Quase sem querer
8 Capitulo 8
P. O. V de Laura
Jamile e eu trabalhamos nos documentos da ONG por um bom tempo. Quando começou a anoitecer nós decidimos ir embora afinal era perigoso ficar em uma favela até tarde. Nunca se sabe o tipo de bandido e coisas perigosas que encontraremos lá.
Quando saímos tinha um cara parado perto da ONG, não sei por que mais sentir medo dele olhei para a Jamile e ela já tinha percebido que ele olhava para nós. Começamos a andar rápido afinal Felipe já estava me esperando lá na entrada da favela. Quando olhei para trás ele andava próximo à gente fiquei aterrorizada comecei a andar mais rápido e puxando a Jamile que tinha dificuldade para correr por causa do salto e percebi que ele começou a andar mais rápido também.
–Laura eu não consigo mais correr.
Eu já estava em pânico, estava acostumada a ter sempre varias pessoas ao meu redor para me socorrer quando necessário.
–Tire os sapatos Jamile.
–Mas eles são novos é a primeira vez que eu...
–Tire, por favor, ou então não estaremos vivas para a próxima coleção.
Ela tirou os sapatos e começamos a correr. Não tinha ideia de onde estávamos indo, só sabia que eu corria e percebi que ele também corria, na verdade ele estava quase me alcançando.
Começou a passar um filme de tudo que eu já fiz na minha vida. Percebi que já estava chorando descontroladamente. Jamile também já chorava. Não estávamos acostumadas com isso. Não temos fôlegos pra correr. Já estava mais do que apavorada, quando sentir me batendo em algo. Olhei pensando que ele tinha dado a volta e conseguido nos alcançar, mas não era ele, quando olhei para com o que eu tinha me batido eu encontrei olhos verde esmeralda lindo me fitando-o. Abracei-o com toda a minha força e aquilo me deu certa segurança, eu sabia que ali nos braços dele ninguém me machucaria.
–Calma gata, eu sei que eu sou lindo mais não precisa chorar de emoção não.
Como ele podia ser tão idiota. Lembrei-me de quem era ele e como ele tinha me tratado mais cedo, como se eu fosse só um objeto. Soltei-me dele imediatamente dele.
–O que você está fazendo aqui? Por que você está chorando? O que aconteceu?
–Eu e a Jamile- olhei para a Jamile para ver se ela estava bem- estávamos saindo da ONG para encontrar o Felipe quando percebemos um cara estranho do lado de fora, começamos a andar e ele andava atrás da gente então começamos a correr e ele correu também...
–Você tem certeza?
–Claro né, eu posso ser muita coisa menos louca.
Ele parecia tenso e perdido.
–Vou mandar os caras fazer uma ronda pela favela pra ver se a gente encontra quem foi, com certeza é gente de fora porque os mano já tá tudo ligado que não é pra mexer com o povo da ONG.
–Ótimo, estou apavorada até agora-a Jamile se manifestou e se calou.
Ela estava tremendo ainda, mas eu não a culpava, estava tremendo também.
–Vou levar vocês até a entrada do morro, meu carro tá logo ali.
–Obrigado, mas não precisa estamos bem.
–Vocês acabam de ser perseguidas e você não quer aceitar minha carona?
–Não posso aceitar carona de estranhos.
Ele riu.
–Você é ridícula. Não aceite mais se mais alguém te perseguir não me culpe.
–Ele tá certo Laura, deixa de ser teimosa. Eu vou aceitar a carona, obrigada.
Ótimo, agora ate a Jamile tinha me abandonado.
–Laura, eu não tenho o dia todo. Aceita a corona ou não gata.
–Só porque eu não quero deixar a Jamile sozinha contigo.
Ele riu novamente. Eu nunca ia dar o meu braço a torcer.
–Então vamos.
Entramos no carro e fomos o caminho todo em silencio. O carro dele tinha um cheiro bom assim como ele vale ressaltar. Quando o abracei tive vontade de ficar daquele jeito com ele pra sempre. Afastei aquele pensamento da minha cabeça e tentei me concentrar em outra coisa, mais aqueles olhos verdes insistiam em voltar a minha mente.
–Pronto princesas chegamos.
–Obrigada por tudo Leco, não sei o que teria acontecido conosco se você não estivesse lá- a Jamile o agradeceu.
Eu não ia agradecer nada a ele. Não sei nem o porquê de tamanha falta de educação, mas ele despertava isso em mim.
Tanto Jamile quanto Leco me olhavam esperando que eu agradecesse. Ótimo, vou ter que agradecer ou dá próxima vez ele me deixa morrer.
–Obrigada Leco, não sei nem como agradecer- falei com certa ironia.
Virei e comecei a andar em direção ao carro, onde o Felipe me esperava, junto com a Jamile.
–Laura- ele me gritou, me detive um pouco e olhei em sua direção- você sabe como pode me agradecer.
Revirei os olhos e gritei de volta:
_ Vai sonhando
Virei de costa e voltei a andar.
–Tosco_eu acrescentei baixinho.
Jamile riu de toda cena.
–Olha sobre o que aconteceu aqui, vamos guarda segredo Jamile, o Leco já disse que vai resolver e talvez seja só alguém querendo nos assustar.
–Está bem Laura, ate porque você tem razão.
Entramos no carro cumprimentamos o Felipe e ficamos o resto do caminho inteiro quieto. Deixamos a Jamile em casa e fomos direto pra minha.
Assim que cheguei em casa subi pro meu quarto. Tomei um banho rápido e deitei. Tinha alguns minutinhos pra descansar antes do jantar em “família”.
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