Notas iniciais
Meu, desculpa pela demora. Eu ia postar no dia seguinte ao que eu postei o capítulo anterior, porém percebei que se eu postasse o capítulo que tinha pronto, não ia ser bom pra história, daí escrevi outro capítulo pra vcs. Boa leitura, gente. (Ah, eu fiz um twitter, quem quiser me seguir é: @dudinsk_)

22h00. As ruas já não possuíam movimento algum. A cidade estava calma. Angeles decidira caminhar para relaxar um pouco. Caminhou tranquilamente, por Puerto Madero, até avistar a Ponte da Mulher. Encostou-se na grade e passou a fitar fixamente o rio. Sentiu uma mão encostar em sua cintura e virou-se rapidamente.

– Oi linda – Um rapaz, bem-arrumado, sorriu para ela – Se eu fosse você, não ficaria sozinha a esta hora na rua – Angeles franziu o cenho e afastou-se um pouco, ao que o rapaz se aproximou mais – Você não quer companhia para ir até sua casa? – A forma como ele dizia denotava uma segunda intenção, a qual estava deixando Angeles assustada.

– Eu sei me cuidar – Murmurou.

– Eu não tenho dúvidas disto, senhorita. Mas a cidade anda perigosa – Ele colocou a mão direita no braço dela – Eu a levo para casa – Angeles afastou-se mais e ele se aproximou mais – Está com medo?

– Não.

– Então, vamos comigo? – Ele tentou pegar o braço de Angeles e ela esquivou-se.

– Eu posso ir sozinha – Ele repetiu o ato anterior.

– É perigoso, senhori...

– Algum problema? – Angeles olhou através do rapaz e suspirou aliviada. O rapaz olhou para trás e deparou-se com German.

– Não é da sua conta, palhaço – O rapaz falou rispidamente e virou-se para Angeles – Vamos, minha linda? – German pressionou os dentes e permaneceu parado. Angeles olhava-o fixamente, como se estivesse perguntando se ele não ia fazer nada.

– Não está vendo que ela não quer? – German interveio. O rapaz revirou os olhos e virou-se para German.

– Olha, cara... Por que não nos deixa em paz? – O rapaz aproximou-se mais de German e falou baixo: – Ela é só mais uma vadiazinha, – German sentiu o sangue subir – aposto que vai gostar do que eu vou fazer com ela – Ele pegou o rapaz, que era um pouco mais baixo que ele, pela camiseta e “arremessou-o” longe. O rapaz levantou-se e German aproximou-se dele.

– Vai embora – Murmurou friamente – Deixe-a em paz.

O rapaz olhou-o furiosamente e virou-se para ir embora, mas, repentinamente, girou o corpo e lançou um soco no lado esquerdo do rosto de German. Em seguida, saiu correndo. German passou os dedos pelo canto da boca e olhou-o. Havia um pouco de sangue. Ele virou-se e encontrou Angeles encostada na grade, olhando fixamente para frente. Ele se aproximou e ela olhou-o. Angeles estava com os olhos encharcados. Ela virou-se para German e olhou para a boca dele. Passou, carinhosamente, os dedos pela boca dele.

– Desculpa por isto – Ela sussurrou – E obrigada – Balbuciou.

Angeles abaixou a cabeça e iniciou um choro silencioso. German engoliu em seco e, receosamente, foi encurtando a distância entre os dois, até envolver os braços no ombro e na cintura dela e fazê-la encostar a cabeça em seu ombro.

– Calma – German sussurrou.

Só então, Angeles percebeu o que estava acontecendo. De todas as pessoas que poderiam aparecer, ele apareceu. De todas as pessoas que poderiam confortá-la, ele o estava fazendo. Angeles sentia-se protegida e segura por estar entre os braços dele, como se nada pudesse fazê-la mal. Ela o encarou. Fungou e enxugou o rosto.

– Eu vou te levar pra casa agora – German disse baixo.

– Eu não quero ir pra casa – Angeles murmurou calmamente e encostou a cabeça no ombro dele de novo – Eu não quero ficar sozinha.

**

German parou o carro em frente ao edifício onde ficava o escritório e Angeles estranhou.

– Por que estamos aqui? – German saiu do carro, deu a volta e abriu a porta para ela. Angeles saiu calmamente.

– Sem perguntas, Saramego – Ele disse seriamente.

Os dois entraram no edifício e subiram até o último andar. Caminharam até o fim do corredor e German tocou a campainha. Margarida abriu a porta e franziu o cenho ao vê-lo.

– O que aconteceu com a sua boca?

Angeles saiu de trás dele e sorriu sem mostrar os dentes para ela.

– Acho que a culpa é minha.

– Angie – Margarida abriu os braços e Angeles abraçou-a. German estranhou e cruzou os braços – Está tudo bem, filha? – Angeles afastou-se e olhou-a.

– Está sim, dona Margô – Ela murmurou.

– Hm, sua carinha não é das melhores – Angeles sorriu – Entre. Conte o que aconteceu – Angeles entrou e Margarida encarou German.

– Eu perdi alguma coisa? – German perguntou seriamente – De onde a conhece?

– Daqui, oras. Outro dia eu a encontrei no elevador e a trouxe para cá. Ela chorava muito, sabe? Dava para ver que estava sofrendo – German permaneceu sério – Agora, vamos entrar, German. Você precisa fazer um curativo nessa boca.

Margarida entrou. German respirou fundo, entrou e fechou a porta. Retirou o paletó e repousou-o no encosto do sofá, depois se sentou em uma poltrona ao lado do sofá. Dona Margida voltou da cozinha com umas três pedras de gelo dentro de uma sacola e entregou-a a German. Em seguida, sentou-se ao lado de Angeles no sofá.

– Quer tomar alguma coisa, Angie?

– Não, obrigada, dona Margô.

– German? – Ele a olhou e negou com a cabeça – Agora me conte, o que aconteceu, Angie? – Angeles encolheu os ombros.

– Eu tomei um susto, dona Margô. Saí para caminhar um pouco e parei próximo a Ponte da Mulher.

– Que horas, Angie?

– Quase agora – German interveio e olhou-as como se estivesse dizendo que Angeles é uma irresponsável. As duas olharam-no.

– Sim – As duas se encararam – Eu queria relaxar um pouco, dona Margô – Angeles desviou o olhar – Eu estava lá tranquila e aí, do nada, apareceu um cara estranho, dizendo que eu não deveria ficar na rua aquela hora, que ele me acompanharia até em casa. Ele estava insistindo. O jeito dele era muito estranho – Angeles encarou-a – Eu comecei a ficar com medo. Aquele cara ia me levar sei lá para onde e ia fazer sei lá o quê... – Ela olhou para o chão – Acho que era o que teria acontecido...

– Mas aí o German apareceu!? – Margarida completou. Angeles olhou-a e assentiu. Margarida olhou para German e sorriu sem mostrar os dentes, ao que German desviou o olhar – E você estava onde, German? O Pablo me ligou preocupado dizendo que havia saído nervoso do escritório e perguntando se estava aqui – German encarou-a.

– Eu fui dar uma volta – Ele disse calmamente.

– E o que aconteceu com sua boca?

– Ele levou um soco por me defender – Angeles interveio.

– Não exagere, Saramego. Eu não a “defendi”, o cara não estava fazendo nada a você – German murmurou secamente. Angeles bufou e encarou Margarida.

– Posso usar o banheiro, dona Margô? – A senhora assentiu.

– É a segunda porta do corredor.

Angeles levantou-se e caminhou até o banheiro. Margarida olhou para German, enquanto ele observava fixamente o chão.

– Você precisa aprender a ser menos grosso com as pessoas, German. Principalmente, com a Angie – German olhou-a.

– Eu não fui grosso, só disse a verdade. Ela está exagerando. Não ia acontecer nada.

– Mas, mesmo assim, você ficou com medo – German engoliu em seco – Você não teria interferido se não achasse que ela corria algum tipo de risco – Ele desviou o olhar – German, – Ele a olhou – eu vou perguntar uma coisa e eu quero que você seja muito sincero. O que se passa entre vocês dois? – German respirou fundo.

– Nada – Murmurou.

– Tem certeza? – German apenas assentiu. Margarida suspirou pesadamente – Eu vou pegar as coisas pra fazer um curativo nessa boca – Margarida disse para German.

– Não precisa – German murmurou.

Margarida ignorou-o e levantou-se. Angeles voltou e sentou-se no sofá.

– Onde a dona Margô foi?

– Pegar as coisas pra fazer um curativo – Angeles assentiu e aproximou-se.

– Posso ver? – Ao perguntar isto, colocou a mão sobre a de German e afastou-a um pouco do rosto dele. German olhava-a seriamente – Está um pouquinho inchado – Angeles encarou-o e perguntou baixo: – Está doendo? – German negou, lentamente, com a cabeça.

Os dois ficaram olhando-se profundamente. Sem perceber, Angeles foi encurtando a distância até encostar seus lábios aos de German. Ficaram presos em um selinho demorado, até Angeles dar-se conta do que estava fazendo e tentar afastar-se. Mas, subitamente e sem dar tempo para ela se afastar, German jogou o saco com gelo no chão, colocou a mão esquerda em sua nuca e puxou-a de volta, iniciando um daqueles beijos de novela. Angeles colocou as duas mãos no rosto dele e começou a acariciá-lo. O beijo foi ficando calmo e eles se separaram lentamente. Olhavam-se seriamente. Angeles afastou-se de German e ambos olharam para a direção do corredor da casa, onde dona Margarida estivera parada o tempo inteiro. Os olhos dela estavam arregalados e a boca escancarada. German levantou-se e caminhou até a janela. Angeles desviou o olhar.

– Desculpa, dona Margô – Angeles murmurou. Margarida aproximou-se e passou a mão pelo cabelo de Angeles, fazendo-a olhá-la.

– Está tudo bem, filha – Respirou fundo – Na verdade, está tudo ótimo – Ela olhou para German – Acho que sua boca já recebeu os devidos cuidados, German – Angeles corou. German virou-se seriamente. Ele caminhou até dona Margarida e pegou a pequena caixa de primeiros socorros.

– Eu mesmo faço o curativo – E dirigiu-se ao banheiro.

Margarida sentou-se ao lado de Angeles.

– Ele ficou bravo, né? – Angeles encolheu os ombros.

– Foi só um beijo.

– Assim como o beijo daquele baile que você me contou – Angeles desviou o olhar e assentiu – Angie, seja sincera, você está apaixonada por ele? – Angeles entreabriu a boca e encarou dona Margarida. Respirou fundo e forçou um sorriso.

– C-Claro que não, dona Margô. E-Eu e o Castillo não nos suportamos – Dona Margarida sorriu.

– Não foi o que eu vi agora há pouco – Angeles ficou sem graça e desviou o olhar.

– Essas coisas, às vezes, acontecem – Angeles suspirou – É só mais um beijo que não significou nada – Angeles levantou-se e aproximou-se do piano que ficava em um canto da sala.

– Sabe tocar? – Angeles olhou-a e assentiu – Pode tocar se quiser, Angie.

– Mesmo? – Margarida assentiu.

Angeles sentou-se em frente ao piano e começou a tocar a música “All I Ask Of You”, da obra O Fantasma da Ópera. Ela adorava a história e adorava a música. Sem que ela soubesse o porquê, o sentimento daquela música fazia completo sentido agora. German apareceu lentamente na sala e passou a fitá-la fixamente. Quando jovem, O Fantasma da Ópera era sua obra preferida. Angeles olhou-o enquanto tocava, ao que ele desviou o olhar. German entregou a caixa de primeiros socorros à dona Margarida e pegou o paletó.

– Vamos embora, Saramego – Angeles parou de tocar e olhou-o.

– Que falta de educação interrompê-la, German – Margarida interveio – Continue, Angie.

– Não – German falou seriamente – Está tarde – Ele suspirou e encarou dona Margarida – Nós vamos trabalhar amanhã – Murmurou. Angeles levantou-se e dona Margarida também.

– Às vezes, você parece um velho chato, German – German assentiu e deu um beijo na testa da senhora.

– Até mais, dona Margô – Encarou Angeles – Eu espero você lá embaixo – Falou secamente e partiu. Angeles aproximou-se de Margarida e sorriu sem mostrar os dentes.

– Desculpa incomodá-la, dona Margô. E desculpa por... Pelo... Pelo beijo – Margarida sorriu.

– Você não incomoda, Angie. Volte mais vezes.

– Pode deixar – As duas se abraçaram.

– E com relação ao beijo, – Elas afastaram-se – eu gostei de ver vocês assim – Angeles permaneceu séria – O German precisa agir por impulso às vezes. Quando a gente age por impulso, a gente age por aqui – E apontou para o próprio coração. Em seguida, deu um beijo na bochecha de Angeles – Boa noite, filha.

**

– Por que demorou? – German perguntou assim que Angeles apareceu no hall de entrada do edifício.

– Eu estava conversando com a dona Margô – German suspirou e virou-se – Desculpa – Ela murmurou e seguiu-o.

Os dois saíram do prédio e Angeles passou a tremer por conta do ar gelado da noite. German olhou-a seriamente.

– Está com frio? – Ele perguntou baixo, meio acanhado.

– Não, é uma dança nova que eu estou fazendo – Angeles ironizou. German bufou, mas acabou colocando seu paletó sobre as costas dela – Obrigada.

German continuou caminhando até o carro e, sem querer, sorriu sem mostrar os dentes e sem deixar que ela percebesse. Aos poucos, ficou sério e balançou a cabeça. Entrou no carro no mesmo instante que Angeles e deu partida. Durante todo o trajeto, German olhara atentamente para o espelho retrovisor e reparara que uma moto os seguira o tempo inteiro. Ele não queria colocar Angeles em risco, afinal, e se o cara da moto fosse o mesmo que a assediara?

Angeles estranhou quando German entrou no estacionamento subsolo de um prédio luxuoso. Ele estacionou o carro e saiu, sem dizer uma única palavra. Abriu a porta para ela e esperou que ela saísse para poder fechar.

– Pode me dizer onde estamos?

German travou o carro, segurou o braço de Angeles suavemente e caminhou com ela até o elevador mais próximo. Subiram até o vigésimo andar, onde ficava a cobertura. German caminhou até a última porta do corredor e abriu-a. Deixou um espaço para Angeles entrar e depois entrou. Angeles olhou ao redor. A porta dava direto para uma sala grande, com uma cômoda encostada na parede da esquerda, um pequeno bar do outro lado da sala, no canto esquerdo, um sofá cinza e uma poltrona da mesma cor, dispostos mais para a direita da sala e uma televisão presa à parede direita da sala. O outro cômodo, à direita, parecia ser uma sala de estar ao lado da cozinha e, à esquerda, parecia ser o quarto. Era um daqueles apartamentos cujo os cômodos não possuíam portas, a única divisão era a parede. O piso era um porcelanato preto e os lustres eram simples e modernos. Todo o apartamento era moderno.

– Por que me trouxe para o seu apartamento? – Perguntou enquanto German deixava a carteira e as chaves em cima da cômoda.

– Se você prestasse mais atenção, – German começou enquanto afrouxava a gravata e caminhava até o bar – veria que tinha uma moto nos seguindo.

– E daí? – German preparou um whisky.

– E daí que você vai passar a noite aqui – Angeles franziu o cenho.

– Você não me perguntou se eu quero a passar a noite aqui – German bufou e encarou-a.

– É porque eu não me importo com o que você quer.

Angeles suspirou pesadamente. German terminou de preparar o whisky e abriu a porta da sacada.

– Eu queria tomar um banho – German bufou.

Voltou ao bar, repousou o copo no balcão, caminhou até o quarto, pegou uma toalha e um roupão, voltou para a sala e jogou-os para Angeles. Depois, pegou o copo e caminhou novamente até a sacada.

– Obrigada – Angeles murmurou, sabendo que ele não a escutara.

Angeles tomou um rápido banho, secou-se e colocou o roupão. Saiu do banheiro e reparou na cama de German. Sua cama ficava encostada na parede do banheiro e na parede oposta havia uma televisão. O armário estava embutido na parede à sua direita.

Ela respirou fundo e caminhou até a sala. As luzes estavam apagadas, apenas um abajur aceso. Caminhou até a sacada e encontrou German sentado em uma cadeira, observando fixamente a vista a sua frente.

– Onde eu vou dormir? – Ela perguntou calmamente.

– Na minha cama – German murmurou e tomou o resto do whisky que havia no copo.

– E... E onde você vai dormir? – German bufou, levantou-se e parou de frente para ela.

– No sofá – Angeles assentiu.

German passou por ela e caminhou até o quarto. Angeles seguiu-o. Ele entrou no banheiro antes que ela pudesse falar algo. Angeles sentou-se na cama e inclinou o tronco até conseguir sentir o cheiro do travesseiro. Sentiu o cheiro do perfume de German e deixou o rosto afundar no travesseiro. Depois, deitou completamente na cama e girou o corpo, de modo que ela ficasse no lado esquerdo da cama. Colocou uma sacola com suas coisas no chão, ao seu lado, e ficou virada para o centro da cama, esperando que German saísse do banheiro.

Após dez minutos, ele saiu com uma toalha presa na cintura, fazendo uma corrente elétrica percorrer por todo o corpo de Angeles. German aproximou-se da cama e Angeles engoliu em seco. German ignorou o olhar de Angeles, pegou a roupa que usava para dormir debaixo do travesseiro e voltou para o banheiro. Angeles soltou todo o ar que havia prendido. German saiu poucos minutos depois vestindo uma calça de moletom preta e uma camiseta básica, também preta. Ele acendeu a luz do abajur que ficava em cima do criado-mudo ao lado da cama, conectou o celular no carregador e apagou a luz.

– Eu não me importo de você dormir aqui – Angeles murmurou.

– Não é uma boa ideia.

– A cama é grande, Castillo. Dá para nós dois dormirmos tranquilamente sem nem precisarmos encostar um no outro – German respirou fundo.

Por fim, ele decidiu deitar-se. Angeles sorriu sem mostrar os dentes e ficou observando-o atentamente. Conseguia vê-lo por conta da luz da lua que atravessava a cortina branca do quarto de German. German deitara com a barriga para cima e repousara as mãos na barriga. Possuía um semblante preocupado, o qual deixava claro que sua mente estava tumultuada. Angeles foi ficando séria aos poucos e percebeu que a última coisa que fariam naquela noite seria dormir.

German virou-se para o centro da cama também e encontrou o olhar de Angeles sobre ele.

– O que foi? – Ele perguntou.

– Eu não consigo dormir – Ela murmurou. German respirou fundo – Sua cama é macia – Angeles sorriu sem mostrar os dentes – Dá vontade de ficar pulando – Ela começou a mexer o corpo e balançar a cama.

– Para – German disse calmamente e Angeles continuou – Para, Saramego – Ela continuou e German bufou. Em seguida, colocou parte do tronco sobre Angeles e um braço de cada lado dela – Para – German disse seriamente.

Mas ele nem precisaria dizer nada, pois Angeles parara no momento em que ela o vira se aproximar. Agora, ambos estavam respirando profundamente e seus corações pareciam verdadeiros tambores, de tão rápido e forte que batiam. German sentia um frio na barriga, como há muitos anos não sentia. Após alguns minutos encarando-se profundamente, German passou a olhar para os lábios de Angeles e, aos poucos, foi encurtando a distância. Angeles colocou as mãos na nuca de German e puxou-o suavemente até que não houvesse mais distância alguma. Os dois fecharam os olhos no mesmo instante e entregaram-se a um beijo calmo e tranquilo, o qual dava para sentir o roçar carinhoso das duas línguas.

O calor daquele beijo fora aumentando gradativamente. De um beijo calmo fora para um beijo voraz, cheio de desejo, tesão e paixão. German colocou a perna direita entre as pernas de Angeles e foi então que ela sentiu a rigidez dele. Ela soltou um gemido discreto durante o beijo. Angeles passou as mãos por baixo dos braços de German e segurou a barra da camiseta dele. Começou a levantá-la lentamente, até que ele ergueu o tronco e tirou-a. German fitou-a e caiu em si.

“O que eu estou fazendo?”, perguntou-se, e pensou em seguida: “Eu não posso fazer isto com ela”. Ele respirou fundo e deitou-se, lentamente, sobre ela. Angeles percebeu que algo estava estranho.

– O que foi? – Ela sussurrou e começou a acariciar o rosto de German.

– Eu não posso – Ele sussurrou e respirou fundo.

– Vai me rejeitar mais uma vez?

– As coisas entre nós não vão mudar.

– Para de pensar no resto – Angeles deu um selinho demorado em German e depois sussurrou: – Concentre-se no agora.

German ficou olhando-a por alguns minutos. Reparou em cada traço do rosto de Angeles. Ela era tão perfeita aos seus olhos. Aquela boca rosada e carnuda, aqueles olhos verdes grandes e hipnotizantes, olhando-o com vontade e pedindo carinho. Aos olhos dele, Angeles era pura e ingênua. Tocá-la seria como sujá-la com toda a podridão que havia dentro de si. Era como ele se sentia. Ele sabia que seria um erro dar a ela o que ela estava pedindo, mas o fato é que estava sendo, cada vez mais, impossível resistir a ela.

– Vai ficar me olhando estranho a noite inteira? – Angeles murmurou e abriu um sorriso.

A verdade é que German ficaria, sim, olhando-a uma noite inteira. E uma vida inteira também. É claro que ele jamais admitiria isto. Só que ver Angeles sorrir sempre quebrava suas pernas e deixava-o vulnerável. Ficar vulnerável em um momento como aquele, era pedir para se entregar. E foi o que ele fez. Vê-la sorrir fê-lo esquecer de todo o resto. Dentro daquele quarto, haviam apenas Angeles e German, sem qualquer cobrança, sem qualquer pressão do mundo, sem preocupações ou brigas. Só os dois.

German beijou-a lentamente e, após alguns minutos, colocou a mão direita sobre a cintura de Angeles, por cima do roupão. Acariciou-a tranquilamente. Depois, levou a mão ao laço do roupão e afastou-se um pouco para olhar Angeles. Ela sorriu e mordiscou o lábio inferior, fazendo German respirar profundamente para manter-se no controle de si próprio. Ele desfez o laço vagarosamente, sem tirar os olhos de Angeles, e abriu o roupão. German colocou a mão aberta sobre a cintura de Angeles e, apenas por sentir ao mão dele diretamente em sua pele, Angeles estremeceu.

– Tudo bem? – Ele sussurrou.

Aquele, definitivamente, não era o German habitual. Ele estava sendo cuidadoso e, de certa forma, carinhoso. Não queria, de forma alguma, desrespeitá-la como mulher e, muito menos, machucá-la. Ele queria que ela tivesse prazer, acima, até mesmo, do seu prazer.

Ele girou o corpo, fazendo-a ficar por cima dele. German sentou-se, com ela ainda por cima dele. Os dois encaravam-se fixamente, como se desviar o olhar significasse acabar o momento. German retirou o roupão de Angeles e colocou-o de lado. Lentamente, abraçou a cintura dela e passou a beijar e chupar carinhosamente os seios de Angeles. Ela, por sua vez, fazia movimentos suaves com o quadril, deixando-o com mais tesão.

Chegou um momento que German não aguentou mais. Ele encarou Angeles, fincou os dedos da mão direita no cabelo dela e beijou-a suavemente. Aos poucos, deitou-se novamente com ela e girou o corpo, deixando-a por baixo mais uma vez. Ele passou a acariciar o rosto de Angeles, como nunca fizera antes com nenhuma outra mulher. Ao menos, não durante o sexo.

German afastou o rosto e suspirou.

– Você tem certeza? – Sussurrou.

– Eu nunca estive tão certa sobre algo como agora – German engoliu em seco.

– Mas... – Angeles colocou o indicador sobre a boca de German.

– Eu confio em você.

German respirou fundo. Esticou o braço, abriu a gaveta do criado-mudo, retirou um pequeno pacote e abriu-o. Retirou a camisinha de dentro do pacote e ficou um pouco de lado para retirar a calça. Tudo com a maior destreza. Ele colocou a camisinha e posicionou o quadril entre as pernas de Angeles. Encarou-a seriamente.

– Esquece o mundo – Angeles sussurrou – Somos só eu e você agora.

German engoliu em seco, fechou os olhos e beijou-a. Por fim, entregou-se de corpo e alma àquilo. Naquele momento, era como se os corpos dos dois tivessem se fundido e tornado-se um só. Eram verdadeiros amantes selando a sua paixão, o seu desejo ou seja lá o que eles sentissem um pelo outro.

Quando ambos chegaram ao seu ápice, German acariciou-a suavemente e ficou olhando-a. Angeles sorria e acariciava o cabelo dele.

– Eu já volto – Ele sussurrou e depositou um beijo carinhoso na testa dela.

Levantou-se, foi ao banheiro e olhou-se no espelho. Suspirou pesadamente e irritou-se quando percebeu que seu coração ainda batia aceleradamente. Quando saiu do banheiro, encontrou Angeles dormindo, com as costas desnudas para cima. Ele respirou fundo e deitou-se ao lado dela. Puxou um lençol que estava nos pés para cobri-la. Depois, acariciou as costas dela com as pontas dos dedos e fitou-a profundamente. “Tão linda... Tão... Pura”, pensou. Envergonhou-se por tê-la sujeitado a transar com ele. Como se ela não quisesse. E, convenhamos, o que eles tiveram, foi muito além do que apenas sexo. Foi muito mais intenso, muito mais... Carinhoso. German estava acostumado com aquele sexo mesquinho e egoísta, estava pouco ligando se sua parceira teria algum tipo de prazer, mas com Angeles... Com Angeles, a história era bem diferente.

German adormeceu enquanto acarinhava as costas de Angeles e acordou com o espaço dela vazio em sua cama. Procurou-a por todos os cantos do apartamento e não a encontrou. Ele não sabia o porquê, mas ficara decepcionado. Ora, o que ele esperava? Acordar ao lado dela, tomarem café da manhã juntos e irem para o escritório juntos? Como dois felizes pombinhos? Não. German havia dito que as coisas entre eles não mudariam e Angeles sabia que ele falava sério, que a noite que tiveram fora mágica, mas passageira. Um momento apenas. Um momento que, como todos os outros, acabou-se.

Notas finais
E aí? :D