Quando o Amor Acontece

32 Capítulo 32 - Difícil Decisão


Melinda dormira até bem, se comparada com as noites anteriores. Fora acordada na manhã de sábado por volta das oito, pelo toque de seu celular. Logo que o aparelho tocou, o nome que lhe veio em mente fora o do seu gatinho lindo.


Tateou a mesinha de cabeceira em busca do aparelho, ao localizá-lo viu que a ligação não era de Emmett e sim do detetive barato que localizou através de uns amigos da universidade.


– Alô! – sua voz ainda estava com sinais de sono.


– Senhorita Melinda, localizei a pessoa em questão. Ela ainda vive aqui em Chicago, não mais em seu antigo endereço, mas ainda está aqui. Tenho informações que lhe passarei assim que chegar em Los Angeles ainda hoje.


– Isso é ótimo – fora tudo que Melinda conseguiu dizer, pois o que estava fazendo não era algo que imaginava fazer algum dia. Seu coração não estava certo disso. Contudo, não deveria e não poderia desistir, não agora, já que estava tão perto.


– Com as pistas que você me passou, não foi tão difícil localizá-la, porém não falei com ela como você pediu, apenas localizei.


– Por favor, me passe o telefone dela, preciso tentar ligar ainda hoje, é melhor que me passe antes assim não corro risco de desistir.


– Como a senhorita preferir... – do outro lado da linha, o detetive conhecido por Travis, procurou em alguns papéis em sua pasta amarrotada de coisas, algumas até inúteis. Falou pausadamente o número do telefone da casa de Rosalie para Melinda.


– Ok, obrigada! Quando estiver de volta a Los Angeles conversamos detalhadamente. Por hora isso, é o bastante.


Melinda desligou o celular, logo depois apoiou no queixo. “É gatinho, a hora está chegando, me perdoa pelo que iriei fazer sem seu consentimento, porém é necessário.”


Saiu da cama devagar, não estava com ânimo, com tudo que estava prestes a acontecer, não era de se estranhar. Depois de ter feito sua higiene matinal, se juntou aos tios na mesa de café da manhã.


No decorrer da primeira refeição do dia, Melinda ponderou se de fato ligaria para Rosalie e apostaria nas atitudes dela. Estava sendo doloroso demais pensar no que iria fazer, quem dirá por em prática.


– Tem certeza de que quer mesmo fazer isso minha querida? – sua tia lhe perguntou, notando toda a tristeza que vinha assolando a sobrinha nos últimos dias.


– Certeza eu não tenho tia, mas preciso fazer algo por ele, antes, que tudo chegue ao fim.


– Mel, minha querida, você não tem porque fugir do Emmett e encontrar alguém para ele. Não é o que ele gostaria. Tem que contar o que está acontecendo, ele vai estar ao seu lado não importa o que aconteça. Não sofra em dobro, por favor.


– Tia entenda, não posso condená-lo a passar por isso comigo. Não quero que sofra vendo meu sofrimento, não quero prejudicar seu desempenho nos jogos. Não posso pensar apenas em mim, tenho que pensar nele também. Por isso essa difícil decisão. Pelo o que encontrei e o que a irmã dele me disse, eles se gostaram muito no passado, talvez se eu fizer com que se reencontrem, consiga afastá-lo de mim. Mesmo que isso me machuque profundamente. Preciso ser forte o bastante para entregá-lo à ela, porque isso sim vai me doer mais que essa coisa que já está acabando comigo.


Antes mesmo de terminar de falar, Melinda estava chorando. Estava entregue ao medo e ao desespero da despedida. Entregar o grande amor de sua vida nas mãos de outra não seria nada fácil, seriam duas dores distintas a qual Melinda teria de enfrentar. Porém, esse ainda assim lhe parecia o caminho para uma possível solução, para seu gatinho ficar bem.


Horas depois do café da manhã, depois de ter estabilizado sua crise emocional, Melinda sentou no sofá na sala da casa dos tios. Pegou o aparelho telefônico digitando os números anotados em um caderninho. Esse processo se repetiu quatro vezes, até que tomasse coragem para esperar a ligação se completar.



Chicago


Rosalie estava em seu quarto usando o computador quando ouviu o telefone tocar no andar de baixo. Porém não deu importância, aquilo acontecia com frequência, se fosse para ela alguém lhe avisaria.


– Alô! – Esme atendeu do escritório enquanto a diarista passava o aspirador de pó no cômodo. – Aguarde um minuto, por favor – Esme pediu para a pessoa do outro lado da linha sem ao menos saber quem era. – Diana, desligue um pouco a aspirador, por favor.


– Ah sim, me desculpa senhora! – dizendo isso, Diana desligou o aspirador de pó devolvendo o silêncio ao escritório.


– Obrigada! – Esme agradeceu retornando a falar com a pessoa no telefone. – Sim, pode falar, agora estou ouvindo.


– Bom dia, com quem eu falo, por favor?


– Bom dia, aqui é Esme, com quem gostaria de falar?


– Meu nome é Melinda, eu gostaria de falar com a Rosalie, se ela estiver em casa no momento, por favor.


– É amiga dela da faculdade? – Esme só perguntou por que nunca havia visto a filha mencionar nenhuma Melinda antes.


– Na verdade, ela não me conhece, só diz para ela que gostaria de falar sobre o Emmett, ela deve saber quem é.


– Sim, irei avisá-la da ligação. Aguarde um instante, sim?!


A ligação pareceu um tanto estranha para Esme, entretanto, se ela tinha algo a falar a respeito de Emmett talvez sua filha pudesse gostar.


Esme subiu as escadas indo em direção ao quatro da filha. Deu três leves batidas na porta, que se encontrava entreaberta.


– Oi mãe, entra!


– Filha, telefone para você.


– Quem é? – “Tomara que não seja o Royce” – pensou.


– Ela disse que se chama Melinda. Sabe quem é?


Rosalie hesitou na cadeira.


– O quê?! – fora totalmente surpreendida com o nome que acabara de ouvir. O mesmo nome que descobrira com ajuda de Vera ser o nome da namorada de Emmett. “Deus, o que é isso?” – pensou. – Mãe! – Rosalie exclamou chocada.


– O quê, amor?!


– Tem certeza de que o nome é mesmo esse? Não foi, Melissa, Melane ou sei lá... Outro nome que comece com M?!


– Não meu bem, o nome foi esse mesmo. Ela disse que quer falar com você sobre... Emmett.


– O quê? O quê? O quê? – rapidamente Rosalie saltou da cadeira, andando de um lado para o outro dentro do quarto. Mãezinha, linda o que é isso? Estou sonhando ou o quê?


– Rose, por que tanta surpresa, meu bem?


– Mãe, como assim ela quer falar do Emmett?! Eu não esperava isso. Nem que essa Melinda me ligaria algum dia!


– Vai atender aqui?! Eu desligo lá embaixo tá!


– Ah ok, obrigada mãe.


– Por nada querida.


Esme voltou ao andar de baixo deixando Rosalie com um turbilhão de pensamentos duvidosos.


– Ok mãe, já pode desligar – disse logo que pegou o telefone de seu quarto.


Esme desligou, permitindo que a filha pudesse falar com privacidade.


– Alô! – Rosalie atendeu um pouco receosa do que a esperava, desconfiança era algo presente no momento. “Vera, se for você me pregando uma peça, pode começar a rezar” – rapidamente sua mente pensou na hipótese de ser uma brincadeira de mau gosto, mas ainda assim uma brincadeira.


– Rosalie? – Melinda perguntou com um nó preso na garganta.


Rosalie sentiu uma sensação asquerosa ao ouvi-la falar seu nome. A raiva causada pelo ciúme que sentia era palpável.


– Sim sou eu.


– Sei que não tem ideia de quem sou, nem porque estou te ligando. Eu me chamo Melinda, gostaria de conversar com você por alguns minutos para que entenda um pouco do que se trata. É sobre o garoto que você conheceu anos atrás, para ser mais específica, sobre Emmett.


– Sobre o Emmett! – Rosalie repetiu aquele nome que para ela era tão familiar, mesmo não estando com ele há anos. – Olha só, se você está me ligando para falar que ele é seu namorado e blá, blá, blá... Não perca seu tempo porque isso eu já sei perfeitamente bem. E a propósito, como me encontrou?


Rosalie estava com raiva. Aquela atitude de Melinda em ligar para falar com ela estava lhe soando como um tipo de afronta. E isso não iria admitir.


Por outro lado, também não estava sendo fácil para Melinda realizar aquela ligação. Ter que recorrer a Rosalie, uma pessoa a qual ela não conhecia, mas que era peça fundamental na história...


Rosalie não tinha ideia dos reais motivos daquela ligação e o quanto aquilo feria o coração de Melinda, talvez se soubesse fosse um pouco mais condizente.


– Me desculpa por te ligar assim, sei que deve estar se perguntando muitas coisas. Mas posso responder todas suas perguntas e dúvidas pessoalmente se tiver interesse.


– Como assim? Isso é uma piada, não é? Por que quer falar comigo pessoalmente?


– Rosalie, o assunto é um tanto delicado, não creio que seja algo para se falar por telefone. Só me responda uma coisa, você tem interesse em encontrar o Emmett? – dizer essas palavras fez os olhos de Melinda se encherem de lágrimas.


– Que brincadeira é essa? Você, namorada dele, perguntando se quero encontrá-lo?! Faça-me o favor de parar com a palhaçada, porque não estou achando graça alguma!


– Não fale assim, isso não é palhaçada como diz você. Isso é sério, muito sério.


– Você é doida ou o quê? Me desculpa, mas estou achando esse telefonema absurdo demais para ser sério, sei lá... É melhor eu desligar. Passe bem!


– Não. Não desligue Rosalie, por favor, preciso mesmo falar com você pessoalmente.


– Olha Melinda! É esse seu nome não é?


– Sim – Melinda respondeu.


– Melinda, falar sobre o Emmett para mim é um assunto sério e muito delicado. Não sabe o quanto lamentei o quanto me feriu ter que me afastar dele...


– Rosalie, eu não sei, mas posso te garantir que estou prestes a descobrir...


As duas mulheres estavam fragilizadas, cada uma com seu fragmento de dor. Abrir mão de um grande amor para que ele continue sendo feliz é algo que se possa chamar de grande altruísmo.


– Como faremos isso? Quem vai até quem? Estou em Chicago e você em Los Angeles.


– Sei que tudo está meio estranho ou até mesmo insano. Mas se puder vir até Los Angeles será melhor.


– Por que você não pode vir até aqui? – Rosalie estava se mostrando muito desconfiada. Afinal, esse tipo de situação não acontece todos os dias.


– Não posso pelo mesmo motivo que te procurei. Se vier, lhe explicarei.


– Hmmm... Não sei não, mas de qualquer forma irei. Emmett está bem, não está?


– Sim, e para que continue bem, preciso que venha.


– Onde te encontro então? Mas fique sabendo que se tudo for uma brincadeira, você irá se arrepender Melinda.


– Não é brincadeira. Eu posso pedir para alguém te pegar no aeroporto. Não, melhor, eu mesma te esperar no aeroporto!


– Ok! – Rosalie disse.


– Quando você vem? Por favor, que seja breve.


– Amanhã mesmo só preciso de um álibi para fugir de uma pessoa.


– Certo, então esperarei você me ligar para falar o horário de seu voo.


– Sim, eu ligarei.


– Obrigada, Rosalie, por não ter desligado, por ter me ouvido. Tenho certeza de que irá entender, quando lhe contar tudo.


– Estou louca para saber, pode apostar... Não me agradeça agora...


A ligação fora finalizada. Duas mulheres e um amor incomum pelo mesmo homem. Uma em Chicago, outra em Los Angeles. Uma chorava pelo o que estava prestes a fazer e pelos últimos acontecimentos em sua vida. A outra chorava pelo medo que tudo não passasse de uma piada, uma piada a qual ela nunca conseguiria rir.



Notas finais
Milleney, DuddahCbv, Nyh_Cah, Relsanli, Deborah Paula, Sophiehale, PaulaBrito, Rosy_Emm, Karina Castro e mamita. Obrigada pelos reviews.