uns dias. Ela pode ajudar trabalhando.
— Eu não sei... Eu precisaria conversar com o conde primeiro, mas ele não está querendo receber ninguém.
— Ela já está lá fora, minha Grace. Eu estou perto de descobrir algo, mas não posso fazer muito se não tiver a certeza que ela esteja segura. É só o que peço.
Belle hesitou por um momento. Olhando para o corredor que levaria ao quarto de seu senhor e balançando a cabeça. Decidindo que não deveria incomodar ele por algo que ela poderia resolver ali. Ela tinha passado os últimos dias tentando animar a Rumplestiltskin, tentando fazer com que ele se alimentasse, reagisse de alguma forma, mas, desde que Baelfire tinha ido embora, ele não mostrava interesse por quase nada.
— Tudo bem. Deixe ela aqui que depois eu converso com ele.
— Obrigado. Eu devo voltar dentro de alguns dias. Há alguns buracos de coelhos que eu preciso entrar.
— Desculpe?
— Não é nada. Eu apenas acho que há mais aqui que conhecemos. Mas eu irei descobrir isso.
Belle pensou que ele era louco, mas não disse nada. Ficou estranhamente encantada, porém, ao conhecer Grace e perceber como a garota era normal, muito diferente do pai dela. Ficou também muito feliz ao perceber que a garota sabia como cozinhar. Um par de mãos a mais na cozinha iria ser de extrema ajuda para ela.
— Eu irei apenas ver o conde e volto já, Grace. — Belle informou antes de se dirigir para o quarto de Rumplestiltslin.
Lá, ela bateu na porta, mas não obteve resposta. Preocupada, ela abriu lentamente a porta e percebeu que ele dormia. Ela se aproximou da cama e o cobriu antes de sair do quarto. Ele quase não conseguiu dormir dos últimos dias e ela ficava feliz nesses poucos momentos em que ele conseguia algum descanso.
— Há uma moça querendo falar com você, Belle. — Grace informou assim que viu a outra mulher chegar à cozinha e apontou para Rubi que esperava ali perto.
— Oi, Rubi. — Belle cumprimentou ela com um abraço.
— Eu preciso falar com você. Você pode sair por um momento? — ela sussurrou.
Belle acenou que sim e logo as duas estava no pátio do castelo. Longe de todos para não serem ouvidas.
— O que aconteceu, Ruby? — Belle perguntou alarmada.
— Vai ser essa noite. As coisas aqui estão desmoronando, o conde está mais afastado de nós como nunca. Essa será nossa melhor chance de fugirmos daqui. Será melhor sairmos daqui antes que os normandos cheguem e tomem o poder.
— Eu não sei se eu posso fugir hoje, Ruby. O conde ainda precisa da minha ajuda.
— Ele não precisa de ninguém, Belle. Ele precisa ficar sozinho e afundar no buraco que ele mesmo cavou. Muito bem fez o jovem senhor Baelfire a correr daqui.
— Você já sabe isso?
— Algumas pessoas viram quando ele saiu daqui com uma moça. Disseram que ele parecia bastante irritado, não cumprimentou ninguém.
— Eu sei.
— Ele não vai voltar, não é?
— Acho que não.
— O que está acontecendo?
—Isso é uma coisa que não posso contar.
— Mas você sabe, não sabe?
— Eu sei, mas eu não posso trair a confiança do conde.
— Por que você tem essa lealdade com ele? Eu juro que não entendo, Belle. O conde sempre foi alguém ruim com todos nós.
— Ele nunca foi ruim comigo. Ele é apenas humano.
— Ele é um monstro! Você já esqueceu de tudo o que ele já fez? Esqueceu de todos que ele já matou?
— Ele matou apenas os que traíram ele. O conde nunca quebrou nenhum acordo, Ruby. Ele sempre cumpre o que ele promete. Ele não é um monstro.
— Tudo bem, ele pode não ser um monstro, mas ainda continua sendo cruel e isso não vai mudar. Ele está iludindo você.
— Ele não está me iludindo. Ele deixou que eu o conhecesse um pouco. Ele não é cruel, é apenas alguém que faz tudo pelas pessoas que ama.
Ruby abriu a boca para protestar, mas fechou rapidamente. Sacudindo a cabeça em negação e lamentando que a amiga estivesse tão cega que não pudesse ver como o conde realmente era.
— Olha, eu sairei daqui quando a noite cair. Irei com os meus lobos. Eu irei esperar na caverna e sairei ao anoitecer, se você quiser vir junto será muito bem vinda, mas se não estiver lá, eu irei embora do mesmo jeito. Eu não posso esperar mais, Belle.
— Eu sei, Ruby e não sabe como eu agradeço que esteja esperando por mim. Eu vou tentar. Prometo pensar, mas não sei o que farei, realmente não sei.
— Eu ficarei até o anoitecer. Eu realmente espero te ver lá.
Sem outra palavra, Ruby se afastou dela. Belle limpou as lágrimas teimosas que caíam de seus olhos antes de voltar para dentro do castelo. Ela se surpreendeu ao encontrar Rumplestiltskin sentado à mesa no salão principal.
— Senhor, perdoe, eu não o vi. Faz muito tempo que está esperando?
— Não muito. A jovem Grace já me trouxe um pouco de chá, mas eu devo admitir que ela não prepara do jeito que eu gosto. — falou com indiferença enquanto tomava um gole da bebida.
Belle congelou. Ela espera conseguir falar com ele, explicar a situação antes que ele pudesse ver a filha de Jefferson. Ela achou que ele estava calmo demais, tomando as coisas bem demais para alguém que não gostava de ter suas ordens desrespeitadas.
— Eu posso explicar por que Grace está aqui, senhor. — falou apressadamente.
— Ela é filha do Jefferson. Eu prometi proteger a ela e ele só está cobrando esse preço.
— O senhor não está bravo que eu deixei ela ficar sem lhe falar nada? Sem lhe pedir permissão?
— Eu não estava em um bom momento e alguém precisava ter tomado essa decisão. Você agiu bem.
Ela acenou com a cabeça e permaneceu parada perto dele. Esperando para se certificar que ele não precisaria de nada mais.
— Peça para prepararem um cavalo para mim, por favor. — pediu após alguns minutos, assim que terminou o chá.
— O senhor vai sair? — perguntou não sendo capaz de esconder a surpresa de sua voz.
— Não posso me esconder aqui para sempre se ainda quero ser um conde. — Falou com uma tristeza mal disfarçada.
— Eu vou pedir para prepararem um cavalo para o senhor.
— Obrigado, Belle.
***
Rumplestiltskin realmente não queria sair. Ele não tinha vontade de fazer mais nada depois que Baelfire tinha ido embora. Mas ele não era um homem ignorante. Ele tinha o conhecimento que desprezar os deveres dele poderia levar a revoltas que poderiam terminar com ele, na pior das hipóteses, morto. Ele ainda queria deixar alguma coisa de bom para o seu filho, deixar seu condado como herança. Ele tinha certeza que Baelfire seria um melhor governante que ele. Ele só precisava se certificar de deixar alguma terra que ele pudesse governar.
Ele passou o dia cavalgando de um lado para o outro. Ostentando um porte altivo em cima do seu cavalo, mas no fundo ele sabia que era apenas uma pose para evitar que os outros vissem o quanto ele estava destruído, o quão amedrontado ele estava com o futuro.
Ele apenas cavalgou sem prestar realmente atenção para onde ele estava indo. Em algum momento, ele parou próximo ao velho moinho de Maurice. Observando escondido enquanto Gaston levantava pesados sacos de grãos e o colocava em um carrinho para puxar isso para onde quer que fosse o destino. Ele não queria admitir, mas odiava a ideia do outro homem casando com Belle. Havia algo em Gaston que ele não gostava, mas, desde que o outro homem não tinha feito nada de errado, ele não tinha motivos para impedir aquele casamento. Ele queria que sua serva pudesse ter o direito de escolher com quem ela queria se casar. Ele queria o melhor para ela. Ela era uma das únicas pessoas leias e ele queria um jeito de retribuir isso.
Assim que ele viu Gaston se afastar, ele incitou o cavalo e se aproximou de Maurice que, assim que o viu, fez uma mesura e abaixou o olhar.
— Senhor conde.
— Vejo que o seu moinho tem produzido bem.
— Isso é, senhor.
Rumplestitskin olhava ao redor, querendo encontrar qualquer coisa que pudesse ajudar a quebrar o contrato com o homem e assim livrar Belle daquele casamento, mas, a verdade, é que Maurice era um dos poucos camponeses que agia dentro do contrato. Sempre cumprindo com o que foi acordado.
— Eu fiquei sabendo que o senhor Baelfire apareceu. Fiquei muito feliz com essa notícia. — Maurice falou incerto.
— Sim, foi uma coisa boa. — Rumplestiltskin fingiu indiferença.
— Eu queria pedir permissão, senhor, de realizar o casamento da minha filha na próxima lua. Temos adiado isso porque o tempo não era para festas, mas agora não temos mais motivos. Temos a sua permissão?
Rumplestiltskin trincou os dentes e tomou uma respiração profunda antes de se virar para olhar para Maurice. Ele não tinha motivos para negar isso ao homem. Era direito de um pai casar sua filha e ele sabia que Belle já estava com uma idade avançada, que ela já era para ter sido casada há, pelo menos, uns 5, 6 anos. Ele não tinha desculpas para impedir isso.
— Vocês tem minha permissão. Eu irei comunicar sua filha para que ela venha aqui conversar com você.
Sem outra palavra, Rumplestiltskin incitou o cavalo e se afastou. Parando apenas em uma área onde ele costumava caçar com Baelfire. Ele desceu do animal e se sentou em uma pedra. Observando como as lebres passavam por ali. Lembrando como, apenas há pouco tempo atrás, ele estaria ali com o filho dele, ambos com um arco em mãos enquanto se certificavam de caçar aqueles animais e garantir a carne na mesa. Ele chorou, chorou onde ninguém poderia vê-lo, deixando toda a dor que estava dentro dele nos últimos dias sair.
***
Era quase noite e Belle não sabia o que fazer. Ela tinha colocado as coisas dela dentro de uma bolsa de couro e não parava de olhar para fora esperando pelo conde chegar. Ela não poderia abandoná-lo se visse que ele ainda precisava de ajuda, mesmo que isso significasse um casamento que ela não queria com um homem que ela não amava. Ela tinha o coração dividido entre fugir e ganhar a liberdade que ela sempre sonhou ou permanecer ali e ajudar ao único amigo, a única pessoa que já a tratou como uma igual, que realmente a ouvia e dividia com ela conhecimentos que muitos diriam se tratar de bruxaria, mas que agora ela entendia eram apenas algo a mais para ajudar a curar mais rápido o corpo.
Ela pegou a bolsa algumas vezes e caminhou até a saída do castelo, mas ela nunca conseguiu nem mesmo colocar o pé fora do imóvel. Não quando o coração dela dizia que Rumplestiltiskin ainda iria precisar de ajuda.
Ela tomou a decisão assim que o viu entrar no castelo. Ela tinha convivido com ele durante um tempo, visto ele chorar. Ela sabia como o rosto dele ficava depois de chorar e, mesmo que ele fingisse estar bem, ela sabia que ele tinha chorado. Ele ainda precisava de ajuda. Ela iria esvaziar a bolsa durante a noite para que ele não percebesse que ela queria fugir.
— O senhor trouxe algo para que eu limpe hoje, senhor? — ela perguntou em uma falsa voz alegre. Tentando não deixar que Rumplestiltskin percebesse que ela sabia que ele tinha chorado.
— Nada para você limpar hoje, Belle. As notícias que trago não creio serem de seu agrado. — falou enquanto se apoiava contra a mesa. Abaixando um pouco a cabeça para deixar o cabelo esconder a expressão dele. — Eu falei com o seu pai hoje.
— Papai está bem? — perguntou alarmada.
— Ele está bem, mas me pediu permissão para que possa realizar o seu casamento na próxima lua. Eu sinto muito, não posso negar isso. Ele quer que você vá vê-los.
Isso foi como uma facada no peito de Belle. Ela se deixou apoiar na mesa ao lado do conde. Podia sentir o coração dela batendo rápido dentro do peito. Agora não havia mais como fugir. O dia lá fora estava quase convertido em noite e, mesmo que ela saísse naquele exato momento, tinha poucas probabilidades de alcançar a caverna antes do anoitecer. Ruby iria embora com os lobos e, com eles, a única possibilidade de escapar daquele casamento.
Continua.
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