Quando o Amor Acontece
91 Capítulo 91 - Revendo a Família
Notas iniciais
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A todos, boa leitura ;)
O casal parou, de mãos dadas, em frente à porta, encarando-a por alguns segundos. Antes de tocar a campainha Emmett olhou para Rosalie. Ela o incentivou com um maneio de cabeça e um pequeno sorriso.
Não tão seguro assim do próximo ato, ele esticou o braço para frente e apertou a campainha devagar, como se estivesse com medo. O toque abafado pelas paredes ecoou de dentro para fora da casa deixando-o ainda mais ansioso.
No interior da casa, Renesmee, a irmã caçula de Emmett, assistia a um desenho animado pela TV. Como era manhã de domingo, embora já se aproximando do horário do almoço, Renesmee ainda usava o pijama. Distraída, ela sorria sozinha, com os olhos vidrados na tela da TV, quando o toque da campainha chamou sua atenção.
- Mamãe, tem gente chamando – gritou, esperando que a mãe fosse atender. Como não obteve resposta, gritou novamente. – Mamãe – dessa vez ela olhara em direção à porta para verificar se a mãe estava a caminho. Largou os braços ao lado do corpo, soltando o controle da televisão sobre o sofá. – Aff! – reclamou ao ficar de pé. A campainha voltou a tocar. – Já vai – gritou olhando em direção à porta. – Nossa, que povo apressado. Que agonia, não pode esperar nem um minuto. Acha que a gente vive atrás da porta que é só tocar e atender. Vai morrer se esperar um pouco.
Ao ficar de frente a porta, Renesmee girou a maçaneta e puxou a porta de uma só vez. Olhou dos pés a cabeça, o casal parado de mãos dadas. Quando percebeu quem era, seus olhos se arregalaram de total surpresa e alegria.
Emmett abriu a boca para falar, mas antes que ele pudesse formular qualquer palavra Renesmee saiu correndo pela casa, chamando pela mãe.
- Mamãe. Mamãe. Mamãe...
Emmett e Rosalie trocaram olhares significativos antes de entrar na sala de estar, onde continuaram ouvindo os gritos de Renesmee pela casa. Segundos depois ela voltou à sala, onde eles estavam agora, olhou novamente os dois e sai correndo novamente.
Emmett e Rosalie acabaram rindo. A irmã mais nova de Emmett estava agindo como se estivesse vendo seu ídolo e não acreditasse no que seus olhos revelavam.
- O que deu nela? – perguntou Rosalie, olhando em direção à porta por onde Renesmee voltou a desaparecer gritando.
- Mamãe. Mamãe...
Rosalie olhou para Emmett. – Será que a sua mãe não está em casa?
- Ela deve estar lá na estufa – respondeu Emmett, soltando a mão de Rosalie, indo até o console onde havia alguns porta-retratos. Segurou um deles, com a expressão saudosa no rosto. Era uma foto de sua infância, ele ao lado das irmãs, e Maria, como sempre, de cara amarrada. Ele maneou a cabeça, lembrando-se dela.
A voz da senhora McCarty entoou pela casa, vindo da cozinha, após o barulho da porta dos fundos batendo ao fechar.
- Porque está gritando desse jeito, menina? – disse Elisa, chegando perto da pia para lavar as mãos.
- Mamãe – respondeu Renesmee, ofegante. – Emmett está aqui... – ela apontava o dedo indicador na direção da sala de estar.
- Filha você ainda está usando pijama. Por acaso não estava sonhando, estava? Faz tempo que seu irmão não vem nos visitar – murmurou, secando as mãos em um pano de prato impecavelmente branco.
Emmett olhou em direção a cozinha assim que ouviu o lamento da mãe. A culpa se instalando em seu coração sem pedir licença. O que ela dissera era a mais pura verdade, há tempos ele não vinha visitá-los. A última vez havia sido em um dia de ação de graças, dois anos atrás. Haviam se visto, no funeral de Melinda, em Los Angeles, mas isso não conta como visita. Estavam todos abalados. E voltaram para Norristown logo no dia seguinte.
Renesmee suspirou. – Eu estou falando sério, mamãe. O meu irmão está bem ali naquela sala, e acompanhado daquela loura das fotografias, a Rosalie. Aquela bonitona que veio aqui outro dia a procura dele, e ficou triste pra burro quando não o encontrou.
- Nessie você está ficando igual a sua irmã, Alice, respira um pouco filha – Elisa deixou o pano de prato sobre o balcão e foi até a sala de estar, verificar o que a filha caçula estava falando. Renesmee foi logo atrás, mas, ao avistar o irmão, passou correndo pela mãe, gritando de entusiasmo. Jogou-se nos braços de Emmett sem se importar se ele a seguraria. Seus braços e pernas em volta do corpo do irmão mais velho, enquanto ele a segurava sem dificuldade alguma. Um sorriso de covinhas perfeitas rasgou o rosto de Emmett no momento em que segurou a irmã nos braços
Rosalie sorriu vendo como Renesmee o adorava. Na verdade, todas o adoravam. Até mesmo a gênio difícil, da Maria. Rosalie já havia notado, anteriormente, que para elas ele não era apenas um irmão, mas sim, um ídolo. Um exemplo de força e vitória. Por muito tempo ele se tornou a tábua de salvação daquela família.
Elisa McCarty entrou na sala, não acreditando no que seus olhos viam. Era mesmo o seu filho, Emmett, e trazia consigo a garota por quem se apaixonou ainda na pré-adolescência. Antes de abraçá-lo, Elisa abraçou Rosalie, que retribuiu ao abraço com satisfação e carinho.
Uma Alice sonolenta, usando pijama, e de cabelos desgrenhados, surgiu no topo das escadas resmungando mal-humorada.
- Que gritaria toda é essa? Essa garota está louca mamãe. Pode ligar para o manicômio e pedir que venham buscá-la. Porque viu, vou te falar... – de repente os olhos de Alice se arregalaram e sua voz sumiu. Em pouco tempo um grito estridente ecoou pela casa, e uma Alice apressada começou a descer as escadas correndo.
- Irmão urso! – gritou ela. – Você está aqui. Como isso aconteceu? Porque ninguém ficou sabendo que você estava a caminho?
Elisa olhou para Rosalie, se desculpando.
- Me desculpa por isso, querida. As minhas filhas, com exceção da Maria, tem uma forma muito exuberante de demostrar entusiasmo.
- Está tudo bem Dona Elisa. Não me incomodo de vê-las agindo assim. É até divertido – respondeu Rosalie com um sorriso.
- Ah, irmão urso – gritou Alice, se jogando nas costas do irmão.
- Ei, baixinha – disse ele, esticando o braço, alcançando os cabelos bagunçados da irmã serelepe.
Alice empurrou Renesmee, que ainda estava nos braços do irmão. – Saí fora Nessie.
- Ele não é só seu irmão Alice – resmungou Renesmee, desviando da mão da irmã que tentava empurrá-la.
- Calminha, as duas. Tem irmão urso pra todo mundo – respondeu gargalhando, enquanto as duas pulavam no chão, ajeitando seus pijamas.
- Irmão urso, seu sacana, porque não avisou que estava vindo para cá – Alice olhou em volta. – Ai, meu Deus, a Rose também veio – correu saltitando até onde Rosalie estava e a abraçou.
Renesmee aproveitou o momento para abraçar o irmão novamente, recebendo em troca, cocegas na barriga.
- Caraca! Não acredito que vocês vieram juntos. Para com isso – tagarelou Alice. – É perfeito demais. É como se vocês voltassem ao passado.
- É eu sei e estou adorando tudo isso – disse Rosalie, entusiasmada, segurando as mãos da cunhada.
Elisa se aproximou do filho enquanto Alice saltitava ao lado de Rosalie. Renesmee se afastou do irmão permitindo que a mãe o abraçasse também.
- Filho – disse ela, com a voz carregada. – Que bom que veio. Porque você não aparece mais vezes? – murmurou em meio ao abraço. – Essa também é sua casa – os olhos de Elisa se encheram de lágrimas, e Emmett notou assim que ela se afastou. Ele ergueu o braço, afagando o rosto da mãe em seguida lhe beijou a testa.
- Eu sei que deveria vir mais vezes, mãe. Mas é que muitas coisas aconteceram nos últimos tempos. Minha vida está uma montanha russa, com tantos acontecimentos. Estamos agora em final de campeonato, e ainda não me recuperei totalmente dos últimos acontecimentos envolvendo minha vida pessoal. Mas, em meio a tudo isso, eu encontrei a minha Rose novamente – ele olhou para Rosalie ao mencionar seu nome, e ela lhe sorriu.
Alice e Renesmee conversavam paralelamente com Rosalie, em um canto próximo ao sofá.
- Eu sei que foi difícil tudo o que aconteceu. Grande parte, nós acompanhamos pelo noticiário – disse Elisa. – Sua irmã, Alice, até quis ir para Los Angeles. Só não foi porque seu pai não deixou que fosse.
- E onde ele está agora?
- Foi à loja de ferragens, mas daqui a pouco ele chega. Quando vocês chegaram? Onde estão as malas? – perguntou, olhando em volta, achando que fosse encontrá-las por ali.
- Estão na casa dos pais da Rose, lá no inicio da rua. Nós chegamos durante a madrugada e achamos melhor não acordá-los. Acabamos, somente, acordando agora a pouco.
Passando a mão direita no rosto do filho Elisa disse.
- Estão com fome? Aposto que não comeram nada desde ontem. Venham! – gesticulou em direção à cozinha. – Vou servir o café da manhã para vocês.
- Não precisa se incomodar mãe. Está quase na hora do almoço. Podemos esperar mais um pouco.
Elisa olhou do filho para Rosalie. – Mas a Rose deve estar com fome, filho.
- Amor... – Emmett murmurou, olhando para Rosalie, mas foi interrompido por Renesmee, que olhava o anel de compromisso no dedo dela, o anel que ele dera a ela no mesmo dia em que devolvera o medalhão.
- Um dia eu terei um desses... – disse Renesmee, com convicção.
Alice rolou os olhos, e Rosalie sorriu olhando para Emmett.
-... Você quer comer algo antes do almoço ser servido? – concluiu Emmett.
- Não amor. Eu estou bem, posso esperar, sem problema algum.
- Tem certeza, anjo?
- Tenho, sim.
Emmett voltou a olhar para a mãe. – Nós vamos esperar pelo almoço.
- Está bem. Mas se sentirem fome antes, fiquem a vontade para comer qualquer coisa. Filho não deixa sua namorada passar fome.
Emmett sorriu. – Eu não vou mãe.
- Ei, irmão urso – disse Alice. – Vocês não vão ficar aqui?
- Vamos ficar um pouco. Depois eu vou levar a Rose em um lugar muito especial para nós.
- O Secret Place – afirmou Alice. – Ah irmão urso, me leva também. Você nunca me deixou ir até lá. Poxa, eu sou sua irmãzinha, o que há de errado em me deixar ir?!
Antes mesmo que Emmett pensasse em algo para dizer, Renesmee entrou na conversa.
- Se Alice for eu também vou. Porque eu também sou sua irmã, não é justo que somente ela vá. Eu nunca participo de nada...
Emmett bufou frustrado. – Nenhuma das duas, somente Rose e eu. Eu já expliquei um milhão de vezes a respeito disso. Aquele é o nosso lugar. Meu e da Rose, entenderam? Não adianta ficar batendo sempre na mesma tecla. E você, Alice, é a primeira saber disso.
Alice cruzou os braços e fez beicinho emburrada. Já Renesmee, não deu muita importância.
- Ah por mim tudo bem – disse Renesmee. – Nem faz diferença mesmo. É só um lugar no meio do mato, o que pode ter de interessante lá. Eu quero mesmo é ir para Los Angeles. Lá sim é legal. Me leva com você Emmett – pediu. – Eu quase nunca vou a Los Angeles. Alice é quem sempre vai, mas ela nunca me leva. E, em parte, porque o papai não me deixa ir com ela. Mas aposto que com você ele deixa – seus olhos brilharam em expectativa a espera de ouvir um sim.
Entretanto, Emmett não gostou muito da forma como ela se referiu ao Secret Place. Olhando para Rosalie, ele percebera que ela também não.
- Não sei se será possível Nessie, nós voltamos para Los Angeles amanhã. E, se não me engano, você tem aula. Quem sabe quando você estiver de férias.
- Promete?
- Prometo – disse ele, notando o quanto aquilo significava para a irmã caçula.
Renesmee correu até ele e lhe deu um abraço rápido. Pouco a pouco, um a um foram sentando-se nos sofás, com exceção de Alice que virou as costas e seguiu em direção à cozinha. Rosalie notou que havia algo de errado e olhou sugestivamente para Emmett. Ele assentiu, com um maneio de cabeça, e foi atrás da irmã.
Enquanto Emmett seguia para a cozinha Renesmee falou com Rosalie.
- Vocês vão dormir novamente na casa que morava antes?
- Acho que sim – respondeu Rosalie.
- Porque não dormem aqui. Temos quarto de hospedes agora. E se você não gostar do quarto de hospedes pode ficar com meu quarto, não é mamãe?
- É sim, filha. Mas eles podem querer ficar sozinhos, então não vamos pressionar.
- Porque eles iriam querer ficar sozinhos? Ficar todo mundo junto é bem mais divertido – disse simplesmente.
Rosalie afagou uma mecha dos cabelos de Renesmee. – Obrigada Nessie, por oferecer seu quarto. Tenho certeza de que ele é lindo e muito aconchegante. Mas acho melhor dormirmos lá onde deixamos nossas malas.
- Ah, seria tão legal se vocês dormissem aqui. Mas tudo bem, mamãe tem razão, não vamos pressioná-los. – concordou Renesmee.
- De qualquer forma, vamos ver o que seu irmão decide depois – ressaltou Rosalie.
[...]
Emmett entrou na cozinha e encontrou Alice sentada em frente ao balcão. De onde estava se localizava de costas para o irmão.
- Ei, baixinha – disse ele, cautelosamente.
Alice fingiu não ter ouvido. Ele se aproximou devagar e sentou no banco ao lado. Alice virou o rosto evitando encontrar o olhar dele. Emmett tentou segurar o queixo dela, mas ela se esquivou.
- Você está chorando? – sibilou surpreso.
- Não, eu não estou chorando. Estou suando pelos olhos, não está vendo?! – respondeu pulando do banco, tentando ficar longe do irmão.
Emmett sorriu, mesmo ela sendo sarcástica.
- Desculpa baixinha.
- Eu não aceito suas desculpas. E pare de me chamar de baixinha. Eu passei a vida inteira querendo conhecer esse tal de Secret Place... – disse ela, com a voz embargada. – Você não entende que é o meu desejo de criança sempre sendo oprimido. A primeira vez que tentei ir até lá, e isso porque eu estava preocupada com você, você gritou comigo, me empurrou. Eu caí de bumbum no chão. Nunca tinha sentido medo de você antes e naquele dia eu senti. Agora a pouco, quando você disse: “aquele é o nosso lugar”. Foi inevitável não relembrar aquele dia. Quando você me empurrou, você gritou quase a mesma coisa: “esse é o nosso lugar”.
Emmett ficou de pé, andando cautelosamente, se aproximou novamente da irmã.
- Desculpa baixinha... Eu não queria que você se lembrasse disso agora. Eu juro que não tive intenção de te magoar. E, eu já te pedi inúmeras desculpas pelo o ocorrido aquele dia. Eu sei que agi mal com você... Mas, poxa, Alice, você nunca vai me perdoar?!
Alice passou as mãos o rosto, secando as lágrimas. – Eu sou sua irmã Emmett, não uma garota qualquer. Quando a Rose te fez prometer que nunca levaria outra garota ao Secret Place, eu duvido que isso se estendesse a mim. Eu te perdoei, sim, porque você é meu irmão e eu te amo. Mas, agora a pouco, eu senti como se você me empurrasse novamente. E isso me magoou.
- Eu vou falar com a Rose, e se ela deixar, eu te levo da próxima vez que a gente vir. Pra ser mais especifico, nas férias da Nessie, quando eu vier buscá-la.
- Fala com ela hoje – pediu, com os lábios projetados em um beicinho.
- Eu vou falar. Mas, mesmo que ela diga sim. Não posso te levar hoje, e você vai entender o porquê.
- Não, eu não vou, não – resmungou, com lágrimas percorrendo suas bochechas.
Emmett puxou uma cadeira sentando-se nela, levando Alice para sentar em seu colo.
- Eu não sou criança, irmão urso – resmungou enxugando as lágrimas, tentando sair do colo do irmão, mas ele a segurou firme.
- Mas, às vezes, age como uma. Então fica quieta e me escuta.
Alice deu um soco no ombro dele, mas quem sentiu dor foi ela mesma. Sacudiu a mão tentando afastar a dor enquanto seu rosto se contorcia.
- Que droga – queixou-se ela.
- Quem mandou bater no seu irmão urso. Foi castigada por isso, está vendo?!
- Rá, rá, rá... – ironizou Alice. – Isso não teve graça. Doeu de verdade.
Emmett passou a mão nos cabelos dela. – Desculpa por isso também. Mas, voltando ao assunto anterior. Eu não posso pedir para te levar hoje porque faz muitos anos que Rose e eu não voltamos lá. Quero e preciso reviver esse momento ao lado dela. Precisamos voltar ao Secret Place sozinhos, para sentir que nossa história se cumpriu. Você entende agora? – ele segurou o queixo da irmã ao perguntar. Alice, embora ainda triste, maneou a cabeça positivamente. – Te levar até lá, vai ser outro momento inesquecível que criaremos. Acha que consegue esperar um pouco mais?
- Aham. Olhando por esse lado... – murmurou Alice, tentando esboçar um sorriso. Ela sabia que aquele lugar, e o retorno, eram muito importantes para ambos, e então decidiu que esperaria mais um pouco.
- Não vai ficar brava comigo. Eu te amo muito, sua pestinha – disse ele, fazendo cocegas na barriga da irmã.
Alice estava evitando sorrir, mas foi impossível. – Você gosta mais de mim do que da Nessie, não gosta?
- Não começa Alice... – resmungou Emmett, evasivamente.
- Eu sei que gosta.
- Eu não falo nada... – respondeu, desviando o olhar. – Não queira pôr palavras em minha boca, sua baixinha danada.
- Nem precisa. Eu sei que sou sua irmã preferida – respondeu ela, presunçosa.
Emmett fez sinal de que iria ficar de pé, então Alice saiu de seu colo. Juntos voltaram à sala. Emmett deu uma piscadela sugestiva para Rosalie ao passar para se sentar. Alice sentou-se ao lado do irmão agarrada ao braço dele.
Rosalie, Renesmee e Elisa, estavam sentadas no sofá oposto. Naturalmente o assunto entre família começou fluir. Alice já não estava mais triste com o irmão e Rosalie entendera o que aquilo significava. Emmett teria prometido levá-la ao Secret Place em breve. Ela maneou a cabeça positivamente, dando a entender que entenderia se assim ele o fizesse.
[...]
Enquanto isso em Chicago...
Christopher e Vera ainda estavam na cama, fadigados e entregues um aos braços do outro. Aquecidos pelo calor de seus corpos nus, juntinhos dividindo o mesmo espaço, sob os lençóis bagunçados.
Todas as cortinas estavam fechadas. O quarto estava escuro, dando a ilusão de que ainda era noite. Mas, lá fora, o sol brilhava.
Quando Vera se remexeu na cama, sentiu o corpo de Christopher coladinho ao seu. Ela abriu os olhos preguiçosamente e se espreguiçou, ao fazer isso sentiu os lençóis deslizar suavemente sobre sua pele macia, fazendo-a lembrar da noite de amor que tiveram. Ela mergulhou a cabeça embaixo dos lençóis e se deparou com seu corpo totalmente nu. Um dos braços de Christopher estava repousando sobre sua cintura, e ele dormia de bruços. Ela não pode deixar de notar o quanto o bumbum dele era branco, e, de repente, se viu fazendo a comparação com um copo de leite. Com os olhos arregalados ela colocou a cabeça novamente para fora dos lençóis e o apertou contra o corpo.
“Ai meu Deus, nós realmente fizemos aquilo, eu não estava sonhando.”, “Agora eu sou uma mulher de verdade, não que antes eu não fosse.”, “Porque mesmo estou falando com meu subconsciente?”, ela maneou a cabeça espantando os pensamentos, e quando se deu conta Christopher estava acordado, olhando-a com amor. Vera sorriu timidamente imaginando seus corpos nus embaixo dos lençóis.
- Bom dia, princesa – disse ele, espalmando a mão sobre a barriga lisa dela, sob os lençóis, deslizando por entre os seios, passando pelo pescoço, causando uma torrente de calor liquido no corpo frágil, até alcançar o rosto, onde parou fazendo um afago.
- Bom dia – ela sussurrou em resposta.
- Como se sente? – perguntou, beijando o canto dos lábios dela. Parecia uma pergunta tola, mas era importante para ambos.
- Melhor impossível – respondeu, passando uma das mãos nos cabelos, distraidamente.
Christopher lhe sorriu. – Eu te amo, Vera.
Ela suspirou, com o sentimento de esperança, sentindo-se realmente amada.
- Eu também te amo, Chris.
Christopher beijou toda a extensão do pescoço de Vera. Ela se remexeu sentindo todo seu corpo reagir às carícias. Ele notara que a deixara completamente arrepiada e sorriu, sem interromper os beijos.
Vera olhou em volta, sem sair da cama. – Como vim parar aqui? Só me lembro de termos cochilado no sofá, depois que... Ah você...
Christopher parou com os beijos e a respondeu.
- Eu a trouxe para cá pouco antes do dia começar a clarear. Não queria que chegasse alguém e nos visse na sala da lareira... Está tudo bem? Você não está incomodada, está? Digo, de ter te trazido para o meu quarto, sem perguntar antes.
- Claro que não Chris. Eu adorei acordar aqui em sua cama. E com você ao meu lado, melhor ainda. Só fiquei surpresa, porque não me lembrava de ter vindo pra cá. Estava começando a achar que era algum tipo de sonambulo – sorriu. – E onde estão as minhas roupas?
Ele apontou para a poltrona que ficava no quarto. Vera seguiu o gesto com o olhar e encontrou suas roupas, cuidadosamente, colocadas sobre a poltrona. As sandálias de salto, perfeitamente juntas, no chão próximo à poltrona.
Ela acariciou o rosto dele. – Você foi tão gentil e perfeito.
- Cheguei perto de suas expectativas? – pediu ele, escondendo um pouco a ansiedade.
- Não, você foi além delas.
Christopher segurou a mão dela que acariciava seu rosto, e beijou um a um todos os dedos.
- Minha princesa, eu quero apenas te fazer feliz... – sussurrou enquanto beijava os dedos dela.
- Você me faz feliz, amor. Você é a melhor coisa que me aconteceu.
Christopher levou a mão direita aos cabelos dela e acariciou, espalhando-os nos travesseiros.
- Você é linda, e será para sempre minha – ele sussurrou, e então, puxou os lençóis sobre suas cabeças.
- Ah é? – disse ela, com um sorriso presunçoso, encarando-o sob os lençóis.
- Sim. Não tem dúvidas disso, não é?
- Claro que não Chris. Mas você vai ter que bronzear esse bumbum. Está mais branco que o meu, meu amor.
Ambos gargalharam embaixo dos lençóis. Christopher beijou todo o corpo dela antes de se levantarem e irem ao banheiro, onde tomaram banho juntos. Não fizeram amor novamente, apenas beijaram-se e trocaram algumas carícias. Vera precisava voltar para a casa dos Cullen, e se negou, até mesmo, a tomar café na casa de Christopher. Com um sorriso bobo no rosto, ele a levou de volta para a casa dos Cullen, e, vez ou outra, segurou a mão dela enquanto dirigia.
[...]
Norristown
Cerca de quarenta minutos depois, Albert McCarty chegou da loja de ferragens, e estacionou a picape – Dodge Ram 1500, vermelha, cabine dupla –, presente do filho, meses atrás. Era o segundo carro que Emmett dava ao pai.
Albert era um homem alto e forte, assim como o filho. Seus cabelos castanhos começavam a ficar brancos nas têmporas. Com o passar dos anos ele não perdera o seu ar dominador. Certamente Emmett o puxara em termos de estatura, mas os olhos azuis, as covinhas ao sorrir, e o coração generoso ele herdara da mãe, Elisa.
Ele entrou pela porta dos fundos, e encontrou toda a família na cozinha, exceto pelas duas filhas que ficaram em Los Angeles. Elisa finalizava o almoço enquanto Alice e Renesmee arrumavam a mesa com ajuda de Rosalie.
Emmett estava sentado em um banco em frente ao balcão, conversando com a mãe a respeito de sua infância. Elisa lhe falava de como ele era generoso e responsável desde muito cedo. E quanto orgulho ela sempre sentiu disso.
Rosalie se aproximou de Emmett para pegar a travessa com salada que Elisa havia acabado de pôr sobre o balcão. Tão logo notara a presença do sogro na cozinha institivamente chegou mais perto de Emmett, segurando a travessa. Emmett sentiu o desconforto dela, pois sabia muito bem o pai que tinha. Albert sempre foi um homem autoritário e sua expressão nunca deixava dúvidas disso.
Antes de ficar de pé, para cumprimentar o pai, Emmett apertou a cintura de Rosalie com o braço esquerdo. Beijou seus ombros, como se dissesse: “vai ficar tudo bem”.
- Emmett – disse Albert, surpreso. Todos viraram seus rostos em direção ao som da voz a tempo de ver Emmett abraçando o pai calorosamente. – Quando chegou a Norristown? – questionou, batendo amigavelmente nas costas do filho.
- Chegamos durante a madrugada, mas achamos melhor não vir acordá-los.
Albert olhou em direção a Rosalie, que acabava e pôr a travessa com salada sobre a mesa. Imediatamente ele a reconheceu.
- A garota dos Cullen – disse ele. – Vocês estão juntos outra vez?
- Sim pai – sibilou Emmett. – É a Rosalie – ele estendeu a mão para ela, que aceitou sem cerimonias. A fez chegar mais perto, passando o braço direito em volta dos ombros dela.
- Como vai, senhor McCarty – cumprimentou Rosalie, estendendo a mão para o sogro.
Albert estendeu sua mão encontrando a dela. Sua mão era grande, forte e um tanto áspera, danos causados pelos anos de trabalho duro, antes de ter a vida que tem hoje, graças ao filho.
Elisa observava de canto de olho, enquanto secava as mãos em um pano de prato. Estava com medo de que o marido fosse ser hostil com Rosalie, e acabasse discutindo com o filho por isso.
Alice e Renesmee olhavam do pai, para a mãe, apreensivas.
- A garota rica que virou a cabeça do meu garoto no início da adolescência. – sibilou ele, com uma expressão indecifrável. Rosalie recolheu a mão, incomodada, levando-a para trás das costas de Emmett, segurando no cós da bermuda que ele usava.
- Rose e eu estamos juntos, sim, pai. Vamos nos casar em breve – olhou para Rosalie. – Se dependesse de mim, já teríamos casado – Rosalie beliscou a cintura dele, disfarçadamente.
- Parabéns filho, fez uma ótima escolha – disse Albert. Então ele olhou para Rosalie, e não deixou de notar que ela praticamente se escondia atrás de Emmett, disfarçadamente. – Sabe, foi por você que meu filho se tornou ambicioso e persistente. Depois que te conheceu, não voltou a se acostumar com um “não”. Sempre que caia levantava com a cabeça erguida. Correu atrás de seus solhos e se tornou a estrela do basquete que é hoje. Mas, sempre mantendo você na frente de tudo – Albert tocou o ombro do filho. – Esse homem forte tem uma fraqueza... – estalou a língua e prosseguiu. – Acho que não preciso dizer qual é. Então, seja bem vinda à família, Rosalie Hale Cullen. Espero que logo esteja assinando McCarty.
Rosalie ficou receosa e não soube ao certo se agradeceria por tudo o que ele disse, ou se somente pelas as últimas palavras. Então, mesmo se sentido um tanto sem graça, ela fez o que achou que deveria ser feito.
- Obrigada, senhor McCarty. É um prazer enorme fazer parte dessa família – ela olhou para Emmett, com um breve sorriso, e ele lhe deu um selinho.
Elisa suspirou aliviada por tudo aquilo ter acabado bem, pelo menos, por hora. E convidou todos a sentarem à mesa.
Albert sentou-se à cabeceira, a esposa ao lado esquerdo. Alice ao lado da mãe, Renesmee ao lado de Alice, Emmett do lado direito do pai com Rosalie ao seu lado.
Com o clima menos tenso, desde a chegada de Albert, todos começaram a se servir calmamente, inicialmente em silêncio. O único som que se ouvia eram o dos talheres trabalhando.
Minutos depois, Renesmee foi a primeira a quebrar o silêncio.
- Papai – disse ela, com certa cautela. – Emmett prometeu que vai me levar para passar as férias em Los Angeles.
Albert olhou para ela, com o garfo a meio caminho da boca. Ele pareceu pensar bem no que iria falar, então colocou o garfo sobre o prato.
- Você me pediu permissão para isso?
- Eu posso ir, por favor, papai?
Elisa esticou o braço, passando sobre o prato de Alice, e tocou a mão de Renesmee.
- Você conversa com seu pai sobre isso em outro momento, querida.
- Está bem, mamãe – Renesmee assentiu abaixando a cabeça.
Alice olhou para a irmã e lhe sorriu tentando animá-la. De canto de olho Rosalie olhou para Renesmee, sentindo vontade de falar com ela, mas achou melhor ficar calada.
- Então – disse Albert, depois de um gole de suco. – Suas irmãs não vieram com você por quê?
Emmett limpou a boca com o guardanapo antes de responder.
- Bella tinha umas coisas da faculdade para fazer durante o fim de semana. E Maria... Bem, ela não está falando comigo. Acredito que, mesmo que quisesse vir, não viria porque eu vim.
Albert maneou a cabeça, incomodado.
- Certamente é porque vocês estão juntos – deduziu, apontando de Emmett para Rosalie. – Ela sempre preferiu a outra, não é mesmo.
- Basicamente pai. Mas, se não se incomodar, eu prefiro não ter que falar sobre isso.
Rosalie repousou os talheres sobre a mesa. Limpou a boca com o guardanapo que estava sobre seu colo, e então olhou para Emmett.
- Você não me falou que estava brigado com sua irmã, Maria, por minha causa. Quando isso aconteceu?
Emmett segurou a mão dela que estava sobre a mesa.
- Quando eu estava em sua casa, em Chicago, depois de tudo aquilo que aconteceu envolvendo você sabe quem. Conversamos melhor sobre isso depois – pediu, com um olhar significativo.
- Está bem – Rosalie assentiu, entendendo que conversar a respeito disso com o Albert observando seria extremamente desagradável.
- Não dê bola para o que a Maria pensa Rose. Ela sempre foi do contra mesmo. Desde a infância ela sempre foi assim – disse Alice, com seu sorriso do gato de Cheshire.
- É verdade, a Maria tem o gênio difícil. Em compensação a Bella é uma fofa – disse Renesmee, sem olhar na direção do pai.
- Ah – murmurou Alice –, estou com saudades da Bellita. Acho que vou ligar pra ela ainda hoje.
Rosalie sorriu para ambas as cunhadas, amigavelmente. O almoço prosseguiu sem maiores discussões, e no final, Elisa serviu a sobremesa.
As mulheres ficaram na cozinha cuidando da organização e da limpeza após o almoço. Emmett e o pai seguiram para o jardim dos fundos, onde iniciaram uma conversa trivial sobre a loja de ferragens, carros, e o basquete, que era a grande paixão de Emmett, depois de Rosalie obviamente.
Albert pegou, em um amontoado de lenha, um pedaço de tronco de árvore e posicionou no meio do quintal. Voltou perto da lenha e pegou o machado. Ergueu as mangas da camisa, se posicionou, e deu a primeira machadada, causando o barulho de madeira sendo rachada.
Rosalie, que secava a louça, cujo Alice lavava, se aproximou da janela de vidro a tempo de ver Emmett se oferecer para fazer aquilo para o pai. Ela o observou retirar a camisa, expondo todos os músculos aos raios de sol. Aos seus olhos ele pareceu extremamente sexy ao erguer o machado, abaixando-o com força, acertando o pedaço de tronco bem ao meio. Com apenas mais duas machadadas o tranco se partiu.
Emmett conversava com o pai enquanto fazia o serviço braçal, parecendo tão natural para ele. Albert queria a lenha para usar na lareira a noite e Emmett já havia feito aquilo muitas vezes durante sua adolescência.
Rosalie não conseguia desviar os olhos, ele era absurdamente lindo, chegando a ser perturbador vendo-o fazer o que estava fazendo.
Alice conversava com a mãe, dizendo que ela deveria usar a maquina de lavar louça, quando Renesmee se aproximou de Rosalie, na janela, para ver o que tanto ela observava. Rolou os olhos ao ver que era para Emmett.
- Meu irmão é o homem mais lindo que conheço – disse, olhando da janela para Rosalie. – Todas as minhas amigas da escola babam por ele. Algumas delas guardam milhares de fotos dele, retiradas de revistas ou algo assim. Sabia que você está quase babando agora?!
Rosalie piscou várias vezes, parecendo sair de um transe.
- O que disse? – perguntou confusa.
- Uou, você é mais apaixonada pelo meu irmão do que eu imaginava. Você está praticamente babando vendo-o cortar a lenha. Mas e aí, vocês já fizeram aquilo?
Rosalie a olhou com os olhos arregalados, como se dissesse: “aquilo o que”.
Renesmee estalou os dedos na frente do rosto de Rosalie.
- Rose, acorda mulher.
- Estou acordada – disse Rosalie, com a expressão um tanto confusa.
- Então o que foi que eu te perguntei?
- Coisas que garotas de sua idade não deveriam perguntar.
- Uau – disse Renesmee. – Eu poderia dormir sem essa.
Alice gargalhou, secando as mãos em um pano de prato.
- Podia mesmo... – provocou Alice. – Mas, talvez, a resposta para sua pergunta seja sim, Nessie.
- Ah, poxa vida, eu quero ir para Los Angeles. Aqui ninguém me conta nada. Sou sempre a última a ficar sabendo das coisas. Porque você não me conta as coisas quando elas acontecem, Alice?
Elisa retornou a cozinha depois de ter levado o lixo para fora.
- Ninguém te conta nada sobre o que Renesmee? – pediu ela.
- Nada não, mamãe – Renesmee se esquivou.
Elisa olhou para Rosalie. – Vamos lá para a sala, Rose? – convidou, mas Rosalie não queria parar de olhá-lo cortando a lenha.
- Podemos ficar um pouco lá fora? – sugeriu.
- Claro que sim, querida – respondeu Elisa.
As quatro foram para o jardim dos fundos onde sentaram-se na varanda. Alice sentou-se ao lado de Rosalie em uma cadeira branca que lembrava um balanço. Elisa e Renesmee sentaram-se em cadeiras distintas.
Emmett notou a movimentação na varanda e olhou para lá, sorrindo para Rosalie, que o observava. Ele cravou o machado em um pedaço de tronco e foi até onde ela estava. Se inclinando lhe deu um selinho, entregando sua camisa para ela.
- Daqui a pouco nós iremos ao Secret Place – sussurrou para ela, ao pé do ouvido. Quando voltou a se afastar, disse. – Deixa só eu terminar de cortar aquele pedaço de tronco. Assim o coroa não se cansa tanto.
Rosalie sentiu uma necessidade absurda de acariciar o abdômen do namorado, se conteve somente por causa da família dele que os observava.
Emmett voltou para perto da lenha e ajeitou o boné na cabeça antes e voltar ao serviço braçal. Ao erguer o machado no ar, ele olhou para Rosalie, houve uma breve troca de olhares, e ele percebeu que ela estava adorando assistir aquela cena.
Notas finais
E nossa Vera querida, feliz com seu amado Christopher ♥
Emmett seduzindo a loura cortando a lenha. Fiquei quase igual a ela, babando, enquanto imaginava a cena u_u
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Beijo, beijo
Sill
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