Quatro Amigas E Uma Letra.
8 Rosas e espinhos.
Notas iniciais
POV Mari
Depois do incidente com Lívia resolvi ir pra casa da Gabi pra não ficar mais triste do que já estava. Ela não queria me deixar sozinha no hospital por nada no mundo. Demoramos pelo ou menos 20 minutos pra achar o carro no estacionamento. O hospital era no centro da cidade, então não era longe da casa de Gabi. Quando chegamos seus pais tinham saído pra assinar alguns documentos referentes a mudança e depois iriam jantar na Filadélfia. Seu irmão estava sozinho em casa com um amigo, o mesmo que havia visto na farmácia mais cedo.
–Oi. Que milagre você não ter quebrado nada Thiago –Gabi disse enquanto fechava a porta atrás de si.
–Há há há, engraçadinha. –Thiago provocou.
Subimos pro quarto e ficamos conversando, lendo revistas e jogando jogos inúteis até tarde até que o garoto lindo cujo o nome eu ainda não me lembrei veio nos chamar pra ver um filme qualquer que estava passando. Como não tínhamos nada pra fazer fomos pra sala ver o tal filme. Colocamos dois colchões no chão pra nós e os meninos ficaram no sofá. Estava passando “O garoto de Liverpool”. Obviamente quando Gabi descobriu que esse era o filme começou a pular e gritar de alegria. Nunca vi mais Beatlemaníaca que ela. Na metade do filme todo mundo já estava morrendo de sono menos Gabi que não parava de falar. Me levantei e fui tomar um café pra não cochilar. O garoto lindo veio atrás de mim.
–Ei, Noel, traz uma coca aí pra gente –Pediu Thiago.
–Zero?
–Pode ser.
Então esse era o nome do ser. Noel. Me lembrava o papai Noel, mas tanto faz. Quando estávamos voltando pra sala ele trombou em mim.
–Oh, desculpa, estava distraído.
–Não foi nada. –Sorri
Thiago estava dormindo no colchão que eu estava deitada, então tive que ficar no sofá com Noel.
POV Noel
Quando voltei da cozinha Thiago estava dormindo no colchão em que a amiga de Gabriela estava. Então ela teve que sentar no sofá comigo. Nunca vou agradecer tanto pela sonolência dele como hoje. Ela era realmente muito bonita.
–É...Mari né? –Perguntei
–É –Ela sorriu- E você seria... Noel?
–Isso mesmo. -Nós rimos.
O filme terminou e Gabi estava dormindo, acho que ela cansou de falar que nem uma louca. Thiago continuava dormindo como um bebê e só eu e Mari estávamos acordados. Nós ficamos conversando sobre diversas coisas, sua personalidade me encantava, ela era tão culta, lia tantos livros, conhecia muito bem todos os gêneros de filmes e sua fisionomia também era maravilhosa: cabelos negros longos, com nítidos cachos, olhos escuros e doces, pele branca como a neve. Acho que ela seria uma branca de neve perfeita e eu estava determinado a me tornar seu príncipe.
Já eram 2hs da manhã e o Sr. e a Sra. Martinez ainda não estavam em casa. Eu e Mari resolvemos acordar os dois dorminhocos de um jeito bem divertido... Tive uma ótima ideia pra acordá-los. Subi as escadas, fui pro quarto do Thiago, peguei umas luvas, uma máscara preta e um taco de baseball. Fui pra cozinha, peguei um pano qualquer e fingi que estava tentando sequestrar Mari. Comecei a fazer bastante barulho até ele acordar assustado:
–AAAAAAAAAH SOLTA ELA! SOLTA! SOLTAAAA! –Thiago berrava enquanto tentava me golpear pra tirar Mari de meus braços. Gabi acordou com toda a gritaria ainda mais apavorada que Thiago. Nós dois começamos a rir mais do que nunca ao olhar pra cara de desespero dos dois que logo mudou pra uma expressão de “Eu vou matar vocês” e foi o que eles tentaram fazer. Ficamos pelo ou menos 20 minutos correndo em círculos entre a cozinha e a sala até eles se cansarem. Fala se não valeu a pena?
Depois de muito tempo fazendo brincadeiras idiotas resolvemos ir dormir antes que o Sr. e a Sra. Martinez chegassem. Dormimos na sala mesmo. Eu e Thiago pegamos mais dois colchões lá em cima e colocamos ao lado dos colchões que já estavam na sala. Quando chegamos lá embaixo Mari e Gabi estavam morrendo de rir de alguma coisa
–O que foi? –Perguntei colocando o colchão no chão.
–Aquela lagartixa na parede –Mariana respondeu rindo com uma bêbada.
Acho que excesso de sono faz isso com as pessoas.
–Acho que elas tão precisando dormir cara –Disse cutucando Thiago.
–É, vou dar um jeito nisso –Ele disse se dirigindo a cozinha.
POV Thiago
Já estava tarde e estávamos nos preparando pra dormir mas Gabriela e Mariana não paravam de rir. Sempre me esqueço que essas duas tem sérios problemas com insônia. Quando Mari dorme aqui as duas ficam rindo de tudo o que veem pela frente até altas horas da madrugada. Não queria ter que aturar aquela risada de pato da minha irmã então peguei o calmante da minha mãe e dei pra elas dormirem. Espero que elas durmam até a madrugada de amanhã. É tão bom quando Gabi está dormindo, fora de casa ou algo do tipo. Voltei pra sala com dois comprimidos e dois copos de água.
–Gabi, sabia que isso aqui tem gosto de algodão doce? –Convencer minha irmã a fazer alguma coisa quando ela estava com sono é a coisa mais fácil do mundo. Normalmente é só mencionar “Beatles, “The Secret Circle” “Glee” “Harry Potter” “One Direction” ou algodão doce mesmo.
–Hm... Deixa eu ver –Ela disse colocando o comprimido na boca e bebendo um gole d’água. 5 minutos depois seus olhos já estavam se fechando. Agora Mari foi mais complicado...
–Mari, tem gosto de batata frita –Disse estendendo o remédio
–Não tem não!
–É chiclete.
–Nãaaaao –Ela disse fazendo birra
–Se você tomar isso, vai conhecer o Harry Styles. –Ela tomou o comprimido daminha mão e engoliu sem nem beber água. Não demorou muito pra que ela caísse no sono.
Eu e Noel fomos dormir também antes que meus pais chegassem em casa.
POV Anônima
Eram 6hs de uma manhã fria na Austrália e eu já estava de pé no aeroporto a espera do vôo que mudaria a minha vida. Eu estava presentes a deixar Sidney, meus amigos, minha família e tudo que um dia foi importante pra mim pra começar uma vida nova em Rosewood com meus pais e minha irmã que já estavam lá. Nada seria igual daqui pra frente e eu tinha que me acostumar... É estranho voltar pra Rosewood e não ver as mesmas pessoas que costumava ver. A aeromoça chamou o nosso vôo interrompendo os meus pensamentos. Fui andando involuntariamente até a “passarela” que ligava o aeroporto ao avião. Olhei pra trás e me despedi daquele país que eu nunca esqueceria. Entrei no avião a procurei meu assento, era bem no fundo, mas na janela. Foram longas horas de vôo acompanhadas de muito tédio. Assim que o avião pousou no solo americano eu me senti melhor, como se aquilo estivesse cicatrizando as feridas deixadas pela dor de partir da Austrália. Aqui nascia uma nova Luiza completamente diferente. Casa nova, vida nova.
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