¿Que nos está pasando?

9 Boa sorte, Saramego


Notas iniciais
Olá. Demorei, mas to aqui, rs. Boa leitura, meninas.

German chegou ao escritório mais tarde do que o normal. Assim que a porta do elevador se abriu, German deu de cara com Angeles. Seu coração acelerou e ele respirou fundo. Ela abriu um sorriso discreto, que foi ignorado por German, pois ele permaneceu sério e passou por ela sem nem dizer um oi. Angeles ficou séria e entrou no elevador.

German entrou em sua sala, fechou a porta, virou-se furioso e chutou o primeiro objeto que viu, o sofá. Depois, preparou um whisky e sentou-se em sua cadeira. Afrouxou a gravata e recostou-se na cadeira. Tudo o que ele queria era relaxar. Não queria pensar em nada. Pela primeira vez, depois de muitos anos, German não conseguia controlar o tumulto em sua mente.

– Isso são horas de você chegar no escritório? – Pablo brincou após entrar na sala – São quase 11h, German – German encarou-o.

– Sai da minha sala, Pablo – Murmurou. Pablo franziu o cenho e fechou a porta.

– O que foi?

– Eu quero ficar sozinho – Pablo aproximou-se da mesa e sentou-se.

– O que aconteceu, German? – Ele perguntou calmamente – Ontem você saiu nervoso daqui e hoje está... Estranho. E... A dona Margô me ligou hoje – German pressionou os dentes – Disse que você passou na casa dela ontem. Junto com Angie.

– E daí? – German perguntou baixo.

– Ela me disse que você ajudou Angie ontem – Pablo sorriu sem mostrar os dentes – Fiquei orgulhoso de você.

– Eu não tenho dez anos e você não precisa me felicitar por fazer uma coisa que qualquer um faria – German murmurou secamente. Pablo ficou sério e encostou na cadeira.

– Não se cansa de ser um babaca, German? – Pablo perguntou calmamente e German negou com a cabeça. Pablo suspirou e levantou-se – O senhor Miguel me ligou. Ele precisa resolver umas coisas e vai trazer a Violetta para almoçar com você – German assentiu e Pablo partiu.

**

– Angie – Jackeline chamou-a. As duas estavam almoçando em um restaurante no centro de Buenos Aires. Angeles permaneceu distraída – Angie – Jackeline estalou os dedos em frente ao rosto da amiga. Angeles olhou-a seriamente.

– Que?

– Você está distraída. O que foi?

– Nada – Angeles suspirou e desviou o olhar – Nada de importante.

– Angie... Você não me engana – Angeles olhou-a – O que foi?

De repente, Angeles olhou para a porta do restaurante e ficou nervosa. Violetta estava entrando no restaurante, junto com German. Violetta viu-a de imediato e correu até ela para abraçá-la. German aproximou-se lentamente.

– Angieee – Abraçou-a – Eu estava com tanta saudade de você – Violetta murmurou e afastou-se dela. Virou-se para Jackeline – Oi, Jackie – Cumprimentou-a e voltou a fitar Angeles.

– Eu também estava com saudade, Villu – Angeles sorriu sem mostrar os dentes.

German parou atrás de Violetta e evitou encarar Angeles.

– Violetta, não as incomode. Vem – Ele tentou puxá-la, mas Violetta permaneceu no lugar.

– Elas não vão se importar se sentarmos com elas – Violetta olhou para as duas – Vão? – Ambas negaram lentamente com a cabeça.

– Não é uma boa ideia – German insistiu.

– Tio German... Por favor – Violetta pediu com as duas mãos juntas e fez uma cara de pidona. German respirou fundo e assentiu. Violetta sentou-se ao lado de Angeles e German ao lado de Jackeline – E então, como estão as coisas, Angie? Você sumiu! – German olhava fixamente para a mesa.

– Estão bem, Villu – Angeles sorriu sem mostrar os dentes – E para você? Como estão as coisas?

– Tá tudo bem – Violetta falou calmamente e suspirou. Debruçou-se na mesa e seu olhar ficou vago – O vovô que não está bem – Angeles franziu o cenho e olhou rapidamente para German, que passara a fitar Violetta.

– Ele disse isto? – Angeles perguntou.

– Não. Ele não me diz essas coisas – Violetta olhou-a – Mas ele está estranho. Ontem ele passou o dia inteiro distraído – German pressionou os dentes.

– Você não vai almoçar, Violetta? – Ele interveio, tentando sair daquele assunto. Violetta encarou-o e assentiu – Então, vam...

– Eu a levo – Jackeline interrompeu German e olhou para Violetta – Aqui é self-service, Villu – Jackeline levantou-se – Eu te ajudo a fazer o prato – Violetta levantou-se e acompanhou Jackeline.

German respirou fundo e voltou a fitar a mesa. Angeles olhava-o atentamente.

– Nós nunca falaremos sobre a noite passada? – Ela cortou o silêncio. Ele apenas respirou fundo.

– Eu te avisei que nada mudaria entre nós – German murmurou friamente sem olhá-la.

– Eu sei – Angeles disse calmamente e German olhou-a – Eu lembro o que você disse. Eu só achei que deveríamos falar sobre o que aconteceu.

– Para quê? – German respondeu rispidamente – Não há nada para falar. Não aconteceu nada de mais ontem. Foi como todas as outras transas que eu tenho – Angeles pressionou os dentes – Não tem porquê falarmos sobre isto.

Será mesmo que aquele momento não fora igualmente intenso para ambos? Será que só Angeles havia sentido isto?

Ela abaixou a cabeça e segurou o choro. Segurou o máximo que pôde.

– Tudo bem – Angeles murmurou e encarou-o – Vamos esquecer este assunto.

– Eu já esqueci – German disse secamente. Angeles assentiu e respirou fundo. Cerrou os punhos, abaixo da mesa, com a maior força que pôde.

Após alguns minutos, Violetta voltou com Jackeline. As duas conversavam e sorriam. Sentaram-se e pararam de conversar. Jackeline encarou Angeles seriamente e percebeu que algo não estava bem.

– Vocês brigaram? – Violetta perguntou sem rodeios – Estão estranhos – Olhava de um para outro. Violetta bufou, olhou para Jackeline e disse: – Eu sabia que não era uma boa ideia deixá-los sozinhos.

O jeito como ela falou fez Angeles soltar um risinho anasalado. Ela trouxe Violetta para perto de si e depositou um beijo carinhoso na cabeça da garota.

– Nós não brigamos, mocinha – Violetta olhou-a – Está tudo bem, – Encarou German e arqueou uma sobrancelha – não é? – Ele apenas assentiu.

– Hm – Violetta resmungou e olhou para German – Você não vai almoçar? – Ele negou com a cabeça – Você precisa comer, se não ficará doente – Angeles e Jackeline sorriram sem mostrar os dentes diante da preocupação de Violetta – O vovô sempre me diz isto.

– Não se preocupe, Violetta – Ele murmurou.

Violetta começou a comer e, enquanto isto, um silêncio instalara-se sobre a mesa. German olhava fixamente para a mesa. Angeles olhava para todos lugares possíveis, menos para German. E Jackeline observava Angeles.

Após os dez minutos mais longos da vida de Angeles, Violetta terminou de comer.

– Pronto? – German perguntou sem pensar duas vezes.

Ele também queria sair dali. Ele precisava sair. Estar no mesmo lugar que Angeles e ainda poder lembrar do toque dela, da pele, do beijo, estava deixando German louco. Ele precisava sair dali se não ia explodir.

– Sim, tio German, mas...

– Eu preciso voltar pro escritório, Violetta – Violetta bufou.

– Tudo bem – Murmurou. German levantou-se. Violetta olhou para Angeles – Angie, podemos nos ver mais daqui pra frente? É que eu senti saudade durante esse tempo que não nos vimos – Angeles sorriu e passou a mão pelo rosto de Violetta.

– É claro que podemos, Villu. Eu vou ligar para o seu avô e aí nós combinamos algo. Poderíamos ir ao cinema, não? – Violetta sorriu.

– Eba – Violetta abraçou-a – Então, – Afastou-se e deu um beijo na bochecha de Angeles – até loguinho.

– Até logo, pequena.

Violetta despediu-se de Jackeline e acompanhou German até o caixa para pagar a conta. Angeles soltou o ar e desviou o olhar.

– Nós também precisamos ir – Tentou levantar-se, mas Jackeline conseguiu segurar seu braço.

– Não – Angeles olhou-a – Não vamos sair daqui enquanto você não me contar o que ele fez desta vez – Angeles franziu o cenho.

– Contar o que quem fez?

– O Castillo.

– Por que sempre acham que tudo o que acontece comigo é culpa dele?

– Porque sempre é – Jackeline respondeu seriamente. Angeles balançou a cabeça e fechou os olhos. Quando abriu os olhos, eles estavam molhados. Jackeline suspirou pesadamente e adotou um tom calmo na voz – Qual é, Angie? O que foi? – Angeles respirou fundo e deixou uma lágrima escorrer, enxugando o rosto logo em seguida.

– É uma longa história.

– Nós temos tempo – Jackeline fez uma careta – Na verdade, não temos, mas... Você está trabalhando no seu próprio caso e eu não tenho muito o que fazer, então... Pode começar.

Angeles não se importou porque, de verdade, ela não estava com a mínima vontade de voltar para o escritório.

– Ok – Angeles murmurou – Bom... – Respirou fundo e começou: – Ontem à noite, eu saí para caminhar. Era tarde já. Umas 22h, sei lá. Eu parei perto da Ponte da Mulher e fiquei ali, apenas para relaxar. Do nada, chegou um cara e ficou se oferecendo pra me levar pra casa e eu comecei a ficar assustada. Eu acho que ele não ia desistir. Só que aí quem apareceu bem na hora? – Angeles arqueou as sobrancelhas – O Castillo. E ele me ajudou a me livrar do cara. Ele expulsou o cara, ainda levou um soco na boca, e depois... – Angeles encolheu os ombros, fez uma pausa e murmurou: – Ele me abraçou. Não fui eu que corri para os braços dele, eu nem precisei pedir – Angeles suspirou – Ele simplesmente me abraçou.

– E como foi? – Angeles desviou o olhar.

– Foi bom – Disse baixo e abaixou a cabeça – Eu me senti protegida – Encarou Jackeline e suspirou – Que merda, não? Qualquer outra pessoa poderia ter aparecido mas... Justo ele – Angeles abaixou a cabeça – Depois, ele me levou para a casa da dona Margô – Jackeline surpreendeu-se.

– Dona Margô? – Angeles encarou-a – Que mora no último andar de onde fica o escritório? – Angeles assentiu calmamente.

– Ela mesma – Sorriu sem mostrar os dentes – Ela é um amor de pessoa. Quando eu a conheci, passei a gostar dela na hora. Eu te contei do dia em que a conheci, não contei?

– Aham – Jackeline estava pensativa – Pera aí... O Castillo te levou até o apartamento da dona Margô, que, segundo o Pablo, é como uma mãe para ele?

– Sim, Jackie – Angeles respondeu seriamente – Por que está tão surpreendida? – Jackeline encolheu os ombros e desviou o olhar.

– Sei lá, é que... – Jackeline encarou-a – O Castillo é do tipo que jamais colocaria uma pessoa qualquer dentro da casa de alguém que ele ama. Quer dizer... Ele jamais apresentaria uma qualquer para a dona Margô – Angeles revirou os olhos.

– Posso continuar?

– Claro – Angeles suspirou.

– Nós... Nos beijamos – Jackeline arqueou as sobrancelhas – É. Na casa da dona Margô. E ela viu – Angeles balançou a cabeça – Eu fiquei com muita vergonha – Jackeline sorriu – Nós parecíamos dois adolescentes – Angeles bufou – Por que está sorrindo?

– Porque é engraçado imaginar a cara da dona Margô quando viu vocês dois juntinhos. É uma raridade ver o Castillo sendo tão... Humano. Sei lá, ele nunca, nem sequer, dá um bom dia para as pessoas. Ele despreza todo mundo. Ninguém espera que ele fique por aí aos beijos com uma funcionária.

– É, eu sei, Jackie – Angeles suspirou e desviou o olhar – A dona Margô me disse que foi bom ver aquele beijo. Ela falou algo sobre ele agir por impulso. Só que... Eu nunca tenho certeza se ele age por impulso ou com a única intenção de me machucar.

– Por favor, Angie... – Angeles encarou Jackeline – Só pelo beijo do baile, dá pra perceber que quando vocês estão perto um do outro, é por impulso que ele age. Não só ele, você também.

– Que seja... – Angeles suspirou – Não importa – Engoliu em seco e abaixou a cabeça – Depois que saímos da casa da dona Margô, ele me levou para o apartamento dele – A boca de Jackeline formou um O – porque disse que havia um cara com uma moto nos seguindo – Angeles encarou-a e piscou os olhos lentamente – Não faça essa cara – Pediu baixo – Fica mais difícil de contar a pior parte – Jackeline fechou a boca e ficou séria. Angeles respirou profundamente e seus olhos lacrimejaram.

– Angie, o que aconteceu? – Jackeline já imaginava – Vocês não tran...

– Sim, Jackie – Angeles interrompeu-a e deixou as lágrimas escorrerem. Jackeline respirou fundo e colocou a mão sobre a mão de Angeles, em cima da mesa – Mas eu não estou assim porque estou arrependida. Eu não estou arrependida – Angeles bufou e desviou o olhar – O German que estava comigo ontem à noite não era o German que nós conhecemos e odiamos – Angeles balançou a cabeça e fechou os olhos – Ele foi tão... Cuidadoso... Atencioso... – Angeles olhou para Jackeline – Até carinhoso. Mas eu sabia que seria passageiro, que aquilo ia acabar – Angeles suspirou e desviou o olhar – Eu acordei antes dele. Ele estava me abraçando por trás e o rosto dele estava no meu ombro. Eu sentia a respiração dele. Ele estava dormindo tão tranquilo que...

– Você não queria ir embora! – Jackeline afirmou e Angeles olhou-a.

– É. Mas eu não podia ficar – Angeles abaixou a cabeça – Aí eu fui embora.

– Se você não se arrependeu, por que ficou mal? – Angeles bufou.

– Porque eu sabia que nada mudaria entre nós, mas, bem lá no fundo, tinha uma pontinha de esperança... Por um momento, eu me iludi – Ela encolheu os ombros – E ele sabe que eu cometi esse erro, porque ele fez questão de acabar com essa ilusão – Jackeline bufou.

– Cretino!

– Mas foi até bom, Jackie... Porque aí, de agora em diante, não vão mais haver coisas entre nós – Angeles encolheu os ombros – Logo logo, eu vou embora e eu não vou precisar suportá-lo mais.

– Será? – Angeles suspirou – Será que não vai mais precisar suportá-lo?

**

Um mês depois...

Abril/2012

Angeles ficou até mais tarde no escritório. Estava mais empenhada do que nunca no caso de Rafael Conti. Desde o episódio com German, mergulhara de cabeça no trabalho, para evitar qualquer pensamento que o envolvesse. Durante o mês que passara, os dois pouco se viram e quando se viam, faziam questão de ignorar a presença um do outro.

Eram 22h e Angeles trabalhava tranquilamente no escritório de Matias, quando escutou batidas nervosas na porta da sala. Ela franziu o cenho e caminhou até a porta. Abriu-a lentamente e deparou-se com um homem alto e calvo, que forçou um sorriso ao vê-la, e um outro homem, que possuía bigodes e estava um pouco fora de forma.

– Quem é você? – Angeles perguntou apreensiva.

Neste momento, German saiu de sua sala e aproximou-se. Ignorou o olhar de Angeles e suspirou.

– O que você quer, Gregório? – Gregório era da polícia e também fazia parte do crime organizado. Aos poucos, um por um ia aparecendo.

– Não é da sua conta – Gregório respondeu rispidamente e olhou para Angeles – Podemos conversar, senhorita?

– Desculpe, senhor, mas... Está tarde, eu já estava indo embora – Gregório olhou para a mesa através de Angeles e avistou vários papéis em cima da mesa.

– Não parece que estava indo embora – Gregório encarou-a – Eu só quero te deixar a par de algumas coisas. É um assunto rápido.

– Se é um assunto rápido, por que trouxe o seu capanga? – German interveio. Gregório revirou os olhos e fitou German.

– Por precaução. Pode nos deixar em paz?

– Precaução? O que poderia acontecer durante sua conversa com ela? – Gregório encolheu os ombros.

– Poderia ter algum intrometido que precisasse se dar conta de que não é bem-vindo na conversa – German estreitou os olhos e pegou-o pelo colarinho.

– Eu sei porque você está aqui, mas você não vai encostar em um fio de cabelo dela – Gregório soltou uma risada sarcástica.

– Não sei porque está com medo, Castillo. Eu não farei nada com ela. Só quero conversar.

– Solte-o, German – Angeles disse com certa firmeza.

Pela primeira vez, ela conseguiu chamá-lo pelo primeiro nome. De alguma forma, ficar longe dele, dera confiança para enfrentá-lo.

German olhou-a seriamente e respirou fundo. Soltou Gregório e colocou as mãos no quadril.

– Eu sei me defender sozinha – Ela disse, por fim. German pressionou os dentes. Angeles olhou para Gregório – Pode entrar.

Gregório entrou, seguido pelo outro homem e por German. Angeles balançou a cabeça e fechou a porta. Caminhou até o canto direito da sala e encostou-se em uma estante de livros. German ficou parado, com as mãos repousadas nos bolsos, em frente a porta.

– Pode começar – Angeles disse calmamente.

– Por que está tão corajosa, senhorita? Se eu fosse você, teria muito medo – Gregório foi aproximando-se aos poucos, ao que German também o fez.

– Por que não diz logo o que quer, senhor? – Gregório parou próximo a Angeles, no mesmo instante em que German parou ao lado dela. German segurou, suavemente, o pulso de Angeles, como se quisesse tranquilizá-la.

– Você sabe porque eu estou aqui – Gregório pegou uma mecha de cabelo de Angeles e passou a brincar com ela. Angeles engoliu em seco e German apertou um pouco mais o pulso dela – Conti – Gregório sorriu sem mostrar os dentes e encarou German – Que feio, hein German? Foi ameaçado e colocou sua garota para trabalhar no caso! Que covardia, hein!? – German pressionou os dentes. Angeles franziu o cenho e Gregório olhou-a – Você não sabe? Ele estava trabalhando nesse caso. E ele já foi avisado uma vez. Seu chefinho colocou muita gente em risco, mexeu com muita gente perigosa.

– Inclusive você – Angeles murmurou.

– Eu não sou perigoso. Eu só dou recados. Às vezes, é necessário fazer-se entender por meios não muito aceitáveis – Gregório retirou um canivete do bolso e ficou olhando-o. German ficou ainda mais apreensivo e Angeles assustada – Canivetes como este aqui são muito eficazes para tais situações – German engoliu em seco – Sabe o que pode lhe acontecer se continuar com essa história de livrar o Conti da prisão e tentar protegê-lo, não é?

– O-O que pode acontecer? – Angeles perguntou baixo e Gregório estreitou os olhos.

– Quer uma demonstração? – German colocou-se na frente de Angeles.

– Não, ela não quer – Interveio.

– Por que não vai dar uma volta, German? – Gregório sugeriu.

– Nós já entendemos o recado – German murmurou – Pode ir embora – Gregório suspirou e desviou o olhar.

– Tudo bem. Eu vou – Ele começou a caminhar e parou – Mas antes... – Virou-se rapidamente e passou a parte afiada do canivete pelo braço esquerdo de German, rasgando o paletó, a camisa e fazendo um corte superficial no braço deste.

German soltou um gemido discreto de dor e tentou avançar em Gregório, mas Angeles segurou seu braço com força.

– German, não... German – Ele encarou-a – Não faça nada – Angeles murmurou. German respirou fundo.

– Eu só queria ver se o canivete está bem afiado – Gregório disse em tom de divertimento. German cerrou os punhos.

– Fique calmo – Angeles sussurrou. Depois, encarou Gregório – Vá embora, por favor – Gregório arqueou a sobrancelha.

– Você entendeu, né senhorita? Fique longe do caso! – Angeles assentiu.

Gregório fez um sinal para o outro homem e partiu. Angeles olhou para German.

– Senta – Murmurou – Eu vou fazer um curativo no seu braço.

German suspirou e caminhou até o único sofá que havia na sala de Matias. Sentou-se, retirou o paletó, abriu a camisa e tirou a manga esquerda da camisa. Angeles sentou-se ao lado dele com uma caixa de primeiros socorros.

Enquanto Angeles fazia o curativo, nenhum dos dois abriu a boca. German respirava profundamente e as mãos de Angeles tremiam suavemente, só não sei se estavam assim por estarem assustados ou apenas por estarem perto um do outro.

Angeles terminou de fazer o curativo e encarou-o.

– Você não deveria ter se intrometido – Angeles disse seriamente.

– Você não pode me dizer o que eu deveria ou não ter feito – German retrucou da mesma forma. Angeles bufou e levantou-se.

– Poderia ter acontecido algo pior – German levantou-se e colocou a manga esquerda da camisa.

– É – Disse calmamente – Poderia – Começou a abotoar a camisa – Mas não comigo.

Angeles abaixou a cabeça.

– Acha mesmo que ele teria feito alguma coisa comigo?

– Sim – German respondeu seriamente e Angeles olhou-o – E eu espero que você tenha entendido que deveria estar fora desse caso.

– Eu entendi. Mas eu não posso largá-lo – German franziu o cenho – Eu estou tão perto.

– Esse é o problema, garota – German falou em alto e bom som – Você não poderia estar tão perto. Estar perto significa risco pra vida do Conti e pra sua vida.

– Eu não me importo.

– Ah não? – German arqueou uma sobrancelha – Então, continue brincando de ser advogada, até o momento em que você tiver que brincar no céu... Ou no inferno... Seja lá para onde você for depois que eles acabarem com você.

German falou furioso e saiu apressadamente da sala, batendo a porta e deixando uma Angeles horrorizada com aquelas palavras. Ele encostou-se na porta que acabara de bater e fechou os olhos. A respiração estava descompassada. Angeles sentou-se no sofá e, subitamente, seus olhos lacrimejaram. German balançou a cabeça e abriu a porta novamente. Caminhou até Angeles e parou na frente dela, ao que ela o encarou. Ele respirou fundo.

– Larga o caso – Murmurou. Engoliu em seco e pediu: – Por favor.

Angeles estava com raiva dele, mas adorou escutá-lo pedir por favor. Ele nunca o fazia. Pelo menos não com ela. Ela levantou-se e, sem pensar duas vezes, abraçou-o. German correspondeu sem pestanejar.

– Não tem como fazer as coisas sem que eles descubram? – Angeles murmurou.

– Não – German respondeu calmamente e passou a acarinhar a cabeça de Angeles – De alguma forma, eles estão vigiando cada passo que nós damos – German suspirou – É perigoso!

– Por que você largou o caso? – Angeles afastou-se para olhá-lo – Você não teria largado se apenas a sua vida corresse risco – German respirou fundo e ficou olhando-a.

– Eles ameaçaram a Violetta – Angeles balançou a cabeça e fechou os olhos.

– Malditos – Bufou e abaixou a cabeça. Depois, encarou German – Se você largou o caso por ela, isso mostra que talvez você tenha um coração – Angeles sorriu sem mostrar os dentes e German também o fez. Ele respirou fundo e colocou a mão direita no rosto dela. Iniciou um carinho meio acanhado e suave. Ela apenas fechou os olhos.

– Você vai largar o caso? – German sussurrou e Angeles encarou-o. O olhar dele suplicava.

– Se eu continuar no caso, a Violetta corre algum risco?

– Eu acho que não – German fez uma pausa – Mas você sim – Angeles suspirou e desviou o olhar.

– Por que, de repente, você finge que se importa? – Ela perguntou calmamente e olhou-o.

German pressionou os dentes e afastou-se dela.

– Porque a repercussão que esse caso terá quando for divulgado trará algum prejuízo pro escritório – German respondeu friamente – Só por isto – Angeles assentiu lentamente e abaixou a cabeça.

– Então, pare de fingir – Ela o encarou com os olhos mareados e ele engoliu em seco. Vê-la chorar estava ficando cada vez mais difícil para ele – É chato e me faz acreditar, por um momento, que você realmente se preocupa – Angeles encolheu os ombros – Eu só não quero mais acreditar que as coisas podem ser diferentes.

– Eu nunca disse que as coisas poderiam ser diferentes – German murmurou.

– Você não precisou dizer – Angeles suspirou – Quando você me beija ou me abraça... É como se em um curto momento você fosse outra pessoa.

– Então, talvez seja melhor nós continuarmos longe um do outro – Ele murmurou e ela assentiu. German desviou o olhar – Eu só vou pedir, de novo, para você largar o caso.

– Eu não posso – Angeles murmurou e German encarou-a.

– Não vale a pena continuar, Saramego.

– Não insista. Eu não vou largar – German bufou.

– Ok. Você é quem sabe – Ele caminhou até a porta e, antes de sair, olhou-a – Boa sorte, Saramego.

Notas finais
E aí, o que acharam?