Quando o Amor Acontece

92 Capítulo 92 - Retorno ao Secret Place


Notas iniciais
Capítulo chegando o/ galerinha.
Esse é dedicado a Joice Santos e Twlight que recomendaram a fic, me deixando feliz além da conta hahahahahha Obrigada, obrigada, obrigada :)

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A todos boa leitura :)

Naquele início de tarde Emmett permaneceu por alguns minutos cortando a lenha com golpes de machado, serviço braçal o qual fizera muito em sua adolescência. Embora Rosalie tentasse disfarçar o quanto admirava a cena, se tornara impossível, uma vez que não desviava olhar um minuto sequer.


A maneira como os músculos dele se moviam, era como se houvesse um imã que puxavam os olhos da jovem apaixonada aquela direção. Por vezes ela nem notou o que a sogra e as cunhadas falavam. Para disfarçar as falta de educação e o mau jeito, ela sorria e concordava com que quer que fosse.


Pouco tempo depois, Emmett havia juntado toda lenha cortada em um amontoado próximo à varanda, para que seu pai pudesse usá-las na lareira logo mais noite. Ele retirou o boné da cabeça enquanto recebia um obrigado, da parte do pai. Segurando o boné em uma das mãos, ele caminhou até a varanda onde Rosalie e o resto da família conversava.


- Já nem lembrava mais de como esse serviço pode ser cansativo, mãe – resmungou, atirando o boné no colo de Renesmee.


Sob a sombra da varanda a brisa soprava, dando um frescor agradável. O sol brilhava com força no alto do céu. Nas árvores ao redor do terreno, os pássaros cantavam.


Embora tivesse usado de força bruta no serviço que fizera Emmett tinha apenas algumas gotículas de suor, brilhando em seu peito másculo, o deixando ainda mais sexy aos olhos de Rosalie.


Renesmee olhou o boné em vários ângulos, girando-o em suas mãos. Não demorou muito, ela o colocou na cabeça, ajustando atrás.


- Gostei desse boné. Dá ele para mim, Emmett? – ela sorria tocando a aba.


- É um boné de homem, Nessie – resmungou Alice, que ainda estava sentada ao lado de Rosalie na cadeira branca que lembrava um balanço. – Você é homem por caso?


- Claro que eu não sou homem, né Alice?! Que coisa. Mas mulheres também podem usar esse tipo de boné, não é mamãe?


Elisa olhou para Alice maneando a cabeça. – Deixa ela filha. Se seu irmão concordar, não vejo problema alguma em Nessie ficar com o boné.


- Eu não me importo. Pode ficar com ele, Nessie. Você ficou gatinha – Emmett sorriu, dando uma piscadela para a irmã caçula.


- Eu sei, por que acha que o quero pra mim – respondeu ela, fazendo charminho. – A minha amiga Claire vai surtar querendo esse boné pra ela, mas vai ficar só na vontade mesmo. Fazer o que se meu irmão além de lindo é famoso e rico.


Incomodada Alice entrou novamente na conversa.


- Ele não é só seu irmão Renesmee. E antes de ser rico e famoso ele foi um garoto humilde, e continua sendo o meu irmão urso.


- Eu sei Alice – respondeu Renesmee, rolando os olhos. – Que saco, eu não posso nem me gabar.


Emmett se aproximou de Rosalie, sentando-se no chão próximo as pernas dela.


- Está vendo isso amor – disse ele, segurando o tornozelo esquerdo de Rosalie. – Todas as mulheres me amam...


Rosalie empurrou os ombros dele em protesto. – Não fica empolgado não, hein. Que suas irmãs te amem é normal, e eu aceito. Agora quanto a todas as mulheres, pode parar por aí...


Emmett apertou o tornozelo dela com um pouquinho mais de força. – Não fica com ciúmes não amor. Só tenho olhos para você. Eu sou todinho seu. Cada músculo desse corpo te pertence. Bumbum que a mamãe passou talquinho só você pode apertar.


Bastou à última frase para todas caírem na gargalhada.


Rosalie rolou os olhos. – Aí ursinho, seu bobo.


Sorrindo, Renesmee perguntou:


- Mamãe a senhora passou mesmo talquinho no bumbum do Emmett?


- Claro que sim. Não só passei talquinho como também beijei. Ele era o bebê lindo e sorridente da mamãe, com essas covinhas que carrega até hoje.


- Covinhas que ele herdou da senhora, né mamãe? – disse Alice. – Outro dia eu estava vendo com a mamãe, as fotos de quando o irmão urso era pequeno, e no meio delas tinha algumas dele peladinho mostrando o popô e o pintinho. Você lembra Nessie?


- Lembro sim – respondeu Renesmee, sorrindo.


- Mãe não espalhe por aí que beijou meu bumbum. Que isso mulher de Deus? Peça para essas duas garotas intrometidas pararem de falar da minha intimidade assim – ele olhou para as irmãs. – Vocês duas acham mesmo que eu nunca vi nenhuma das duas peladinhas. E não foi só em fotos, não. Foi de verdade.


- Misericórdia – murmurou Alice e Renesmee ao mesmo tempo.


- Você era um bebê lindo filho – disse Elisa –, e, quando aprendeu a andar, adorava correr pelado pela casa sempre que era hora do banho. Fazer o que?! A mamãe aproveitava para tirar fotos suas. E qual mãe nunca beijou o bumbum de seu bebê?!


Rosalie sorriu, massageando o lóbulo da orelha de Emmett. – Não acredito amor. Você era um safadinho que corria pelado pela casa – brincou. – Toda sua família viu o seu pintinho – sorriu ainda mexendo na orelha dele.


Deslizando a mão sobre o tornozelo dela, ele respondeu. – Eu nem me lembro disso, anjo.


- Aposto que era uma gracinha – sibilou Rosalie.


- Preciso encontrar essas fotos – murmurou Renesmee, esfregando as mãos uma na outra. – Vou ganhar uma grana vendendo-as aos paparazzi, em Los Angeles.


- Ei para com isso – resmungou Emmett. – Nada de expor minha vida pessoal.


- É brincadeira Emmett – respondeu ela. – Só estou te zuando.


- Cuidado irmão urso. É bem capaz de ela tirar fotos suas com a Rose e envia-las aos paparazzi só para ganhar uma grana.


- Mentira! – gritou Renesmee, dando um forte tapa em Alice.


- Para com isso Nessie – resmungou Alice. – Puxa isso doeu, sabia? – queixou-se passando a mão no braço, exatamente onde havia ficado a marca rosada dos cinco dedos de Renesmee.


- Renesmee, filha, você não pode fazer isso com a sua irmã. Por favor, já falei um milhão de vezes para não fazerem isso umas com as outras – disse Elisa expandindo a regra a todas as filhas.


- Mas foi Alice quem começou mamãe – queixou-se Renesmee.


Emmett se inclinou sobre as pernas de Rosalie, segurando o braço de Alice para ver melhor o local que sofrera a agressão. Alice, mesmo sem perceber, estava com um beicinho ressentido.


- Mas, Nessie, você a machucou – respondeu ele, voltando a sentar onde estava antes. –Se você voltar a fazer isso com ela, não te levarei para Los Angeles nas férias.


Albert, que fazia trabalhos pelo quintal, olhou em direção a varanda, buscando pela origem da agitação.


- O que está acontecendo aí?


Rapidamente Renesmee ficou estática e Alice se encolheu ao lado de Rosalie.


- Não foi nada não, pai. Foi só a Nessie que pensou ter visto um inseto. – respondeu Emmett, tentando livrar ambas as irmãs de uma tremenda bronca.


- Certo... – sibilou Albert, maneando a cabeça, voltando sua atenção para as coisas que fazia antes.


- Você sempre gostou mais da Alice do que de mim... – sussurrou Renesmee, com o lábio tremendo.


- Isso não é verdade Nessie. Eu gosto das duas, da mesma forma. Na verdade, das quatro. Porque está falando isso?


- Você sempre leva a Alice em passeios e viagens. E até a deixa usar seus cartões de credito quando está em Los Angeles. Quanto a mim, estou sempre aqui nesse fim de mundo.


- Renesmee você ainda é muito novinha para eu ficar te levando pra cima e pra baixo, de um lado para o outro. E você sabe muito bem como o pai é – explicou-se Emmett.


Ela ficou de pé, irritada. – Um dia eu vou embora dessa cidade. Irei conhecer o mundo – resmungou abrindo a porta dos fundos para voltar para dentro de casa.


- E vai deixar a mamãe aqui, sozinha? – perguntou Emmett.


- Eu a levo comigo, porque não sou como vocês... – ela bateu a porta com força ao entrar, e Albert olhou naquela direção se perguntando se deveria ir até lá.


- Isso é coisa da Maria. Sempre que elas conversam, ela põe ideia errada na cabeça da garota – disse Alice.


- Me desculpa por isso Rose – pediu Elisa, envergonhada da atitude da filha caçula.


- Não precisa se desculpar Dona Elisa, imagina.


Emmett inclinou a cabeça para ver Rosalie melhor.


- Então amor, vamos lá?


Rosalie sorriu, tocando o ombro nu dele. – Vamos.


- Já estão indo para a outra casa? – perguntou Elisa.


- Não, mãe. Vamos só dar um passeio.


- Vai levá-la ao lugar, o qual Alice morre de vontade de conhecer?


- E um dia eu irei – sussurrou Alice.


- Isso mesmo mãe. E podemos demorar um pouco para voltar.


- Tenham cuidado, pode ter animais peçonhentos por lá.


- Não se preocupe mãe, eu sei como me virar no meio do mato. Já esqueceu que passei anos de minha vida andando por aquelas bandas.


- Está bem, mas mesmo assim, tenham cuidado. Olhem sempre onde pisam. E cuide de sua namorada para que não se machuque. Não queremos que volte para a casa dos pais com um machucado, não é?


- Pode deixar mãe. Terei todo o cuidado do mundo com a minha Rose.


Emmett ficou de pé, e Rosalie o imitou.


- Tchau baixinha. Até mais tarde.


- Tchau irmão urso.


Emmett segurou a mão de Rosalie e juntos entraram na cozinha. Ela ainda segurava a camisa dele, agora com a mão livre.


Emmett soltou a mão dela e foi até a geladeira tomar um copo d´água. No momento em que ele levou o copo aos lábios, Rosalie o abraçou por trás, colando seu rosto nas costas dele. Espalmando suas mãos sobre o peito forte. Com a mão livre, ele tocou as mãos dela.


Assim que terminou de tomar a água, ainda com o copo na mão, ele perguntou:


- O que foi?


- Você estava lindo cortando a lenha... – sussurrou ela em resposta.


- Eu percebi que você estava me secando com o olhar.


- Fiquei morrendo de vontade de fazer amor com você... – sussurrou novamente.


Emmett se virou, ficando de frente para ela. Segurou firme a cintura curvilínea, apertando-a contra seu corpo.


- Não sussurre essas coisas para mim. Porque eu não aguento, Rose. Você está brincando com fogo.


- Não fosse sua família por perto, eu não teria resistido – provocou, ficando na pontinha dos pés, sussurrando ao pé do ouvido.


Emmett segurou o rosto dela entre ambas as mãos e a beijou, cheio de desejo. Segundos depois afastou os lábios o suficiente para lhe sussurrar.


- Só de imaginá-la molhadinha já perco o juízo – selou novamente seus lábios em um beijo sôfrego.


O cotovelo de Emmett esbarrou em alguns objetos que estavam sobre o balcão, fazendo-os cair. Eles se afastaram do balcão sem interromper o beijo. De repente a porta da cozinha foi aberta e uma Alice sorridente surgiu.


- Irmão urso, procure um quarto – disse ela.


Rapidamente o casal afastou-se um do outro. Rosalie olhou para Alice, um tanto envergonhada. Emmett apertou firme nos quadris dela mantendo-a em frente a seu corpo, de costas para ele agora.


- Você podia ter batido na porta antes de entrar né, baixinha?


Alice rolou os olhos. – Irmão urso, não sei se você percebeu, mas isto aqui é uma cozinha, não um quarto. Ninguém bate na porta da cozinha antes de entrar, pelos menos, não que eu saiba. Acho melhor vocês dois irem fazer suas pombices em outro lugar. Papai e mamãe podem entrar a qualquer momento. Seria bem desagradável se o papai os visse do jeito que eu os vi. Aposto que a Rose morreria de vergonha.


- Nós não estávamos fazendo nada demais – se defendeu Rosalie.


- Não estavam, ainda, mas, pela animação do irmão urso, acho que não demoraria muito. Seus safadinhos – provocou.


- Vamos, anjo. Deixa essa baixinha abusada aí com suas ideias.


Emmett saiu da cozinha indo em direção a sala segurando a mão de Rosalie.


- Irmão urso, o seu amiguinho aí vai rasgar o tecido de sua bermuda – provocou Alice, gargalhando.


Da sala, a caminho da porta, Emmett gritou.


- Cale a boca Alice – Alice continuou gargalhando. – Não dê ouvidos as loucuras que a baixinha fala, Rose.


- Tudo bem Emm. Eu já conheço a Alice e sua forma brincalhona, algumas vezes, exagerada de se expressar. Mas, tenho que admitir que ela não estava exagerando dessa vez.


Os dois olharam para baixo, na mesma direção, como se seus olhos fossem atraídos por um imã.


- Culpa sua – resmungou Emmett. – Quem mandou ficar sussurrando aquelas palavras aos meus ouvidos.


Emmett levou a mão livre à maçaneta da porta, abrindo-a. De mãos dadas eles desceram os poucos degraus da varanda, alcançando logo depois o gramado. Seguiram em frente, deixando o gramado para trás. Eles caminhavam sem pressa, apenas apreciando a rua por onde, no passado, tanto traçaram caminho. Como a casa dos pais de Emmett se localizava entre as últimas casas da rua, apenas mais alguns segundos de caminhada, eles pararam em frente à área arborizada.


Rosalie respirou fundo, seu olhar penetrante no início da floresta. Com os pensamentos fervilhando, ela maneou a cabeça como se tentasse organizá-los. Olhou para Emmett e sua expressão não estava diferente.


- Pronta? – perguntou ele, lhe apertando a mão que segurava.


- Sim – respondeu, retribuindo o aperto na mão.


Assim que começaram a entrar na mata, flashes do passado inundaram suas mentes sem pedir licença. Fora algo como estar em um túnel do tempo.

À medida que percorriam a trilha sob as copas das árvores altas, ambos voltavam no passado com gostosa nostalgia. Os sons da floresta se tonavam cada vez mais perceptível e real. O vento soprava as folhas presas nos galhos. Pássaros faziam uma sinfonia de cantos, como se lhes desejassem as boas vindas.


Rosalie prestava atenção a tudo em sua volta. Entretanto, sempre voltava a buscar o olhar de Emmett. E ele lhe sorria com amor e adoração sempre que seus olhos se encontravam. Vez ou outra, ela apontava em direção a algo que lhe chamava atenção. Um pássaro, ou outro bicho qualquer, até mesmo uma simples referencia do passado.


Após alguns minutos de caminhada pela trilha eles enfim alcançaram a velha ponte que o levariam ao Secret Place. Uma enxurrada de lembranças invadiu suas mente, dentre elas: a primeira vez que Rosalie encontrou a ponte, despertando em si a curiosidade. Desejando descobrir o que havia do outro lado. No entanto, seu medo de altura, até então segredo, a impedira de ultrapassar. Ela lembrou-se do dia em que enfim conseguiu vencer seu medo de altura, segurando firme a mão de Emmett, conseguiu chegar ao outro lado. Lembrou-se de como o havia ameaçado caso ele contasse para alguém essa sua fraqueza. E com força total veio à lembrança do dia em que reformaram o Secret Place, cujo Rosalie fora quem o batizara.


A velha ponte fazia jus ao nome, estava tão velha quanto ao primeiro dia em que estiveram ali. Fazia algum tempo que Emmett não regressava, com isso, o tempo a castigou novamente.


Rosalie apertou a mão de Emmett, seu coração batendo forte contra o peito, sentindo sua pulsação sanguínea latejar em seus próprios ouvidos. Seus olhos lacrimejaram. A lembrança que povoou sua mente agora fora a do dia em que fugiu para o Secret Place, para que não fosse obrigada a voltar com os pais a Chicago, sua terra natal.


E então veio a mais devastadora lembrança de todas. O dia em que atravessou a ponte pela última vez, segurando a mão de Emmett. O mesmo dia em que a levaram de Norristown, a cidade onde o primeiro amor, intenso como ninguém jamais vira, aconteceu. O amor que foi capaz de ultrapassar o tempo, vencendo a distância que os separava.


Pouco mais de nove anos se passaram desde a separação forçada, e o casal estava agora, mais uma vez, de mãos dadas, onde tudo começou.


Para Emmett estar ali, segurando a mão de Rosalie novamente, era como estar vivendo um sonho. Quantas e quantas vezes voltou a atravessar aquela mesma ponte, com os olhos cheios de lágrimas, cultivando a esperança de um dia encontrar o seu anjo marrento do outro lado, a sua espera.


Por muito tempo seu sorriso de covinhas foi ofuscado pela dor da saudade. A incerteza de um futuro feliz, e o medo de que jamais voltasse a vê-la. Tudo isso caíra por terra no dia em que ele a reencontrou, pois o verdadeiro amor provara que era maior que tudo.


Para Rosalie era algo como poder voltar às origens. Embora nascida na grande Chicago, a garota de cabelos dourados jamais se sentiu parte daquele mundo. Foi ali, na pacata cidade do subúrbio onde ela pode ser quem realmente era. A garota marrenta que gostava de praticar esportes, e quase sempre se saía bem em todos. Algumas vezes despertou a ira de garotos preconceituosos e machistas. Ali ela pode ser a garota que usava shorts e idolatrava sua coleção de tênis all star, em especial, os de cano longo. Ali Rosalie pode ser a garota que subia em árvores, que corria pelas ruas. A garota que não se deixava intimidar, e facilmente entrava em uma briga. Ali Rosalie viveu sem o fardo de ser confundida com outras garotas de sua idade, da cidade onde nasceu. Rotuladas, patricinhas.


Em Norristown ela viveu sem medo das ameaças de um psicopata, que viria surgir em sua vida anos depois.


Mas quando seus pais a levaram da pequena Norristown fora como trancafiá-la em uma caixa de Pandora. Condenando-a viver com a dor da separação a angustia, e a saudade. Rosalie viveu um dia de cada vez, na espera de ser novamente libertada.


Emmett tocou o rosto dela com a mão livre e murmurou.


- Está com medo?


Rosalie piscou e uma lágrima solitária rolou em seu rosto.


- Tenho mais medo das lembranças... – sussurrou em resposta. Sua mão livre se ergueu e ela acariciou a mão que tocava seu rosto. – Elas são vívidas demais.


- Eu te entendo, meu anjo. É exatamente assim que me sinto. Entretanto, esse é o nosso lugar. Depois de anos ele ainda continua sendo nosso.


Rosalie passou a mão no próprio rosto. Maneou a cabeça afirmativamente, como se dissesse a si mesma: “é agora”. Seu pé direito pisou na tábua velha, que rangeu assustadoramente. Sem se deixar intimidar, de cabeça erguida, ela pisou com o outro pé.


- Esperei anos para estar aqui novamente. Não será você quem irá me impedir... –sussurrou, se referindo à velha ponte, que, agora, começava a trepidar.


- Isso mesmo anjo – sussurrou Emmett, ainda lhe segurando a mão.


Pouco a pouco foram dando passos cautelosos, diminuindo a distância entre a outra extremidade da ponte. Rosalie foi a primeira a pisar novamente em terra firme, Emmett apenas dois passos atrás.


- Você lembra amor, de quando contava para Alice que Ogros malvados viviam embaixo da ponte? Coitadinha, ela morria de medo.


- Lembro sim. Ela tinha medo, mas foi preciso. Se eu não tivesse inventando isso ela iria sempre nos seguir. Mas, alguns dias depois que você foi embora, ela veio atrás de mim, e eu não a vi de imediato. Ela acabou caindo sentada nas tábuas, no meio do trajeto da ponte e ficou gritando por socorro agarrada a uma das cordas. Eu estava tão focado na falta que você me faz que nem reconheci que eram os gritos de minha irmã. Inicialmente, pensei que fosse você. Fiquei desesperado, e, ao mesmo tempo, ansioso. Corri derrubando tudo que entrasse em meu caminho. Mas quando cheguei aqui, não era você, mas sim a baixinha, morrendo de medo.


- Oh, coitadinha Emmett – sussurrou Rosalie quando eles começaram a se afastar da ponte indo floresta adentro.


- Eu gritei com ela depois que a tirei da ponte. Gritei que aqui era o nosso lugar, daí a empurrei – confessou sentindo-se culpado. – Ela caiu de bumbum no chão, chorou muito e ficou com medo de mim, pela primeira vez. No momento eu percebi que a assustei e tentei remediar. Sempre tive raiva do meu pai e da Maria por fazê-la sentir medo e acabei cometendo o mesmo erro. Me senti um monstro. O verdadeiro Ogro que vivia embaixo da ponte, quando a vi olhar as mãozinhas machucadas.


Rosalie afagou o rosto dele ao perceber que ele ainda se martirizava com aquilo.


- Não foi por maldade amor... – tentou fazê-lo se sentir melhor.


- Ela só veio porque estava preocupada comigo, enfrentou o medo do suposto Ogro, se arriscando na velha ponte, e eu a machuquei. Para amenizar minha atitude a peguei no colo e levei de volta para casa.


- Então foi por isso que ela ficou triste quando você falou que somente nós dois poderíamos vir, porque aqui era o nosso lugar?


- Sim. Ela lembrou-se de quando eu a empurrei. Nós dois sempre fomos muito ligados, e o que eu fiz aquele dia a magoou muito. Acho que por isso mimo a Alice demais. Acabo sempre fazendo todas as suas vontades. A única coisa que ela nunca conseguiu que eu lhe desse foi trazê-la ao Secret Place.


- Então eu realmente estava certa no que pensei – deduziu Rosalie. –Você prometeu trazê-la aqui algum dia por isso ela ficou feliz novamente.


- Não necessariamente. Prometi que falaria com você, e que a traria nas férias, quando viesse buscar a Nessie, se assim você permitisse.


Rosalie interrompeu a caminhada parando de frente para Emmett.


- Amor foi linda a sua atitude em manter a promessa. Mas eu deveria ter especificado que sua irmã, Alice, era uma exceção à regra. Tenho certeza de que você teria sofrido menos se tivesse permitido que ela viesse com você.


O vento soprou alguns fios de cabelos dourados, que se soltaram do rabo de cavalo que Rosalie usava. Emmett passou as mãos afastando-os do rosto dela.


- Se eu tivesse permitido isso, o Secret Place não seria apenas o nosso lugar, mas dela também – confessou como se aquilo fosse um erro.


- Ah, ursinho... Eu te amo tanto.


- Eu te amo mais – sussurrou ele, a milímetros dos lábios dela. Ele lhe deu um selinho, lento demais, enquanto ouviam o canto dos pássaros a sua volta.


Logo voltaram a caminhar novamente. Rosalie foi à frente, tentando reconhecer o local. Tropeçou em uma raiz exposta, mas Emmett foi mais rápido e a segurou pela cintura.


- Cuidado Rose. Não quero que volte para casa com joelhos ralados ou hematomas. Prometi a sua mãe que cuidaria de você. Chega de machucados, anjo.


Quando Rosalie ergueu a cabeça, lá estava ela, a casinha da árvore, agora um pouco velha, revelando a ausência de cuidados nos últimos tempos. Entretanto, não deixava de ser a casinha que juntos finalizaram a sua construção. A mesma casinha cujo Rosalie batizou com o nome de Secret Place.


Rosalie paralisou mantendo o olhar fixo para o alto da árvore. Lágrimas inundaram seus olhos sem reservas. Emmett a abraçou por trás, beijando-lhe o pescoço. Em questão de segundos ele também olhava para cima da mesma forma que ela.


Rosalie afastou a mãos de Emmett, que envolviam sua cintura, e correu em direção ao grande tronco que sustentava a casinha no alto. Ela buscava por algo e tinha plena certeza de que o encontraria.


- Cuidado Rose! – ele gritou indo logo atrás dela.


Rosalie parecia uma criança correndo feliz no meio do mato. Sem medo, sem culpa e sem regras.


Uma revoada de pássaros passou perto dali. Guiada pelo barulho, Rosalie ergueu a cabeça para vê-los. Seu olhar fazia jus a uma criança deslumbrada. Quando tornou a abaixar a cabeça, ela correu em volta do tronco em busca daquilo que procurava.


Emmett sorriu, feito um bobo, enquanto a observava feliz.


Rosalie parou abruptamente, e, naquele momento, Emmett soube o que ela havia encontrado. Ele se aproximou devagar envolvendo o braço direito em torno da cintura dela. Rosalie deslizou os dedos sobre a textura do coração gravado no tronco, onde havia seus nomes dentro dele. Emmett os tinha gravado ali, usando a faquinha de cortar frutas, no dia em que se despediram. Sem que se dessem conta ambos compartilhavam da mesma sensação de missão cumprida, com lágrimas nos olhos.


- Conseguimos amor. Estamos de volta... – sussurrou Rosalie, com a voz embargada.


- Conseguimos anjo. Contra tudo e contra todos, voltamos ao Secret Place, juntos – respondeu visivelmente emocionado.


Rosalie ficou de frente para ele, na pontinha dos pés, e o beijou em meio às lágrimas. O beijo fora lento, saudoso. As mãos dele se mantinham na nuca de Rosalie, que ainda estava nas pontinhas dos pés, mantendo as mãos em volta do pescoço dele.


O beijo fora somente interrompido quando a necessidade por ar se tornou maior que a necessidade de selar aquele momento.


Com um sorriso bobo no rosto, porém manchado de lágrimas, Rosalie se afastou minimamente. Emmett passou as mãos no rosto dela secando as lágrimas. O mesmo ela o fez, secando as lágrimas dele.


Emmett ergueu a cabeça, olhando deliberadamente a casinha no alto da árvore. Rosalie se apressou correndo para a escada de pedaços de madeira pregados no tronco de sustentação.


Quando Emmett se deu conta, Rosalie estava quase na metade do trajeto.


- Rose, tenha cuidado, pode ter alguma madeira solta.


- Eu estou bem amor, relaxa – respondeu assim que chegou ao beiral da varanda. Ela deu alguns passos e seus pés chutaram algo, abaixou a cabeça para ver o que era e quando fez isso, encontrou nada menos que a plaquinha com os dizeres: o anjo e o urso.


A plaquinha que havia sido feita, cuidadosamente, por Emmett. Ela recolheu a plaquinha erguendo-a no alto para que ele a visse.


- Ursinho, olha o que acabei de encontrar.


Emmett lhe sorriu lindamente, revelando suas covinhas, quando ela ergueu o braço colocando a plaquinha de volta em seu devido lugar, no alto da porta, na entrada da casinha.


- O anjo e o urso estão de volta – gritou ela, o mais alto que seus pulmões permitiram, fazendo com que alguns pássaros mudassem de lugar sob as copas das árvores.


Rosalie olhou a agitação dos pássaros e começou a gargalhar. Sabendo que ali era o seu lugar. Ali ela era um espirito livre. Não havia as ameaças de Royce King, eram somente o anjo e o urso livres para amar.


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Notas finais
Ai, ai. Renesmee e Alice se amam, mas se bicam.

Elisa revelando as peraltices de um Emmett peladinho correndo pela casa quando pequeno hahahah que lindinho ♥

E o que muitas (os) esperavam. A chegada ao Secret Place, carregada de memórias e nostalgia. Amei escrever esse capítulo e gostaria de saber de vocês o que acharam.

Não esqueça de deixar seu review :)

Beijo, beijo

Sill