Quando o Amor Acontece

76 Capítulo 76 - Princesa do Gelo


Notas iniciais
Segue o mesmo aviso do capítulo passado: Parte do diálogo de certo personagem contém palavras inapropriadas.
**
Para quem estava roendo as unhas, lá vamos nós outra vez o/

Rosalie Hale finalizara a ligação a ponto de ter uma arritmia cardíaca. Royce King fazia com que a jovem de cabelos dourados revivesse seus maiores temores.

O poder dominador de Royce King exercia uma onda devastadora de agonia, fazendo com que Rosalie se sentisse uma criança encurralada.

Há muito tempo a jovem de sentimentos devastados se perguntava onde errou. Como pode se deixar levar a ponto de permitir que Royce King a envolvesse em uma teia, se tornando seu pior pesadelo.

Talvez você também se pergunte. Como uma jovem bonita e de boa família se deixou levar por um crápula feito Royce King?! Simples.

Rosalie Lilian Hale estava em uma fase de sua vida onde tudo parecia não fazer sentido algum. Sentia-se sozinha, incompleta e frágil. Royce King a desejava meramente por ser a mulher de beleza estonteante que é.

Cobra-criada se aproveitou de sua fraqueza se mostrando galanteador e a iludiu com palavras doces, mas no fundo todas aquelas palavras doces estavam recheadas com puro veneno. Talvez algo conhecido como: mau caráter, duas caras, oportunista, desprovido de sentimentos. Ou pior ainda; um psicopata em potencial.

Royce King queria somente usá-la, exibi-la para a sociedade como um troféu. Aos olhos de quem estava de fora, Royce se mostrava admirável, no entanto, por trás de sua mascara se escondia um homem frio e calculista. Um homem sádico, capaz das maiores atrocidades.

Então sua mascara caiu...

Depois de um tempo mantendo as aparências, Royce King cansou-se de bancar o galanteador, deixando de lado o cenário perfeito, passando a tratar a jovem Rosalie Hale apenas como um objeto sexual, o qual ele machucava sem piedade. A violentou de todas as formas imagináveis lhe causando dor e angustia.

Era tarde demais para Rosalie escapar sem cicatrizes na alma. Sem cicatrizes em seu corpo e sem o medo opressivo das malditas ameaças. Definitivamente a jovem de cabelos dourados havia caído na teia de ameaças da tarântula peçonhenta, denominada, Royce King.

Morte ao infeliz...

Rosalie Hale vivia somente em função de seu amor a Emmett McCarty, o garoto que conhecera no subúrbio da Filadélfia. Exatamente aos treze anos de idade, quando era ainda uma pré-adolescente cheia de sonhos inocentes. Sonhos de um amor verdadeiro, e fora ali na pacata cidade do subúrbio que ela o encontrou, mesmo sem procurar.

McCarty arrebatou seu coração. Tornou-se o homem com o qual ela se imaginou um dia perdendo a virgindade, mas não fora assim que a vida prosseguiu. O curso da vida mudou seu caminho.

Rosalie Hale escolheu a estrada errada e acabou se deparando com o mal. Esse mal estava ali em sua cola, como uma sombra na penumbra da noite lhe causando grandes traumas, grandes angustias.

Seja a qual lugar essa sombra maldita pertencesse, ela estava sempre ressurgindo das profundezas do inferno...

[...]

No conforto de seu lar, entre as quatro paredes de seu quarto, Rosalie chorava. O desespero dominava cada célula viva de seu corpo. E fora lembrando de sua jornada de sofrimento nas mãos daquele ser desprezível que Rosalie tomara uma decisão.

O medo a torturava, como se fossem paredes fechando-se ao seu redor. Precisava agir. Precisava salvar a vida de sua melhor amiga.

Tudo o que aquele sádico queria era a ela, então, sua mente dizia: vá, arrisque-se, salve sua melhor amiga, pois ela faria o mesmo por você, não tenha dúvidas disso. No entanto seu coração exigia: ligue para Emmett, faça o que ele lhe pediu. Conte-lhe dos perigos que a cercam. Ligue para a polícia.

Rosalie não tinha certeza das escolhas a tomar. Sua mente estava um turbilhão. Pensamentos contraditórios a bombardeavam. Andou de um lado para o outro na segurança de seu quarto, segurando os fios de seus longos cabelos dourados entre os dedos delicados com certa força.

As palavras outrora ditas pela irmã mais velha de Emmett, Maria, invadiu sua mente já conturbada com tantos conflitos, entre o certo e o necessário. As palavras trepidavam em sua mente, dizendo que Emmett acabaria destruindo sua vida por conta do fascínio cego que nutria por Rosalie desde a pré-adolescência. Que a ameaça constante de Royce King sobre sua vida era o combustível que faltava para que Emmett cometesse uma loucura.

- NÃO! – Rosalie gritou, relutando com a voz que gritava em sua mente. Rabiscou rapidamente algo em um pedaço de papal e prendeu no laço do ursinho de pelúcia que Emmett lhe dera. Sacou a bolsa de cima da poltrona do quarto e a chave do carro que estava sobre a penteadeira e saiu sem olhar para trás.

Saiu para cumprir o seu destino...

A porta do quarto de seus pais permanecia fechada. Certamente Carlisle tirava um cochilo antes de voltar para mais um turno no hospital.

No topo das escadas Rosalie retirou as sandálias e desceu praticamente correndo. Ao chegar à ampla sala de estar fora rápida em seguir em direção à porta. Não queria envolver seus pais nisso. Tinha em mente a segurança daqueles a quem amava. Olhou em direção ao escritório, notando assim que a luz estava acesa. O timbre da voz de sua mãe soou ao longe, educadamente ao falar ao telefone.

“Eu te amo mamãe”, pensou Rosalie antes de abrir a porta de design moderno e sair da segurança de seu lar, sorrateiramente, como se estivesse fugindo.

Lá fora o destino lhe reservava surpresas desagradáveis, não precisava ser um gênio tampouco um vidente para saber disso.

Rosalie atravessou o jardim com a respiração ofegante. Por pouco não conseguira abrir o portão, pois suas mãos tremiam absurdamente. Seu corpo inteiro reagindo como se estivesse a caminho de sua morte prematura. Fechou o portão ao sair, atravessou o gramado da calçada seguindo caminho, obedecendo às instruções que Royce King sugerira. As instruções que lhe levaria ao inesperado...

[...]

Do outro lado da cidade, afastado da civilização, esconderijo provisório de Royce King.

Um dos capangas de Royce King, Caled – moreno, alto, forte, cabelos lisos –, arrastava Vera contra sua vontade ao quarto onde estava sendo mantida prisioneira desde que fora pega, por ordens do mesmo.

Caled desamarrou suas mãos e a empurrou dentro do quarto com grande violência, fechando a porta logo em seguida.

Dentro do quarto vazio, com grades nas janelas, Vera pode ouvir a voz de Royce se aproximar dando instruções ao seu comparsa Caled.

Mesmo estando com muitas dores no corpo, Vera ficou de pé começando a esmurrar a porta, cheia de raiva.

- Seu verme imundo – esbravejou diante a porta fechada. – Você não vai machucá-la. Ela não está mais sozinha... – gritou.

- Cale a boca sua cadela – rosnou Royce. – Aquele jogadorzinho de merda não é páreo para mim. Eu domino esse jogo. Nesse jogo eu sou o mestre.

- Você é macho agora porque não está com os punhos dele em sua garganta – Vera gritou. – Não é verdade que aquele dia no ginásio, você quase sujou as calças de tanto medo?! Seu borra botas.

Irritado com as palavras ditas por Vera, Royce exigiu que a porta fosse aberta.

- Abra! – vociferou.

Vera andou de costas até encontrar a parede barrando seu caminho. Sua respiração se tornara ainda mais ofegante, temendo o próximo ato violento.

Ao entrar no quarto, Royce retirou um canivete do bolso de sua camisa de grife. Em um ato ágil ele deixou a lâmina exposta, causando pânico em Vera. Aproximou-se – Vera não conseguia desviar os olhos da lâmina brilhante –, raspou a lâmina afiada na pele do pescoço de Vera lhe causando medo e angustia.

- Só não te mato agora porque você é a isca perfeita para atrair a princesa do gelo. Já que não consegui a mãe, vai você mesmo. Com você morta ela não teria mais motivos para vir até a mim. Além do mais você é muito gostosinha para desperdiçar dessa maneira. Eu vou usá-la muito antes de desovar seu corpo em uma vala qualquer – passou a língua na bochecha de Vera, que só não revidou ao ato por estar com uma lâmina afiada roçando a pele de seu pescoço.

Royce riu sadicamente antes de se afastar indo em direção à porta. Seu comparsa, Caled, fechou a porta assim que Royce se retirou.

- Seu verme imundo – Vera esbravejou assim que a porta fora fechada novamente.

Royce permaneceu com seu sorriso sádico, embora Vera não pudesse vê-lo.

- Vai rindo agora... – disse Vera, confiante atrás da porta fechada. – Está achando que vai vencer essa parada. Quero ver você sorrir quando o namorado da Rose lhe mostrar o quão fodão ele pode ser.

Royce gargalhou, zombando das palavras de Vera.

- A princesa do gelo é minha. E você, assim como ela, terá o que merece. Vou fazer você calar, enfiando o meu pau em sua boca, sua cadela ordinária.

Vera bateu com os punhos na porta, cheia de raiva.

- Eu vou te mostrar quem é a cadela, quando eu sair daqui e puser uma arma em minhas mãos. E sabe o que você faz com esse seu pau imundo?! Enfia no rabo de quem está aí ao seu lado.

Então Caled se pronunciou.

- Quer que eu entre lá e dê uma lição nela, chefe?

- Não – Royce foi rápido em sua resposta. – Deixe que depois me encarrego disso. Ela terá o que merece por se meter tanto em minha vida. E não vai demorar.

Royce saiu andando cheio de si, sendo seguido de perto por Caled. Em um determinado corredor encontraram outro comparsa, Gavin. Esse tinha estatura mediana e pele clara.

- Senhor King – disse Gavin. – Sua princesa do gelo já está a caminho.

Royce esboçou um sorriso doentio, digno de um psicopata.

- Que o jogo comece – ironizou indo em direção ao bar ao lado da ampla sala vazia.

[...]

Em alguma estrada não muito distante dali, Rosalie estava sentada no banco traseiro do carro de luxo com janelas em vidro fumê. Suas mãos suavam frio, seu estomago embrulhava tamanho o medo que estava sentindo do que a aguardava.

O homem alto e forte que dirigia o veículo, observava Rosalie a todo o momento através do espelho retrovisor.

Rosalie Hale estava praticamente mordendo a língua para não mandá-lo para um lugar nada admirável de se falar.

O carro saiu da estrada principal, pegando um atalho – uma estrada de terra, ladeada por árvores –, mais alguns poucos quilômetros percorridos, parou em frente a uma mansão em estilo castelo.

O motorista que a levara até ali, Connor, abriu a porta do carro para que Rosalie saísse. Essa, por sua vez, estancou no banco traseiro. Sua mente lhe dizia para sair daquele carro e fazer o que tinha que ser feito, no entanto, seu corpo não obedecia aos comandos.

Connor deduziu ser um ato de desobediência e afronta, sendo assim, sem prévio aviso ele arrancou Rosalie de dentro do veículo com violência.

- Está me machucando... – Rosalie resmungou.

Sem dar importância às queixas de Rosalie, Connor a empurrou para que seguisse em frente. Rosalie tropeçou e por pouco não foi de encontro ao chão. Passou as mãos no rosto afastando os fios de cabelos dourados que insistiam em lhe cair aos olhos.

A cada passo adiante, Rosalie pensava em Emmett. Em o quanto precisava dele nesse instante. Então se lembrou de que o celular estava dentro de sua bolsa, e que enquanto o carro seguia seu caminho, ela deixou em toque silencioso.

Connor passou a sua frente, abrindo a grande porta, revelando assim um amplo hall vazio, apenas uma coisa lhe chamou atenção ali. Uma grande estrela negra de seis pontas. A grande estrela negra que lembrava um sol se destacava no piso de mármore branco polido.

A cada passo adiante o salto de suas sandálias fazia um leve barulho, denunciando sua chegada, algo que ela gostaria de ocultar.

Royce King aparecera – por uma porta lateral –, na ampla sala de estar vazia. Em uma de suas mãos segurava um charuto cubano. Roupa impecável, e perfume importado. No entanto, o aroma daquele perfume sempre causara a Rosalie Hale certa repulsa, ódio e até mesmo náuseas.

O aroma daquele perfume sem sombra de duvidas vinha carregado de sensações ruins...

Um sorriso sádico rasgara o rosto de Royce King ao vê-la a sua frente. Tão linda, tão assustada, tão frágil. Como um predador sagaz, Royce estava a ponto de sentir o aroma do medo exalando dos poros de Rosalie Hale. Fato esse que o deixava repleto de prazer.

- Seja bem vinda, princesa do gelo – disse ele, teatralmente após uma longa tragada em seu charuto. Olhou em volta da ampla sala vazia, paredes altas em tons claros, colunas de gesso por todos os lados, lareira central, escadaria suntuosa que direcionava a três direções distintas. – Olhe a beleza desse lugar, princesa do gelo. Observe o quanto vocês tem em comum – dizia ele, teatralmente mexendo os braços. – É lindo, mas assim como você é vazio e frio – completou se aproximando de Rosalie, como uma cobra rasteja para dar o bote.

A jovem de cabelos dourados, amedrontada, estava com a respiração ofegante. Era como se a qualquer momento seu coração pudesse dar a última batida. Tentando encontrar coragem para enfrentar um de seus maiores medos ela protestara.

- Vai para o inferno – esbravejou.

Royce King se aproximara como se estivesse analisando um objeto que compraria. Tocou o rosto de expressões delicadas e marcantes. Rosalie tentou desvencilhar do toque, porém, Royce apertara o local sem pena alguma. Céus como aquilo doía.

Apertando aquele lindo rosto com violência, Royce encostou seus lábios sórdidos aos dela, forçando um beijo. No entanto Rosalie Hale serrara os lábios com força evitando assim maior contato entre suas bocas.

Royce King se afastara segurando o charuto entre os dedos de sua mão esquerda, parecendo pensar no próximo ato. Deu dois passos em direção a Rosalie novamente, e sem prévio aviso a esbofeteou. A violência do gesto fez com que o rosto da jovem virasse com os longos cabelos dourados seguindo o movimento.

Com a mão no rosto, sentindo a pele delicada formigar, Rosalie o olhou transbordando ódio de sua íris. Em questão de segundos ela agarrou a gola da camisa de grife que Royce usava.

- DESGRAÇADO, EU TE ODEIO. QUERO QUE VOCÊ QUEIME NO FOGO DO INFERNO. EU JURO QUE IREI SAPATEAR SOBRE O SEU CAIXÃO, MALTIDO KING.

Pego de surpresa, Royce tentara escapar da fúria momentânea da jovem Rosalie que acabara rasgando a gola de sua camisa cara.

- Olha o que você fez sua vadia. Era uma autentica Armani – esbravejou, conferindo o estrago na gola. – Eu vou acabar com você. Você já está me cansando – ergueu o braço para agredi-la, mas por uma razão desconhecida, desistiu.

- Onde está a Vera? – Rosalie exigiu.

- Sua amiguinha, aquela cadela que está sempre se metendo em meu caminho, está trancafiada, somente esperando pelo o que merece.

- Eu já estou aqui, não estou?! Agora a solte, deixe que volte para sua casa.

Royce estalou a língua, incomodado.

- Tolinha... – andou de um lado para o outro. – Achou mesmo que, eu, Royce King. Aquele a quem você julga ser desprovido de sentimentos a deixaria ir assim tão fácil – riu de um jeito doentio que fazia a espinha dorsal de Rosalie gelar. – Irei me divertir bastante essa noite, e somente uma sairá daqui com vida. E será comigo – puxou Rosalie pelo braço e tentou beijá-la novamente. Essa, por sua vez, se debatia contra as mãos fortes de seu opressor.

Royce King podia não ser tão forte quanto Emmett McCarty, mas ainda assim era bem mais forte que Rosalie Hale. Ela era apenas uma jovem, assustada, nas mãos de um homem violento.

[...]

Enquanto isso na casa dos pais de Rosalie Hale...

Esme fora chamar a filha para o jantar e não a encontrou. Seu instinto materno logo entrara em alerta. Era possível que sua única filha estivesse correndo perigo.

Esme voltou a seu quarto onde seu marido se preparava para ir ao hospital, logo depois do jantar, lhe contou sobre o desaparecimento repentino da filha e juntos decidiram que era melhor contatar a polícia de Chicago – Chicago Police Department (CPD).

Antes disso, ligaram para os familiares da melhor amiga de sua filha, e acabaram descobrindo que Vera também havia desaparecido. Que saíra da faculdade e não deu mais noticias. Todos estavam preocupados e consequentemente a sua procura. Embora a mãe de Vera fosse uma mulher frívola, ela não desejava o mau para sua única filha.

E como não era segredo algum todos já suspeitavam de quem seria o responsável pelo sumiço das amigas, Rosalie e Vera. Quem era o cérebro por trás dessa ameaça. O suspeito em potencial tinha um nome; Royce King.

[...]

Los Angeles

Emmett estava em seu apartamento – uma cobertura de luxo –, sozinho, largado no sofá da sala de vídeo assistindo um jogo de futebol americano pela TV. No apoio para bebidas estavam duas latinhas de coca-cola, uma vazia e outra pela metade.

O apartamento estava impecavelmente limpo e aromatizado. Fazia apenas algumas horas desde que a diarista tinha terminado a faxina da semana. E fora durante o processo de limpeza que ela encontrara um sutiã, pertencente a jovem Rosalie. Estava jogado no chão do banheiro da suíte. Certamente havia sido esquecido ali por sua dona.

Entretanto a diarista perguntara a Emmett o que deveria fazer em relação àquela peça intima. Como se a peça pertencesse a uma garota qualquer e ela devesse jogar no lixo.

Emmett apenas respondera.

“É de minha namorada. Lave-o e guarde junto com as minhas coisas”, a diarista se desculpara um tanto sem jeito, e prontamente fez o que ele sugerira.

[...]

Nesse momento a campainha tocava sem parar, parecia ser de estrema urgência a visita inesperada.

Emmett passou a mão na cabeça, imaginando quem poderia ser. Alguém do andar de baixo, ou uma de suas irmãs, talvez.

Levantou meio sem jeito, devido ao tempo que estivera sentado na mesma posição. Saiu da sala de vídeo, passando pela sala de estar, chegando ao hall de entrada indo abrir a porta.

Assim que abriu a porta se deparou com uma garotinha chorando compulsivamente, que se agarrou a suas pernas em um abraço desesperado.

- Mady... – sussurrou Emmett, confuso. – O que aconteceu? Fala para o tio – pediu amavelmente.

Madelayne soluçou em meio à tentativa de formular a frase.

- Mamãe me bateu... Por que... Não quer... Que... Eu fale... Uma coisa... Para você... – falava com pausa entre um soluço e outro, causado pelo choro.

Antes mesmo que Emmett pudesse falar ou fazer algo que pudesse consolar a pequena Madelayne, as portas do elevador foram abertas novamente no hall da cobertura. De lá saiu a jovem mulher de cabelos em tons de louro acinzentado e olhos azuis, postura elegante, nariz empinado. Sim, Emmett a conhecia. Era Madison a mãe da pequena Madelayne.

Madison veio em direção aos dois, dando ordens para a garotinha que chorava assustada.

- Pare já com isso Madelayne. Vamos para casa, agora mesmo – exigiu.

- O que está acontecendo aqui? – questionou Emmett, confuso.

- Foi apenas um sonho – a jovem mulher resmungou, puxando a pequena Madelayne pelo braço.

- Emmett... – a pequena choramingou, com os olhinhos cheios de lágrimas.

- Não a trate assim, ela é sua filha – Emmett pediu educadamente, tentando afastar a pequena Madelayne das mãos raivosas da própria mãe.

- Você não vai dá ouvidos a uma criança, vai McCarty? – a jovem mulher questionou cheia de si.

- Emmett... – disse Madelayne em meio ao choro.

Emmett a olhou, seus bracinhos estavam repletos de marcas vermelhas, causadas pelos puxões que a própria mãe lhe dava.

- Já chega Madelayne – ordenou Madison.

- Deixe-a falar – exigiu Emmett, aumentando o tom de voz, fazendo com que Madison recuasse dois passos.

- A Mel... – Madelayne sussurrou.

A jovem mulher interrompeu.

- Está louca – gritou Madison, puxando a garotinha com violência. Madelayne caiu aos seus pés, de proposito, para dificultar o que a mãe estava fazendo.

- O que tem a Mel, Mady? – Emmett questionou enquanto a ajudava ficar de pé novamente.

A pequena olhou para a mãe, com os olhinhos angustiados.

- Para mamãe – pediu engasgando com o choro. – Porque você não me ouve...

A jovem mulher soltou o braço da filha, mas não desfez sua postura autoritária, se posicionando próximo ao elevador.

Preocupado com a angústia da criança, Emmett a pegou no colo. Passou a mão no rostinho corado, limpando as lágrimas.

- Fala bonequinha. Fala para o tio Emmett o que tem a Mel – pediu gentilmente.

Madelayne fungou antes de responder.

- Eu a vi... – olhou assustada para a mãe, que mantinha uma expressão furiosa.

- Pode falar bonequinha – Emmett a incentivou. – Eu não vou deixar ela te bater.

A pequena Madelayne envolveu seus bracinhos em torno do pescoço de Emmett, encostando sua cabeça ao ombro dele.

- Ela disse que a Rose está em perigo... – sussurrou.

Emmett afastou com cuidado os bracinhos de Madelayne para que pudesse olhá-la nos olhos. Então mais uma vez Madison atrapalhou.

- Basta – esbravejou, mas Emmett a ignorou.

- O que mais você sabe Mady? – pediu Emmett, após direcionar um olhar reprovativo a Madison. Ao olhar para a criança ele sorriu, não queria assustá-la ainda mais.

- O homem mau, vai machucá-la... – sussurrou.

Ao som da última frase dita por Madelayne o coração de Emmett bateu forte contra o peito. Emmett não teve dúvidas; o homem mau era Royce King.

- Não deixe o homem mau, machucá-la – pediu Madelayne, assustada.

- Eu não vou deixar isso acontecer, Mady – Emmett a tranquilizou lhe dando um beijo na testa. – Agora vai com a sua mãe que eu preciso encontrar um jeito de ir atrás da Rose – ele a colocou de volta ao chão, com cuidado limpou as lágrimas do rostinho corado.

Madelayne olhou para a mãe, depois para Emmett, com os lábios projetados em um beicinho.

- Não fique com medo, eu vou pedir para alguém verificar para que ela não te bata outra vez.

Madelayne assentiu.

- Anda garota – a jovem mulher exigiu ao abrir as portas do elevador. – Eu vou acabar te mandando para um internato na Suíça, Madelayne. Desse jeito eu só a verei uma vez no ano, no natal – resmungou para a garotinha enquanto as portas do elevador se fechavam.

- Não, mamãe... – fora a última frase que Emmett ouviu a garotinha falar antes que as portas se fechassem por completo.

Emmett deu as costas para o elevador, voltando para o interior do apartamento com os pensamentos a mil. Um turbilhão de confusões e planos se formando.

Ele tinha certeza de que não fora um sonho que a pequena Madelayne tivera. Ela já tinha dado provas antes que sabia o que estava falando, mesmo que algumas vezes parecesse não fazer sentido. Ainda assim Emmett quis ter uma base concreta antes de entrar em um avião para Chicago.

Então ele pegou o telefone sem fio, realizando uma chamada para a casa dos pais de Rosalie Hale em Chicago.

[...]

Chicago

Esme correu para atender ao telefone, com a voz vacilante, acreditando ser noticias de sua filha, e de uma forma estranha ela se sentiu um pouco aliviada ao saber que Emmett também estava preocupado com uma das pessoas que ela mais ama na vida. E fora durante aquela ligação que Emmett teve a certeza de que seu anjo estava nas mãos do sádico, nomeado, Royce King, que tinha como prazer torturá-la, violentá-la lhe causando dor e angustias traumáticas.

Notas finais
Alguém aí deu uns petelecos no Royce mentalmente? o/ eita sujeitinho desprezível hein?
Vera é muito atrevida hahahahaha e quando resolve falar O.o só ela mesmo.
Pobre Rose foi direto para a cova dos leões...
E a Mady voltou aparecer :) eu tenho um carinho muito grande por essa personagem, ela é meu xodozinho. E as palavras dela mais uma vez deixaram Emmett com a pulga atrás da orelha hahahahah
O que acharam?
Como será o decorrer de tudo isso?
Merece uma nova recomendação?
Vejo vocês no reviews amoras
Beijo, beijo
Sill