Quebra de Acordo
11 Capítulo 11
Notas iniciais
O tempo foi passando e Belle e Rumplestiltskin começaram a se afastarem. O fácil entendimento que tinham um com o outro e a facilidade com que conversavam foi se perdendo. Era como se uma parede invisível tivesse sido levantada entre os dois. Ao invés de se aproximarem como vinham fazendo, estavam se afastando. Belle ainda fazia suas tarefas no castelo do conde, mas Rumplestiltskin não falava mais que o necessário com ela.
— Você deve se alegrar, Belle. Seu casamento já está perto. — Ruby comentou enquanto acariciava seus lobos, agora quase adultos.
— Eu não posso me casar com o Gaston, Ruby. Você sabe que eu não o amo.
— Eu sei, mas sabemos que não há nada que você pode fazer, não é?
— Talvez tenha. Você ainda vai embora daqui? — Perguntou olhando para os lobos.
— Eu vou. Esse lugar aqui nunca foi para mim. Eles já estão maiores, mais fortes e são leais a mim. Acho que poderão me proteger. — Falou enquanto acariciava seus lobos com carinho.
— Você acha que teria espaço para mais uma nessa sua jornada?
— Belle?
— Eu não quero ficar aqui, Ruby, não posso. Eu também não quero te atrapalhar, só peço para que me deixe te acompanhar até sairmos daqui. Eu sei que os normandos ainda estão por perto. Depois eu dou um jeito de sobreviver sozinha. — Pediu com um pouco de desespero.
— Ei, você é minha amiga e eu não vou te deixar sozinha dessa. Se você vier comigo, vamos ficar juntas. — Ruby assegurou segurando o braço de Belle de uma forma delicada.
— Obrigada! — Agradeceu com lágrimas nos olhos.
***
— Pai, você não está prestando a atenção de novo. — Baelfire comentou de um modo zombeteiro quando outro coelho passou perto de Rumplestiltskin e ele o deixou fugir.
— Eu estou, Bae. Só não consegui puxar a flecha a tempo.
— Esse já é o terceiro coelho. — Falou com falsa exasperação.
— Eles são rápidos.
— Você também é e raramente perde um. O que está acontecendo, pai? Há um tempo já que tenho notado que está mais distraído, irritado.
— Não é nada, Bae.
— Não, é alguma coisa. Vai me falar o que é ou eu terei que descobrir sozinho?
— Não é nada, Bae. E pare de falar para não espantar a caça. — Resmungou.
— Você é quem está perdendo a caça, não eu. Tudo bem, eu vou descobrir, pai, você me falando ou não.
— Fica de olho nos coelhos, garoto.
— Eu estou. Só ainda não conseguiu caçar o coelho que eu quero, mas ele vai aparecer. — Implicou.
— Rumplestiltskin soltou um resmungo ininteligível e voltou sua atenção para onde estavam caçando. Permaneceram lá por alguns minutos, conseguindo abaterem apenas um pequeno coelho que não seria o suficiente para o jantar.
— Deve ter algum predador por aqui. Os animais estão diminuindo. — Rumplestiltskin comentou. — Ou alguém está caçando eles.
— Não acho que tenham diminuído. Você que está mais lento. Três coelhos perdidos, pai.
— Antes não esperávamos isso tudo para caçar algum. Mesmo os veados estão escassos. Há algo de errado que eu ainda descobrirei.
Baelfire rolou os olhos sem permitir que seu pai visse e voltou sua atenção para a caça. Ele já estava acostumado ao negativismo e desconfiança de Rumplestiltskin, mas havia algo mais que ele não conseguia decifrar.
Por um tempo tudo estava calmo, mas a calmaria foi quebrada com o som de metal se chocando. Rumplestiltskin lançou um olhar assustado para o seu filho antes de falar:
— Corra para o castelo, Bae. Não deixem que te peguem. — Desembainhou sua espada.
— Pai...
— Agora, Baelfire! Eu vou tentar ganhar um tempo para você. Vá e não olhe para trás.
Antes que Baelfire pudesse chegar ao lugar em que seus cavalos estavam amarrados, um grupo de oito normandos o cercou. Ele tentou lutar, conseguiu ferir matar um deles com uma flechada que atravessou o peito, mas eles eram muitos para ele. Em pouco tempo o desarmaram e o prenderam, arrastando-o pelo chão. Não tinham ordem para matar ele.
Rumplestiltskin correu, da melhor forma que conseguiu com sua bengala, para tentar chegar ao seu cavalo, mas foi cercado por dois normandos antes de conseguir. Eram ainda jovens e sem treinamento e ele os matou rapidamente. Tentou voltar e ir por seu cavalo, mas os gritos de seu filho sendo arrastado pelos normandos o fizeram parar.
— Baelfire! — Gritou em desespero e tentou avançar nos homens.
Dois normandos levantaram Baelfire e começaram a correr com ele. Os outros cinco ficaram para lutar contra Rumplestiltskin. Foi uma luta difícil, Rumplestiltskin ficou ferido, com cortes superficiais pelos braços, mas, graças a seu colete de pele de crocodilo, nenhuma espada foi capaz de penetrar seu torso. Um por um ele venceu os soldados inimigos e os matou, mas já era muito tarde para conseguir alcançar aos outros dois que levaram Baelfire. Já estavam fora de vista. Sem se importar com a sua própria segurança ou a segurança dos seus servos, Rumplestiltskin decidiu tentar resgatar seu filho, mesmo que fosse uma missão suicida. Sem pensar duas vezes, coxeou até onde o seu cavalo ainda estava amarrado e o montou, esporeando o animal na direção em que os captores foram.
***
Belle ainda estava na caverna com Ruby e os lobos. As mulheres perceberam como os animais pareciam agitados.
— Tem alguma coisa errada. — Ruby comentou enquanto tentava acalmar os animais.
— Espere aqui e segure eles que eu vou ver.
Belle saiu da caverna e quase foi atropelada pelo conde que vinha correndo a cavalo. Rumplestiltskin ao ver Belle puxou as rédeas fortemente fazendo seu cavalo parar bruscamente, empinando e quase derrubando seu dono.
— Belle, o que faz aqui? Eles também te pegaram?
— Eles, senhor?
— Normandos. Fomos atacados. Eles levaram Baelfire.
— Não!
— Eu estou indo atrás deles, não posso perder o meu filho.
— Por favor, senhor, é muito perigoso. O senhor está sozinho.
— Eu não vou deixar o meu filho se puder fazer alguma coisa. Não vou perder a Bae. — Falou com desespero.
— Mas se for podemos perder aos dois. Por favor, senhor. — Ela pediu enquanto colocava a mão dela sobre a dele que estava apoiada no cavalo. — Não vá sozinho.
— Eu não posso. — Ele falou com a voz suave e tirando a mão dela. — Volte para o castelo e avise do ataque, peça para os cavaleiros venham para cá. Enquanto eu estiver fora, Belle, você é quem comanda o castelo. Certifique-se que todos fiquem protegidos e bem e, acima de tudo, não permita que ninguém entre em meu quarto. — Suplicou pensando em suas ervas e poções escondidas no armário.
— Eu farei o que puder para ajudar. Tome cuidado, senhor, não permita que o matem.
— Eu vou tomar. Cuidado também. Não sei quantos ainda daqueles malditos estão por aí. A vida de Baelfire e a minha, mais uma vez, depende de você. Chegue segura e peça reforços para mim.
Sem outra palavra, Rumplestiltskin esporeou o seu cavalo e rapidamente sumiu de vista. Belle apenas teve tempo de ver Ruby acenando da caverna para ela ir. Ela saiu correndo de volta para o castelo e alertou a todos. Em pouco tempo, um grupo de cavaleiros partiu para ajudar Rumplestiltskin enquanto outro grupo menor ficou no castelo para defender a fortaleza. Muito assustada, ela fez a única coisa que lhe veio a cabeça. Pegou uma das facas na cozinha e foi até o quarto de Rumplestiltskin, parando na porta. Se invadissem o castelo, ela faria de tudo para defender o quarto de seu senhor e manter o segredo dele a salvo.
***
— Belle? — Rumplestiltskin sacudiu delicadamente o ombro dela, que dormia encostada na parede e segurando ainda a faca fortemente.
— Senhor? — Ela perguntou sonolenta e levantando-se rapidamente em seguida. — Seu filho?
Ele meneou a cabeça em negação.
— Eu não conseguiu encontra-lo. Eles fugiram antes que eu os alcançasse. Acho que foram pelo mar. — Disse com a voz embargada de tristeza. — Eu falhei com ele, Belle. — Confessou desabando sentado ao chão do lado dela.
— Você não o decepcionou. — Ela tentou acalma-lo.
— Eu o decepcionei. Quando Baelfire nasceu eu jurei para ele que nunca permitiria que ninguém lhe fizesse nenhum mal e agora eu nem sei se ele ainda está vivo. — Falou com desespero passando a mão por seus cabelos.
— Você não o decepcionou, vamos encontra-lo.
— Eu queria poder ter essa certeza. Sem ele eu não sou ninguém, Belle. Ele é a pessoa que eu mais amo e talvez a única que não me odeia. — Falou enquanto uma lágrima rolava pela bochecha dele.
— Eu também não te odeio, senhor. — Ela falou colocando uma mão sobre o braço dele.
Rumplestiltskin se virou e olhou para ela. Ele ainda estava muito abalado emocionalmente e sentia-se a beira das lágrimas.
— Por que você não me odeia?
— Você nunca me tratou mal, não me julgou por eu saber ler, até mesmo incentivou isso e me permitiu ler seus livros. Ainda tentou me dar uma escolha quando eu falei que seria obrigada a casar. Você me trata como uma pessoa e leva o que penso em consideração. Eu não te odeio, Rumplestiltskin. — Ela confessou abrindo os braços para ele em um convite.
— Belle... — Com um gemido estrangulado ele se deixou ser abraçado, chorando no ombro dela. — Eu vou matar aqueles que levaram Baelfire de mim. Queimar seus corpos. — Ele ameaçava com raiva enquanto suas lágrimas rolavam.
— Calma, vamos encontrar o seu filho. Tudo vai ficar bem. — Ela o acalmou.
— Se Bae morrer eu não vou ter mais razão para viver.
— Ele não vai morrer. Vamos conseguir encontrar ele antes de que algo ruim aconteça. Ele é valioso demais para que eles o matem assim. Se o quisessem matar já o teriam feito.
— Eu vou matar cada um deles. Uma vez fiz a besteira de deixar o Killian vivo, ele não terá mais essa chance quando eu puser minhas mãos nele. Aquilo eram homens dele.
Enquanto o conde lançava ameaças aos seus inimigos longes, Belle tentava acalma-lo. Depois de um tempo ela conseguiu o convencer a se levantar do chão, tratar as feridas em seus braços e dormir nem que fosse apenas por um par de horas. Ele precisaria de toda força que pudesse reunir se quisesse resgatar o seu filho.
Continua.
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