Quando o Amor Acontece

89 Capítulo 89 - Uma Promessa Real


Notas iniciais
Capítulo dedicado a Danii, pela linda recomendação. Muito obrigada amore, me fez comemorar em frente ao pc o/ Uuhuuuuul

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Pessoinhas, capítulo da chegada a Norristown o/ ficou bem grande e com alguns momentos caliente. Quem gosta saboreie a leitura. Quem não gosta, não é obrigado a ler...


A noite chegou trazendo um céu estrelado a cidade de Chicago. Rosalie estava em seu quarto fazendo as malas. Ela ainda tentava assimilar a noticia de que voltaria a Norristown na companhia de Emmett, que isso, agora, era algo real e ao seu alcance.


Enquanto isso, Emmett disputava uma partida de bilhar com Christopher na sala de jogos próximo a área da piscina da mansão Cullen.


Esme e Vera estavam no quarto ajudando Rosalie com as malas. Esme havia dado uma pausa para poder falar com o marido ao telefone. Antes disso, Rosalie também falou com o pai, mas ele, no entanto, se mostrou insatisfeito com o fato de sua filha querer sair de perto da família após todo o incidente envolvendo Royce King. Foi aí que Rosalie passou o telefone para a mãe, deixando que ela o convencesse de que seria bom fazer essa viagem.


Enquanto isso, Rosalie não desistiu de fazer as malas. Em cima da cama havia uma montanha de roupas e acessórios, havia duas malas abertas sobre o carpete, recebendo roupas e mais roupas em seu interior.


- Vera você tem certeza de que vai ficar bem sem mim? Digo, não vai ficar chateada, não é? – perguntou Rosalie, inserindo peças de roupas no interior das malas.


- Mas é claro que não, Rose. Esse é o seu momento, não pode nem pensar em desistir disso. Lembre-se de que esperou praticamente a vida inteira para que esse dia chegasse. Agora essa é uma promessa real.


Rosalie abraçou Vera, apertando ao redor de seu pescoço. – Obrigada Veruska. Te adoro muito mais do que você pensa. Você vai ficar bem com os meus pais. Eles irão cuidar direitinho de você.


- Ai não me enforca loira. – brincou Vera. – Eu sei Rose. Agora anda logo com isso, ou vocês irão acabar perdendo o voo. Sabe... Eu morro de vontade de conhecer essa Norristown. Sério, há muito tempo, mais precisamente, desde que nos conhecemos, que você fala desse lugar. Gostaria de um dia poder visitar o tal se Secret Place, mas sei que vocês nunca irão me permitir isso.


- Ei, como assim? – questionou Rosalie, fechando uma das malas.


- Ué, não foi você mesma quem falou que o fez prometer que jamais levaria outra garota lá. E que nem a própria irmã ele permitiu que fosse. Fico imaginando o quanto Alice não o atormentou ao longo dos anos.


- Ah, bem, faz sentindo. Mas, no caso, eu que estaria levando você até lá, sendo assim, ele não estaria quebrando nenhuma promessa feita no passado.


- Ok, quem sabe em uma próxima vez, não é? – disse Vera. – Porque dessa vez é especial demais para ter alguém atrapalhando.


Rosalie suspirou, divagando em memórias. – Meu Deus eu não sei como irei reagir pisando novamente naquele solo, naquela rua, de mãos dadas com o meu ursinho. Houve um tempo em que isso me parecia algo totalmente inalcançável, algo como poder tocar as estrelas com as mãos.


- Fala sério, Rose. O amor entre vocês dois é lindo. Eu diria que é poético. Um verdadeiro amor digno de contos de fadas. E quer saber, Norristown deveria ser conhecida como: a cidade onde o amor acontece, ou, no caso, aconteceu – ambas sorriram.


- Ah Vera, sua boba.


Vera mostrou a língua. – Lá tem, tipo, algum doce que não exista aqui em Chicago? Se tiver traz uma compota pra mim. Não, espera... Uma só não. Traz duas, três, quatro...


Rosalie bateu na cabeça de Vera com uma camiseta vermelha que estava dobrando antes de pôr em uma das malas. Nesse meio tempo, Esme desligou o telefone e ficou de pé.


- Rose seu pai disse que tudo bem. Porém, que você volte logo por causa da faculdade – Rosalie sorriu, erguendo a cabeça para poder olhar para a mãe. – Isso é sério, filha. Você já faltou bastante nos últimos dias. Você estava de atestado médico, ok, mas agora não tem. Sem falar que você tem as sessões de terapia com a psicóloga. Você sabe que seu pai e eu só fazemos isso para o seu bem.


- Eu sei mamãe. Se eu faltar, dessa vez, será apenas na segunda, porque Emmett falou que voltamos na segunda-feira pela manhã. Por favor, mamãe, me deixa voltar na segunda senão não vai dar tempo para nada. Já vamos chegar lá hoje pela madrugada, provavelmente. Então só nos resta o domingo... – Rosalie fez cara de cachorro que caiu da mudança e Esme não resistiu a seu apelo.


- Está bem, querida. Agora vai se arrumar, ou do contrario, vocês irão acabar perdendo o horário do voo – disse Esme, batendo palmas apressando-a.


Rosalie ficou de pé, dando dois pulinhos entusiasmados, e correu em direção ao banheiro. Esme terminou de fazer as malas da filha enquanto conversava com Vera.


Pouco tempo depois, Rosalie estava pronta. Bem vestida e com a maquiagem impecável. Seus longos cabelos dourados estavam soltos, caindo em cascatas sobre seus ombros atraentes. Em seu rosto já não se notava mais as marcas da agressão causada por Royce King. Os vários hematomas em seu corpo, já não doíam mais como antes, e começavam a tomar uma tonalidade amarelada indicando que deixariam de existir em pouco tempo. O corte em seu antebraço direito ainda estava com os pontos, porém já não incomodavam tanto.


Rosalie passou ao lado da cama, pegando o ursinho pardo de pelúcia, cujo nome também era Emmett.


Curiosa, Vera questionou. – O que vai fazer com ele, Rose? Vai guardá-lo para ninguém mexer em sua ausência? Pode deixá-lo aí mesmo sobre a cama. Eu não vou cometer um ursicídio, como você pensou que eu fosse cometer um tempo atrás.


Rosalie sorriu com a lembrança. – Não sua boba, eu vou levá-lo na viagem. Ele precisa estar junto porque foi lá que Emmett o ganhou pra mim, no parque de diversões. Ele faz parte de nossa história desde o inicio, entende? Não posso deixá-lo para trás, seria como deixar a nosso próprio filho.


Enquanto elas conversavam, Esme já estava indo em direção as escadas, levando uma das malas de Rosalie juntamente com a bagagem de mão. Vera olhou em volta, com uma cara de sapeca, a qual Rosalie soube que lá vinha besteira.


- Quem sabe você não volta com um filho de verdade – ela tocou a barriga de Rosalie brevemente. – Porém aqui dentro ainda.


Rosalie sorriu relaxada, maneando a cabeça. – Ai Vera você não tem jeito – ambas seguiram em direção à porta do quarto, levando o resto da bagagem. – Nunca se sabe... – murmurou Rosalie já no corredor. Vera sorriu cúmplice, e, logo ambas estavam descendo as escadas. – Vê se você e o Christopher não vão viver uma noite de amor em cima de minha cama, hein?! – sussurrou, de forma divertida, cutucando a cintura de Vera.


Vera se encolheu sorrindo. – Credo. Claro que não. Se tiver que acontecer vai ser em um lugar que o faça ser especial. Qual é? Eu sou romântica, esqueceu?! Acha mesmo que eu levaria o meu homem, não literalmente, ainda, para dormir em sua cama, sentindo o seu perfume nos lençóis?! Saí fora loira sem-vergonha.


- Claro que eu sei que não faria isso, Veruska. É só para de encher o saco que falo essas coisas.


- Loira do mal – resmungou Vera, quando se aproximavam dos últimos degraus das escadas.


Emmett estava de pé, somente à espera de ambas, e aproveitou para receber a mala que Rosalie trazia. Assim como havia pegado a que Esme trazia, também.


Com ajuda de Christopher, Emmett colocou todas as malas dentro do bagageiro do carro de Esme, que fez questão de levá-los ao aeroporto. Christopher se despediu de todos com um breve aperto de mão, seguido de um “até logo”, “aproveitem a viagem”. Com a namorada ele foi um pouco mais atencioso, e garantiu que voltaria dentro de uma hora para levá-la para jantar fora. Ele lhe deu um beijo antes de entrar em seu próprio veículo e ir embora.


Esme sentou-se no banco do motorista e Vera no do carona. Já Emmett e Rosalie foram juntos no banco traseiro. Rosalie encostou a cabeça no ombro do namorado enquanto ele lhe afagava os cabelos dourados. O ursinho de pelúcia estava agora no banco traseiro ao lado de Rosalie.


- Amor tem certeza de que quer mesmo levar esse urso conosco? – perguntou Emmett.


Rosalie ergueu a cabeça para olhá-lo diretamente nos olhos. Emmett parou de mexer nos cabelos dela encarando-a intensamente. Seu olhar carregado de palavras não ditas. O azul de seus olhos estava mais vibrante que o normal, indicando o quanto a desejava. Rosalie empalideceu, sentindo o poder daquele olhar transcorrer sua alma, provocando seu libido. Ela precisou piscar algumas vezes, seguidas, para poder voltar à realidade. Sua mão direita deslizou sobre o peito forte de Emmett, parando nos botões da camisa de grife que ele usava. Seus dedos finos brincaram com os botões por algum tempo, distraidamente.


Emmett lhe beijou o topo da cabeça, seguido de um suspiro pesado, antes de fixar o olhar através do vidro da janela do carro em movimento.


- Alice vai pirar quando os vir chegar – disse Vera, atraindo a atenção do casal entorpecido pelas sensações intensas que despertavam um ao outro com apenas um único olhar.


Emmett sorriu revelando suas covinhas ao imaginar a reação da irmã serelepe. Rosalie aproveitou o momento, e inclinou a cabeça para vê-lo sorrir. Adorava as covinhas dele tanto quanto adorava o brilho do sol.


- Posso apostar que sim – confirmou Emmett, ainda risonho. – Aquela baixinha é uma peste.


Esme os olhou brevemente através do espelho retrovisor. – Dê lembranças minhas a sua família Emmett. E diga a sua irmã, Alice, que aguardo por uma visita dela em breve. A última vez que a vi, ela era só uma garotinha.


Rosalie sorriu. – Acredite mamãe, Alice não mudou absolutamente nada.


- Mas então continua a mesma gracinha de sempre – disse Esme. – A propósito filha, você pegou as chaves de nossa casa em Norristown? Eu liguei para a senhora Scott e ela disse que a casa está pronta para recebê-los.


- Peguei sim, mamãe. Mas não sei se vou ficar lá, porque se Emmett preferir ficar na casa dos pais, eu ficarei com ele. De qualquer forma, irei lá sim, quero rever algumas coisas.


- Tudo bem filha, só não se esquece de agradecer à senhora Scott por tudo. E, Emmett, cuide bem da minha filha. Você está levando para Norristown o meu bem mais precioso.


- Pode deixar Esme. Cuidarei dela sim, pode ficar tranquila. Não deixarei que faça nenhuma loucura.


- É grandão – disse Vera. – Se você não cuidar bem dessa loira, terá que se entender com os pais dela e comigo também.


Emmett bateu continência, de forma brincalhona. – Pode deixar senhorita.


Risos preencheram o interior do veículo enquanto Esme estacionava no estacionamento do aeroporto Internacional de Chicago, Midway. Os quatro saíram do veículo ao mesmo tempo. Emmett se encarregou de retirar a bagagem do porta-malas e colocá-las no carrinho de bagagem do aeroporto.


Rosalie conversava com a mãe e com Vera, Emmett a olhou de canto de olho, notando que o vento soprava os fios dourados enquanto ela segurava a mão da amiga em meio a uma conversa qualquer.


- Espera! – gritou Rosalie de repente. – O ursinho ficou no carro.


Emmett rolou os olhos antes de pegar o urso de pelúcia no banco traseiro e entregá-lo para ela. Em pouco tempo os quatro atravessavam o saguão movimentado em busca do balcão para fazer o check-in. Emmett se encarregou de tudo enquanto Rosalie se despedia da mãe e da amiga.


- Me liga assim que sair do avião. Não importa a hora. A mamãe não vai conseguir dormir enquanto não tiver noticias suas – pediu Esme.


- Pode deixar mamãe. Eu prometo que ligarei assim que chegar. Dê um beijo no papai por mim. E diz a ele que deixei um “obrigado” por não ter ficado bravo. Eu sei que ele preferia que eu não viajasse, mas é Emmett... E Norritown.


- Eu sei meu bem. Eu sei. Aproveite esse fim se semana para esquecer o que aconteceu, e seja feliz. Não se esqueça da medicação. Qualquer coisa, caso se sinta estranha, ligue para mim ou para seu pai, e, principalmente, ligue para a doutora Maclaine – Morgan Maclaine, psicóloga. – Seja cuidadosa filha, seu pai já ficou enjoadinho quando você foi para Los Angeles ficar o fim de semana com Emmett, e agora suponho que não será diferente.


Rosalie sorriu. – Diz ao papai que eu o amo. E nada de ficar enciumado.


Enquanto Rosalie terminava sua última frase, Emmett parou ao seu lado.


- Vamos?! – murmurou ele.


Rosalie o olhou, maneando a cabeça positivamente.


- Tchau, Vera. Até a volta, e ver se não vai se entupir de doces. Não permita isso, viu mamãe?!


Vera arregalou os olhos. – Tia, não dê ouvidos a isso, por favor – olhou para Rosalie novamente. – Aproveite cada segundo onde tudo começou. Não vou te ligar para não atrapalhar o momento. Colocaremos o assunto em dia quando você voltar.


- Eu irei – respondeu Rosalie, com um breve abraço de despedida.


Depois do abraço em Rosalie, Vera falou com Emmett. – Tchau, grandão.


- Tchau, Vera. Até a volta – disse ele, seguido de um beijo na testa de Vera.


- Se cuida filha, e não se esquece de me ligar – murmurou Esme ao abraçar Rosalie.


- Não se preocupe Esme, enquanto Rosalie estiver comigo estará em segurança – assegurou Emmett.


Esme se afastou de Rosalie para dar um abraço carinhoso em Emmett, o homem responsável por fazer a vida de sua filha ter um sentido todo especial.


- Eu sei que sim, querido. Você é um homem de coração grandioso. Seus pais devem estar muito orgulhosos de você. Sempre foi um garoto exemplar.


Esme se afastou, estendendo a mão direita para Vera, que recebeu com um sorriso no rosto. Emmett chegou mais perto de Rosalie e segurou sua mão livre, pois com a outra ela segurava o urso de pelúcia colado ao peito.


Rosalie acenou para a mãe e a amiga antes de virarem as costas. Esme ficou ali apenas observando-os se afastar indo em direção ao portão de embarque. Seu coração de mãe, embora soubesse que seria uma viagem inesquecível, não podia deixar de ficar saudoso. Esme sabia que sua filha havia esperado anos por aquele momento. E enfim ele chegara. Ela suspirou assim que eles viraram à direita e sumiram do seu campo de visão. Olhou para Vera, e lhe beijou a mão que segurava.


- Vamos para casa, querida?


Vera lhe sorriu maneando a cabeça positivamente. – Vamos – disse ela.


Esme passou o braço direito em volta dos ombros de Vera, e juntas voltaram ao estacionamento como se fossem mãe e filha. Rosalie era uma boa amiga e de forma alguma se incomodava com o cuidado e carinho que sua mãe vinha demonstrando ter por Vera, afinal, ela provara mais de uma vez, que era digna do amor e aceitação daquela família.


[...]


Quando chegaram à mansão Cullen, Vera foi tomar banho e se vestir para ir jantar fora com o namorado. Cerca de quarenta minutos depois Christopher chegou para buscá-la, e antes de sair garantiu a Esme que cuidaria bem de Vera.


Na volta do aeroporto para casa, Vera contou a Esme que aquela seria uma noite decisiva. Contaria ao namorado o que Royce lhe fizera. Embora estivesse com medo da reação dele, já não podia mais permanecer calada. Quanto mais tempo permanecia calada mais as coisas lhe pareciam difíceis.


Antes de Vera entrar no carro do namorado, um – Porsche Carrera Gt Jada Toys, preto –, Esme a abraçou e lhe desejou boa sorte, sussurrando ao seu ouvido que poderia ligar a qualquer hora, caso precisasse. Um pouco afastado Christopher observava, notando que Vera estava agindo um tanto estranho naquela noite. Ele assemelhou seu comportamento ao mesmo que tivera no hospital, quando lhe pediu que contasse o que havia acontecido enquanto estavam em poder de Royce King. Vera relatou tudo, exceto que ele havia lhe molestado.


No dia, Christopher ouviu tudo com atenção e ficou ao seu lado quando Ava voltou para casa. Foi aí que Vera chorou ainda mais. Sua mãe lhe tratara com indiferença, mas Christopher segurou sua mão, fazendo um afago e garantiu que não a deixaria sozinha. Foi então que Vera sussurrou entre lágrimas “até quando”. Christopher não entendeu, mas também não questionou. Sabia que ela estava abalada por causa do sequestro e o descaso da parte da mãe. Ele passou o dia no hospital lhe fazendo companhia, foi para casa somente tomar um banho e voltou para passar a noite. Dormiu na poltrona ao lado da cama hospitalar e quando ela acordou no dia seguinte, ele estava lá segurando sua mão.


[...]


Christopher a levou para jantar em um restaurante sofisticado, do tipo que sua mãe aprovaria. Durante o jantar Vera falou pouco, parecia tensa, e o namorado jamais deixaria de notar tal mudança de comportamento. Ela não estava sendo a mesma de antes, sua vivacidade estava oculta e ele quis saber o porquê disso. Se fora sua culpa. Se havia agido errado e não percebera.


Vera estendeu as mãos sobre a mesa para tocar as dele, sem querer esbarrou na taça de vinho e por pouco não a virou derramando a bebida. Christopher notou o nervosismo e segurou firme as mãos dela nas suas, notando que estavam gélidas.


- O que aconteceu? – pediu ele. Os olhos de Vera se encheram de lágrimas. – Eu magoei você? Se for isso me diz, porque não sei onde errei princesa. Eu te peço desculpas duas vezes. Primeiro por tê-la magoado, e segundo por não me lembrar o que fiz.


Vera suspirou e tentou recolher as mãos, mas Christopher a impediu.


- Você não fez nada Chris. O problema sou eu... Aconteceram coisas... Coisas que tenho medo e vergonha de lhe contar.


- Mas porque teria? Eu sou seu namorado. Eu te amo Vera, e quero me casar com você um dia. Já falamos tanto sobre isso. Porque está agindo assim? – de repente a expressão no rosto dele ficou preocupada. – Você vai terminar comigo?


Vera arregalou os olhos, puxando uma das mãos para tocar o rosto dele. Não. Não é isso amor, mas tenho uma coisa para te contar... E temo que se decepcione comigo quando ouvir.


- E porque acha que me decepcionaria? – pediu preocupado, tocando a mão dela que acariciava seu rosto.


- Porque é algo que mancha parte daquilo que planejamos... – ela olhou em volta. – Não quero ter que falar sobre isso aqui.


Ele também olhou em volta. – Está bem – assentiu beijando os dedos da mão dela, que antes acariciava seu rosto. Logo depois chamou o garçom e pediu a conta.


Eles saíram do restaurante de mãos dadas. Em outra ocasião Vera estaria tagarelando, e isso só fazia com que Christopher tivesse a certeza de que o assunto era sério e a machucava. Em frente ao restaurante o manobrista abriu a porta do carro para Vera, e ao entregar as chaves para Christopher, fez questão de abrir a porta para ele também.


Minutos depois Christopher estacionou o veículo no jardim da mansão dos pais. Ele, não era filho único, mas sua irmã já era casada, tinha uma filhinha e morava com o marido em outra residência. Antes de saírem do carro olharam um para o outro, talvez pensando no que viria a seguir.


- Seus pais estão em casa? – perguntou Vera.


- Não. Eles viajaram para Nova Iorque hoje, pouco antes do horário do almoço. Somente um, ou dois funcionários devem estar na casa, mas há essa hora já devem ter ido se recolher. Podemos conversar a vontade – explicou ao notar que ela se preocupou.


Após uma breve troca de olhares ambos saíram do carro ao mesmo tempo. O jardim ao redor era amplo e muito bem cuidado, tanto quanto o da própria mansão Lewin. Estava pouco iluminado, ressaltando ainda mais sua beleza sob um céu estrelado.


Christopher segurou a mão dela e juntos caminharam até a entrada principal da mansão. Ele abriu a porta e cedeu passagem para que ela entrasse na frente. Vera suspirou pesado, achando que aquela seria a última vez que entraria naquela casa. Um nó se formou em sua garganta. Uma vontade sufocante de chorar apertou seu coração. Temia que ele entendesse errado o que Royce lhe fizera e a julgasse, mundana.


Christopher a conduziu para a sala da lareira, que ficava apenas um corredor da sala de estar. O cômodo era em tons claros e tinha uma grande parede de vidro que dava vista para a área da piscina, que estava iluminada, fazendo as ondulações da água refletir sobre a parede da lareira dentro do cômodo. A lareira era em mármore branco, seu fogo era aceso com o uso de um controle remoto, dando a chance de regular a altura das chamas.


Havia um grande tapete felpudo branco, no centro da sala, localizado bem em frente ao sofá chesterfield de couro branco. Uma manta vermelha estava estendida propositalmente em um dos braços do sofá, reforçando a decoração do ambiente.


Christopher sentou no sofá, fazendo sinal para que Vera sentasse ao seu lado. Ela sentou encarando as próprias mãos. Christopher segurou a mão dela, transmitindo um pouco mais de confiança.


- Pode falar... – sussurrou ele. Vera mexeu os lábios varias vezes, mas não saiu uma única palavra. – Cadê aquela garota desinibida por quem me apaixonei? – prosseguiu ele. – Aposto que ela está brincando de esconde-esconde – cutucou a barriga dela, tentando diverti-la.


Vera se remexeu e até quase sorriu, no entanto, o medo do que iria falar bloqueou seu sorriso sem pudor. Mexendo em seus próprios dedos, ela começou a falar.


- Chris aquele dia em que estive no hospital... Não te contei exatamente tudo o que aconteceu enquanto estávamos em poder de Royce. Ele... – ela mordeu o lábio inferior, buscando coragem para prosseguir.


Christopher passou a mão nos cabelos dela. – Ele o que princesa? – pediu cautelosamente.


Vera fechou os olhos com força e lágrimas escorreram em seu rosto. Ao abrir os olhos novamente, ela empurrou as palavras que estavam presas em sua garganta há alguns dias, mesmo que elas relutassem para não sair.


- Ele me molestou... – sussurrou, encarando o vazio.


- Ele o quê? – Christopher levantou o tom de voz, ficando de pé imediatamente.


Vera prosseguiu antes que perdesse a coragem. – Ele brutalmente inseriu seus malditos dedos, você sabe, rompendo o meu hímen... – ela soluçou forte sendo vencida pelo choro, assistindo Christopher andar de um lado para o outro, com as mãos na cabeça, na sala onde estavam. – Ele iria fazer muito mais que isso, mas Rose o impediu, ameaçando-o com a própria arma. Por esse mesmo motivo, depois que alcancei a arma atirei na perna dele. Deus me perdoe, mas eu quis matá-lo, por mim e pela a Rose. Mas a própria Rose me fez ver que estragaria minha vida com isso...


Christopher não disse nada. Entretanto, a raiva e a vontade de socar a cara do almofadinhas, denominado Royce King, era maior que qualquer coisa que já sentira na vida.


Vera ficou de pé, tremendo, caminhou até se aproximar do namorado. Estendeu a mão direita para tocar o ombro dele, por trás das costas. – Christopher fala alguma coisa – pediu ela. Antes que sua mão alcançasse o ombro dele, ele virou-se bruscamente, assustando-a sem intenção.


- Maldito – gritou Christopher, com a expressão de seu rosto afetada pelo ódio. Vera se encolheu dando um passo para trás, a imagem de Christopher foi sumindo dando lugar a de Royce. Ele notou que tinha a assustado e rapidamente tentou concertar isso. – Não princesa, não se afaste de mim – pediu, dando um passo a frente envolvendo-a em seus braços. E foi nesse instante que Vera desmoronou em lágrimas.


- Eu o odeio. Ele destruiu o meu sonho... O sonho de ter minha primeira noite de amor com você... – sussurrou contra o peito de Christopher, espasmos causados pelos soluços faziam seu corpo tremer.


Christopher a abraçou forte sussurrando em seu ouvido. – Eu te amo princesa, e ainda podemos ter nossa primeira noite de amor juntos.


- Não sente raiva ou nojo de mim? – ela fungou em meio à pergunta.


- Jamais – respondeu ele, totalmente seguro de si.


- Não pensa mal de mim, como a minha mãe pensou?


- Nunca.


- Por quê?


- Porque você é a minha princesa. Faladeira, comilona – brincou ele. – Mas uma princesa muito romântica. E eu sei que você nunca permitiria que ele lhe fizesse isso se tivesse tido forças o bastante para se defender.


Pela primeira vez desde que chegaram ali, Vera conseguiu olhá-lo diretamente nos olhos.


- Ainda quer ser meu namorado mesmo depois do que te contei?


Christopher secou as lágrimas dela e sussurrou entre um beijo.


- Eu quero mais do que ser apenas seu namorado. Eu quero que um dia use o meu sobrenome, Parkman.


- Isso é sério? – perguntou Vera, com os olhos recebendo um brilho todo especial.


- Nunca falei tão serio em minha vida – murmurou ele em resposta, antes de beijá-la outra vez. Porém esse beijo tomou proporções inesperadas. As caricias foram se intensificando e ficando mais quentes a cada toque. Christopher pegou Vera no colo e levou até o sofá. Ele a beijava com uma calma excitante, suas mãos traçavam caminhos com rastros quentes por todo o corpo dela. – Me deixe te amar essa noite. Permita-me te provar o quanto a amo, e que nada do que aconteceu vai mudar o que sinto – sussurrou ao pé do ouvido dela.


Nesse momento Vera já não tinha mais total domínio sobre seu corpo e suas reações. Seus instintos falavam mais alto. Ela, definitivamente, estava pronta para se entregar ao homem que ama e viver sua primeira noite de amor.


- Me faça sentir esse amor... – sussurrou ela em resposta.


Cuidadosamente Christopher retirou as sandálias de salto que ela usava. Beijou seus pés com devoção e desejo. Devagar deslizou suas mãos sobre as pernas dela até alcançar a barra do vestido. Lentamente subiu a peça de roupa passando pelos braços até retirá-lo por completo. Os longos cabelos castanhos se espalharam sobre o couro branco do sofá. Christopher admirou cada curva do corpo dela, ainda em trajes íntimos. Algumas marcas deixadas pela agressão causada por Royce King ainda marcavam o corpo delicado, porém, estavam em uma tonalidade amarelada indicando que em poucos dias deixariam de existir.


Christopher beijou cada uma das marcas, lentamente, antes de se afastar e retirar as próprias roupas. Ele alcançou o controle remoto da lareira e a acendeu, aproveitando para apagar a metade das luzes. Voltou a beijá-la e em meio às caricias retirou a lingerie rendada – em tons de violeta –, que Vera usava. Acariciou o corpo frágil com mãos de veludo, venerando-a, conhecendo-a intimamente. Ele se afastou novamente e no bolso de sua calça pegou a carteira, retirando de lá um preservativo. Realizou todo o processo cuidadosamente enquanto Vera respirava irregular, sentindo todas as novas sensações percorrer por todo seu corpo, observando-o.


- Isso não vai doer, vai? – sussurrou ela, sentindo o coração aumentar o ritmo.


- Não se preocupe princesa. Eu vou te amar lentamente... – sussurrou beijando o umbigo dela, subindo, traçando um caminho de beijos até alcançar os lábios. Refez o caminho de beijos de volta até os seios, apreciando a preciosidade que tinha em suas mãos. A olhou no fundo dos olhos quando uniu seu corpo ao dela lentamente, como havia prometido. Ela estava pronta para recebê-lo, ele não teve dúvidas disso, mas ainda assim temeu que ela sentisse algum desconforto. Embora Royce houvesse rompido o hímen dela, Vera nunca havia praticado sexo antes, seu interior continuava tão apertado quanto sempre esteve. Christopher deu um tempinho para ela se acostumar com a junção de seus corpos. Iniciando os movimentos lentamente, sussurrando ao seu ouvido.


- Eu te amo, Vera Naomi Lewin.


Vera percorreu seus dedos finos, de unhas bem cuidadas, por entre os curtos fios de cabelos de Christopher enquanto o som de seus corpos em movimento e gemidos abafados eram os únicos sons que ecoavam no cômodo em que estavam.


Na parede em frente ao sofá onde eles se amavam, a lareira queimava. Suas chamas alaranjadas tremeluziam, porém não havia estalo de lenha sendo queimada. Seu fogo dispensava o uso da madeira. O reflexo da água da piscina ainda se projetava através da parede de vidro, na parede sobre a lareira, emprestando ao ambiente uma atmosfera aconchegante.


Christopher estava sendo o mais gentil possível. A amava com veneração. Cada toque era sutil e prazeroso, cada investida era cuidadosa, proporcionando a Vera à noite de amor que um dia desejou ter. Caricias eram trocadas e palavras de amor eram sussurradas ao pé do ouvido.


[...]


Emmett e Rosalie chegaram a Filadélfia no inicio da madrugada, onde pegaram um taxi que os levou a Norristown, que ficava a cerca de 9,7 km. No trajeto, Rosalie aproveitou para ligar para a mãe como havia prometido. O taxi os deixou em frente a grande e bela casa dos Cullen. A mesma casa onde Rosalie viveu; o que se pode chamar de: a melhor espoca de sua vida.


A grande casa estava iluminada na parte externa. Certamente o casal responsável pela manutenção morava próximo dali, e, a espera do casal, deixaram as luzes acesas.


Emmett foi o primeiro a sair do taxi. A brisa fria da madrugada soprava as folhas das árvores nos jardins ao redor, causando a sensação nostálgica de déjà vu. Há muito tempo Emmett não regressava a Norristown, não por falta de tempo, mas sim, porque não gostava de voltar com frequência ao local onde sofrera com a ausência de Rosalie. Tudo em Norristown o fazia lembrar-se dela.


Em todas as visitas que fizera aos pais, ao longo dos anos, depois que fora morar em Los Angeles, Emmett sempre regressava a seu apartamento um tanto depressivo. Eram os reflexos das memórias vividas.


Tomando uma lufada de ar frio, Emmett estendeu a mão para Rosalie incentivando-a a sair do interior do taxi. Ela parecia ter parado no tempo, seu olhar estava vago encarando o nada. O taxista apenas observava através do espelho retrovisor, em silêncio.


- Rose – insistiu Emmett.


Ao som daquela voz máscula, de um timbre levemente rouco. O mesmo timbre que exercia grande domínio sobre seus instintos, Rosalie piscou os olhos, algumas vezes seguidas, sendo puxada de volta a realidade, somente então olhou para Emmett. Sua expressão era semelhante a alguém que acaba de acordar de um sonho confuso, levando certo tempo para se situar a realidade a sua volta.


- Vem, amor – insistiu Emmett, ainda lhe estendendo a mão.


Rosalie segurou firme na mão que a convidava, e lhe sorriu movendo-se para sair do interior do veículo. No instante em que Rosalie ficara de pé na calçada, Emmett espalmou sua mão livre sobre as costas dela, beijando-lhe a testa.


- A última vez que estive aqui não foi nada do que eu esperava – sussurrou ela contra o peito forte de Emmett. – Eu fiquei com muita raiva do que descobrir e acabei voltando para Chicago mais triste do que antes... – em sua mente se formava a imagem da última vez que esteve em Norristown, com Esme, cultivando a esperança de que fosse reencontrá-lo. Entretanto, acabara descobrindo que seu amor já não vivia mais ali, há muito tempo. E naquele mesmo fim se semana ela descobrira, também, que existia outra mulher na vida de seu urso, seu primeiro e único amor. Mesmo que todas as probabilidades dissessem o contrario, para ela, o garoto de sorriso de covinhas que conhecera no passado sempre seria seu. Naquele mesmo fim de semana ela temeu voltar ao Secret Place e não encontrar mais a plaquinha com os dizeres “o anjo e o urso”, mas sim “o urso e umazinha qualquer”.


- Ei – disse Emmett, segurando-lhe o queixo para que o olhasse nos olhos. – Agora somos nós dois e ninguém poderá mudar isso. Atire essas lembranças ruins ao esquecimento. Vamos aproveitar cada segundo, juntos. Vamos ser novamente o anjo e o urso.


- Você tem toda razão, Emm.


- Eu sempre tenho razão – respondeu ele, com um leve tom presunçoso.


- Ah tá – disse Rosalie, com descaso. – Conta outra.


- Não comece a bancar a marrenta – avisou ao se afastar dela, para ajudar o motorista do taxi a retirar as malas do bagageiro.


Rosalie aproveitou o momento para pegar sua bolsa e o ursinho de pelúcia no banco traseiro do taxi.


- Amor eu estou com medo da reação de Alice quando nos vir pela manhã. Ela vai surtar – murmurou Rosalie ao lado do taxi, segurando seus pertences.


Emmett gargalhou ao colocar a última mala na entrada da casa. – Prepare seus ouvidos, anjo. Porque ela vai gritar e falar sem parar.


Enquanto Emmett falava, Rosalie procurava pelas chaves da casa no interior de sua bolsa. Emmett sacou a carteira do bolso, retirando algumas notas, o suficiente para pagar a corrida, mais uma boa gorjeta. Com um “muito obrigado” da parte de Emmett, o taxista entrou no taxi, e em pouco tempo começou refazer o caminho de volta.


Rosalie estava prestes a inserir a chave na fechadura, quando dois gatos que brigavam no jardim a assustaram, fazendo com que as chaves caíssem de suas mãos.


- Ah, droga – resmungou após ter dado um grito. – Desse jeito acabarei acordando toda a vizinhança – resmungou consigo mesma, abaixando-se para recolher as chaves. Quando ela ficou de pé novamente, Emmett a abraçou por trás beijando-a na orelha.


- Deixe que eu faço isso – disse ele, retirando as chaves das mãos de Rosalie. – Eu prefiro que você acorde a vizinhança de outra maneira – sussurrou, mordiscando a orelha provocando-a.


Ela virou-se ficando de frente para ele.


- Que ursinho mais assanhado você está me saindo – provocou, em um sussurro.


- Você não viu nada ainda – afirmou ele. – Estou louco de saudades... Louco para sentir seu corpo ao meu – sussurrou ao pé do ouvido, com o timbre de voz totalmente afetado. Sem se afastar dela, ele empurrou a porta com uma das mãos assim que girou a chave na fechadura, deixando o hall de entrada previamente iluminado pelas luzes do jardim.


- Emmett – sibilou ela, totalmente rendida aos braços fortes. Suas mãos delicadas dedilhando o abdômen másculo até alcançar os ombros largos.


Ele se inclinou buscando os lábios de Rosalie em um beijo ansioso, apertando a cintura curvilínea contra seu corpo másculo. Ainda com seus lábios relativamente próximos, Rosalie sussurrou em forma de pedido, mesmo que seus instintos dissessem para fazer o contrario.


- As malas... Precisamos guardá-las.


- Ok – respondeu ele, olhando intensamente nos olhos dela antes de se afastar. Rosalie virou-se a procura do interruptor, e, inesperadamente Emmett a puxou pelo braço, fazendo com que o corpo curvilíneo colidisse com força contra o seu. Pega de surpresa, ela gritou, e, em um nanosegundo Emmett a calava com um beijo. Mantendo um sorriso travesso ele se afastou novamente, deixando uma Rosalie atônita. Ela respirava arrastadamente olhando-o com cara de boba apaixonada.


Uma a uma as malas foram postas ao pé das escadas. Rosalie olhava em volta após ter acendido todas as luzes. Seus olhos registrando o ambiente de forma impecável, fazendo sua memória reviver o passado. Ela inclinou a cabeça olhando para o segundo piso, suspirando longa e pesadamente.


- Eu gosto tanto desse lugar... – deliberou ela, distraída.


- Anjo? – o timbre da voz de Emmett a trouxe de volta a realidade mais uma vez. – Para qual dos quartos você quer que eu leve as malas? – ele estava ao pé das escadas, segurando duas das malas pelo puxador.


Rosalie o olhou. – Pode ser para um dos quartos de hospedes. Meu antigo quarto tem cama de solteiro. Quer dizer, pelo menos era da última vez que estive aqui com a mamãe.


- Certo – disse ele, começando a subir as escadas. Rosalie foi logo atrás, levando uma das malas, a bolsa e seu ursinho de pelúcia.


Emmett colocou as malas no segundo quarto de hospedes, do lado esquerdo do corredor, assim como Rosalie colocou as coisas que levava. Ela caminhou alguns passos e abriu a porta de seu antigo quarto recostando-se ao batente da porta, permitindo-se observar, sentindo a leve sensação de déjà vu.


Emmett se aproximou a passos curtos, envolvendo seus braços fortes a cintura dela, beijando-lhe a nuca. – Pensando em que, anjo?


Rosalie circundou com seus braços os de Emmett que envolviam sua cintura. – Muitas coisas. Mas a minha memória mais viva, nesse quarto, é aquela do dia em que fugi pela janela usando uma corda de lençóis, e fui me abrigar no Secret Place para não ter que voltar para Chicago com meus pais. Mas você, seu urso danado, me convenceu a voltar – virou-se dando um tapa no peito de Emmett.


- Ei, não vai ficar brava comigo agora, vai?! Eu te convenci, sim, mas porque era o melhor para você. Eu te amava naquela época tanto quanto a amo hoje. Quando eu voltei, naquele mesmo dia, para me despedir de você, eu não vi apenas o carro de seus pais se afastando, eu vi todo o meu mundo indo embora.


- Oh amor que coisa mais linda... – murmurou Rosalie em resposta, o abraçando pela cintura.


- Você que é a coisa mais linda... – sussurrou, apertando-a contra seu corpo másculo.


- Olha que desse jeito eu vou ficar sissi.


- Sissi? – disse Emmett, meio em dúvida.


- Se sentindo, se achando – respondeu Rosalie, seguido de uma gargalhada gostosa. Emmett a acompanhou, com seu sorriso de covinhas perfeitas.


- Será que tem algo para beber na geladeira? – perguntou ele, após alguns segundos de gargalhada. – Estou morrendo de sede.


- Acho que sim, amor. A senhora Scott deve ter abastecido a geladeira com alguma coisa. A mamãe falou com ela antes da gente vir pra cá. Deve ter dado tempo, pelo menos, de comprar uma água mineral e um suco. Vem, vamos descer – convidou puxando-o pela mão direita.


De mãos dadas os dois caminharam pelo extenso corredor do segundo piso até alcançar o top das escadas. Rosalie passou à frente deixando Emmett para trás.


- Amor você se lembra de quando a baixinha era criança e veio aqui comigo, e você deu algumas de suas bonecas para ela?


Já na metade das escadas, Rosalie parou e olhou para trás. – Claro que sim. Foi muito legal aquele dia – disse ela, com um sorriso. – Adorei fazer sua irmã feliz, porque eu sabia que indiretamente você também ficaria feliz. Ah, e o mais importante de tudo, foi nesse mesmo dia que disputamos uma corrida até o fim da rua, onde você me levou até aquelas árvores e me mostrou a velha ponte, que no futuro muito próximo, nos levaria ao Secret Place. Acha que a ponte ainda é segura para atravessarmos?


- Como eu te falei antes – disse Emmett. – É possível que esteja velhinha porque faz um bom tempo que não volto lá. Embora tenha sido reformada algumas vezes, eu não sei dizer como ela está agora. Mas, qualquer coisa, eu darei um jeito de você chegar ao outro lado, não se preocupe amor.


Ambos entraram na cozinha lado a lado. Rosalie acendeu as luzes indo abrir a geladeira. Não tinha muitas coisas em seu interior apenas algumas frutas, suco e água mineral, e sobre o balcão estava alguns pacotes de biscoitos, pão e creme de amendoim.


- Emm tem suco e água. Qual você vai querer primeiro?


- Só água mesmo – disse ele, pegando um copo no armário.


- Podemos fazer compraras depois – murmurou Rosalie. – Acho que a senhora Scott não teve muito tempo, mas fez o que pode.


- Pode ser algumas guloseimas que você goste Rose – respondeu Emmett. – Porque iremos almoçar e jantar com minha família. Não posso fazer essa desfeita com eles.


- Perfeito – afirmou Rosalie. – Então não precisamos comprar mais nada. Qualquer coisa a gente sai para comer fora.


Emmett se aproximou estendendo copo para que Rosalie lhe servisse a água, e assim ela o fez. Ele levou o copo à boca ingerindo o liquido transparente enquanto observava Rosalie retirar uma uva do cacho e levá-la à boca.


Sem intenção seus olhos se encontraram, transmitindo luxuria e desejo. Sem desviar seus olhos dos dela, Emmett a pegou pela cintura guiando-a até que suas costas encostassem ao balcão da cozinha. Devagar ele colocou o copo, já vazio, sobre o mármore do balcão empurrando-o para o mais distante possível.


Ansiosa, Rosalie infiltrava suas mãos sob a camisa de grife que Emmett usava, acariciando seus músculos, altamente sedutores. Ele a segurou com mãos firme pela cintura erguendo-a do chão, deixando que ela sentasse sobre o mármore frio do balcão. Rosalie circundou com suas pernas a cintura de Emmett, mantendo-o preso a seu corpo.


Emmett deslizou suas grandes mãos sobre os braços de Rosalie, e, naquele instante, ela sentiu uma torrente de calor liquido queimar seu corpo por dentro. Logo suas mãos estavam na nuca dela, afundando seus dedos por entre os fios dourados, enquanto lhe tomava os lábios em um beijo sôfrego.


Com mãos ágeis Rosalie puxou para cima a camisa que Emmett usava, ele ergueu os braços ajudando-a no processo. As mãos delicadas deslizaram pelo abdômen forte alcançando o cós da calça, abrindo o botão em seguida o cinto. Rapidamente ele a interrompeu, fazendo-a erguer os braços para lhe retirar a blusa. Em um nanosegundo o sutiã também estava no chão junto ao restante das roupas de Rosalie.


Ansioso e cheio de desejo, há tempos contido, Emmett abaixou-se à medida que jugou necessário, separando as pernas de Rosalie, um pouco mais, antes de afundar seu rosto ali, lhe beijando o sexo quente e úmido. Rosalie inclinou a cabeça para trás mantendo ambas as mãos espalmadas sobre o mármore frio do balcão, sentindo ondas de prazer absoluto e incontroláveis. Em questão de minutos seu corpo começou a tremer em espasmos contínuos, e quando ela estava quase lá, Emmett parou, ficando de pé novamente entre as pernas dela, lambendo os lábios, mantendo uma expressão sedutora e ao mesmo tempo pervertida.


- Tem ideia do quanto é deliciosa? – murmurou ele, puxando-a pela cintura, com obsessão, para mais perto de seu corpo. – Quero me afundar em seu corpo nesse instante – sussurrou ao pé do ouvido, com a voz totalmente rouca.


As mãos de Rosalie alcançaram novamente o cós da calça de Emmett tocando-lhe a excitação. Com o gesto, Emmett deixou escapar um gemido preso na garganta, chegando a fechar os olhos brevemente.


- Quer brincar... – sussurrou ele, permitindo que a calça caísse aos seus pés. Com um gesto preciso ele a afastou dos próprios pés, chutando para o lado. Para logo em seguida retirar a cueca boxer preta expondo seu sexo pulsante.


As mãos delicadas de Rosalie estavam por toda a extensão acariciando-o levando-o a loucura. Sucumbindo ao abismo de emoções. De repente ele a fez parar, segurando suas mãos. Rosalie o encarou, insatisfeita, e com o timbre de voz totalmente afetado ele perguntou:


- Está com o uso de seu anticoncepcional injetável em dia? – Rosalie maneou a cabeça positivamente. Aquela altura do campeonato ela podia dizer qualquer coisa acreditando que estava correta.


- Ótimo – disse Emmett. – Então não vamos precisar do preservativo, prefiro ao natural – Rosalie o puxou pela cintura após ele ter liberado suas mãos. – Ansiosa, meu anjo? – perguntou, apertando a cintura dela. – Eu também estou – e com essa última frase Emmett se afundou no interior quente e úmido do sexo dela, que pulsava pelo seu. Murmurando gemidos de prazer que estavam presos em sua garganta, sentindo-se completo novamente. Sentindo a sensação devastadora de ter seu corpo afundado ao dela mais uma vez.


Rosalie gemeu sem pudor, feito uma gata selvagem, quando Emmett deu sua primeira investida, forte e ansiosa. Ele inclinou o rosto alcançando os seios dela beijando-os, mordiscando-os, lambendo-os, trabalhando cuidadosamente em cada mamilo rosado e entumecido. Enquanto seus corpos afundavam na sensação infinita do prazer carnal, Emmett investia fundo, cada vez mais urgente, sem interrupções ou falha.



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Notas finais
Bem, esse é o momento da chegada, como era madrugada ninguém os viu ainda. E, obviamente, como o casal estava há muito tempo na seca, não deu para segurar mais u_u Emmett estava a ponto de explodir *assoviando com cara de paisagem*

E a nossa Verinha querida também teve sua noite de amor, a primeira. O que acharam? Eu achei que ficou fofinha.

E quando o dia raiar Norristown será redescoberta por eles. Será que a família vai ter um treco quando os vir chegar à porta sem avisar?
Vejo vocês nos reviews :)

Beijo, beijo

Sill