Quando o Amor Acontece
15 Capítulo 15 - Aparentemente Feliz
Notas iniciais
Melinda acordou com o braço forte de Emmett em volta de sua cintura. O relógio marcava 9:00 am. Uma ensolarada manhã de sábado.
Afastou com cuidado o braço de Emmett de seu corpo. Passou as mãos nos cabelos ao sentar-se na cama. Depositou um beijinho no canto da boca de Emmett, que dormia profundamente.
Saiu da cama indo para o banheiro. Tropeçou no cobertor que estava praticamente todo no chão.
"Ai, o que é isso" – pensou ainda sonolenta.
– Ai gatinho, como iria sentir falta de um cobertor quando tenho você me aquecendo – sussurrou ao cobrir Emmett apenas da cintura para baixo.
Entrou no banheiro, tomou uma ducha e fez todo o processo de higiene matinal.
"Acho que vou fazer um café" – pensou ao sair do quarto.
Emmett continuava dormindo completamente largado na cama. Na cozinha, Melinda procurava o pó de café para pôr na cafeteira. Procurou em vários compartimentos do armário e nada.
– Acho que o gatinho esqueceu de comprar ou a diarista mudou de lugar – falou consigo mesma.
Só lhe restava olhar em uma parte em que ela não alcançava.
"É, acho que terei que dar uma de alpinista" – pensou.
Pegou um dos bancos do balcão da cozinha.
"Lá vou eu..."
Conseguiu sem dificuldade alguma se equilibrar em cima do banco. Enquanto estava empenhada em encontrar o pó de café, Emmett entrou na cozinha.
– Mel, Melzinha!
– Bom dia, gatinho! Achei que dormiria um pouco mais – ainda estava em cima do banco se segurando no armário, agora olhando para Emmett.
– O que pensa que está fazendo?!
– Estou procurando o pó de café, mas, acho que acabou, porque não encontrei em lugar algum.
– Você está querendo se machucar, isso sim.
Emmett foi até ela e a pegou no braço.
– Não quero que se machuque.
– Mas eu não iria me machucar, não iria cair – deu um beijinho no peito de Emmett, que por sinal estava sem camisa.
Emmett esbanjou seu sorriso com covinhas perfeitas e encantadoras que Rosalie tanto amava.
– Como sabe?! Você por acaso tem visões do futuro? Ou está pensando que tem super poderes?! Hmmm...
– Seu bobinho!
– Nós vamos tomar café na cafeteria, não precisa se preocupar com isso. Agora você vai ficar aqui sentadinha sem fazer nada arriscado, enquanto eu tomo meu banho – colocou Melinda no sofá como se fosse uma criança travessa. – Ou terei que te levar comigo?!
– Não, eu prefiro ficar aqui na inocência.
Emmett olhou para ela com uma sobrancelha erguida e uma leve ruga na testa.
– Brincadeira amor, você sabe que te amo. Vem cá, lindinho!
Emmett sentou-se ao lado dela com um sorriso sacana estampado no rosto. Melinda deu um beijinho em seus lábios.
– Pode ir tomar banho, ficarei aqui sentadinha. Palavra de escoteira – disse com a mão erguida.
– Depois eu que sou o bobinho da história.
– Mas você é meu bobinho, fofo. Se preocupa demais, isso é verdade!
– Não me preocupo, não.
– Se preocupa, sim!
– Só às vezes – Emmett se defendeu.
– Aham!
– Aham, nada! Eu vou lá e você não vá escalar nada.
Beijou a testa de Melinda, depois foi para o quarto onde tinha seu banheiro.
Enquanto Emmett tomava banho, Melinda fez uma ligação para sua tia. A tia que a criou desde que se tornou órfã. Emmett não demorou a sair do banho e aparecer vestido.
– Podemos ir?! – perguntou jogando a chave do carro no ar.
– Podemos sim. Deixa só eu pegar minha bolsa – Melinda foi até o quarto pegar sua bolsa. – Prontinho, podemos ir! – ela disse ao voltar ajeitando a sua bolsa no ombro.
Saíram do apartamento, entraram no elevador, ficaram um ao lado do outro. Emmett jogava a chave do carro no ar e pegava. Melinda balançava sua bolsa de um lado para o outro discretamente.
– Vem cá! – Emmett enlaçou seu braço direito na cintura dela puxando-a para si. Ambos sorriram. Melinda enlaçou seus braços na cintura dele. Emmett sabia que ela gostava de ficar assim dentro do elevador.
– O que acha de irmos a pé?! É pertinho! – entregou a chave do carro para Melinda guardar na bolsa junto com as chaves do apartamento.
Dois andares abaixo da cobertura, uma garotinha de aparentemente sete anos entrou no elevador.
– Olá, bom dia! – a garotinha cumprimentou.
– Bom dia! – Melinda e Emmett responderam com um sorriso.
Enquanto o elevador descia, a garotinha ficou observando os dois.
Ás vezes Emmett dava beijinhos na testa de Melinda, que olhava para ele toda boba.
– Ai, ai... – a garotinha suspirou.
Emmett e Melinda olharam para ela como se dissesse "O que foi?"
– Achei vocês tão fofos. Tomara que quando eu crescer tenha um namorado assim.
Melinda sorriu tímida, quase corando. Emmett gargalhou sonoramente. A garotinha também gargalhou.
– Sua namorada ficou envergonhada. Meu nome é Madelayne e o de vocês?!
– Oi linda! Meu nome é Melinda, mas pode me chamar de Mel.
– E o meu é Emmett, prazer em te conhecer, danadinha – Emmett estendeu sua mão para Madelayne bater em cima.
– Sua mão é muito grande, você é muito grande – disse olhando para cima. – Mel, você parece ser tão doce quanto seu nome.
No térreo, os dois saíram de mãos dadas.
– Tchau casal fofuxo! – a garotinha gritou ao sair correndo para o playground.
– Que figura! Tão atrevida quanto Alice – Emmett sorriu com sua comparação entre a garotinha e sua irmã saltitante.
– Muito esperta – Melinda confirmou.
Saíram do prédio de mãos dadas. Estava muito sol. Ambos estavam com óculos de sol.
Na cafeteria, foram recebidos com um atencioso "bom dia" vindo da garçonete que já os conhecia há algum tempo. Sentaram-se na mesa de sempre, a que ficava de frente a uma parede de vidro que dava vista para um jardim de inverno.
Analisaram o cardápio da manhã de hoje. A garçonete anotou o pedido, logo foi providenciar.
– Preciso que alguém pegue a baixinha no aeroporto ás 11:00, já que nesse mesmo horário estarei em reunião com o técnico Phill e depois o almoço com a família dele.
– Eu posso ir buscá-la no aeroporto, depois te encontro.
– Não, eu quero que venha comigo – Emmett afastou uma mecha de cabelo que insistia em cair no rosto de Melinda.
– Vou ligar para o apartamento da Maria e da Bella, talvez uma delas possa ir.
Retirou seu celular do bolso. Rapidamente encontrou o número. Demorou um pouco para que alguém atendesse.
– Alô! – Maria atendeu ainda sonolenta. – Emmett, por que está me ligando a essa hora? Não sabe que nos sábados eu geralmente durmo até... Os domingos? – disse assim que viu no identificador que era seu irmão. – Oh droga, hoje é sábado, tinha esquecido.
– Bom dia para você também, irmã super educada.
– Emmett, não ironiza e diz logo o motivo da ligação.
– Alice vai chegar hoje ás 11:00. Preciso que você ou a Bella vá buscá-la no aeroporto.
– A Bella não está! Saiu com o namorado grudento dela logo cedo. Não me pergunte para onde ela foi, porque não lembro. Ela até disse, mas eu estava dormindo achei que era um sonho.
– Então vai ter que ser você!
– Está de brincadeira, não é?! – Maria que, até então estava sentada na cama, pulou ficando de pé.
– Não, eu estou falando sério. – na cafeteria a garçonete chegou com o pedido, Melinda agradeceu enquanto Emmett estava ao telefone. – Você vai ter que ir Maria.
– Não, eu não irei buscar a nanica saltitante. Tenho uma reunião com um cliente importante na hora do almoço. O caso vai ser muito importante para minha carreira. Não posso me atrasar e correr o risco de perder o cliente. Ele é uma pessoa ocupada e exigente.
– Você não vai se atrasar, seu apartamento não é tão longe do aeroporto.
Maria passou a mão no cabelo contrariada.
– Emmett, você é retardado? Eu posso pegar trânsito, aí sim estarei perdida. Por que sua namorada não vai? Ela não é a super boazinha, a defensora dos fracos e oprimidos, tão doce quanto o próprio nome?!
– Porque ela vai está comigo em um almoço com o técnico – olhou para Mel, que se servia de um gole de suco de laranja.
– Emmett McCarty, isso é importante para mim, sabia?! Ela vem para ficar com você. Por que eu tenho que ir buscá-la?! Por que não ligou ontem, assim eu teria amarrado a Bella em casa?
– Maria, será que dá para fingir que é uma boa irmã ao menos uma vez na vida?! Nunca te pedi nada, não custa me fazer esse favor. Só preciso que vá buscá-la no aeroporto e a deixe em seu apartamento, depois passo aí.
– Olha só, para não dizer que sou uma ingrata e blá, blá, blá, eu irei buscar a anã saltitante. Agora se eu perder esse caso... Nem sei o que faço com vocês dois, ouviu?!
– Obrigado, você é muito gentil – respondeu irônico, ainda assim com um sorriso por ter conseguido o que queria.
– Já está avisado!
– Maria Amara.
– O que?!
– Não seja bruta com ela, por favor.
– Irei pensar no seu caso.
– Qualquer coisa me ligue. Tchau!
– Tchau – respondeu contrariada. Largou o telefone em cima da cama e foi fazer sua higiene matinal, para depois arrumar toda papelada para a reunião de logo mais.
Maria não estava contente com sua "Missão do dia", não mesmo. Mas não poderia simplesmente largar a irmã saltitante o dia inteiro no aeroporto. Tão pouco deixar seu irmão Emmett "na mão", justo ele que sempre se preocupa tanto com a família.
Na cafeteria.
– Maria vai buscá-la – Emmett disse para Melinda ao devolver o celular ao bolso.
– Que bom, gatinho. No fundo, ela não é tão ruim quanto demonstra ser. Olha, come um pouquinho dessa torrada com geleia de uva, está uma delícia – levou a torrada à boca de Emmett, que devorou a metade com uma só mordida.
– Obrigado! – piscou o olho para ela.
Continuaram com o café da manhã normalmente. Vez ou outra Melinda fazia um carinho no rosto de Emmett discretamente. O gesto fora recíproco.
Assim que terminaram, Emmett pagou a conta. Saíram da cafeteria lado a lado. Emmett passou seu braço direito em volta da cintura de Melinda enquanto andavam pela rua.
No caminho de volta ao prédio foram cumprimentados por um visinho do mesmo prédio. E por um fã dos Lakers. Assim que chegaram, encontraram a mesma garotinha na recepção com outras duas crianças.
– Olha o casal fofuxo que eu falei. Eles não são lindos?! – a garotinha falava para as amigas. – Oi Mel, Emmett!
– Olá Madelayne! – Mel respondeu.
– Fala pequena!
– Ele não é jogador dos Lakers?! – a outra garotinha perguntou.
– É sim, July! – Madelayne disse.
– Dá um autografo para meu irmão?! – July perguntou. – Ele adora os Lakers.
– Estou sem caneta e papel, mas se conseguir, eu assino. Emmett falou mostrando as mãos.
– Tudo bem gatinho, eu tenho aqui na bolsa – Melinda retirou um caderninho de anotações junto com uma caneta de sua bolsa e entregou para Emmett.
– Certo! Qual o nome de seu irmão?!
– O nome dele é Taylor – ela respondeu toda empolgada.
Emmett rabiscou a folha com seu autógrafo e entregou à garotinha, que ficou toda saltitante.
– Obrigada!
– Por nada, aproveite o dia – bagunçou o cabelo dela ao sair.
Emmett e Melinda seguiram para o elevador. Agora iriam se vestir para a tal reunião com o técnico dos Lakers, Phill.
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