Quebra de Acordo

14 Capítulo 14


Notas iniciais
Fala pessoal! Espero que estejam bem. Adianto que esse capítulo pode ser um pouco sangrento, para os mais sensíveis. Porém, não sei se consigo me desculpar por isso. Espero que gostem. :)

Rumplestiltskin sabia que não seria fácil. Ele havia descoberto a possível localização de seu filho. Tudo o que ele mais queria era correr para lá no momento em que essa possibilidade atingiu ele, mas ele não podia, não ainda pelo menos. Se ele quisesse resgatar Baelfire com vida, ele precisaria ser cauteloso e esperar o momento certo. Agora estava escuro demais e qualquer movimentação fora de planejamento poderia significar a more de Baelfire. Ele não conseguiria dormir, precisava esquecer, se distrair por um tempo. Ele olhou para o lado de seu quarto onde geralmente a sua roca ficava. Ele pensou que tinha sido uma boa ideia deixar aquilo com sua empregada para que ela treinasse o que se era esperado dela, agora, porém, ele estava se arrependendo daquela situação. Ele precisava girar, girar para se distrair e fazer o tempo girar enquanto ele pensava. Ele sempre havia se concentrado melhor nas coisas enquanto ele fiava. Sem perceber, ele se viu parado em frente à porta de Belle. Ele meneou a cabeça percebendo como a falta de sono o estava afetando e se virou para sair, mas não esperava a porta se abrir e ele vislumbrar sua serva olhando-o com um cobertor enrolado nos ombros enquanto segurava uma vela.

— Senhor?

— Eu não quis incomodar. Nem sei como vim parar aqui. — Ele falou já se afastando, mas foi parado quando ela gentilmente segurou o braço dele.

— Há algo que eu possa fazer, senhor? Talvez um chá? — Ela perguntou com simpatia.

— Eu apenas queria girar um pouco, mas não vou te incomodar. Já é tarde.

— Você fia? — Ela perguntou realmente surpresa.

— Já faz um tempo desde a última vez, mas eu costumava girar.

— Essa roca é sua? — ela disse quase como uma constatação que lhe atingiu.

— Costumava ser.

— Por favor, senhor. Se o senhor precisa fiar, não se incomode comigo. Eu posso ir para outro lugar.

Ele a olhou por um momento. Estava pronto para negar e voltar para o quarto dele, mas a verdade é que ele precisava fiar um pouco. Ele não conseguiria mesmo dormir e isso era a única coisa que poderia acalmá-lo um pouco até o dia amanhecer.

— Eu não quero incomodar a você, esse é o seu quarto.

— Você não vai me incomodar. Se o senhor quiser ir fiar, eu posso ir para o salão ou a cozinha.

— Eu não vou tirar você do seu quarto, Belle. Se eu girar aqui, fará barulho e isso pode incomodar. Foi uma ideia tola. Eu vou voltar para o meu quarto. — Começou a caminhar apenas para ser parado por ela novamente.

— O som disso não irá me incomodar. Eu consigo dormir com os gritos e gemidos dos seus prisioneiros, isso não será nada.

Pela primeira vez desde que Belle começara a trabalhar no castelo, Rumplestiltskin percebeu o tipo de quarto que ele designou para ela. Ele sabia que tinha feito isso propositalmente no início, mas se arrependeu de não ter designado um outro quarto melhor para ela agora que ela estava se mostrando de confiança.

— Depois que isso acabar, eu vou te conseguir um quarto melhor. Há muitos bons que não estão em uso. Longe dos gritos agonizantes. — Ele prometeu um pouco envergonhado.

Belle ficou surpresa com isso, mas logo ignorou. Ela há muito já havia deixado de se incomodar onde dormia. Claro que os gritos ainda a assustavam e faziam ela se compadecer, mas ela não iria incomodar ele com isso quando ele tinha coisas mais importantes para se preocupar.

— Eu estou bem aqui, senhor.

— Pode ser, mas claramente isso pode melhorar. Quando eu voltar e tiver um pouco de tempo, eu vou me certificar que eu tenha um lugar melhor aqui.

— Eu... eu agradeço muito sua generosidade, senhor.

— É apenas o mínimo. Você não se importa se eu ficar aqui e girar um pouco?

— Esse é o seu castelo, senhor, sua roca.

— Mas é o seu quarto. Aqui você manda.

— Então seja o meu convidado para usar sua roca. — Ela sorriu gentilmente apontando para a roca dentro do quarto.

Ele deu um sorriso fraco e acenou. Belle liderou o caminho para o quarto e deixou a vela em uma mesa e deitou-se em sua cama de palha. Rumplestiltskin olhou de relance para ela antes de se sentar no banquinho em sua roca, pronto para sair se ele percebesse que a estava incomodando. Ele pegou um punhado de lã que já estava pronta e começou a girar. Sentindo o fio groso no primeiro momento, mas logo pegou o jeito e começou a fiar um fio uniforme. Fechando os olhos e deixando que suas mãos executassem o movimento que tanto conheciam.

Belle não conseguiu evitar o suspiro de surpresa ao ver o fio perfeito que o seu senhor fiava. Vendo como rapidamente ele enchia o carretel. Com um pouco de inveja que ela nunca poderia chegar a esse nível. Ela não sabia exatamente por quanto tempo o observou, mas acabou deixando o som da roca acalmar ela até que adormecesse.

***

Belle acordou assustada quando alguém mexeu em seu ombro. O dia estava quase amanhecendo, mas ainda estava escuro. Levou um momento para perceber se tratar de Rumplestiltskin.

— Calma, sou eu. — Ele falou suavemente, empurrando ela gentilmente para deitar novamente na cama e se agachando ao lado.

— Senhor?

— Ainda é cedo. Eu estou saindo agora. Tentarei resgatar o meu filho. A todos que possam perguntar, você diga que sai junto com o grupo. Não diga a verdade. O êxito desse plano depende de ninguém saber o que farei e acharem que eu estou junto com o grupo que de patrulhamento.

— Eu nunca direi nada a ninguém, senhor.

— Eu sei que não.

Rumplestiltskin ficou em silêncio e Belle percebeu que ele ainda tinha algo mais para dizer. Que brincava com uma pequena bolsinha de couro em suas mãos.

— Há mais alguma coisa que eu deva saber, senhor?

Ele olhou para ela e Belle percebeu como sua expressão era um pouco sombria. Como se houvesse algo mais que ele temia dizer. Com um forte suspiro, ele finalmente falou com a voz um pouco derrotada.

— Talvez eu não volte vivo, Belle. — Ele deu um bufo de riso dolorido — É quase certo que eu não irei voltar vivo. Eu não sei o tipo de homem que o rei e a rainha poderão mandar no meu lugar, se será pior que eu ou não. Se eu cair, eu sei que o meu castelo será rapidamente pilhado. As coisas pequenas irão desaparecer rapidamente, mas as moedas, principalmente as de ouro, serão as primeiras a desaparecerem e quem for pego com elas serão sentenciados a morte. — Ele mexeu na bolsinha de couro e colocou sobre a mão dela. — Aqui são apenas as de cobre, não todas, claro, não quero que seja julgada como uma ladra. Não é muito, mas é o que geralmente um servo conseguiria com anos de trabalho. O que tem aqui deve dar para viver bem por algum tempo. Pelo menos para pagar os impostos por...

Belle entendeu onde ele queria chegar e devolveu a bolsa para ele, cortando-o.

— Eu não quero o seu dinheiro, senhor. — Falou horrorizada.

— Eu sei — Ele voltou a colocar a bolsa nas mãos dela — e é por isso que eu quero que você tenha isso. Todos me odeiam, se eu cair hoje, se eu morrer hoje, a notícia rapidamente será espalhada e muitos irão invadir o meu castelo em busca de minhas riquezas, se isso acontecer, pegue isso e fuja daqui. Eles não irão poupar a ninguém que estiver dentro. Abandone esse lugar e fuja com o seu pai.

— Eu não quero que o senhor morra. — Ela falou com os olhos cheios de água.

— E eu não quero morrer, mas não posso controlar isso. Eu só quero resgatar o meu filho com vida, independente do meu destino. Não quero que ele pague pelos meus erros.

— Eu não quero isso, senhor. — Ela falou novamente empurrando a bolsinha para ele.

— Mantenha isso.

— Senhor, eu não quero as suas moedas...

— Belle, mantenha isso. Se eu voltar vivo, você me devolve, se eu não voltar, isso é seu. Por favor, faça o meu último desejo. O que um homem morto irá fazer com isso? Se eu morrer, não terei nenhuma utilidade para isso. Prefiro que fique com você a ser pilhado por qualquer outro.

— Eu ainda vou te devolver isso, você não vai morrer. — Ela falou com determinação.

—Eu espero que sim. — Ele falou com mais confiança em sua voz que realmente sentia.

Ele começou a se levantar para ir embora, mas Belle segurou a mão dele e apertou.

— Volte vivo, por favor.

— Eu vou tentar, eu prometo. — Apertou a mão dela em troca antes de começar a caminhar para fora.

***

Levou toda a manhã, mas Rumplestiltskin conseguiu colocar o seu plano em prática. Ele vestiu alguns trapos e trocou sua bengala por um cajado. Para as pessoas que o olhassem, ele não passaria de um pobre infeliz a mais. Não havia como ninguém reconhecer ele como o conde imponente que ele era. Foi uma longa caminhada que deixou o seu tornozelo queimando de dor e inchado pelo esforço, mas ele não parou um só momento até conseguir chegar ao destino que pretendia: um barco de um comerciante que estava atracado em um pequeno porto. Levou um total de quase uma hora de negociação e uma boa quantia em ouro para o comerciante aceitar levar ele até o ponto que ele tinha presumido estar o seu filho.

Assim que pisou em terra firme, perto da caverna, Rumplestiltskin sentia como se o seu coração fosse saltar de seu peito. Ele mantinha uma mão no punho de sua espada que estava escondida debaixo de suas vestes. Um movimento seria o suficiente para desembainhar ela e para ele lutar. A caverna estava escura, mas ele podia ver um leve brilho alaranjado no fundo. Claramente a luz de um fogo. Ele largou o seu cajado, com medo daquilo fazer algum ruído desnecessário. Ele esgueirou-se até conseguir chegar a uma área ainda escura. Ele poderia ver tudo, mas as pessoas dali não poderiam ver ele. Ele apertou mais o punho de sua espada até seus nódulos dos dedos ficarem brancos quando viu Baelfire acorrentado em um canto da caverna. Junto a ele havia uma jovem loira também acorrentada. Para sua sorte, os únicos guardas pareciam ser três homens que já estavam em um leve estado de embriaguês. O instinto dele era atacar, mas eles ainda estavam muito próximos de seu filho. Ele esperou e esperou. Quando um dos homens se afastou, ele o seguiu até o lado de fora. Com um movimento rápido, ele o agarrou com uma mão, tapando sua boca para não gritar, e cortou o pescoço dele com a espada. O homem morreu em questão de segundos. Ele arrastou o corpo e o jogou ao mar antes de voltar para o seu posto. Levou mais alguns minutos para os dois homens perceberem que o seu companheiro não voltava e que deveria de haver algo errado. Os dois saíram para averiguar. Era o momento que Rumplestiltskin esperava. Era uma atitude covarde da parte dele, mas ele não poderia desperdiçar a chance quando a vida de seu filho estava em jogo. Ele esgueirou-se e perfurou com a espada as costas de um. O homem gritou em agonia alertando o seu amigo que rapidamente virou. Rumplestiltskin teve tempo apenas de puxar sua espada para se defender do golpe, mas, mesmo assim, ainda teve seu braço cortado. Ele sentiu seu braço latejando enquanto o sangue escorria para sua mão e fazia com que a espada ficasse escorregadia, mas isso não o impediu de executar alguns golpes com a espada, apenas se defendendo, antes que o seu oponente cometesse um descuido e ele fosse capaz de enfiar a espada no estômago dele. Isso ainda não era o suficiente para matar a eles. Por um momento, Rumplestiltskin cogitou a possibilidade de cortar o pescoço deles e terminar com os seus sofrimentos, mas ele logo descartou isso. Qualquer coisa que sofressem, que agonizassem seria pouco para que pagassem por terem sequestrado o seu filho.

Certificando-se que eles não seriam capazes de levantar, que os ferimentos que tinham eram mortais, ele foi rapidamente para Baelfire. Largando a espada no chão com um baque ruidoso assim que o seu filho olhou para ele.

— Baelfire... — Ele falou em um sussurro antes de correr até os prisioneiros e pegar uma pedra no chão para bater nos cadeados que os prendiam as correntes. — Eu achei que nunca mais o veria, que estaria perdido para sempre, filho... — Ele balbuciava os seus medos e chorava abertamente, sem se importar que a outra prisioneira o visse.

— Me diga que não é verdade, papai. Por favor, me diga que não é verdade... — Baelfire suplicava com a voz embargada de dor.

— O que não é verdade, filho? Você está bem, eu vou te tirar daqui e vamos voltar. Nunca mais eu vou permitir...

— Que você matou a mamãe! — Baelfire o cortou. As palavras altas ecoando na caverna.

Rumplestiltskin parou seus esforços para libertar o seu filho e olhou em choque nos olhos de Baelfire. Baelfire apenas fechou os olhos e chorou. Naquele momento, ao não negar os fatos de imediato, o seu pai tinha dito lhe dito um dos seus segredos mais bem guardados. O silêncio de Rumplestiltskin foi a confirmação disso. Ele viu a verdade e as desculpas refletidas do breve momento que olhou para os olhos de seu pai.

Continua.

Notas finais
Baelfire apareceu, mas aposto que Rumplestiltskin não queria que ele aparecesse com essa novidade. E a loira? Acho que já devem fazer uma ideia de quem seja. De todas as formas, sua identidade será revelada no próximo capítulo. Se quiserem, deixem um comentário. Amo ler os comentários de vocês. Agradeço por lerem! Um imenso abraço e até mais!