Quebra de Acordo

15 Capítulo 15


Notas iniciais
Fala pessoal! Mais um capítulo para vocês. Espero que gostem.

Rumplestiltskin estava petrificado com o choque. Ele não conseguia entender como o filho dele havia descoberto esse segredo. Olhar nos olhos de Baelfire e perceber as lágrimas não derramas foi a maior dor que ele já sentiu em toda a sua vida. Ele tentou negar, mas a voz não saía de sua boca. Ele também não conseguiria negar uma verdade, não para o seu filho que o conhecia e sabia quando ele estava mentindo. Ele abaixou a cabeça em derrota, permitindo que o cabelo cobrisse os seus olhos para que Baelfire não visse as lágrimas que se acumulavam lá também.

— Eu sinto muito, Bae.

— Não, você não sente. Se sentisse, você não teria matado a mamãe. Como o senhor pôde? Você falou que ela estava morta para mim! — Baelfire se lamentava, ainda acorrentado.

— Você não entende, filho. Há muito que você não sabe sobre sua mãe.

— E há mais que eu não sei sobre você. Eu fui um tolo. — Suspirou — Eu sempre soube que você era cruel, que poderia ser cruel, mas nunca achei que fosse capaz de matar a família pelo poder. Eu sempre achei que você me amasse, a mim e a mamãe.

— Eu te amo, Bae, por favor, nunca duvide disso. A sua mãe que nunca me amou.

— Agora vai jogar a culpa para ela? Ela foi a culpada por ter sido morta por você?! Não, pai, eu não quero ouvir mais de suas mentiras. Me tire logo daqui. Eu não quero mais ter que olhar para você! — Falou com ódio.

— Por favor, Bae... — Implorou.

— Me solte agora. Quanto mais tempo ficarmos aqui mais temos a chance de sermos mortos. — Ordenou o olhando com ódio.

Rumplestiltskin sabia que seria improdutivo conversar com o seu filho assim. Quando Baelfire estava chateado, ele não iria querer escutar a ninguém e quanto mais eles ficassem ali, mas chances tinham de serem pegos. Rapidamente, ele quebrou o cadeado que mantinha o seu filho preso. Ele só queria sair dali, mas o seu filho, assim que se viu solto, pegou uma pedra e foi libertar a outra prisioneira. Estava na ponta da língua para Rumplestiltskin o parar, dizer que aquilo era perda de um precioso tempo, mas ele não se atreveu. Não queria dar mais um motivo para o seu filho o odiar. Baelfire sempre teve um bom coração, ele sabia, um coração mais bondoso que o dele. Ele aguardou pacientemente o seu filho libertar a moça e fingiu que não doeu quando ele saiu com ela na frente, deixando-o para trás.

— O barco que irá nos levar de volta está aqui ao lado. Teremos que andar pelas rochas. — Rumplestiltskin informou apontando para o caminho.

Baelfire não disse nada. Apenas seguiu o caminho que ele indicou e deixou o próprio pai para seguir sozinho. O tornozelo de Rumplestiltskin o estava matando, mas ele não fez nada para diminuir o passo enquanto tentava acompanhar o ritmo de seu filho. Para subir na pequena embarcação foi um martírio, mas ele se forçou a aguentar, indicando para o comerciante os levar de volta para terra firme. Eles não trocaram nenhuma palavra no caminho. Chegando lá, Baelfire e a loira foram caminhando na frente, com ele conduzindo o caminho. Rumplestiltskin ficou para trás. Por não aguentar andar rapidamente e por não querer irritar ainda mais o seu filho.

***

Belle não conseguia se aguentar de preocupação. Mais um par de horas e o dia estaria escuro. Ela temia pensar nas possibilidades que se apresentavam com isso. Mais especificamente em uma possibilidade: a do seu senhor já estar morto. Ela não sabia como as coisas iriam ficar sem Rumplestiltskin como conde e senhor dali, mas não era apenas por isso. Ela passou a ter respeito por ele, não apenas com para o senhor das terras, mas para com o homem que ela estava começando a enxergar debaixo da fachada de governante, o homem por trás da fera a quem todos temiam.

Ela estava terminando de limpar algumas das coisas que tinha usado mais cedo na cozinha quando o som da porta a deixou em alerta. Pegando umas das facas, ela dirigiu-se para o salão principal apenas para ser confrontada com a visão de um Baelfire mais magro amparando a uma loira. A faca escorregou das mãos dela sem ela sentir, fazendo um som metálico ao cair no chão e chamando a atenção das duas pessoas que olharam para ela.

— Senhor Baelfire... — Ela falou pouco mais alto que um sussurro.

— Olá, Belle. — Ele cumprimentou sem emoção.

— O seu pai, o senhor conde, ele saiu para te resgatar... — Ela deixou a questão morrer, com medo da possível resposta.

— Ele me resgatou. Imagino que não irá demorar a chegar. Peça que ele não me incomode.

— Senhor? — Ela o olhou com confusão.

— Eu só quero descansar e ter uma boa refeição, se for possível. Leve algo para o meu quarto, por favor.

Sem outra palavra, Baelfire se retirou com a jovem e sumiu da vista de Belle. Ela olhava entre eles e a porta principal. Não entendendo o que estava acontecendo ali. Mas ela não poderia negar que um peso foi tirado ao saber que o seu senhor estava vivo. Ela olhou uma última vez para a porta antes de se retirar para a cozinha onde se pôs a preparar um ensopado com alguns legumes. Já fazia alguns dias que ninguém caçava nada, então não tinham carne. Ela esperava que o jovem senhor não se aborrecesse por isso.

Ela estava terminando de colocar os últimos pedaços de lenha no fogo, onde a panela já cozinhava o ensopado, quando uma voz feminina a alertou:

— Com licença?

— Oh, me desculpe. Eu estava distraída. — Belle desculpou-se olhando com um pouco de desconfiança para a jovem loira.

— Não tudo bem. Isso é meio estranho para mim também... Quer dizer, eu não esperava ser sequestrada em primeiro lugar.

— Eu sinto por isso. Eu espero que você esteja bem.

— Com muita fome e cansada, mas estou bem. Na verdade eu queria pedir um favor.

— Se estiver ao meu alcance.

— Eu não tenho nada para vestir. Os normandos rasgaram minhas roupas além do reparo e, mesmo assim, isso ainda chama muito a atenção. Você não teria nada que pudesse me conseguir? Algo simples. Eu prometo que você será muito bem recompensada por isso.

— Você pode esperar aqui? Eu vou pegar uma outra reposição de um vestido que eu tenho.

Ela acenou e Belle foi até o seu quarto. Ela tinha muitas poucas peças de roupa, mas pegou o seu melhor vestido e levou para ela.

— Muito obrigada. Eu, pessoalmente, farei com que seja recompensada por isso assim que eu chegar na minha terra. — A loira agradeceu pegando a peça de roupa com um sorriso.

Belle olhou um pouco melhor para ela e percebeu que a roupa que ela usava, mesmo rasgada e suja, tinha o tecido melhor que a de um simples camponês. Ela pensou que os normandos não iriam sequestrar ela por tão pouco. Incapaz de conter sua curiosidade, ela se viu perguntando.

— Você também é filha de algum outro senhor de terra?

— Eu sou, dos maiores, na verdade. Você saberia guardar um segredo?

— Eu consigo.

— Eu sou a princesa Emma, filha do rei David e da rainha Mary Margareth. Eu fui pega enquanto andava a cavalo por minhas terras.

Belle deixou um suspiro nada silencioso escapar. Em um movimento apressado, ela baixou a cabeça e tentou fazer uma mesura.

— Perdoe-me, alteza.

— Por favor, você também não. Aqui eu não quero ser a princesa, apenas Emma, por favor.

Belle ousou olhar para ela e, vendo como ela parecia tão cansada, ela não teve coragem para negar.

— Como quiser, alt... Emma.

— Perfeito. Deixe-me saber se você precisar de algo.

Emma iria caminhando, mas Belle a chamou e ela se voltou para ela.

— Eu não quero incomodar, mas você viu o senhor conde?

— O pai de Baelfire?

— Sim.

— Olha, isso é complicado, não é um assunto meu. Com todo respeito, acho que você não deveria ficar no caminho dele quando ele chegasse. Não o conheço e não sei o que ele pode fazer.

— Mas ele está bem?

— Estava mancando quando ele nos encontrou, mas estava bem quando o deixamos. Não posso dizer agora.

Belle acenou e Emma se retirou. Agora ela estava ainda mais preocupada por Rumplestiltskin. Ela temia que algo de ruim pudesse acontecer com ele. Ela sabia o quanto ele poderia sentir com o tornozelo dele, ele não deixava suas fraquezas mostrarem, mas ela percebia o quanto ele se apoiava mais em sua bengala quando ninguém estava olhando. Ela olhou para a pequena abertura na cozinha e percebeu que quase não havia mais claridade no céu. Ela esperava que ele pudesse chegar antes de escurecer.

***

Rumplestiltskin não aguentava mais andar. O tornozelo dele parecia que estava prestes a explodir. Resultado de um dia inteiro de forçar ele mais que ele aguentava. Ele teve que parar várias vezes ao longo do caminho. Percebendo como o seu tornozelo estava inchado. Ele cogitou várias vezes em tirar o seu calçado, mas sabia que não seria capaz de colocar aquilo no pé novamente se o fizesse. Seria mais difícil voltar com um pé descalço. Ele ainda tinha sua espada, mas se sentia indefesso assim. Sabia que era uma presa fácil e que deveria chegar ao castelo o mais rápido possível. Ele só esperava que o seu filho tivesse conseguido chegar bem, porém, mesmo que agora ele o odiasse. Com esse pensamento, ele se obrigou a continuar.

Já estava escuro quando ele conseguiu alcançar o castelo. Tendo quase que lutar com dois guardas que não o reconheceram imediatamente. Assim que ele entrou em sua propriedade, viu seu filho passando com uma bandeja que continha dois pratos com alimentos. O cheiro de comida atingiu o seu nariz, mas ele ignorou sua própria fome enquanto olhava para o seu filho.

— Bae... — Ele falou em um sussurro.

Baelfire fechou o rosto e apenas balançou a cabeça.

— Eu não quero falar com você.

— Por favor, Bae. As coisas não são como você pensa. Deixe-me te explicar.

Baelfire virou para Rumplestiltskin, aproximando-se dele de um jeito ameaçador e sussurrou:

— Você matou minha mãe?

— Bae...

— Matou ela ou não, papai?

Rumplestiltskin abaixou a cabeça e assentiu em derrota.

— Mas as coisas não são como você acha.

— Você a matou. Não preciso saber de mais nada. Não quero que me incomode mais.

Sem outra palavra, Baelfire se afastou dele rapidamente. Rumplestiltskin ainda tentou acompanhá-lo, mas bastou alguns passos para o seu tornozelo dobrar com dor e ele cair no chão. Ele fechou os olhos com a dor. Tentando incapacitar que as lágrimas escapassem de seus olhos, mas, no fundo, ele sabia que sua vontade de chorar não era pela sua dor física, mas pela dor emocional que sentia. Sentia que estava perdendo o seu filho, a pessoa que ele mais amava no mundo. Estava tão perdido em sua dor que saltou quando sentiu uma mão em seu ombro.

— Belle?

— Senhor, o que aconteceu? — Ela perguntou com genuína preocupação, abaixando-se ao lado dele.

— Aconteceu que o meu filho descobriu o tipo de monstro que eu sou.

— Você não é um monstro.

— Eu sou. Eu já fiz muitas coisas que me arrependo, mas a coisa pela qual ele me odeia não é uma delas.

— Ele vai te perdoar. Por favor, senhor, me ajude a tira-lo do chão.

— Aqui é exatamente o que eu mereço. Me deixe em minha miséria, Belle.

— Por favor, senhor. Eu tenho certeza que o senhor Baelfire irá perdoar você. Ele está apenas chateado, ele passou por muita coisa, é só...

— Perdoar por eu matar a mãe dele? — Rumplestiltskin a cortou.

Com o choque, Belle caiu sentada no chão e o olhou com medo. Abrindo a boca, mas não sabendo o que falar. Rumplestiltskin percebeu que havia perdido a confiança da outra única pessoa que não o odiava e abaixou a cabeça em derrota permitindo que as lágrimas silenciosas rolassem de seus olhos.

Continua.

Notas finais
Pois é, parece que as coisas estão ficando meio sem esperanças para Rumplestiltskin. Esperemos que tudo se acerte, porém. Um enorme obrigada por lerem. Espero que estejam gostando. Caso desejem, deixe um comentário. Um imenso abraço e até mais!