Quatro Amigas E Uma Letra.
7 Pânico.
Notas iniciais
POV Mari
Depois da mensagem de -A voltei a dormir e acordei de novo 13hs com minha cabeça doendo. Levantei e fui procurar um remédio que pudesse aliviar minha dor. Não tinha ninguém em casa apesar de ser sábado. Minhas duas irmãs estavam no parque e meus pais em um almoço importante com alguns estrangeiros. Peguei a caixa de remédios e verifiquei se ainda tinha algum comprimido sobrando. Pra variar não tinha nada. Minha irmã mais nova sempre pega os remédios, dá pros bichinhos de pelúcia e finge que é médica. É bonitinho até você ficar doente e ver que não tem remédio. Troquei de roupa e fui até a farmácia comprar o remédio, uns esmaltes e outras coisinhas.
A farmácia estava bem mais cheia do que eu esperava. Com muita dificuldade achei tudo que precisava e fui até o caixa. Quando estava saindo vi que um garoto do colégio, ele erado 2º ano e amigo do Thiago. Não lembrava seu nome por nada no mundo, mas ele era lindo. Queria ir lá falar oi mas nem o nome dele eu lembrava, então fui pra casa descansar pra ver se curava minha ressaca.
Quando abri a porta vi a pior coisa que poderia ver. Minha irmã mais velha, Lívia com uma lâmina na mão e o pulso sangrando.
POV Lívia
Estava no parque com minha irmãzinha mais nova, Nathália. Ela estava brincando no balanço e eu estava sentada em um banquinho olhando pras pessoas que passavam por ali, todas elas felizes, aproveitando um sábado de sol com suas famílias e amigos. Quando vi quem eu menos esperava ver. Ian. Meu ex-namorado. Nós namoramos por um ano quando eu estava aqui em Rosewood fazendo intercâmbio. Nós terminamos e eu voltei pro Brasil. Eu nunca esqueci ele, não tem um dia sequer que eu não pense nele. Quando estava indo falar com ele uma mulher se virou e o beijou. Senti meu rosto esquentar, meus olhos ficaram úmidos e logo lágrimas começaram a cair. Chamei Nathália pra voltarmos pra casa logo, não queria ter que presenciar aquela cena. Quando cheguei em casa fui pro meu quarto e comecei a chorar desesperadamente. Eu não podia aceitar que ele estava com outra enquanto eu pensava nele todo dia. Eu tinha que fazer alguma coisa pra fazer aquela tristeza ir embora. Fui até minha cômoda e peguei minha lâmina de emergência. Era o único jeito de esquecer tudo aquilo. Eu sabia que não ia adiantar nada, me cortar não ia fazer eles terminarem. Mas eu me sentia melhor. Comei a cortar meu pulso bem de leve, depois o corte foi ficando mais fundo e o sangue começou a sair. Saí correndo pro banheiro pra tentar fazer aquele corte sumir ou pelo ou menos fazer parar de sangrar. Peguei uma toalha e coloquei em volta do meu pulso. Não adiantou nada, continuou sangrando, eu me sentia cada vez mais fraca e a toalha que era branca foi ficando vermelha. Num ato de desespero desci as escadas correndo, tropecei e bati a cabeça. A partir daí eu não me lembro de mais nada.
POV Enoe
Eu e meu marido, Loyola estávamos em um almoço importante com estrangeiros tentando fechar uma negociação até que me celular tocou.
-Com licença, eu preciso atender –Disse me retirando da mesa e atendendo o telefonema.
-Mariana, eu te disse pra não me ligar, eu estou ocupada!
-MÃE, É URGENTE! A LÍVIA, ELA TÁ DESMAIADA NO CHÃO DA SALA E O PULSO DELA TÁ SANGRANDO MÃE, VEM PRA CASA LOGO! –Ela dizia entre soluços.
-Estou indo filha. –Falei já desligando o telefone.
-Senhores, me desculpem, tenho uma emergência pra resolver. Loyola vai ficar aqui com vocês.
Nem esperei a resposta deles e saí correndo em direção ao carro. Cada minuto era uma tortura, saber que minha filha estava desacordada e poderia morrer me deixava louca. Fui o mais rápido que pude pra casa. Assim que entrei em casa vi Lívia desmaiada no chão e Mariana tentando fazer alguma coisa pra ajuda-la enquanto chorava incontrolavelmente. Nathália estava olhando a cena da escada com lágrimas nos olhos.
-MÃE! –Mariana correu pra me abraçar enquanto chorava.
Tentamos acordar Lívia de todos os jeitos possíveis. Jogamos água fria, beliscamos sua mão, fizemos até cosquinha e nada adiantou. O desespero tomava conta do meu corpo. Eu e Mariana a colocamos no banco de trás do carro e fomos até o hospital.
POV Mari
Chegamos no hospital e Lívia foi direto pra emergência, ela estava com hemorragia interna e falta de oxigenação no cérebro. O médico nos disse que ela não ia ter sequelas, mas que a situação era grave. Resolvi ligar pra Gabi pra que ela viesse pro hospital ficar comigo.
-Alô?-Ela atendeu com uma voz sonolenta.
-Gabi? Tá tudo bem?
-Ah, oi Mari, é que eu tava dormindo.
-Tem certeza que você já acordou?
-Aham... fala logo o que você quer, eu tô com sono.
-Ah, não é nada demais, é que eu tô aqui no hospital com minha mãe porque a Lívia tá quase morrendo, mas não preocupa tá? –Eu disse com muita ironia.
-É o quê? Que hospital? Me passa o endereço agora. –Escutei um barulho, parecia que ela estava abrindo o armário bruscamente. Logo depois que eu passei o endereço ela desligou na minha cara.
POV Gabi
Assim que Mari falou que Lívia estava no hospital eu pulei da cama e fui correndo ver ela. Lívia sempre foi muito legal comigo, ela sempre me ajudava com tudo! Eu tinha que ir lá vê-la. Troquei de roupa bem rápido e desci as escadas correndo o que fez com que meu pai me lançasse um olhar de “Qual o seu problema menina?” Ignorei e fui pro hospital o mais rápido que pude. Quando cheguei lá Mari estava na recepção com os olhos inchados de tanto chorar.
-Ô bebê, não chora por favor! Ela vai ficar bem.
-Promete?
-Prometo.
Nesse momento meu celular tocou:
Pobrezinha... vai perder mais uma amiguinha... que peninha... -A
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