Notas iniciais
Capitulo dedicado a Pamela por ter recomendado a fic. E com essa é a quarta fic minha que ela recomenda nos últimos dias o/ Uhulllllllllllll Amando cada palavra usada nas recomendações, muito perfeita ♥ Obrigada Pamela :)

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Boa leitura pessoal, e como sempre nos vemos lá embaixo.

Enquanto Rosalie recebia todo o conforto e cuidado materno, Emmett conversava com o sogro Carlisle na cozinha da mansão. Nenhum deles havia dormido durante a noite passada. Era certo que a noite de outrora fora de tormentas para aquela família. As horas haviam se prolongado de maneira extremamente perturbadora. Não saber onde Rosalie estava era algo sem explicação, mas ter a certeza de que estava em poder de Royce King era algo totalmente desconcertante, levando em consideração sua obsessão pela herdeira Hale Cullen. Isso fizera da espera algo ainda mais aterrador.

A noite chegara novamente, no entanto, dessa vez, a angustia havia dado trégua aos corações dos membros daquela família. Rosalie Lilian Hale Cullen estava de volta à segurança, e conforto de seu lar ao lado de sua família.

O grande relógio que estava localizado na parede central da cozinha marcava agora, dezoito horas e quinze minutos.

Carlisle havia acabado de passar um café e servia duas xicaras. Sentou em um dos bancos alto ao lado de Emmett, em frente ao balcão, lhe passando sua respectiva xicara. Tomou um gole de seu café fumegante antes de fazer um agradecimento sincero.

- Obrigado por tudo o que fez por minha filha, hoje. Foi imprudente? Foi... – Emmett fez menção de falar, mas Carlisle prosseguiu. – Tenho certeza de que quando se casarem estarei entregando a mão de minha filha a um homem honrado, digno de tê-la ao seu lado. Tenho certeza de que vocês construirão uma família linda e darão uma ótima educação a seus filhos. Entretanto, ainda carregarei a culpa de que por uma decisão minha, a Rose tenha vindo a cruzar o caminho de Royce King.

Emmett tomou um gole de seu café antes de responder algo. Repousou a xicara novamente sobre o mármore do balcão antes de se pronunciar.

- Não é certo se culpar pela Rose ter conhecido Royce King. Você é um bom pai Carlisle. É um grande homem. Apenas o inesperado aconteceu...

Carlisle tocou o ombro de Emmett de maneira compassiva.

- Talvez tenha sido Emmett – disse com pesar. – Pouco tempo depois da morte de minha mãe, Rose me pediu para voltarmos a Norristown e como estava muito envolvido com meu retorno ao hospital onde iniciei minha carreira como médico; acabei lhe dizendo não. Isso não foi apenas uma vez... – refletiu ele. – Agora vejo que contribui para que minha própria filha crescesse cheia de angustias, e até mesmo um pouco de amargura. Houve o tempo em que ela se rebelou completamente – nesse momento Emmett teve vontade de sorrir, imaginando seu anjo agindo toda cheia de marra, mas o momento não era propicio, apenas continuou prestando atenção ao que seu sogro falava. – A Rose mal falava conosco, e quando falava eram sempre palavras evasivas e frias. Pouco a pouco estávamos perdendo a nossa garotinha. A Rose já não era mais a mesma...

- A Rose às vezes tem um gênio difícil mesmo – confirmou Emmett. – Posso imaginar o quão difícil tenha sido para vocês enfrentar essa fase marrenta do meu anjo. Mas quando ela baixa a guarda, como agora a pouco quando a deixei no quarto com a mãe, ela se mostra uma garota doce e sofrida.

- Sim – disse Carlisle. – A minha filha, embora tenha sido criada cercada de amor, sofreu por sentir sua falta. E seu martírio começou mesmo quando ela conheceu Royce King. Nós sabíamos que havia algo de errado naquela relação, mas a Rose nunca sentou para conversar. Ela fugia do assunto feito o diabo da cruz sempre que Esme e eu sentávamos para conversar. Acredito que no inicio ela aceitou namorar Royce para nós afrontar. Acredito também que quando ela descobriu a verdadeira mascara dele era tarde demais para qualquer tipo de afastamento sem conflito. Houve noites em que Esme chorou com a cabeça apoiada ao travesseiro depois da filha tê-la tratado com frieza. Não sei se Rose chegou a mencionar, mas Esme não conseguiu mais engravidar depois que ela nasceu, então, minha esposa focou todo seu desejo de ser mãe naquela garotinha de cabelos dourados. O nosso maravilhoso presente enviado por Deus nos trouxe muitas alegrias. No entanto, também soube como magoar, a Rose destroçava o coração da mãe quando a respondia de forma hostil. Muitas vezes fui rude com minha filha para que ela não insistisse nisso com a própria mãe. Entretanto, havia outro problema, sempre que eu intercedia por Esme a Rose se fechava, ficava dias sem me dirigir uma palavra. Acredito que ela soubesse que agindo assim me deixava mal.

Emmett tomou mais um gole de seu café, suspirando em seguida.

- Me sinto mal sabendo que tive uma parcela de culpa em tudo isso. Digo, de ser parte dos motivos dela agir dessa maneira com relação a vocês, os pais – disse Emmett com pesar.

- Não. Não é sua culpa que a Rose tenha decidido, naquela época, se tornar rebelde. E nessa mesma fase veio o primeiro namorado...

Emmett trincou a mandíbula, incomodado.

- Desculpa aí sogro, mas o primeiro namorado da Rose fui eu – corrigiu.

Carlisle sorriu involuntariamente, lembrando-se dos reais motivos da rebeldia de sua filha anos atrás.

- Calma Emmett, não precisa ficar com ciúme. A Rose já tinha dezesseis anos e o namoro só durou dois dias. O garoto gostava dela, mas minha filha não dava a mínima para isso. Ele até insistiu por muito tempo, lhe mandava flores e convites – devo ressaltar que Emmett não estava gostando dessa parte da conversa, porém Carlisle prosseguiu. – Mas a Rose, com aquele gênio difícil, jogou tudo no lixo e disse para o garoto não perturbá-la nunca mais. – essa parte fez Emmett ponderar a pauta do pretendente apaixonado.

- De qualquer forma espero que ele tenha esquecido por completo o meu anjo. Se bem que eu aceito que ele tenha tido dificuldades para isso – resmungou. – Minha Rose é fascinante – sussurrou consigo mesmo.

- Ele é casado agora, Emmett – disse Carslisle, com um discreto sorriso.

- Isso preserva a saúde e os dentes dele... – resmungou Emmett, com descaso.

Carlisle prosseguiu.

- Então ela entrou para a universidade, e foi nesse inicio de fase que acabou conhecendo Royce King. Rose sempre fez questão de assistir de perto todos os jogos do time da universidade, então você já pode imaginar onde ela o conheceu. Ele era mais velho e não tinha um bom histórico em relacionamentos duradouros. Mesmo contra tudo o que dissemos, Rose insistiu. E acabou dessa forma, com ela machucada, não só fisicamente, mas na alma. A verdade é que fui um péssimo pai e não me dei conta de que minha filha estava sendo coagida por um sádico.

- Novamente direi que não é culpa sua Carlisle. Você é um bom pai, ama sua filha incondicionalmente. Meu anjo é cabeça dura ás vezes, mas posso afirmar que tem um bom coração, e isso vem da estrutura familiar que sempre teve. Não vejo falhas na figura paterna que você representa para sua filha. Ela te ama acima de qualquer situação.

[...]

Enquanto isso no quarto de Rosalie...

Esme passou anti-inflamatório em spray nos machucados da filha. Refez o curativo do corte no antebraço direito, depois a ajudou vestir um pijama de cetim, por ser dos mais confortáveis, levando em consideração os vários machucados em seu corpo.

Secou os longos cabelos dourados de Rosalie com o secador, porém sem o uso da escova de cabelos, apenas usando seus dedos por entre os fios para não agredir ainda mais o couro cabeludo já machucado.

Puxou os cobertores da cama, para que a filha pudesse deitar sob os mesmos. Rosalie deitou, sendo coberta pela mãe, como se fosse ainda uma garotinha.

- Mamãe... – murmurou Rosalie ao recostar a cabeça em um dos vários travesseiros que ali estavam.

- O que filha?

- Me traz, por favor, um dos comprimidos para dor de cabeça que a Dra. Salazar prescreveu.

- Tudo bem, querida. Estão em minha bolsa. Fica quietinha aí que a mamãe já volta –avisou Esme antes de se retirar.

Rosalie se aconchegou a cama, abraçada a seu urso de pelúcia, cujo nome também era Emmett.

No corredor de acesso aos quartos – no segundo piso –, Esme encontrou sua bolsa sobre um console de vidro. Retirou do interior da bolsa a caixa com os comprimidos para dores de cabeça, e mais alguns medicamentos, os quais adquiriram com a receita medica em uma farmácia a caminho de casa. Esme retornou em pouco tempo ao quarto da filha.

- Aqui está meu bem – disse ela ao se aproximar da cama – Rosalie sentou-se murmurando gemidos de dor. – Amanhã vai estar melhor, filha – afirmou Esme, enquanto abria o frigobar e retirava de lá uma garrafinha de água mineral. Entregou a garrafinha de água juntamente com o comprimido e um copinho descartável a Rosalie, que torceu o bico, mesmo sem intenção. – Mais tarde você vai tomar o outro – explicou.

Rosalie fez cara feia ao recordar que os próximos comprimidos seriam calmantes; e ela odiava o fato de se sentir frágil.

- Não faz essa carinha, meu bem.

- Eu sei mamãe... – resmungou.

Emmett e Carlisle aproveitaram que a porta estava aberta – desde que Esme retornara com os medicamentos –, e ficaram ali, lado a lado observando.

Rosalie sorriu para ambos os homens de sua vida, após ter ingerido o analgésico. Depositou a garrafinha de água mineral, praticamente intocada, e o copo descartável sobre a mesinha de cabeceira do lado esquerdo.

Tanto Emmett quanto Carlisle retribuíram o sorriso. Carlisle entrou no quarto sem tirar o sorriso do rosto. Emmett, no entanto, não tinha certeza se deveria entrar, então resolveu ficar ali mesmo recostado ao batente da porta.

Carlisle se aproximou da cama abraçando a filha, que envolveu os braços em volta de seu pescoço. Ele a abraçou cuidadosamente, pois sabia o quanto estava machucada.

- Como se sente filha?

- Depois dos cuidados da mamãe, me sinto bem melhor – confessou. Carlisle lhe beijou o topo da cabeça, enquanto ela direcionava seu olhar a Emmett, que lhe sorriu como se dissesse “paparicada pelo papai, hein anjo”, Rosalie rolou os olhos.

Esme que até então observava o marido e filha, olhou em direção a Emmett.

- Está com fome, querido?

- Por favor, Esme, não se preocupe com isso. Sei o quanto deve estar cansada, não pregou o olho a noite passada. Só descanse, por favor – explicou Emmett.

- Obrigado por ter ajudado a trazer minha filha de volta para casa.

- Eu prometi que a traria de volta para seus braços – disse ele, com um sorriso de canto que evidenciava uma de suas covinhas.

Esme se aproximou e o abraçou como quem abraça a um filho querido.

- Você é um homem com coração grandioso – sussurrou Esme após o abraço.

Rosalie olhou em direção a ambos, orgulhosa da cena que presenciara.

- Vem cá ursinho – ela o chamou, gesticulando com a mão direita.

Emmett olhou para Esme, depois para Carlisle sem saber se deveria aceitar o convite.

- Fique a vontade Emmett – disse Carlisle, entendendo sua reação. – Fique com ela um pouco. Vai fazer bem para ambos.

- Quando o jantar estiver pronto eu avisarei – informou Esme, antes de se retirar acompanhada pelo marido.

- Senta aqui, ursinho – Rosalie bateu a mão sobre o colchão em um convite. Emmett fez o que ela sugeriu.

- Como se sente anjo? – lhe tocou o rosto carinhosamente com o dorso de sua mão direita.

- Meu corpo inteiro ainda dói – queixou-se. – Minha cabeça também, mas já tomei um analgésico, logo deve aliviar. E como se não bastasse tenho esses hematomas que além de permanecerem por alguns dias também doem.

Emmett segurou um dos braços de Rosalie, trilhando um caminho de beijos sobre os hematomas, deixados ali por Royce King e seus comparsas. Depois a beijou nos lábios demoradamente como se quisesse prolongar o momento. Logo depois a abraçou carinhosamente lhe beijando o topo da cabeça. No momento em que se afastava sussurrou ao pé do ouvido.

- Tive tanto medo de te perder... Por Deus, Rose, não volte a fazer nada parecido. Eu não sei viver sem você, anjo.

Após um longo suspiro ela envolveu seus braços em torno do corpo de Emmett, porém, sem muito esforço para não afetar as dores que sentia por todo seu corpo.

- Meu urso grandalhão. Meu, meu, meu. Todinho meu – repetiu com convicção. Emmett gargalhou sonoramente diante o que acabara de ouvir. – Não rir não, seu bobo – reclamou encarando-o, enfeitiçada com o som daquela gargalhada gostosa. Emmett beijou-lhe a pontinha do nariz, ela fechou os olhos diante o toque. – Eu te amo, urso.

- Eu sei – respondeu ele.

- Como assim?! – inquiriu ela, com olhos arregalados. – Você também tem que dizer que me ama – corrigiu. Emmett tornou a gargalhar. Rosalie o encarou, sua seriedade era ainda maior dessa vez. – Só não te dou uns bons petelecos porque não aguento ficar me mexendo para te alcançar, caso você corra de mim.

- Marrenta – murmurou ele. – Eu te amo. I love you. Je t'aime – repetia pausadamente, cobrindo o rosto dela de beijos.

- Você me ama, mesmo estando com o rosto assim, tão marcado pelas mãos de um cretino?

- Eu te amo e sempre te amarei, não importa o que aconteça– Rosalie fez menção de se jogar no colo de Emmett, mas seu corpo não permitiu que o fizesse. As dores protestaram, se tornando ainda mais sofrida. – Calma, meu anjo – pediu. – Vem eu vou ficar aqui com você – disse ele, chegando mais perto da cabeceira da cama, se recostando em alguns travesseiros que ela outrora usara. Eles continham a essência inesquecível do perfume dela.

Rosalie se aconchegou a ele, recostando sua cabeça ao peito másculo, sentindo o seu calor. Emmett iniciou uma serie de cafunés nos cabelos dourados, lhe deixando um tanto quanto aérea.

- Obrigada por ter me resgatado, amor – agradeceu calmamente. – Sei que não deveria ter ido, mas era a minha melhor amiga que estava lá... – murmurou, sentindo um frio no estomago só em imaginar os momentos de terror que viveu ao lado de Royce King nas últimas horas.

- Não precisa agradecer amor – beijou a testa de Rosalie ao concluir a frase. Ela alcançou a mão direita de Emmett levando a altura de seus lábios, depositando ali vários beijos seguidos. Depois encostou a mão dele a sua bochecha, fechando os olhos, sentindo a textura daquela mão tão máscula e forte. – Você é dengosa, sabia?!

- Não sou não... – negou ela.

- Ah você é sim – insistiu ele.

- Meu ursinho chato e bobo.

- Meu anjo marrento e às vezes dengoso... – murmurou ele. – Sabe anjo, eu acho muito bonito a maneira afetuosa com que seus pais te tratam. Me faz bem saber que lhe tem amor. Na minha casa nunca recebemos esse tipo de carinho – disse reflexivamente. – Meu pai sempre foi mais de bater e dar bronca. O lance com ele era sempre bater primeiro, perguntar depois. “Eu sei o quanto se sentiu destruída por ser maltratada por aquele infeliz, quando dentro de sua casa só recebe amor incondicional”, pensou Emmett.

- Você é um bom filho e um bom irmão, ursinho – disse Rosalie, deslizando sua mão direita sobre o peito másculo de Emmett por sobre a camisa. – Tenho certeza de que será um bom pai.

Emmett lhe sorriu imaginando crianças parecidas com ele e com Rosalie, correndo pela casa, brincando felizes.

- Se for uma bonequinha marrenta e casca grossa, mas em sua essência, dengosa feito você anjo, certamente ficarei maluco – Rosalie disfarçou um sorriso convencido. – Se for um garotão bonito assim como o pai – disse apontando para si mesmo – Vai conquistar muitas gatinhas na escola – Rosalie beliscou o bíceps dele em protesto. – Ei anjo, isso não vale – resmungou.

- Quando eu tiver um filho ele não vai ser nenhum garanhão, pegador sem-vergonha – protestou. – Eu vou educá-lo como sua mãe educou você – Emmett sentiu-se orgulhoso diante o que acabara de ouvir. – Ele vai ser um ursinho carinhoso, romântico, sincero e totalmente família, exatamente igual ao pai – ergueu a cabeça para olhá-lo diretamente nos olhos.

Emmett lhe sorriu orgulhoso, antes de depositar um beijinho na pontinha do nariz.

- Eu não falei sério amor, quando disse isso. Jamais criaria um filho meu dessa maneira. O que supostamente, na fase adulta, o faria um cafajeste. Agora que eu vou pirar se for uma garotinha exatamente igual a você. Ah isso eu vou mesmo. Já posso imaginá-la batendo o pezinho com raiva e jogando os cabelos dourados para o lado.

- E se ela não tiver os cabelos dourados, mas sim, castanhos como os seus? – perguntou presunçosa. – E eu não faço isso, tá – resmungou.

- Ah você faz sim – protestou Emmett. – Posso lhe assegurar que a vi muitas vezes agindo dessa forma. E para mim, se nossa filha tiver cabelos dourados ou não, isso não importa porque ela será nossa e eu vou amá-la do mesmo jeito. Não seria tão ruim se ela puxasse o papai aqui – disse orgulhoso.

Rosalie sorriu, e sem perceber jogou os cabelos para o lado, exatamente como ele disse. Emmett disfarçou um sorriso convencido.

- Você é um chato – resmungou ela. – Mas é o meu chato favorito. A proposito amor, porque estamos falando de filhos se ainda nem nos casamos?

- Sei lá... Foi você quem começou anjo.

A postura de Rosalie mudou diante a última resposta de Emmett.

- Emmett você está me ludibriando – fez beicinho. – Você não quer ter filhos comigo? – sua pergunta soara um tanto quanto inquisidora.

- Ei – disse Emmett, segurando a mão delicada que repousava sobre seu peito. – Não distorça o assunto, anjo. Não foi isso que eu disse. Muito menos o que eu quis dizer. Não quero discutir com você, está bem?! Não tenha dúvidas de que o que eu mais quero para o nosso futuro é construir uma família juntos.

Rosalie o encarou, agora, com uma expressão sonhadora.

- Emm...

- O que, anjo?

- Sabe o que a Vera me falou outro dia?

- O que? – questionou ele, desconfiado.

Rosalie sorriu consigo mesma lembrando-se do que sua amiga dissera certa vez.

- Que se eu tiver um filho e ela uma filha, ou vice versa. Ela vai fazê-los casar nem que seja na marra. Vera deve achar que ainda vivemos na época dos casamentos arranjados – brincou.

- Não sei não hein, anjo – disse Emmett divertidamente. – Outra Vera em nossas vidas seria um perigo.

- Para Emmett, não fala assim da minha melhor amiga. Ela sempre esteve na linha de fogo por mim. Por nós.

- Por isso mesmo, anjo. Imagina duas Veras entrando sempre na linha de fogo. Isso seria demais para mim. Acho que não estou disposto a conviver com isso.

- É verdade. A Vera às vezes é imprudente, age sem pensar. Todavia estará sempre guardada ao lado esquerdo do peito, que é onde ela merece estar.

- Na verdade, ela deixa de lado a razão para somente seguir a voz do coração. E nós sabemos o quanto a voz do coração pode nós tornar facilmente acessível ao impensado – disse Emmett.

- Isso é verdade, ursinho. E pensar que algumas vezes a tratei grosseiramente. Esse meu maldito gênio complicado que ás vezes predomina. E ainda assim ela jamais desistiu de mim. De nossa amizade. Amizade como a de Vera não se encontra em qualquer lugar.

- Por isso eu te digo. Você é a minha marrentinha linda. Bate o pé quando julga necessário, mas tem um coração grandioso pulsando aqui dentro – disse ele, tocando no lado esquerdo do peito de Rosalie.

- Amor você não vai embora amanhã cedo não, vai?

Emmett deslizou seus dedos por entre os fios dos cabelos dourados de Rosalie enquanto lhe respondia.

- Não se preocupe com isso, anjo. Consegui um tempo livre para ficar de olho em você. Garota imprudente – protestou em tom brincalhão.

- Ursinho herói – brincou Rosalie, cutucando o abdômen dele.

Ambos sorriam quando foram interrompidos por Esme, que deu três leve batidas na porta que estava entreaberta, avisando assim de sua chegada. Esme trazia consigo uma bandeja com o jantar da filha. O aroma era altamente atrativo ao paladar.

Rosalie olhou em direção a porta.

- Oi mamãe, entra.

- Trouxe seu jantar, filha. Vai ter que comer tudo hein mocinha, e nada de contrariar a mamãe.

- Obrigada mamãe. Prometo que irei tentar...

Rosalie se afastou de Emmett, sentando-se devagar sobre a cama, recebendo a bandeja cuidadosamente, repousando sobre suas pernas.

- Emmett querido, você já pode descer para jantar conosco – convidou Esme.

Devagar Emmett ficou de pé ao lado da cama.

- Vê se come tudo hein, anjo. Quando eu voltar, quero encontrar essa bandeja totalmente vazia. E não adianta tentar esconder embaixo da cama porque essa eu manjo.

Esme sorriu satisfeita com o que acabara de ouvir.

- Faço das palavras dele as minhas.

- Eu posso esconder em outro lugar – resmungou, desviando o olhar.

- Agora você se entregou anjo – disse ele, sorrindo.

- Tenha um bom jantar, amor – desejou Rosalie. – Tenho certeza de que mamãe e papai será uma ótima companhia.

- Tenho certeza que sim – respondeu ele, com uma piscadela antes de se retirar, seguindo Esme.

Rosalie os observou até que saíssem de seu campo de visão, deixando a porta do quarto parcialmente aberta. Estendeu o braço até alcançar o controle da TV que se encontrava na outra extremidade da cama. Ligou o aparelho, deixando em um canal qualquer, apenas para preencher o silêncio lhe fazendo assim companhia.

[...]

Na sala de jantar tudo ocorria agradavelmente, Emmett conversava com os sogros totalmente à vontade. Era inevitável não mencionar Rosalie em alguns momentos. A jovem marrenta de cabelos dourados, era sem dúvida, a peça chave daquela família. Todos ali a amavam e queria vê-la feliz sob qualquer circunstancia.

Após o jantar Carlisle pediu inúmeras desculpas. Estava tão cansado depois de tudo o que acontecera, precisava descansar algumas horas antes de retomar seu turno no hospital.

Emmett permaneceu por um tempo na sala de estar enquanto realizava, com seu celular, algumas ligações para Los Angeles. Esme ficou na cozinha organizando a louça na maquina para lavar.

Carlisle decidiu dar uma passada no quarto da filha antes de se recolher para uma noite inteira de sono tranquilo. O que era raro, levando em consideração a profissão que escolhera.

Rosalie estava novamente deitada, porém, não conseguia dormir. Sempre que fechava os olhos todas às cenas de tortura, seja ela psicológica ou física, envolvendo Royce King invadiam sua mente.

- Filha – disse Carlisle ao entrar.

- Oi papai – respondera com expressão de fadiga. – Como foi o jantar sem minha presença?

- Sempre que você não está presente sentimos sua falta – confirmou. – Mas agora você precisa descansar filha. Vou pegar os medicamentos que a Dra. Salazar prescreveu para você dormir.

- Já estão aqui papai. A mamãe os trouxe – avisou, olhando em direção à mesinha de cabeceira onde se encontravam os medicamentos, a garrafinha de água mineral e alguns copos descartáveis. Carlisle se aproximou da mesinha devagar. – Só irei tomar quando Emmett vir me dar boa noite – avisou em um sussurro envergonhado. – Não quero pegar no sono sem vê-lo antes...

- Tudo bem. Só não se esquece de tomar, você precisa dormir um pouco – inclinou o corpo para depositar-lhe um beijo na testa. – Boa noite, filha. Vou me recolher agora, preciso sair cedo para o hospital. Até amanhã.

- Desculpa papai...?

- Porque está pedindo desculpas, filha?

- Sei que às vezes sou a causa de suas noites mal dormidas – respondera com remorso.

- Ei – disse ele, afagando o rosto da filha. – Não é hora para pensar nisso. Papai te ama, é só o que precisa pôr nessa cabecinha linda. Não se esquece de tomar os medicamentos – avisou ao se afastar.

- Não vou papai – disse ela, com um pequeno sorriso.

Carlisle se retirou, deixando Rosalie novamente sozinha com suas memorias. Poucos minutos depois Emmett surgiu na porta do quarto, com um sorriso maroto que revelava suas covinhas. A cabeça levemente inclinada para o lado observando Rosalie, que lhe sorriu.

- Vem cá ursinho – convidou, dando um tapinha no colchão, bem ao seu lado. Emmett se aproximou devagar, aceitando o convite, sentando ao lado de sua namorada. – Jantou direitinho? – questionou ela.

- Sim, anjo. E você, hein? – olhou em volta procurando pela bandeja e a encontrou sobre o carpete felpudo ao lado da cama. Entretanto, estava vazia. – Que bom que conseguiu se alimentar direitinho. Agora você só precisa dormir um pouco para descansar seu corpo e sua mente. Renovar as energias.

- Estava só te esperando para dar boa noite, antes de tomar a medicação – explicou.

Emmett estendeu o braço para pegar a medicação sobre a mesinha de cabeceira e passou para as mãos de Rosalie, que retirou um comprimido e levou a boca, ingerindo com um pequeno gole de água da garrafinha que sua mãe deixara junto aos medicamentos.

Emmett chegou mais perto da cabeceira da cama onde se recostou em alguns travesseiros, trazendo Rosalie para mais perto de seu peito, reconfortando-a no calor e segurança de seus braços fortes.

- Quando você estiver dormindo eu vou para o quarto de hospedes. Não quero parecer inconveniente...

- Sabe que adoraria dormir com você, ursinho – confessou Rosalie em um sussurro, se aconchegando ainda mais ao peito dele.

- Eu sei meu anjo – disse ele, lhe beijando a testa. – Mas aqui é a casa de seus pais, não vamos ultrapassar os limites. Me sinto estranho somente por estar aqui em seu quarto sem ainda sermos casados. É como se eu abusasse da confiança deles.

Meio grogue devido os medicamentos que ingerira, Rosalie murmurou.

- Eu te amo...

- Eu também te amo, minha vida – murmurou ele, afagando os longos cabelos dourados.

Emmett permaneceu ali ao lado de Rosalie por alguns minutos após ela se entregar ao sono induzido. Adiara o momento de deixá-la sozinha o máximo possível, no entanto, acabara caindo no sono também, mesmo que não fosse sua intenção. O cansaço prevaleceu.

Minutos depois, Esme entrou no quarto e os encontrou dormindo juntinhos. Sua filha parecia tão segura e confortável com a cabeça sobre o peito másculo de Emmett. Ele mantinha os braços fortes em volta da cintura dela de maneira extremamente protetora e afetiva. Era algo surpreendente até mesmo para a mulher que conhecia tão bem o amor.

E ali, bem ao lado do casal, estava o símbolo daquela união. O urso pardo de pelúcia, adquirido no parque de diversões na pequena Norristown; no subúrbio da Filadélfia onde o casal se tornara namorados ainda na pré-adolescência.

Um amor que ultrapassou o tempo... E há ainda quem suspeite que o amor não acontece.

Esme sorriu consigo mesma, puxando o cobertor sobre ambos. Havia preparado cuidadosamente o quarto de hospedes para Emmett, no entanto, preferiu não acordá-lo. Ela sabia que ele também estava muito cansado depois de tudo o que acontecera outrora. Não seria justo acordá-lo e pedi-lo para se retirar, seria até grosseiro de sua parte.

Apagou a luz ao sair, fechando a porta devagar. Tendo a certeza de que sua filha estava protegida, Esme enfim pode se recolher aos seus aposentos, esperando assim por uma tranquila noite de sono ao lado do marido. Porque a quem diga que depois da tempestade o sol sempre volta a brilhar. Verdade ou não, é algo que gera esperanças aqueles que precisam...

Com Royce agora atrás das grades a família de Rosalie Hale poderia relaxar um pouco. Tentar seguir com suas vidas da melhor forma possível. E quem sabe se livrar por completo do medo e das ameaças. Cabia apenas à justiça decidir a sentença de Royce King para que a família da jovem violentada pudesse pôr um ponto final no capítulo King de suas vidas.

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Notas finais
Momento de calmaria após tanto sofrimento nas mãos do traste...
Sou apaixonada por esse ursinho carinhoso *suspiros*
Gosto bastante da conversa entre Carlisle e Emmett. Vocês gostaram? Ele se sente culpado por tudo o que a filha sofreu nos últimos anos. Alguém suspeitava disso?
Bom, espero vê-las (os) nos reviews
Beijo, beijo
Sill