Quatro caras e Alex

4 Quatro caras, Alex e a competição de perguntas


Notas iniciais
Olá, queridos! Como vocês estão? Preparei esse capítulo com muito carinho, então, espero que gostem :)

Alex era uma pessoa extremamente pacífica. Qualquer que fosse a situação, estando ela envolvida diretamente ou não, sempre tentava ao máximo manter a calma e resolver tudo tranquilamente. Porém, naquele dia especificamente, as coisas não estavam bem assim — e o joguinho do dinossauro que aparecia toda maldita vez que ela tentava acessar algum site e não conseguia não estava ajudando em nada. Andando de um lado para o outro na curta sala do sobrado, ela se sentia extremamente tentada a arremessar o telefone na parede, mas respirou fundo e optou por resolver o problema em sua origem, o que sairia bem mais econômico do que comprar um novo aparelho.

Aquela lentidão da internet só podia ter um motivo e ela sabia muito bem qual era.

— Rapazes, quem quer esteja assistindo pornô a essa hora da manhã pode, por favor, dar uma pausa? — gritou fitando o andar de cima, uma vez que já havia estado naquela situação há alguns dias. — Eu estou tentando pesquisar coisas importantes, porém nenhuma página carrega. — quando não recebeu nenhuma reposta, continuou, indignada. — Pessoal! Sério?

— Não sou eu! — gritou Rayan, em resposta. Sua voz vinha do quintal dos fundos, então ele provavelmente não estava mentido, mas sim malhando.

— Nem eu! — foi a vez de Billy se manifestar, onde quer que ele estivesse.

Aquilo realmente não parecia como algo que ele costumava fazer, o que fazia que Alex acreditasse nele; deixando, assim, mais dois suspeitos que não haviam se manifestado. Não era nenhum esforço mental descobrir qual deles era o culpado por acabar com a pouca paciência que lhe restava, mas não seria fácil convencer o criminoso de que estava certa. Subiu as escadas determinada, percorreu o corredor até parar em frente a segunda porta à direta e, sem aviso prévio, girou a maçaneta.

— Carter, preciso de ajudar para fazer o Will entender que a internet não é só... — a moça foi invadindo o quarto, porém, quando se deparou com o que menos esperava, levou a mão à boca e soltou um berro. — Ai, meu Deus! É você!

Pego totalmente desprevenido, Carter rapidamente bateu a tela de seu notebook, de onde vinham gemidos altos, e arregalou os olhos. Mas ele não havia sido rápido o suficiente para impedir que Alex pudesse ter uma nítida visão do que ele estava assistindo.

— Aquilo eram dois homens? — perguntou sem pensar, logo em seguida se arrependendo.

— Alex, saia daqui! — exclamou, tentando de recompor.

Completamente desajeitada, ela correu para o lado de fora e bateu a porta do quarto. Depois de alguns minutos mordendo o lábio inferior de ansiedade e hesitação, deu duas batidas leves na mesma e, mesmo quando recebeu permissão para entrar, não se sentiu confiante para o fazer. Foi quando a porta se abriu abruptamente e um Carter que parecia um fugitivo da polícia a puxou para dentro.

— Você pelo menos lavou a mão? — foi a primeira fala de Alex.

Ele soltou o braço dela, rapidamente, e enfiou as mãos nos bolsos.

— Claro. — respondeu, encolhendo os ombros.

Depois de alguns segundos do silêncio mais constrangedor que ambos já haviam presenciado, Alex resolveu rompê-lo de uma vez, atropelando as palavras:

— Carter, eu realmente sinto muito. Eu só estava tentando usar a internet, mas nada carregava e eu sabia que um de vocês estava... Bem, você sabe. — disse, apontando sem jeito para o notebook jogado sobre a cama. — Deduzi que fosse o Will e, como eu sei que ele nunca me ouve, eu pensei que você pudesse me ajudar a...

— Alex, — ele a interrompeu, bruscamente. — eu acho que sou gay.

Silêncio, novamente. Com as sobrancelhas tão arqueadas que pareciam prestes a saltar de sua testa, Alex exclamou:

— O que?! Como você lança uma coisa dessas em mim, assim? — ela falava tão chocada que Carter se perguntou se conseguia respirar entre uma palavra e outra. — Mas você não tem uma namorada ou algo do tipo?

— Tinha. — a corrigiu. — Alex, eu nunca fui feliz namorando e muito menos solteiro, dormindo com um monte de mulheres.

— Você é o primeiro homem que eu ouço reclamar disso. — ela pensou em voz alta, fitando um ponto aleatório.

— Isso é sério. — bufando, ele se sentou na beirada da cama. — Por favor, você tem que me jurar que não contará nada aos caras. — suplicou. — Eu nem tenho certeza de nada ainda.

Com um olhar acolhedor, ela se aproximou um pouco mais dele.

— Não vou contar nada para eles, Carter, eu juro.

— Contar o que? — perguntou a voz masculina vinda da porta, assustando os dois.

— Filho da... — Carter se auto interrompeu ao se deparar com Will, já dentro do quarto. — Vocês por um acaso conhecem um negócio chamado bater antes de entrar?

— O que Alex não pode contar para a gente? — Will insistiu, ignorando o amigo.

— Quem disse que eu estava falando de vocês? —perguntou Alex, tentando disfarçar.

— Alex, não mude de assunto.

Droga, ela realmente era péssima no quesito disfarce, mesmo que fosse para salvar a pele de um amigo. Pensando que só havia um jeito de piorar, ela resolveu tentar uma manobra.

— Era sobre Carter sendo parte do meu time de Perguntas&Respostas. — disse, tentando parecer natural.

— O quê?! — perguntaram os dois homens ao mesmo tempo, num volume mais alto e surpreso do que Alex esperava.

— Alguém disse Perguntas&Respostas? — foi a vez de Billy entrar pela porta do nada e surpreender ainda mais os outros.

— Pelo amor, desde quando ter a audição de uma águia é uma coisa dos irmãos Graham? — perguntou Carter, sentindo sua privacidade sendo violada.

— Na verdade, as águias são conhecidas por sua visão e não por sua audição. — corrigiu Alex.

—E esse é o Carter que você vai colocar no seu time? — perguntou Will, rindo.

— Ele só precisa treinar um pouco. — rebateu Alex.

— Você tem um time? — perguntou Billy, encantado. Todos sabiam que ele era o perfeito nerd da casa.

— Bem,eu fui banida do meu último por me alterar levemente durante a competição, então, tecnicamente, não.

A ideia de uma Alex irritada fez com que Will risse sozinho.

—Eu posso ajudar, se você quiser. — indagou Billy, se oferecendo.

— Sério? — perguntou Alex, com um sorriso. — Eu aceito, obrigada.

— Eu estou dentro também. — pronunciou Will, dando um passo a frente.

— O que? — perguntaram os outros três ao mesmo tempo, surpresos.

— Vocês realmente acham que eu perderia a chance de beber de graça, assistir ao Carter respondendo perguntas sob pressão e Alex tendo um surto psicótico em apenas uma noite? — gargalhou. — Jamais!

— Alex, o que foi que você fez? — perguntou Carter, até então esquecido no próprio quarto, lançando um olhar mortal para a mulher.

Sentindo-se levemente indignada por Carter a estar acusando ao invés de agradecê-la, ela retrucou:

— O quão ruim isso pode ser?

***

— O que foi que eu fiz?

Foi o que Alex se perguntou, batendo a testa na mesa, ao fim da terceira rodada. A competição estava sendo um completo fiasco para seu time: Will, que parecia ser o único se divertindo, estava sempre com a boca cheia demais de cerveja para respondeu qualquer coisa que não fosse da área de esportes; Carter, por sua vez, estava mais preocupado em descobrir sua sexualidade cantando pessoas de ambos os sexos pelo bar e, por fim, Billy, que havia formado uma dupla imbatível com Alex, até perder a voz na primeira rodada. Tudo que sobrara era uma Alex competitiva e, ao mesmo tempo, perdida. Sem conseguir raciocinar direito, ela havia sobrevivido às duas últimas rodadas acertando meia dúzia de perguntas, no máximo.

— Eu tinha razão quando disse que isso ia ser divertido, não tinha? —disse Will, cutucando o irmão com o cotovelo, que por sua vez emitiu um som em resposta. — Cara, já disse que não consigo entender uma palavra do que você fala.

— Eu preciso pensar. — disse Alex, se levantando da mesa de seu time, a qual Will mantinha os pés sobre do mesmo modo que fazia em casa.

— Alex! — um Carter desesperado apareceu em seu campo de visão, quase trombando nela. — Eu não sei o que fazer.

— O que aconteceu? — ela perguntou, preocupada.

— Um homem pediu o meu telefone. — respondeu ele, como se anunciasse a próxima guerra mundial.

Alex bufou, cansada.

— Então dê a ele o maldito número, oras. Não era isso que você queria?

— Nossa, obrigada pelo conselho amigável. — disse, levemente ofendido.

— Desculpe, não foi isso que...

— Sobre o que vocês dois estão cochichando? — perguntou Will, ainda sentado.

— Você realmente gosta de interromper as pessoas ou fez curso para ser tão bom nisso? — revidou Alex, o fitando.

— Meu Deus, não é que você consegue mesmo ficar irritada? Quem diria! — disse, rindo e em seguida terminando sua cerveja em apenas um gole.

— Eu não estou irritada! — exclamou ela, atraindo a atenção de quase todos os presentes no bar. Quando percebeu, encolheu os ombros. — Esta bem, talvez um pouco.

— O que está acontecendo com você, mulher? — perguntou Carter.

— Eu não sei. Sempre fico assim nesse tipo de competição. — admitiu. — Acho que não gosto desse clima acirrado.

— Então por que continua participando?

— Porque essas competições foram uma parte da vida. — ela disse, só se dando conta sobre o que tudo aquilo realmente se tratava a medida que revelava a verdade para si mesma. — Uma das minhas famílias adotivas me levava para esse tipo de coisa e, mesmo que tenha durado pouco, eu fiz boas memórias naquela época. — pausou. —Eu quero continuar, mas já não é divertido como costumava ser.

— Isto é porque você mudou, minha cara. — Carter sorriu e pousou uma mão no ombro dela. — E agora você precisa de novas experiências e fazer novas boas memórias.

Durante um tempo, Alex apenas olhou em silêncio. Em seguida, o fitou de volta e sorriu.

— Você tem razão.

— Sim, eu tenho. — repetiu para si mesmo, tomando uma decisão. — Gente. — disse, chamando a atenção dos amigos, que o fitaram curiosos. Se aproximou da mesa a passos curtos. — Eu sou gay.

Naquele momento, os irmãos expressaram reações completamente opostas: Billy arqueou as sobrancelhas tanto quanto Alex quando descobrira, surpreso, e Will simplesmente caiu na gargalhada, deixando os outros confusos.

— Will, eu estou falando sério. — afirmou Carter.

— Eu sei. — respondeu, recuperando o fôlego. — Eu sempre soube.

— O que? — foi a vez dele de se surpreender.

— Fala sério, cara, eu conheço você desde que éramos crianças. Nós crescemos juntos. —se levantou e se aproximou do amigo. —E, longe desse dono de uma loja de gravatas julgar alguém pelo emprego, —disse, referindo-se a si mesmo. — mas você trabalha como assistente de moda. Sempre foi meio óbvio.

— E por que nunca disse nada? — perguntou Carter, abismado.

— Porque não cabia a mim dizer, oras. — respondeu, dando de ombros. — Eu só quero que saiba que nem eu e nem nenhum dos caras tem um problema com isso.

— Sério?

— Claro. — disse, firme. — E mesmo se eles tivessem, eu bateria neles até não terem mais.

Mesmo sabendo que o amigo realmente o faria se precisasse, Carter riu.

— Obrigado, cara.

Um pouco sem jeito, ele fez menção de abraçar Will, que riu e abriu os abraços e aceitou.

— Que lindo, eu sempre soube que você tinha um lado humano. — disse Alex para Will, se enfiando entre os dois de um modo que ele não conseguia explicar. — Mas será que agora nós podemos sair daqui e ir comprar pizza?

— Por favor! — exclamou uma voz extremamente estranha.

Olhando para trás, os três puderam notar um Billy já de pé e tentando recuperar sua voz.

— Você está quase lá, amigo. — disse Carter, dando um tampinha no braço e Billy e fazendo todos rir. — Eu quero quatro queijos.

— Não, calabresa! — exclamou Will.

— Nem comecem, rapazes. Tenho certeza que há pizza de sobra para todos os gostos. — Alex interveio, rindo. Virou-se para Carter. — Mas antes, por que você não vai lá pegar o telefone daquele tal cara?

Ele a fitou, sorrindo.

— Sério?

— Sério. — afirmou. — Vai lá, tigrão.

Juntos, Alex e os dois irmãos assistiram ao amigo se afastar e, timidamente, iniciar uma conversa com um cara do outro lado do bar.

— Nós vamos sair correndo e deixá-lo para trás porque preferimos calabresa a quatro queijos, não vamos? — perguntou Billy, com sua voz estranha.

— Com certeza. — respondeu a mulher, seriamente.

Disto isso, os três saíram correndo bar a fora, como crianças. Do outro lado, Carter assistiu sua chance de comer sua tão amada pizza de quatro queijos escorrer pelo ralo e fez uma careta:

— Filhos da...

Notas finais
E aí, alguma sugestão? Aguardo os comentários! Até a próxima :)