Quando o Amor Acontece
14 Capítulo 14 - Lembranças
Notas iniciais
Los Angeles.
Staples Center. 22:40 pm.
No estádio dos Lakers, Emmett treinava com o time de basquete que aprendera defender com orgulho. O time que fez sua vida dar um giro de 360°.
Desde que assinara contrato com os Lakers, sua vida tem passado por muitas mudanças. Entretanto mudanças boas, muito boas. Para sua felicidade estar completa, lhe faltava apenas algo, ou melhor dizendo, alguém.
Contudo, Emmett aprendera desde cedo que na vida nem sempre se tem aquilo que se quer. E se você quer muito algo, tem que ir atrás, batalhar para alcançar seu objetivo.
Assim que Emmett e Rosalie começaram a perder contato, ele colocou na cabeça que ela havia desistido dele e se cansado de esperar.
Emmett manteve a promessa, jamais levara outra garota à casinha da árvore. Em todas as vezes que voltou a casinha sem a companhia de Rosalie, o garoto se perdeu em lembranças.
Foram incontáveis as vezes que conteve a vontade de chorar ao olhar o coração esculpido no tronco da velha árvore com seus nomes escritos. Dedicou-se em manter a casinha da maneira que ela gostava até o dia que saiu da pequena Norristown.
A velha ponte ruiu, o tempo fora cruel com ela. O garoto construiu outra na esperança de que Rosalie voltasse um dia.
A pequena Alice tentou descobrir muitas vezes o que havia do outro lado, mas Emmett jamais permitiu que ela cruzasse a ponte. Mesmo que Alice fosse sua irmã, ainda assim era uma garota, e ele havia prometido à garota que o fez descobrir o amor que jamais levaria outra garota lá. Na verdade, jamais alguém esteve lá, além dos dois.
O treino daquela noite chegou ao fim. Todos aqueles homens enormes e suados dirigiram-se ao banco dos reservas. Cada um retirou uma garrafinha de água mineral da caixa térmica.
Emmett tomou alguns goles, em seguida derramou o restante em sua cabeça. Indo para o vestiário retirou a camiseta.
– Hei Emmett, vai ter uma festa mais tarde. Adam quer inaugurar a nova mansão de Malibu. Não está a fim de ir?! Cara, vai estar cheio de gata do tipo que faz tudo para sair com um jogador famoso.
– Cara, você não é noivo?! – Emmett questionou, porém, saiu mais como uma afirmação.
– Sou sim, mas quem disse que ela precisa saber.
Emmett maneou a cabeça. Achando aquela conversa desnecessária.
– Você deveria ir, Emmett.
– Cara, eu tenho namorada e estou indo buscá-la na universidade para passar o fim de semana comigo. Amanhã tenho compromissos, não posso estar de ressaca. E vocês não deveriam beber.
– Um chifrinho de vez em quando não mata. Deixe ela lá e saia com outras. Mude o cardápio – Eric falava sorrindo.
– Diz isso sorrindo quando sua noiva te chifrar, então.
Emmett entrou em um dos compartimentos do vestiário, tomou uma ducha quente. Vestiu uma bermuda preta e uma camiseta regata cinza que revelava com exatidão seus bíceps, que deve ser o sonho de consumo de muitas mulheres poder tocá-los.
Guardou algumas coisas em seu armário, outras em sua mochila de mão para levar para seu apartamento. O vestiário estava bastante barulhento. Muitos homens falavam ao mesmo tempo enquanto se retiravam do local. Outros ainda tomavam sua ducha.
– Hoje vou me esbaldar com as vadiazinhas – Eric fala com Adam, o dono da casa que supostamente haveria a festa.
– Você está convidado Emmett – Adam confirmou.
– Ele não vai – Eric riu. – Ele disse que é fiel e não sai com vadias.
Alguns dos caras começaram a rir, outros não deram à mínima, certamente os que eram casados e fieis as suas esposas ou namoradas. Emmett sorriu.
– Se sua noiva souber o que você faz quando diz que tem treino até tarde. Olha o que ela faria – Emmett fez sinal com a mão como se fosse uma tesoura cortando algo.
– Que nada, ela é louquinha por mim.
– Se você diz...
Emmett saiu do estádio Staples Center, Shouth Figueroa Street 1111. Entrou em seu carro, jogou a mochila no banco de trás, ligou o aparelho de som. Seguiu pelas ruas movimentadas de Los Angeles em direção a UCLA para encontrar sua atual namorada, Melinda, uma linda e delicada estudante de Medicina.
Estacionou em frente à universidade, onde permaneceu por alguns minutos esperando por sua namorada. Não demorou muito para aparecer com algumas amigas. Sorriu ao ver o carro. Emmett piscou os faróis e deu uma leve buzinada para chamar sua atenção. Melinda aumentou o passo indo encontrá-lo.
– Oi gatinho! – cumprimentou ao entrar no carro e se inclinar um pouquinho para beijá-lo. Emmett a segurou pela nuca beijando-a com carinho, Melinda acariciou com seus dedos delicados a face de Emmett.
A mocinha delicada tem cabelos castanhos, meio cacheados, olhos castanhos, pele branquinha e altura mediana. Fisicamente tão delicada quanto uma boneca de porcelana. Sempre vê o lado bom das pessoas, o que a torna alvo fácil para trapaceiros.
– Como foi seu dia?! – Emmett perguntou ao ligar o carro.
– Foi muito bem! Porém, agora ficou melhor, estou com você. Treinou muito hoje?! Está cansado?! – acariciou a nuca de Emmett ao perguntar.
– Um pouco – confirmou com seu sorriso de covinhas encantadoras.
– Quer que te faça uma massagem depois?!
– Seria ótimo, sabe que adoro suas massagens.
Melinda sorriu em resposta.
Não demorou muito para que chegassem ao prédio onde Emmett vive. Cumprimentaram o porteiro ao passar para garagem. Estacionou e em seguida pegaram o elevador até a cobertura.
Dentro do elevador, Melinda apoiou sua cabeça no peito de Emmett ao abraçá-lo pela cintura. Emmett depositou um beijo em sua cabeça de maneira carinhosa.
– Está com sono?! – Emmett perguntou segurando no queixo de Melinda.
– Não, só com saudades – ela sorriu e apertou seus braços em torno de Emmett.
– Você é tão forte que vai me partir ao meio, Melzinha.
– Seu bobo!
O elevador parou na cobertura, logo entraram no apartamento. Emmett levou a mochila com o uniforme suado para a área de serviço. Passou na cozinha e tomou um copo d’água.
– Emmett, gatinho!
– Oi Mel, estou na cozinha – respondeu ao procurar algo na geladeira.
– Eu vou tomar um banho, já volto – Melinda informou recostada no batente da porta da cozinha, enquanto prendia seu cabelo em um coque.
– Mel, eu vou comer lasanha, você quer também ou vai querer outra coisa?! Quer que descongele algo para você?! – perguntou ao colocar a lasanha congelada no forno microondas.
– Não, eu quero só salada. Me espera que te acompanho, não demoro, eu prometo.
– Não tenho tanta certeza assim – Emmett respondeu convencido. – Mas eu espero, sim – sorriu no fim da frase.
– Mas é verdade! Juro que vai ser rapidinho.
Melinda foi tomar seu banho no banheiro da suíte. Emmett foi para a sala, se jogou no sofá enquanto esperava a lasanha ficar pronta. Alguns minutos depois, o microondas indicou que a lasanha estava pronta. Emmett foi à cozinha retirou a lasanha depositando-a sobre o balcão.
Suspirou passando a mão no cabelo, estava cansado. Então decidiu que estava na hora de chamar Melinda.
– Mel, a lasanha está pronta, você vai demorar?!
– Já estou saindo. Aliás, se quiser entrar aqui um pouquinho...
– Se eu entrar, a lasanha vai esfriar e congelar de novo – revelou com um sorriso safado.
– Está bem, gatinho, já estou saindo.
– Vamos jantar, Mel, você quase não come, não pode passar a noite sem comer, sabia?! – Emmett estava recostado na porta do banheiro, que estava entreaberta, onde podia ouvir o barulho do chuveiro.
Melinda saiu do banheiro apenas com a toalha em volta do corpo. Seu cabelo estava preso em um coque mal feito.
– Pronto, já saí, viu só? Vou por uma roupa, então podemos jantar – segurou o queixo de Emmett ao falar.
Emmett sorriu ao beijá-la na testa.
Melinda entrou no closet e rapidamente se vestiu. Como frequentava sempre o apartamento, então tinha roupas suas por lá, mas ainda assim ela levou algumas para o fim de semana.
– Mel, estou indo por a mesa.
Ao sair do closet, Emmett já não se encontrava no quarto. Certamente estava com fome.
– Cheguei, já podemos jantar.
Emmett estava colocando os pratos na mesa. Melinda abriu a geladeira, retirou alguns ingredientes para sua salada. Enquanto estava de frente à pia, Emmett falou.
– Mel, minha irmã Alice chega amanhã para passar o fim de semana aqui. Ela vai ficar até segunda.
– Mesmo?! Por que não me disse antes, poderia ter feito compras, alguns docinhos, as jujubas que ela adora. Nessie também vem?!
– Na verdade, só a Alice. Ela está impaciente para vir, a Nessie tem prova na segunda.
– Ah, que pena, adoraria vê-la também.
– Não se incomoda que venha?!
– Claro que não gatinho, ela é sua irmã. É meio serelepe, mas isso é parte do que ela é. E ela é divertida. Já faz algum tempo que não vem aqui, estava até me perguntando o motivo.
– Ela disse que é por causa da escola, que o último ano a está deixando louca. Ela é exagerada! – Emmett completou sorrindo. Estar com Alice nunca fora uma tortura para Emmett, ela sempre esteve ao seu lado e mesmo que ele nunca tenha assumido, ele amava tê-la por perto.
– Ela não tem jeito! Deve mesmo estar com a cabecinha à mil pensando na universidade. Ela já sabe o que vai fazer?!
– Uma hora ela fala que é uma coisa, outra hora fala que é outra e sempre acaba me fazendo rir no telefone.
– Ah, então tenho que arrumar o quarto de hóspedes para ela.
– Não precisa, Mel. Eu deixei pronto antes de ir para o treino.
Melinda sorriu enquanto lavava as folha de alface e rúcula. Emmett levantou-se, foi até ela, segurou por trás pela cintura lentamente como se ela fosse quebrável. Beijou sua nuca, o que fez com que Melinda ficasse arrepiada. Girou ela devagar pela cintura para que ficasse de frente para ele. Melinda espalmou suas mãos sobre o peito de Emmett, mantendo seus olhos nos dele. Emmett roçou seus lábios lentamente nos dela, ela sorriu discretamente, tão logo permitiu-se ser beijada.
– Esqueceu do jantar, gatinho?! – questionou com um sorriso zombeteiro.
– Claro que não, madame – Emmett puxou a cadeira para que ela se sentasse.
– Mas e a minha salada?!
– Deixa que eu pego – Emmett pegou a travessa com a salada e os molhos prontos, os deixando sobre a mesa. – Ok mocinha, não fique só nas folinhas, tem comer massa. Você está tão magrinha que tenho medo de te quebrar.
– Emmett!
– Brincadeira, linda! Você está perfeita na medida certa.
– Ahn... Seu safadinho.
Ambos sorriram enquanto se serviam. Jantaram em meio a conversas paralelas. Emmett comeu a lasanha praticamente toda sozinho, exceto por um pequeno pedaço que insistiu para que Melinda comesse. Ela comeu, mas somente para fazer a vontade dele. Após o jantar, Melinda levou a louça a máquina de lavar. Emmett a chamou para ver um filme.
Procuraram entre muitos que tinha no suporte. Acabaram por escolher um de suspense. Decidiram assistir na TV do quarto onde ficariam mais confortáveis.
Emmett deitou-se na cama sem camisa recostando-se nos travesseiros. Melinda se aconchegou a ele, Emmett puxou o edredom sobre ela. E foi assim que Melinda permaneceu durante todo o filme.
Assim que o filme terminou, Emmett pegou o controle remoto passando a zapear os canais em busca de algo para assistir. Ainda estava sem sono.
Melinda acabou adormecendo com a cabeça sobre o peito nu de Emmett, sua respiração leve e tranquila, tão protegida ela sentia-se nos braços dele. Mesmo que ele não a amasse da forma que ela merecia, ele jamais a destratou ou foi hostil com ela. Ele sempre demonstrou muito carinho e proteção. E Melinda realmente gostava dele.
Em um determinado canal de TV, estava passando um filme onde um casal de namorados passeava em um parque de diversões. De uma forma impressionante e inesperada, Emmett se viu na cena do dia em que beijou Rosalie pela primeira vez no parque de diversões em Norristown. O mesmo dia em que a pediu em namoro.
De repente, sentiu seu coração pulsar de um jeito diferente e uma vontade enorme de vê-la novamente. Lembrou-se do seu sorriso, do seu jeito marrento que nunca se deixava intimidar. E todas as vezes que sorriram juntos.
Totalmente o oposto de Melinda, que sempre fora delicada. E isso sempre fazia com que Emmett quisesse protegê-la.
Com bastante cuidado, Emmett afastou Melinda de seu peito, de forma alguma queria perturbar seu sono tranquilo. Apoiou com cuidado a cabeça dela no travesseiro, retirou o cabelo do rosto de maneira surpreendentemente carinhosa.
Se retirou da cama devagar. Foi até o closet. Pensou por alguns segundos se deveria ou não relembrar o passado, talvez não fosse correto quando tinha outra mulher dormindo em sua cama.
Em uma gaveta de meias, ele retirou uma pequena chave. Na parte mais alta de divisórias do closet, Emmett retirou uma caixa semelhante a um pequeno baú. Com a pequena chave, ele abriu a caixa. Respirou fundo ao olhar todas as recordações da garota loira com quem ele descobriu o amor.
Ali naquela caixinha de lembranças estavam as fotos que ficaram com ele no dia da despedida. Todas as cartas que Rosalie lhe enviou durante o primeiro ano da separação. Algumas cópias de e-mails e a mais importante de todas as lembranças, o medalhão que Rosalie fez questão de deixá-lo em suas mãos como uma promessa de que um dia voltaria. O medalhão estava dentro de um saquinho de veludo preto, permanecia tão novo quanto o dia em que sua dona lhe deixou como uma linda promessa de amor.
Emmett abriu o saquinho lentamente, era como se ele estivesse com medo do que estava lá dentro. Retirou o medalhão, aspirou profundamente para conferir se ainda guardava resquícios do perfume do seu eterno anjo. O perfume estava fraco, quase nada, e isso lhe dava uma sensação de abismo.
Abriu o medalhão e lá estava o nome dela escrito em letras douradas "Rosalie Lilian Hale Cullen".
"Rose".
Como era possível um amor adolescente perdurar anos?
Todas as memórias do dia da despedida lhe atingiram feito um tsunami. Suspirou pesado sentindo-se sufocado.
"Por que você sumiu?! Mudou de endereço e não me informou. Onde você está?! Minha Rose, meu eterno anjo. Como posso te esperar se nem ao menos sei se ainda se lembra de mim? Tenho que te tirar de minha mente. Me sinto culpado por não amar a Mel como ela merece. Me perdoe por guardar nossas coisas, mas não seria correto deixar onde a Mel possa vê-las a todo momento."
Emmett fechou a caixa e devolveu ao local que estava antes. Guardou também a chave.
Voltou para a cama, deitou-se ao lado de Melinda envolvendo-a em seus braços fortes, passando o calor de seu corpo másculo para o corpo delicado.
– Emmett... – Melinda murmurou sonolenta, o que a fez soar dengosa.
– Shhhh... – murmurou beijando a nuca dela. – Volte a dormir, está tudo bem.
– Emm... Eu te amo!
– Eu também... – sua voz saiu rouca. Mesmo que não fosse o mesmo amor que ele tinha por Rosalie, ainda assim não era uma total mentira. De uma forma peculiar, ele nutria um carinho imenso por Melinda.
E assim, no silêncio da noite com Melinda em seus braços, Emmett adormeceu lutando contra sua mente para não sonhar com Rosalie. O anjo de seu passado que se fazia tão presente e habitava seus sonhos frequentemente.
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