Quando o Amor Acontece
45 Capítulo 45 - Cumplicidade
Notas iniciais
Mais um capítulo, espero que gostem!
Não fora necessário muito tempo após a saída dos amigos para que Emmett logo estivesse observando atentamente cada traço na face de seu anjo. Jamais chegara a esquecer um mísero centímetro daquele rosto. No entanto, isso nunca fora o bastante para estancar a saudade que sentia.
Perdido no brilho daqueles olhos castanhos intensos, Emmett deixou sua mão ser guiada pelo seu coração indo encontrar a de Rosalie, sorrateiramente sobre a mesa. Fez um carinho para depois manter a mão dela entre a sua.
- Então Rose, você esteve mesmo em Norristown, na casa de meus pais?
Rosalie olhou para a mão de Emmett que segurava a sua, sentia um alívio imenso em seu coração. Sorriu para o que ele estava fazendo.
Sem que soubessem, os dois estavam pensando na mesma coisa. O dia em que deram as mãos pela primeira vez quando Rosalie enfrentou seu medo atravessando a velha ponte que dava acesso ao Secret Place.
- Sim. Eu estive lá e infelizmente foi no mesmo fim de semana em que Alice foi te visitar em Los Angeles. Mas falei com sua mãe e com a Nessie. Ela está tão linda! – sua mente visualizou a imagem de Reneesme se apresentando novamente no dia que esteve lá.
Sem retirar sua mão da de Rosalie sobre a mesa, Emmett disse.
- É, aquela é outra que vai dar trabalho.
Rosalie sorriu.
- Não acredito que você foi ciumento com suas irmãs com relação a isso!
- Claro que sim. Esse é o preço de se ter quatro irmãs lindas! – revelou mantendo seu sorriso de covinhas perfeitas.
- Lembra que você disse que as trocaria por um bom cachorro, no dia que te ajudei com a grama dos Linton? Claro que aquilo não foi sério, mas você falou. Ainda falaria hoje?
- Não – Emmett fora honesto sem hesitar em sua resposta. – Hoje não mais e agradeço a Deus por nenhuma delas ter me ouvido falar isso.
- Era isso que eu esperava ouvir de você, ursinho.
- Mas, me fale. Minha mãe não te deu o número do meu telefone, nem ao menos meu endereço?
- Sim ela me passou...
- E você não quis me ligar? – questionou sem conseguir disfarçar a frustração.
- Eu liguei – Rosalie respondeu desviando os olhos dos dele, não queria revelar o quanto se sentiu traída ao ouvir a voz de Melinda ao telefone naquele dia. – O que eu mais desejei naquele dia foi poder ouvir sua voz... Mas... Aconteceu uma coisa... Sua namorada atendeu... Então desliguei imediatamente, ela nem chegou a ouvir minha voz.
Emmett sentiu-se preocupado pelo fato de Melinda nunca ter mencionado nada a respeito. E de Rosalie tê-lo procurado e ele não ter se dado conta, apenas conseguiu falar uma palavra.
- Droga... – resmungou quase inaudível. Seguido do último gole de sua taça de champanhe. – Desculpa, meu anjo...
- Está tudo bem Emmett, tinha que ser assim. Hoje vejo tudo diferente de quando estive na casa dos seus pais em Norristown. Não importa mais quantas decepções eu tive, o que importa agora é que estou aqui com você e nada se compara ao que estou sentindo – fez um carinho no rosto de Emmett com o dorso de sua mão livre. – Não estou sonhando, estou?
- Não. Você não está sonhando meu anjo. Pode sentir! – Emmett guiou a mão de Rosalie que estava em seu rosto até seu peito onde batia fortemente seu coração. – Isso é totalmente real! – se referiu ao ritmo em que seu coração estava batendo.
- É real – Rosalie concluiu com os olhos cristalinos de lágrimas.
- Nessa sua volta a Norristown, você esteve no Secret’s Pleace? – Emmett ficou curioso quanto a isso. Não acreditava que ela voltaria lá sem ele, mas de qualquer forma decidiu perguntar.
- Não. Sem você não posso. Simplesmente não dá. Ir até lá sem você seria como assinar minha sentença de “o anjo sem o urso”. Seria como fechar um livro após ter lido seu final. A sensação de término de uma história que deixaria saudade eterna. Eu não podia enfrentar a sensação de perda e abandono que aquela ponte iria me transmitir sem você segurando minha mão ao atravessá-la.
Olhando intensamente nos olhos de seu anjo, Emmett revelou.
- Foram as mesmas sensações que senti em todas as vezes que voltei lá sem você... Mas eu voltei. Precisava deixar ele pronto para sua volta... E você não voltou...
- Eu voltei Emmett... Estou aqui... Sou eu, ursinho, o seu anjo...
- Mas passaram-se muitos anos Rose, perdemos muita coisa juntos. Você sofreu e eu não estive lá para te ajudar.
- Emmett, está tudo bem, acredite em mim... Você ainda guarda o meu medalhão?
- Sim. Sempre o guardei, como também guardei na memória o gesto onde você dizia que seu coração estava ficando comigo. Ele está do mesmo jeito que você me entregou, não tem um arranhão. Só uma coisa muito grave aconteceu...
- O quê? – disse Rosalie curiosa.
- Ele não guarda mais o seu perfume.
Rosalie sorriu.
- Ursinho bobo. – Cada palavra dita por Emmett lhe trazia uma sensação de leveza e conforto.
- Rose, eu não quero que se afaste de mim. Não quero ao menos cogitar a hipótese de não te ver outra vez. Mas também preciso que entenda que estou confuso e preso a uma situação complicada.
- Shhh... Eu te entendo e serei sua amiga pelo tempo que você quiser e julgar necessário. Não quero precipitar nada, tão pouco quero que tome decisões por impulso.
Rosalie sabia perfeitamente bem os reais motivos dele se sentir assim, confuso e preso a uma situação complicada. Ele a amava sim. Entretanto, isso não apagava o fato dele gostar e respeitar Melinda, a mulher que esteve ao seu lado em muitos momentos de sua vida em que ele levou um “não”. Onde incertezas se faziam presente. Mesmo quando ele não tinha nada, fora ela que esteve ao seu lado.
Ela também sabia que não poderia pressioná-lo, afinal, Melinda estava sofrendo e se ela lhe pedisse para desistir, Rosalie desistiria sem hesitar. No entanto, já que tinha que ser dessa maneira, esperaria o momento certo onde tudo voltaria ao seu local de origem.
- Não está brava? – Emmett quis saber.
- Não. Não estou – reforçou sua resposta com um gesto com a cabeça. – Eu sei que me ama, mesmo que não possamos estar juntos. Você provou isso ao me defender de Royce.
Emmett sorriu revelando suas covinhas encantadoras e disse.
- Sim, eu te amo, minha Rose, meu anjo, minha vida.
- Então ursinho, não tenha pressa. Não a magoe, não precipite nada... Apenas deixe que as coisas aconteçam. E quem sabe um dia possamos ser novamente “você e eu”, “o anjo e o urso”. E então voltaremos ao Secret’s Pleace. Mas uma coisa me preocupa... – disse demonstrando nervosismo.
- O que meu anjo?
- O Royce... Tenho medo do que ele possa fazer... – revelou baixando o olhar.
- Olha para mim Rose – segurou o queixo de Rosalie carinhosamente ao falar. – Confia em mim?
- Sim, eu confio de olhos fechados e insanamente em ti.
- Preciso ter certeza de uma coisa. Ele alguma vez a forçou ao que não queria?
Essa pergunta já vinha atormentando a mente de Emmett desde que vira estampado nos olhos de Rosalie, tamanho medo que sentia de Royce King. Precisava sair apenas da suposição para a certeza.
Os olhos de Rosalie ficaram cristalinos de lágrimas.
- Sim, muitas vezes... – então uma lágrima molhou sua face.
Emmett cerrou os punhos em uma ação reflexa contendo a raiva que sentiu de Royce King mais uma vez.
- Não o procure Emmett, Royce é maquiavélico e sórdido.
Emmett secou com sua mão a lágrima que molhou a face de seu anjo.
- Ele não irá fazer nada contra seus pais, Rose. Nem contra mim e tão pouco a você. Vou vasculhar a vida dele trazendo à tona todas as suas fraudes. Vou fazê-lo lastimar por todo sofrimento que lhe causou.
- Não Emmett. Eu insisto, não o procure. Isso só vai te prejudicar.
- Não irei atrás dele meu anjo. Fique calma... Mas isso não muda o fato de que se ele cruzar o meu caminho, essa será outra história. Mas quero te pedir uma coisa.
- Sim, o que você quiser.
- Tenha cuidado, não saia de casa sozinha até que eu saiba o que fazer com relação ao Royce.
- Emmett, eu farei o que você quiser desde que não seja algo que possa interferir em sua carreira. Não irei suportar se você for prejudicado por minha causa. Me sentiria uma pedra em sua vida se Royce te prejudicar.
Certamente isso era algo o qual Rosalie não estava disposta a aceitar. Não seria correto que Emmett McCarty tivesse um preço a pagar por tê-la reencontrado.
- Não se preocupe comigo, Rose. Não sou mais um garotinho, sei me defender de pessoas como Royce King.
- Eu sei Emmett, você sempre foi especial, sempre tão maduro para sua idade desde que te conheci na pequena Norristown. Tenho muito orgulho de você. Conseguiu realizar seus sonhos, deu uma vida digna para sua família. Mas que fique bem claro que nunca, jamais, em hipótese alguma, deixei de acreditar em você e em tudo o que conseguiria alcançar. Você sempre teve um bom coração. Era claro que trilharia um bom caminho; só lamento não ter tido a chance de estar ao seu lado em todas as suas conquistas.
- Há uma coisa que ainda não entendo, Rose. Você só ficou sabendo que estava jogando basquete profissionalmente no dia em que esteve na casa dos meus pais?! É estranho, você sempre esteve envolvida no mundo do basquete; e não sabia disso?
Rosalie desviou o olhar em uma tentativa de não revelar seus temores com relação a tudo que dizia respeito à Royce King ou o que ele poderia fazer. Royce King sempre fora um tipo de assombração em sua vida, nunca a deixando em paz.
- Sim – sem olhar para Emmett disse. – Mas preciso que saiba o porquê – então voltou a olhá-lo. – Eu tinha medo de saber coisas a seu respeito. Tinha medo que Royce chegasse a você. E estou sentindo esse mesmo medo hoje. Tive medo também de que você estivesse casado e com filhos. E então inesperadamente minha mãe surgiu há alguns dias atrás com a ideia de ir a Norristown. Fiquei tão feliz com a ideia de te reencontrar naquele dia que não pensei duas vezes, acabei aceitando e deixando de lado os meus temores. A sensação que tive ao voltar lá depois de nove longos anos foi surreal e nostálgica demais. A sensação de ter retornado para Chicago, sem ao menos ter podido sentir o seu abraço de urso outra vez, foi de que o mundo estava acabando e eu não havia feito nada de bom em toda minha vida.
Emmett deixou sua mão ser guiada até a face de Rosalie pela necessidade de tocá-la e te dar carinho.
- Sabe o que gostaria nesse momento, Rose?
Rosalie fechou os olhos apreciando o toque da mão que jamais fora erguida para ameaçá-la de forma alguma.
- O quê? – fora a única frase que conseguira pronunciar.
- De poder voltar o tempo. Queria poder refazer todas as cenas de sua vida onde você foi magoada e machucada. Hoje em dia, quando penso naquela proposta que você me fez no Secret’s Pleace, de que fugíssemos juntos, chego à conclusão de que deveria ter sido insano o bastante para ter feito isso. Ao menos teria tido você ao meu lado a vida inteira e nunca ninguém a teria machucado.
Os olhos de Emmett, por um fugaz momento, chegaram a ficar cristalinos de lágrimas ao relembrar como fora difícil aceitar que sua loirinha marrenta havia sido arrancada de sua vida.
Rosalie segurou a mão de Emmett, que estava em seu rosto depositando um beijo.
Naquele momento, Rosalie não teve mais dúvidas. Ele a amava, sempre a amou, mas também não poderia ter deixado de viver. Então Rosalie lembrou-se das palavras de Melinda: “Não pode culpá-lo por tentar ser feliz”.
Mentalmente Rosalie fez um agradecimento. “Obrigada por ter cuidado dele por mim. Por não ter deixado que meu ursinho se perdesse com a fama e o poder que o dinheiro representa.”
Com curiosidade Emmett, cortou seus pensamentos.
- No que está pensando?
- Em você... – respondeu naturalmente.
Em uma ação reflexa Emmett sorriu revelando as covinhas perfeitas e encantadoras que Rosalie tanto amava.
- Rose, eu sinto muito mesmo que tenhamos nos reencontrado em um momento que estou envolvido com outra pessoa. Não quero que sinta raiva de mim, nem que a odeie. Se existe alguém que nunca teve culpa de nada esse alguém foi ela.
Emmett tomou um gole do seu drinque, recentemente trazido pelo garçom. Então Rosalie notara que ele estava receoso de continuar.
- Tudo bem ursinho, pode continuar – Rosalie o encorajou.
Emmett a olhou diretamente nos olhos. Aqueles lindos olhos castanhos continham muita verdade e compreensão. Rosalie sorriu lhe dando segurança para continuar. Sentindo-se confortável, Emmett continuou.
- Eu a conheci em um momento ruim de minha vida. Estava triste, me sentindo perdido, solitário. Algumas vezes, saí com amigos e enchi a cara. Estava a poucos passos de perder a bolsa de estudos na universidade que o basquete me garantia. Quase sempre chegava atrasado às aulas e aos treinos. Culpa da ressaca das noites mal dormidas. Então ela surgiu de mansinho e me fez ver que estava indo para o caminho errado. Estava me perdendo de quem eu realmente era. Aquele garoto que você conheceu na Filadélfia esteve a poucos passos de não mais existir. Por isso quero te pedir que entenda que preciso pensar e chegar a uma solução favorável; não quero magoá-la.
Rosalie pousou sua mão sobre a dele, que se encontrava agora sobre a mesa e disse.
- Eu entendo Emmett... Sei que o que você fizer será o melhor.
O fato de Rosalie saber sobre os planos de Melinda em terminar com Emmett antes que descobrisse de sua doença não mudava em nada seu entendimento e sua aceitação. Se Melinda não estivesse tão doente, ainda assim Rosalie entenderia. Pelo simples fato de que Emmett também teve seus momentos ruins e encontrou alguém com quem podia contar e confiar. Alguém que o salvou de um possível futuro desastroso. Rosalie Lilian Hale Cullen estava sendo verdadeira e realista com seus sentimentos em relação aos últimos acontecimentos em sua vida.
Não havia nada ao que subjugar.
Notas finais
Me digam o que acharam desse?!
Desculpa gente, estou muito triste esses dias só postei porque já estava escrito se não nem ia ter capítulo...
Beijos
Bree
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