Quando o Amor Acontece

81 Capítulo 81 - Conforto Materno


Notas iniciais
Capítulo chegando... o/
Esse é um tanto emocional, espero que curtam, pois eu tive fascínio em escrevê-lo.
Boa leitura pessoal e nos vemos lá embaixo.

Ao sair do interior da mansão desconhecida Emmett pode notar que lá fora o céu começava a clarear, deveria ser quase cinco da manhã. Ele olhou o horizonte alcançando a imagem das arvores que escondiam o nascer do sol por trás de suas copas. Então pensara “Em outra ocasião Rose gostaria de ir até ali”, ele mais do que ninguém sabia que Rosalie gostava de tudo e qualquer coisa que os remetesse ao Secret Place na pequena Norristown no subúrbio da Filadélfia.

Emmett desceu os poucos degraus que antecediam a entrada principal da mansão indo em direção ao carro de Carlisle que usara para chegar até ali. Um repórter se aproximou, mas foi barrado por um grupo de policias que escoltaram Emmett até o veículo. Havia flashes e muito tumulto ao redor da mansão.

Assim que Emmett se aproximou do veículo com Rosalie em seus braços, ela abriu os olhos, brevemente reconhecendo o mesmo.

- Papai... – murmurou ela, exausta.

- Não, anjo. Seu pai me emprestou para vir te procurar. Ele não está aqui, mas está muito preocupado com você.

Um dos policiais abriu a porta traseira do veículo para que Emmett pusesse Rosalie no banco, de maneira que ficasse mais confortável.

Já o policial que ajudava Vera, estava conduzindo-a a uma das viaturas que estava estacionada no jardim da mansão, então Emmett a chamou.

- Vera... – meio confusa ela olhou em direção ao som da voz. – Ela vai conosco – avisou Emmett. O policial assentiu, conduzindo Vera ao carro que Emmett usava.

Vera entrou no carro murmurando gemidos de dor. Suas costas e sua cabeça doíam exponencialmente. A queimadura que Royce lhe fizera na barriga com a ponta do cigarro estava agora inflamada, e o roçar do tecido de seu vestido, embora leve, incomodava dolorosamente.

- Você está bem, Vera? – perguntou Emmett enquanto ajudava Rosalie a se acomodar melhor. Ele sabia que Vera não estava nada bem, sua pergunta era mais por educação do que por dúvida.

- Minha cabeça dói, meu corpo inteiro dói. Tenho uma queimadura na barriga que incomoda horrores. Sinto-me como se tivesse sido atropelada por uma manada de elefantes e algo mais.

Emmett esboçou um sorriso encorajador, tocando a cabeça de Vera afetivamente, exatamente como ele faz com suas irmãs.

- Vai ficar tudo bem – assegurou. – Vou levá-las ao hospital para que possam ser cuidadas adequadamente.

- Grandão você sabe se a minha mãe ficou preocupada comigo? – questionou certa de que sua mãe não dera a mínima para seu desaparecimento.

- Claro que sim, Vera. Como não ficaria? Ela é sua mãe.

- Dificilmente ela lembra esse detalhe... – murmurou Vera, um tanto triste.

- Tenho certeza de que sua mãe está aflita. Não seja pessimista Vera. Antes de qualquer coisa, obrigado por estar sempre ao lado do meu anjo. Ela tem muita sorte em tê-la como amiga.

- Não me agradeça por ser amiga de alguém como a Rose. Apenas cuide bem dela. Como você tem feito – murmurou se encolhendo no banco traseiro ao lado de Rosalie.

Emmett passou ambas as mãos no rosto de Rosalie, afastando alguns fios de cabelos dourados que insistiam em lhe cobrir os olhos. Tanto ela quanto Vera tinham marcas dos dedos de Royce King cravadas em seus rostos. Os lábios de Rosalie estavam machucados e ainda preservava o filete de sangue seco. O corte em seu antebraço direito estava com aspecto doloroso, e também continha sangue seco em toda extensão.

Emmett lhe afagou o rosto por sobre a marca da agressão, mesmo um carinho fez a pele do rosto de Rosalie ficar incomoda fazendo-a murmurar um gemido de dor e desconforto. Abriu os olhos devagar buscando por Emmett. Seus olhos estavam avermelhados por conta de todo o choro de outrora.

- Emm... – murmurou exausta. – Me leva para casa...

- Já estamos indo, amor. Mas antes preciso levá-las ao hospital. Estão muito machucadas, precisam de cuidados médico antes de qualquer coisa.

- Quero ir para casa... – insistiu em um fio de voz, como uma criança que anseia por sua mãe e a segurança de seu lar.

- Eu sei anjo. Eu sei... – disse ele lhe fazendo um afago nos cabelos bagunçados. – Fica quietinha aí ao lado de Vera que já estamos indo.

- Ela está muito machucada? – questionou, fechando os olhos novamente. A própria Vera foi quem respondera a pergunta.

- Mais ou menos, mas nada que uma boa dose de doces não resolva. Preciso de um pico de glicemia no meu sangue – brincou, porém sem muito humor.

Rosalie esboçou um leve sorriso diante o que acabara de ouvir. Sua melhor amiga jamais mudaria. Lentamente encostou sua cabeça ao ombro de Vera, que lhe deu um beijo nos cabelos, em seguida encostou sua cabeça a de Rosalie.

Com essa cena de carinho entre melhores amigas, Emmett fechou a porta traseira do veículo satisfeito com a cumplicidade entre ambas. Abriu a porta do lado do condutor entrando no veículo. Alguns policiais ainda estavam no interior da mansão em busca de provas que incriminasse Royce King em outros dos seus crimes. Outros, no entanto, começavam a dispersar.

O helicóptero do departamento de policia de Chicago acabara de içar voo, sobrevoando a mansão antes de seguir seu destino.

Antes mesmo que Emmett girasse a chave na ignição seu celular tocou, indicando que havia pessoas ansiosas por noticias. Antes de atender ao celular ele olhou para trás onde ambas ainda estavam na mesma posição.

- Oi Carlisle – saudou Emmett, tão logo vira de quem era à ligação.

- Já nos informaram que tudo acabou bem, mas preciso ouvir de você que minha filha, e a amiga Vera estão bem.

- Bem, eu não vou negar Carlisle. Ambas estão muito machucadas. Acredito que Rose esteja em choque. Além de estar com grande exaustão, não consegue ficar de olhos abertos por muito tempo. Vera bateu com a cabeça e ficou alguns minutos desacordada. É possível que tenha uma concussão.

- Leve-as ao hospital, estarei à espera.

Emmett pode ouvir quando Esme suplicou para falar com a filha. Era angustiante vê-la tão desejosa.

- Por favor, Carlisle, pede para ele passar a ligação para minha filha.

Sabendo que Emmett tinha escutado aquele angustiante pedido materno, Carlisle apenas disse sugestivamente.

- Emmett...

- Não estou certo de que ela vá falar muito. Está exausta, mas tudo bem... – Emmett queria privá-la de mais esforços, mas era a mãe de seu anjo, lhe faria bem ouvir o timbre de sua voz.

Emmett colocou o telefone no viva voz virando-se no banco para olhar para Rosalie.

- Anjo, é a sua mãe ao telefone. Fala com ela – pediu.

- Amor fala com a mamãe – Esme pediu, sua voz ecoando através do viva voz, aflita e ansiosa.

- Mamãe... – murmurou Rosalie, abrindo os olhos devagar, como se fosse encontrar Esme a sua frente.

- Sim amor é a mamãe – disse Esme.

- Quero ir para casa... – pediu em um murmúrio.

- Aguenta só mais um pouquinho, meu bem. Daqui a pouco você vai estar com a mamãe e o papai. Estaremos te aguardando no hospital. Eu te amo minha vida.

- Também te amo mamãe. E quero ir para casa... – sussurrou, como se fosse uma garotinha assustada, voltando a fechar os olhos novamente.

- Daqui a pouco filha, seja paciente meu amor. Emmett vai trazê-la para a mamãe em segurança. Vera, querida, sua mãe vai estar conosco te aguardando.

- Obrigada Esme – sussurrou Vera.

- Vou desligar agora. Vejo vocês daqui a pouco – disse Esme. – Emmett querido, dirija com cuidado e as traga para mim em segurança.

- Pode deixar Esme, serei cuidadoso. Daqui a pouco estremos aí.

A ligação fora finalizada, então, Emmett deu partida no motor do veículo iniciando a manobra. Logo estava dirigindo na estrada de terra, ladeada de arvores, seguindo em direção à avenida principal. Atrás de seu veículo vinha uma viatura da policia, fazendo escolta.

O céu adquirira naquela manhã uma tonalidade alaranjada, Rosalie teria gostado de observar caso aquele tivesse sido um dia normal.

[...]

Northwestern Memorial Hospital — Chicago

Emmett chegara ao hospital, escoltado por uma viatura da policia, por volta das seis e quinze da manhã. Carlisle, Esme, Carmen, Eleazar e Ava Lewis – mãe de Vera –, estavam ansiosos a espera de ambos.

Assim que Emmett entrou na recepção do hospital, mantendo o braço direito apoiando as costas de ambas as amigas que vinham abraçadas, Esme correu ao encontro da filha com os braços estendidos em um convite. Tão logo a teve em seus braços cobriu o rosto da filha de beijos e carinho materno, após um longo e afetuoso abraço.

Carlisle se aproximou e abraçou a filha com extremo carinho, enquanto Esme, agora, abraçava Vera. Carmen e Eleazar abraçaram Rosalie igualmente afetivos, logo depois abraçaram Vera, que olhava para a mãe a espera do abraço materno que não viera.

- Onde inferno você foi se meter... – murmurou Ava, entre dentes, ao lado da filha.

Vera encarou o chão se sentindo um nada. Ava tinha o dom de fazê-la se sentir assim.

Carlisle fez questão de acompanhar a filha até a sala de exames, onde a deixou nas mãos cuidadosas de uma colega de trabalho extremamente competente. Ele sabia que sua filha estaria em boas mãos.

Ava Lewis, sempre fria e distante, acompanhou a filha a sala de exames que ficava logo ao lado de onde Rosalie estava sendo atendida. Vera, mesmo sem querer, chorou com a indiferença da mãe. No fundo Vera sabia que Ava só estava ali pelo laço sanguíneo que a obrigava, e não por amor verdadeiro, como Esme sentia por Rosalie. Vera secou as lágrimas com raiva enquanto o doutora a recebia educadamente na sala de exames.

A mãe de Vera é divorciada desde que a filha tinha apenas cinco anos. O ex-marido é piloto de avião e nunca teve tempo para dedicar à filha e ao casamento. A última vez que Vera o viu, ela tinha acabado de completar onze anos de idade. Vera sentia falta do pai, mas ele dificilmente ligava para saber como ela estava. Sua família era totalmente o oposto da de Rosalie Hale, ainda assim Vera era uma garota feliz. Com suas loucuras e peraltices, exceto quando sua mãe estava por perto, Ava parecia sugar o que tinha de bom em Vera, mas a vida lhe presenteou com um namorado exemplar. Christopher é um bom garoto. Futuramente um excelente marido.

Nenhuma das duas tinha ferimentos graves a ponto de deixá-las internada por tempo indeterminado, mesmo assim precisaram ficar em observação por algumas horas. Ambas fizeram tomografia devido às agressões que sofreram na cabeça, e uma série de exames. Vera fez também exames ginecológicos por conta do que Royce King lhe fizera. Rosalie dispensou os exames ginecológicos, por hora, uma vez que Royce não chegara a abusá-la sexualmente dessa vez.

Em momento algum Vera chegou a mencionar para a mãe o que Royce lhe fizera. Sua mãe não demonstrara afeto suficiente para contar-lhe algo tão íntimo.

A ginecologista que a examinou foi clara quando disse que se o conceito de virgindade para Vera era ter o hímen intacto, então sim, ela deixara de ser virgem naquele dia, uma vez que Royce King foi extremamente violento no que fizera. Mas já que não havia acontecido o ato propriamente dito, seu sexo ainda continuava tão apertado quanto antes. Ainda assim Vera sentia-se suja e desonrada por Royce ter lhe tocado de forma tão intima, onde nem mesmo seu namorado ainda tocara.

Tanto Rosalie quanto Vera conversaram, separadamente, por cerca de uma hora com a psicóloga do hospital.

Rosalie fora liberada por volta das quinze horas. Vera, no entanto, teve que ficar para passar a noite no hospital. Como havia batido com a cabeça e permanecido inconsciente por longos minutos, os médicos decidiram que o melhor para ela seria passar a noite em observação. Ava não aprovou a ideia de ter que ficar no hospital com a filha, mas não teve outra escolha. Christopher – o namorado – chegara logo depois do almoço para lhe fazer companhia.

Rosalie se despediu brevemente de Vera, e voltou para casa sentada ao lado da mãe no banco traseiro do veículo, Esme não queria se separar da filha por nada no mundo. Carlisle dirigia o carro da esposa enquanto ela estava abraçada a filha, lhe passando segurança e amor materno. Emmett voltou sozinho, dirigindo o carro do sogro que esteve usando durante o resgate.

Diante tudo o que estava acontecendo nas últimas horas, Carlisle não fez plantão na noite passada e fora dispensado por hoje para que pudesse permanecer com a família nesse momento pós-traumático. Um colega de trabalho o substituiu com competência.

Carmen e Eleazar se despediram de todos. Precisavam voltar para casa, tomar um banho e descansar um pouco. Agora que tinham certeza de que estava tudo bem, eles ficaram mais tranquilos em deixar a família a sós. Prometeram que voltariam se possível no dia seguinte para visitá-la.

[...]

Já na mansão Cullen, Rosalie saiu do carro abraçada à mãe. Como sua roupa estava rasgada ela usava um jaleco do pai, disfarçando o estrago.

- Emmett... – ela o chamou olhando em volta. Ele estava acabando de estacionar o veículo.

- Estou aqui, anjo – ele respondera ao fechar a porta do carro de Carlisle que já estava em sua vaga na grande garagem.

- Me leva para o meu quarto?! – pediu um tanto dengosa.

- O que você quiser meu amor – disse ele ao se aproximar.

Com um sorriso amável, Esme se afastou para que Emmett pudesse pegar Rosalie no colo. Rosalie envolveu seus braços em torno do corpo de Emmett, afundando seu rosto nos músculos do peito másculo, sentindo o perfume reconfortante de homem que ama.

Carlisle estava disposto a carregar sua filha escadas acima, mas permitiu que o namorado o fizesse já que fora o desejo dela. Sendo assim ele foi à frente, sempre abrindo as portas, cedendo passagem aos dois. Esme os seguia de perto, segurando tanto sua bolsa quanto a de Rosalie.

Em frente ao inicio da suntuosa escada, Emmett roçou seu nariz nos cabelos dourados de Rosalie sentindo o perfume, mesmo suado ainda cheirava bem. Subiu os degraus carregando Rosalie em seus braços fortes, Esme os seguia logo atrás. Carlisle seguiu em direção à cozinha, parecia tão fadigado.

Emmett roçou seus lábios aos de Rosalie assim que ela inclinou a cabeça para olhá-lo.

- Amo você – sussurrou ele.

Satisfeita com a declaração de amor, Rosalie grudou seus dedos na camisa que Emmett usava – agora muito amassada devido toda briga de outrora.

- Eu também amo você, ursinho... – sussurrou, vencida pelo desgaste físico.

Esme abriu a porta do quarto da filha para que Emmett pudesse entrar com ela em seus braços. Emmett colocou Rosalie sentada na cama próximo ao ursinho de pelúcia, que ele mesmo lhe dera anos atrás. Rosalie estendeu o braço para pegá-lo, mas ao fazer isso seu corpo inteiro protestou com dores musculares.

Dedicado, Emmett estendeu o braço agarrando o ursinho em sua mão, passando assim para as mãos de Rosalie.

- Obrigada, amor – disse ela, abraçando seu mascote de pelúcia favorito.

Emmett mergulhou seus dedos da mão direita por entre os fios de cabelos dourados, afagando carinhosamente. Rosalie inclinou levemente a cabeça em direção à mão dele, recebendo o toque.

Esme seguiu em direção ao banheiro da filha para lhe preparar um aconchegante banho de banheira. Emmett só se deu conta de que ela não estava mais ali, quando barulho de água lhe chamou atenção de dentro do banheiro.

- Eu queria cuidar de você amor, mas sua mãe vai fazer isso. Eu sei que ela fará melhor que ninguém.

Rosalie fez beicinho.

- Gostaria que fosse você...

- Eu também, amor – tocou o beicinho que estava projetado nos lábios dela. – Mas eu volto quando ela terminar de mimar sua garotinha. Sua mãe estava morrendo de angustia. Ela te ama muito, anjo.

Esme acabara de voltar para o quarto quando Emmett finalizava sua fala.

- Eu sei que sim – disse Rosalie. – Vem cá mamãe linda – a chamou, mexendo com a mão, como quando era uma garotinha.

Esme sorriu genuinamente, estendendo a mão para alcançar a da filha.

- Vem, filha. A mamãe vai cuidar de você. A banheira está quase pronta – alcançou os ombros da filha, retirando o jaleco do pai que ela usava para cobrir suas roupas rasgadas.

- Eu volto depois, anjo. Estarei lá embaixo conversando com o seu pai.

- Obrigada ursinho por ser tão cuidadoso comigo. Não esquece que te amo muito.

Emmett lhe sorriu, revelando covinhas perfeitas e encantadoras.

- Não me agradeça por te amar como te amo, Rose – disse ele segundos antes de se retirar do quarto.

Do corredor ele ainda pode ouvir Rosalie resmungar.

- Ai mamãe. Está tudo doendo...

Emmett ficou apreensivo, mas não pode deixar de esboçar um sorriso, por vê-la tão mimada e de guarda baixa.

- Eu sei que está tudo dolorido, filha. Não se preocupe a mamãe vai te ajudar.

Rosalie foi para o banheiro segurando a mão da mãe. Lá Esme a ajudou retirar as roupas e entrar na banheira. Esme sentiu como se seu coração estivesse sendo esmagado. Seus olhos se encheram de lágrimas ao ver todo o corpo da filha marcado com grandes hematomas. Nem mesmo seus seios estavam limpos. Além disso, havia também as antigas cicatrizes que ela jamais teve conhecimento. O recente corte no antebraço direito de Rosalie estava com um curativo agora.

Marcas permanentes estavam no corpo de sua garotinha, aquela a quem amou loucamente desde que descobrira que estava gravida. Aquela a quem mimou durante as madrugadas ao despertar de um pesadelo chorando. Aquela a quem passou noites em claro ao lado em noites febril. Aquela a quem ajudou dar seus primeiros passos e balbuciar suas primeiras palavras. A garotinha de cabelos dourados que ela levou a escola pela primeira vez e ficou angustiada por ter que deixá-la com outras pessoas. A mesma que ela viu se formar no colegial e entrar para a faculdade com honras. Esme não resistiu e lágrimas escaparam livremente rolando em sua face.

- Eu estou bem, mamãe... – sussurrou Rosalie. – Não chore, por favor – pediu.

- Como pode estar bem se está tão machucada – sussurrou Esme. – Por Deus porque nunca me falou acerca disso, filha?

- Por isso, mamãe... – surrou Rosalie, passando seu polegar em uma das bochechas da mãe, limpando uma lágrima. – Não queria que sofresse por um erro meu.

- Você esteve sofrendo por tanto tempo em silêncio. Não faz isso, filha – pediu. – Seu pai e eu precisamos saber o que acontece para que possamos protegê-la. Você é o nosso maior tesouro Rose. Você é a nossa razão de viver.

Rosalie ficou em silêncio por alguns minutos. Esme começou a passar a esponja de banho cuidadosamente no corpo da filha submerso em espumas perfumadas. Seu curativo no antebraço direito estava agora úmido e incomodava um pouco.

- Mamãe... – sussurrou Rosalie após o momento de silêncio.

- Fala meu bem.

- Estou um trapo velho – murmurou.

- Não diga isso, filha – disse Esme, passando a esponja de banho no braço de Rosalie, como se ela fosse uma garotinha.

- Não vou sair de casa enquanto estiver com esses hematomas. E meu rosto estiver assim... Com marcas dos dedos daquele maldito – seus olhos se encheram de lágrimas ao falar.

- Não se preocupe meu bem, dentro de poucos dias todos os hematomas clarearam. E o seu rostinho em menos de três dias não terá mais as marcas.

- Se eu cobrir com maquiagem ficarei parecendo uma palhaça.

- Não, meu amor – disse Esme, colocando certa quantidade de shampoo em sua mão, levando aos cabelos dourados da filha, massageando levemente. O couro cabeludo de Rosalie estava exponencialmente sensibilizado pela agressão que sofrera.

Rosalie fechou os olhos, completamente relaxada ao lado da mãe, que lhe cuidava com tanto carinho. Isso fazia lembrar-se de quando era uma garotinha e sua mãe lhe ajudava no banho todos os dias.

- Mamãe... – murmurou, mexendo na camada de espuma.

- O que filha?

- Eu gosto disso – disse ela.

- Do quê, meu bem? Brincar com a espuma? – questionou, retirando o shampoo dos cabelos da filha.

- Não. De ter você cuidando de mim como quando eu era só uma garotinha. De ser amada. De ter uma família.

- Mas para a mamãe você sempre será uma garotinha. A garotinha, a qual a mamãe daria a própria vida para protegê-la. Você saberá filha que não estou exagerando quando tiver a sua própria garotinha correndo pela casa, lhe deixando aflita com medo que ela se machuque.

Rosalie suspirou com angustia. Esme sofria só de imaginar sua filha, ainda na infância, se machucando como qualquer criança normal. Quem dirá sendo torturada nas mãos de um sádico que não tinha o direito.

Rosalie lhe sorriu fracamente.

- Te amo muito mamãe – disse ela, segurando a mão de Esme e depositando um beijo.

- Eu também te amo, filha. Mais que minha própria vida, mais que qualquer vã filosofia possa supor.

E assim Esme continuou cuidando de sua filha, lhe passando o amor e o carinho que ela precisava para se sentir segura e confortável novamente.

A segurança do lar era tudo o que Rosalie Lilian Hale Cullen precisava agora.

Notas finais
Espero que tenham gostado :)
Nada melhor para aliviar a dor física e curar a dor da alma do que o amor e a compreensão daqueles a quem amamos ♥
Espero vê-las nos reviews, não me importa que sejam curtinhos, só que apareçam :) um review leva muito menos tempo para ser escrito do que um capítulo, então acho que é valido..
Beijo, beijo
Sill